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Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca

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2025
Fabricantes: Marset, Pholc, Saint-Gobain

Descrição enviada pela equipe de projeto. No intrincado tecido das cidades europeias, onde o espaço é um bem precioso e sobram cantos esquecidos, A Capela surge como um ato de alquimia arquitetônica — um exemplo singular para toda a Europa, e não apenas para a Romênia.

É uma intervenção preciosa como uma joia, um farol de luz e vida, que transforma um vão negligenciado em um espaço vibrante e sagrado para a conexão humana e a contemplação. Um exemplo marcante de como precisão e visão podem gerar novas narrativas nos tecidos urbanos mais antigos.

Nossa jornada começou em um terreno residual excepcionalmente estreito, na Rua Bazilescu. Longe de encarar essa limitação como um obstáculo, abraçamos suas restrições extremas, cientes de que o projeto exigiria precisão cirúrgica.


1. Análise do local e microcontextualização: medições detalhadas e observações cuidadosas do microclima, da luz e do fluxo de pedestres guiaram cada decisão.
2. O “Vaso de Luz”: o conceito central se consolidou em torno de dois objetivos — suavizar a dureza do concreto e capturar luz natural. A forma triangular aguda permitiu maximizar o volume e criar um dinamismo visual marcante.
3. Materialidade e fabricação: optamos por uma estrutura leve e precisa em aço para montagem rápida. A fachada é dominada por vidro triplo de alto desempenho e baixa emissividade, garantindo transparência e criando um efeito prismático. O interior, revestido em madeira clara, transmite calor e um contraste monástico com o exterior.
4. Pré-fabricação fora do canteiro: grande parte da estrutura foi pré-fabricada para acelerar a montagem, minimizar impactos e reduzir desperdícios no contexto urbano restrito.

O desenho da Capela é uma lição de economia formal e impacto emocional em dimensões mínimas:
Ápice triangular: a forma ascendente e aguda maximiza o volume interno, criando uma sensação dramática de altura que contrasta com a base estreita.
Pele envidraçada: quase totalmente revestida de vidro, funciona como uma lente transparente que integra interior e exterior, transformando-se em uma lanterna luminosa à noite.
Interior íntimo: apesar da base reduzida, o pé-direito alto e a entrada abundante de luz geram amplitude. O acabamento em madeira clara cria um ambiente acolhedor para interação focada, contemplação ou eventos cuidadosamente selecionados.
Conexão com a natureza: a árvore madura ao lado é parte integrante do projeto, oferecendo sombra e serenidade.
Iluminação como arte: à noite, a iluminação transforma o edifício em um farol radiante, uma verdadeira instalação de luz na cidade noturna.


A singularidade da Capela nasce diretamente de seus desafios, que se tornaram suas marcas registradas:
Estreiteza extrema: essa restrição central forçou soluções radicais para estrutura, acesso e layout, expandindo os limites do que se considera possível em terrenos convencionais.
Sensibilidade contextual: a inserção respeitosa dialoga com as fachadas vizinhas e com o ambiente natural, fazendo-a parecer ao mesmo tempo nova e parte orgânica do lugar.
Luz e volume máximos: a captação e amplificação da luz natural transformam um espaço potencialmente claustrofóbico em um ambiente claro e convidativo.
Intimidade programável: a escala reduzida favorece uma proximidade única, definindo seu charme e atraindo visitantes para uma experiência personalizada.

Conclusão — Um Testamento Luminoso à Caldeira Bazilescu
A Capela é mais do que um edifício; é um testamento luminoso ao poder da arquitetura precisa. Uma declaração ousada sobre a engenhosidade urbana, a beleza do íntimo e a capacidade transformadora do design para revelar o potencial oculto das cidades. Acreditamos que A Capela oferece uma visão inspiradora para o urbanismo europeu: um modelo de como intervenções pequenas e criteriosas podem gerar grande impacto, de como espaços negligenciados podem se tornar santuários valorizados e de como luz, forma e função podem se unir para criar lugares verdadeiramente inesquecíveis. Um microcosmo brilhante, que pulsa como uma “caldeira” de vida e uma “capela” de design contemporâneo.

