Arquitetura
Vila Perdida · Hotel Farol da Ilha Huanglong / WJ STUDIO

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- Área:
5000 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Há cerca de cinco anos, o WJ STUDIO iniciou um empreendimento turístico no Condado de Shengsi — um arquipélago remoto no nordeste das Ilhas Zhoushan. Chegar a Shengsi ainda é uma expedição: 2h30 de balsa a partir da Ilha Principal de Zhoushan, 3h de viagem combinada por terra e mar desde Xangai, 4h30 pelas conexões de estrada e balsa de Hangzhou, ou 4h de Ningbo através de balsas mistas para passageiros e veículos. Embora recentemente tenham sido introduzidas rotas de helicóptero e hidroavião, o isolamento geográfico desafia as expectativas de eficiência do viajante contemporâneo. Essa condição de difícil acesso, que limita seu apelo ao turismo de massa, acabou se tornando um ponto central na abordagem de projeto do Lost Villa · Farol de Huanglong.


Shengsi, posicionado como uma zona cênica de nível nacional, busca integrar a cultura marítima às tradições locais, com foco em ecoturismo, lazer e educação científica. A Ilha de Huanglong, situada no núcleo dessa área, revelou-se profundamente marcante já na primeira visita da equipe de projeto.



Entretanto, a ilha enfrenta um problema urgente de despovoamento rural. Muitos jovens se mudaram, levando ao fechamento do jardim de infância e da escola primária. Os pescadores que permanecem são em sua maioria idosos. Huanglong não é exceção: nas últimas três décadas, a rápida urbanização da China transformou drasticamente a estrutura demográfica das áreas rurais. Sem novos investimentos produtivos, os efeitos do envelhecimento populacional e da perda de vitalidade tornaram-se cada vez mais evidentes.


As Três Dimensões do Tempo
Com o avanço dos estudos preliminares, três questões orientaram o projeto: como proteger e valorizar os elementos naturais do oceano, como integrar a arquitetura ao assentamento pesqueiro existente, e como proporcionar uma experiência autêntica da ilha aos visitantes?


A resposta emergiu de uma noção central: o Tempo, interpretado em três dimensões distintas:
Tempo Natural: as formações geológicas e a paisagem moldadas por milhões de anos constituem o genius loci e a base do projeto;
Tempo Histórico: o modo de vida e as práticas comunitárias criaram camadas culturais — desde os povoados primitivos até a cultura pesqueira e agrícola —, que servem como ponto de partida para o desenho;
Tempo Humano: a partir da escala do corpo e da experiência do visitante, a arquitetura se torna capaz de atrair “novos habitantes”, resignificando a percepção da vila pesqueira diante da mobilidade contemporânea.


Forma: uma Tradução Espacial
A estratégia espacial do hotel segue a escala reduzida das construções originais, organizando a implantação de acordo com as diferenças topográficas. As casas tradicionais variam entre 60 e 180 m², feitas principalmente de tijolo amarelo e pedra, materiais de alta resistência. O projeto integra-se ao relevo e ao tecido do vilarejo, implantando o edifício principal entre três recifes protegidos.


A volumetria dialoga com o relevo rochoso de outra forma: fundações isoladas suspendem o edifício sobre os recifes, reduzindo a sensação de peso. O contraste entre o fundo liso da construção e a superfície áspera das pedras cria um espaço cinza marcante, enriquecendo a paisagem.


O conjunto se adapta ao terreno montanhoso, marcado por apenas dois platôs naturais. A área central do hotel divide-se em dois blocos, ligados por uma passarela externa que acompanha a encosta. A circulação explora o ritmo sensorial do “esconder–revelar–abrir”, alternando passagens entre exterior e interior, evocando a experiência da própria travessia pela ilha.



O Bloco A organiza-se em torno de um grande salão rochoso. As pedras naturais foram preservadas em sua base, protegidas por uma cobertura que permite ao visitante perceber suas texturas de perto. O espaço dissolve a fronteira entre “dentro” e “fora”: sob a luz filtrada pelas claraboias, o rochedo revela sua permanência atemporal.

No Bloco B, as unidades de hospedagem inspiram-se na lógica espacial dos povoados locais. Três volumes independentes abrigam os quartos, orientados conforme a trajetória do sol no verão e no inverno. Cada abertura é desenhada para emoldurar paisagens específicas. Aqui, a escala humana volta a guiar a experiência: a luz invade o quarto, a brisa do mar atravessa, o som das ondas preenche o ambiente — e, diante de cada vista emoldurada, o tempo parece suspender-se.


O Lost Villa · Farol de Huanglong vai além de um hotel: é uma reflexão sobre revitalização rural. O projeto entende que renovar não é apagar, mas entrelaçar o tempo e a memória. Ao transformar cenas do cotidiano local em narrativas contemporâneas, empáticas e sustentáveis, a arquitetura converte a crise do despovoamento numa oportunidade de desenvolver um ecoturismo singular, centrado na experiência profunda e no vínculo com o lugar.

Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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