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Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Em seus 3.500 metros quadrados, o pavilhão da Espanha oferece aos visitantes uma experiência arquitetônica e expositiva singular, além de funcionar como vitrine da inovação, da cultura e do tecido produtivo do país. Durante seis meses, empresas, entidades regionais e outras instituições utilizarão seus espaços para manter encontros, apresentações e fóruns. A arquitetura se torna, assim, uma ferramenta estratégica de visibilidade internacional.

O Pavilhão da Espanha é capaz de unir o sabor local a uma experiência coletiva e de projeção global, onde qualquer visitante se sinta acolhido. Além disso, valoriza um dos laços históricos entre a Espanha e o Japão: desde o século XVI o navegador guipuzcoano Andrés de Urdaneta estabeleceu um próspero itinerário comercial e cultural entre o arquipélago nipônico e o vice-reinado da Nova Espanha, através da corrente de Kuroshio, que flui pelo Pacífico Norte. Este legado histórico inspira e dá sentido ao lema do pavilhão.

O vínculo compartilhado é reafirmado pelo segundo emblema da proposta, o sol, presente na cultura nipônica tanto quanto na espanhola, e que em seu percurso de nascente a poente conecta os dois extremos do mundo. Como um reflexo recortado na água, a imagem do astro serve para caracterizar o limiar que separa o acesso ao interior do pavilhão.

Uma praça mediterrânea. Ao contrário de outros pavilhões que apostam em fachadas imponentes, o Pavilhão da Espanha propõe uma arquitetura aberta e acolhedora. Apresenta-se como uma paisagem que recebe o visitante com um grande vazio frontal: uma praça inspirada no espírito mediterrâneo, que convida ao jogo, ao descanso e ao encontro.

Após um suave escalonamento que simula as ondas do mar, sobe-se até a antessala da exposição; a “Praça do Sol”, presidida por uma tela de LED que oferece sete peças de vídeo que recorrem à simbologia do sol, seu papel para entender o equilíbrio do nosso planeta, e sua força como criador de imaginários em torno de um futuro mais sustentável. Após esta “fachada digital”, a proposta expositiva sugere um percurso em rampa com uma suave inclinação descendente, como faríamos ao mergulhar. Envolto em tons ultramar, este trajeto simula uma imersão nas profundezas marinhas e conduz os visitantes até a saída, onde se encontram a sala polivalente, a loja e um restaurante cujo menu foca nos produtos do mar. Na saída, situada ao nível da rua e em conexão com o Grand Ring, as cores tornam-se mais vivas e uma instalação audiovisual panorâmica mostra imagens associadas ao caráter vibrante e festivo da Espanha e de seu povo, numa celebração de retorno à luz.


Sustentabilidade e circularidade. A edição da Exposição Universal de Osaka será a primeira sem deixar um legado na cidade, já que todas as construções terão que ser desmontadas para que a ilha recupere sua função portuária uma vez finalizada a mostra. Por esse motivo, o pavilhão é concebido como um exemplo de circularidade onde, como ocorre nos oceanos, não existe o conceito de resíduo e qualquer recurso terá uma segunda vida. Tudo foi projetado para sua posterior desmontagem e possível reutilização, seja para ser reconstruído em outros locais ou para seu retorno à cadeia de produção.


O sistema construtivo aposta em materiais naturais e próximos, como a madeira de cedro vermelho japonês, por uniões simples montadas a seco e pelo manejo de um único elemento para resolver diferentes cenários. Assim, a madeira é utilizada em toda a estrutura de pórticos, compostos por pilares duplos em cada extremidade e vigas em forma de “T”, que se repetem até quarenta vezes com diferentes alturas para dar forma aos sucessivos volumes interiores do pavilhão.

A escolha do material facilita sua montagem e alivia o peso da estrutura para simplificar a fundação no terreno da ilha artificial. Assim, o volume tem uma pegada ambiental quase nula que, como o próprio ciclo da água, exemplifica um processo contínuo que prevê a reutilização futura de seus componentes, assim como a incorporação de material reciclado.


Neste processo, a equipe de arquitetura colaborou com artesãos especializados, como Cerâmica Cumella no design das peças coloridas da fachada ou Ondarreta que incorpora mobiliário fabricado a partir de madeiras certificadas e tecidos reciclados. Além disso, para definir as diretrizes sustentáveis, contou-se com empresas especializadas em gestão de resíduos: CoCircular, cuja consultoria guiou todo o processo de projeto; e os fabricantes Honext e Gravity Waves, que forneceram respectivamente painéis de compartimentação fabricados com papel reciclado e revestimentos internos de plástico proveniente de redes de pesca.