“Minha intervenção atual, a convite dos moradores, tem a função de atualizar e adequar a grande casa à vida da família”, diz o arquiteto Carlos Boeschenstein, que criou o espaço artístico e a sala de ginástica, além de retrabalhar toda a iluminação para valorizar as madeiras da estrutura típica de Zanine e, ao mesmo tempo, destacar as peças da “artista residente” – neste caso, literalmente. Raquel estudou sua arte na Heatherleys School of Fine Arts, no Morley College e na University of the Arts of London, e já expôs suas obras, desde 2019, na Casa Brasil, no Centro Cultural dos Correios e no Consulado da Argentina, além de galerias diversas, sempre no Rio de Janeiro.

A arquitetura costuma ser representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências ao redor. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram feitos para serem compreendidos de imediato, nem revelam sua lógica apenas pela forma. Sua inteligência espacial emerge aos poucos — pela repetição, pela ocupação e pela duração.
O bazar se insere com firmeza nessa categoria. Ele não pode ser entendido por um único desenho ou por uma elevação finalizada. Sua organização não é fixa, é ensaiada diariamente. O que o sustenta não é apenas a composição arquitetônica, mas o tempo compartilhado, a memória coletiva e padrões de uso construídos ao longo dos anos. A convivência no bazar não nasce de decisões formais de projeto; ela é produzida por encontros repetidos, proximidades negociadas e familiaridade social acumulada no tempo.
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Observar um bazar com atenção é reconhecer a arquitetura operando como um sistema temporal. Mercados não funcionam de maneira contínua e uniforme. Eles se montam, se intensificam, pausam, se transformam e se dissolvem — muitas vezes dentro de um único dia. Da atividade noturna do Mercado de Flores Dadar, em Mumbai, à precisão matinal do Mercado de Tsukiji, em Tóquio, esses ambientes são regidos menos por fechamentos espaciais e mais por coordenação no tempo.
Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca
A regulação acontece por repetição, não por imposição. A orientação se dá pela familiaridade, não pela sinalização. A memória assume o papel que, em geral, caberia às paredes e aos limites físicos. Ao longo do dia, ferramentas arquitetônicas convencionais começam a perder relevância. Plantas não conseguem registrar o movimento; diagramas de zoneamento falham em captar a sobreposição. Em seu lugar, é preciso outro tipo de leitura espacial — uma que reconheça o tempo como estrutura organizadora e o comportamento como um material arquitetônico central.

Entre a meia-noite e o início da manhã, muitos mercados se formam fora do olhar da cidade. No Mercado de Flores KR, em Bengaluru, essa lógica temporal está ligada ao papel da cidade como polo agrícola e comercial regional. As flores chegam durante a noite, vindas de distritos vizinhos e outros estados, sincronizadas com a demanda do atacado nas primeiras horas do dia e com a necessidade de evitar o calor e o trânsito diurnos. O mercado ocupa um tecido urbano denso, sobreposto por rotas de transporte, instituições religiosas e ruas comerciais históricas. Sua montagem segue o hábito, não a alocação formal.

Superfícies temporárias são estendidas. Feixes de flores definem bordas e caminhos. Poucos estandes existem no sentido arquitetônico tradicional, mas os limites espaciais são claramente compreendidos. Os vendedores retornam aos mesmos pontos todos os dias, guiados pelo reconhecimento social, não por marcações físicas. O território se mantém pela continuidade, não pela posse. A ordem espacial é construída coletivamente, sem infraestrutura visível ou controle centralizado. Aqui, o bazar revela uma inteligência arquitetônica raramente reconhecida: ambientes feitos pela repetição, e não pela permanência; legibilidade sustentada pela memória, e não pelo fechamento material.
Nas primeiras horas da manhã, a atividade se intensifica. Troca no atacado, compras no varejo, logística e demandas rituais se sobrepõem num intervalo de tempo extremamente comprimido. A proximidade do mercado com ruas comerciais e áreas de culto o insere num tecido urbano historicamente denso. Do ponto de vista do planejamento, essa concentração costuma ser lida como desordem. No nível do chão, porém, o espaço opera com precisão.