A experiência do visitante. A arquitetura do pavilhão evoca tanto o oceano quanto o sol refletido nele. Os dois recursos mais importantes do planeta e símbolos universais, fazem referência, por um lado, a certa identidade nacional, a que a Espanha possui por sua condição de península mediterrânea e por sua particular maneira de entender a vida. No entanto, também se alude a uma identidade coletiva e global, que faz com que qualquer visitante da Exposição Universal possa se identificar com a proposta. Esses mesmos recursos foram utilizados na identidade e logo oficial da Espanha sob uma direção de arte que unifica arquitetura, exposição e marca.

A experiência do visitante no Pavilhão da Espanha se desenvolve em quatro espaços que combinam imersão, cultura e sustentabilidade. Ela começa na “Praça do Sol”, uma área de espera concebida como uma praça espanhola, com projeções audiovisuais e espetáculos ao vivo que introduzem um estilo de vida próximo e animado. Segue em “Correntes para o Futuro”, um percurso inspirado na corrente de Kuroshio que simula uma imersão marinha para explorar a economia azul e o vínculo da Espanha com o mar. “Saudações da Espanha”, uma instalação audiovisual celebra o caráter festivo e criativo do país por meio de postais e selfies, convidando a refletir sobre o turismo e seu impacto ambiental. Finalmente, “Uma Espanha Diversa” apresenta a riqueza territorial das 17 comunidades autônomas através de uma tela que acompanha a saída para a loja, o restaurante e as salas polivalentes.


A arquitetura costuma ser representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências ao redor. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram feitos para serem compreendidos de imediato, nem revelam sua lógica apenas pela forma. Sua inteligência espacial emerge aos poucos — pela repetição, pela ocupação e pela duração.
O bazar se insere com firmeza nessa categoria. Ele não pode ser entendido por um único desenho ou por uma elevação finalizada. Sua organização não é fixa, é ensaiada diariamente. O que o sustenta não é apenas a composição arquitetônica, mas o tempo compartilhado, a memória coletiva e padrões de uso construídos ao longo dos anos. A convivência no bazar não nasce de decisões formais de projeto; ela é produzida por encontros repetidos, proximidades negociadas e familiaridade social acumulada no tempo.
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Observar um bazar com atenção é reconhecer a arquitetura operando como um sistema temporal. Mercados não funcionam de maneira contínua e uniforme. Eles se montam, se intensificam, pausam, se transformam e se dissolvem — muitas vezes dentro de um único dia. Da atividade noturna do Mercado de Flores Dadar, em Mumbai, à precisão matinal do Mercado de Tsukiji, em Tóquio, esses ambientes são regidos menos por fechamentos espaciais e mais por coordenação no tempo.
Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca
A regulação acontece por repetição, não por imposição. A orientação se dá pela familiaridade, não pela sinalização. A memória assume o papel que, em geral, caberia às paredes e aos limites físicos. Ao longo do dia, ferramentas arquitetônicas convencionais começam a perder relevância. Plantas não conseguem registrar o movimento; diagramas de zoneamento falham em captar a sobreposição. Em seu lugar, é preciso outro tipo de leitura espacial — uma que reconheça o tempo como estrutura organizadora e o comportamento como um material arquitetônico central.

Entre a meia-noite e o início da manhã, muitos mercados se formam fora do olhar da cidade. No Mercado de Flores KR, em Bengaluru, essa lógica temporal está ligada ao papel da cidade como polo agrícola e comercial regional. As flores chegam durante a noite, vindas de distritos vizinhos e outros estados, sincronizadas com a demanda do atacado nas primeiras horas do dia e com a necessidade de evitar o calor e o trânsito diurnos. O mercado ocupa um tecido urbano denso, sobreposto por rotas de transporte, instituições religiosas e ruas comerciais históricas. Sua montagem segue o hábito, não a alocação formal.

Superfícies temporárias são estendidas. Feixes de flores definem bordas e caminhos. Poucos estandes existem no sentido arquitetônico tradicional, mas os limites espaciais são claramente compreendidos. Os vendedores retornam aos mesmos pontos todos os dias, guiados pelo reconhecimento social, não por marcações físicas. O território se mantém pela continuidade, não pela posse. A ordem espacial é construída coletivamente, sem infraestrutura visível ou controle centralizado. Aqui, o bazar revela uma inteligência arquitetônica raramente reconhecida: ambientes feitos pela repetição, e não pela permanência; legibilidade sustentada pela memória, e não pelo fechamento material.
Nas primeiras horas da manhã, a atividade se intensifica. Troca no atacado, compras no varejo, logística e demandas rituais se sobrepõem num intervalo de tempo extremamente comprimido. A proximidade do mercado com ruas comerciais e áreas de culto o insere num tecido urbano historicamente denso. Do ponto de vista do planejamento, essa concentração costuma ser lida como desordem. No nível do chão, porém, o espaço opera com precisão.

Os fluxos se ajustam em torno de carrinhos, motos e carregadores. Certos caminhos se alargam ou se estreitam conforme o volume, não conforme a dimensão física. Limiares mudam de função sem alteração arquitetônica. O que parece caótico de cima funciona como um sistema calibrado por hábito, familiaridade e ajuste mútuo. Aqui, a densidade não indica falha do planejamento — indica sucesso da organização temporal. A arquitetura atua menos como separação e mais como estrutura para negociação constante.
Com o avanço do dia, a intensidade diminui. A ênfase passa da transação ao descanso, à manutenção e à troca social. Em mercados como o de Mapusa, em Goa, essa desaceleração é estrutural. O ritmo do mercado se vincula mais aos ciclos agrícolas semanais e sazonais do que à demanda diária. O pico ocorre pela manhã; depois, o tempo se alonga.

Nessas horas, o mercado se expande e se contrai no tempo, não no espaço. A forma construída oferece sombra, bordas e superfícies duráveis, mas recua em protagonismo. A organização se dá por expectativa mútua. Conversas se estendem. Assentos improvisados surgem onde nada foi projetado. O mercado continua ocupando o espaço sem produzir troca material. Essa pausa não é ineficiência — é inteligência espacial. Ela permite que o sistema se recupere e se sustente ao longo das semanas e estações.
À medida que o comércio se encerra, muitos mercados se transformam profundamente. No Campo de’ Fiori, em Roma, a retirada das barracas revela uma praça cívica. O mesmo chão que sustentava caixas e circulação pela manhã passa a acolher encontros e lazer à noite.

Essa mudança acontece sem qualquer intervenção arquitetônica ou reprogramação formal. O uso se transforma, mas a memória do espaço permanece. Mesmo sem as barracas e objetos, os vestígios do mercado continuam legíveis, e as pessoas ainda reconhecem onde a atividade acontecia, orientando-se pela familiaridade — não por placas ou dispositivos de design. O espaço não precisa anunciar sua nova função; ele simplesmente a incorpora. O êxito desses ambientes não está na “flexibilidade” como recurso projetado, mas na ausência de restrições. A arquitetura se mantém aberta o suficiente para acolher diferentes condições sociais ao longo do tempo, sem impor hierarquias nem fixar permanências. Ao evitar definir o uso com excesso de precisão, o mercado garante continuidade entre o comércio e a vida pública, mostrando como a arquitetura permanece relevante quando permite que os programas evoluam, em vez de exigir estabilidade.
À noite, o bazar quase desaparece. Estruturas temporárias somem. Os objetos vão embora. Em mercados como o Ballarò, em Palermo, quase nada resta fisicamente — mas a ordem espacial continua viva na memória coletiva. O mercado não depende de preservação formal. Ele sobrevive por ensaio diário.

Com o tempo, a questão muda: não é mais como projetar mercados, mas como os mercados moldam o comportamento espacial. O bazar ensina negociação, timing e convivência. Ele produz coletividade não pela forma, mas pelo uso contínuo. Não se trata de romantizar a informalidade, mas de ampliar o modo como a arquitetura observa o espaço vivido. Quando espaço e tempo são inseparáveis, a representação também precisa ser. O bazar não pede outra arquitetura. Ele pede outras formas de enxergar a arquitetura como ela é vivida.
Este artigo é parte dos Temas do ArchDaily: Construindo lugares de encontro. Mensalmente, exploramos um tema em profundidade através de artigos, entrevistas, notícias e projetos de arquitetura. Convidamos você a conhecer mais sobre os temas do ArchDaily. E, como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossas leitoras e leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.
Timothée Chalamet cresceu no Manhattan Plaza, um edifício de 46 andares localizado no bairro de Hell’s Kitchen, em Manhattan. Concluído em 1977, o complexo oferece moradias subsidiadas para famílias de renda média, dentro do programa habitacional Mitchell-Lama da cidade de Nova York. O prédio abriga muitos artistas, o que lhe rendeu o apelido de “o quarto da Broadway” (Broadway’s Bedroom). Entre outros moradores famosos estão Colman Domingo, Alicia Keys, Angela Lansbury, Mickey Rourke e Larry David (que inspirou o personagem Cosmo Kramer na série Seinfeld). Em certa época, Samuel L. Jackson chegou a trabalhar ali como segurança.

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Este edifício é a nova sede do nosso escritório de arquitetura e da nossa oficina de carpintaria. Por que nós, um escritório de arquitetura, decidimos criar uma oficina de marcenaria? Em Okinawa, tornou-se comum que muitos edifícios comerciais utilizem estruturas de concreto armado combinadas com caixilhos de alumínio. No entanto, em grande parte de nossos projetos, optamos por projetar e instalar caixilhos de madeira nas aberturas — elementos com os quais as pessoas entram em contato direto no cotidiano e que influenciam significativamente a qualidade do espaço.

Casa EJ / Leo Romano
Casa Crua / Order Matter
Casa AL / Taguá Arquitetura
Terreiro do Trigo / Posto 9
Casa São Pedro / FGMF
Casa ON / Guillem Carrera
Casa Tupin / BLOCO Arquitetos
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