Os fluxos se ajustam em torno de carrinhos, motos e carregadores. Certos caminhos se alargam ou se estreitam conforme o volume, não conforme a dimensão física. Limiares mudam de função sem alteração arquitetônica. O que parece caótico de cima funciona como um sistema calibrado por hábito, familiaridade e ajuste mútuo. Aqui, a densidade não indica falha do planejamento — indica sucesso da organização temporal. A arquitetura atua menos como separação e mais como estrutura para negociação constante.
Com o avanço do dia, a intensidade diminui. A ênfase passa da transação ao descanso, à manutenção e à troca social. Em mercados como o de Mapusa, em Goa, essa desaceleração é estrutural. O ritmo do mercado se vincula mais aos ciclos agrícolas semanais e sazonais do que à demanda diária. O pico ocorre pela manhã; depois, o tempo se alonga.

Nessas horas, o mercado se expande e se contrai no tempo, não no espaço. A forma construída oferece sombra, bordas e superfícies duráveis, mas recua em protagonismo. A organização se dá por expectativa mútua. Conversas se estendem. Assentos improvisados surgem onde nada foi projetado. O mercado continua ocupando o espaço sem produzir troca material. Essa pausa não é ineficiência — é inteligência espacial. Ela permite que o sistema se recupere e se sustente ao longo das semanas e estações.
À medida que o comércio se encerra, muitos mercados se transformam profundamente. No Campo de’ Fiori, em Roma, a retirada das barracas revela uma praça cívica. O mesmo chão que sustentava caixas e circulação pela manhã passa a acolher encontros e lazer à noite.

Essa mudança acontece sem qualquer intervenção arquitetônica ou reprogramação formal. O uso se transforma, mas a memória do espaço permanece. Mesmo sem as barracas e objetos, os vestígios do mercado continuam legíveis, e as pessoas ainda reconhecem onde a atividade acontecia, orientando-se pela familiaridade — não por placas ou dispositivos de design. O espaço não precisa anunciar sua nova função; ele simplesmente a incorpora. O êxito desses ambientes não está na “flexibilidade” como recurso projetado, mas na ausência de restrições. A arquitetura se mantém aberta o suficiente para acolher diferentes condições sociais ao longo do tempo, sem impor hierarquias nem fixar permanências. Ao evitar definir o uso com excesso de precisão, o mercado garante continuidade entre o comércio e a vida pública, mostrando como a arquitetura permanece relevante quando permite que os programas evoluam, em vez de exigir estabilidade.
À noite, o bazar quase desaparece. Estruturas temporárias somem. Os objetos vão embora. Em mercados como o Ballarò, em Palermo, quase nada resta fisicamente — mas a ordem espacial continua viva na memória coletiva. O mercado não depende de preservação formal. Ele sobrevive por ensaio diário.

Com o tempo, a questão muda: não é mais como projetar mercados, mas como os mercados moldam o comportamento espacial. O bazar ensina negociação, timing e convivência. Ele produz coletividade não pela forma, mas pelo uso contínuo. Não se trata de romantizar a informalidade, mas de ampliar o modo como a arquitetura observa o espaço vivido. Quando espaço e tempo são inseparáveis, a representação também precisa ser. O bazar não pede outra arquitetura. Ele pede outras formas de enxergar a arquitetura como ela é vivida.
Este artigo é parte dos Temas do ArchDaily: Construindo lugares de encontro. Mensalmente, exploramos um tema em profundidade através de artigos, entrevistas, notícias e projetos de arquitetura. Convidamos você a conhecer mais sobre os temas do ArchDaily. E, como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossas leitoras e leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.
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