Arquitetura
Casa Franco / Taller Espacio Colectivo
Descrição enviada pela equipe de projeto. Estamos em um momento de inflexão, um ponto de ruptura. Falamos do não retorno, de mudanças obrigatórias e de uma crise climática irreversível. A nível global, não existe maior propósito humano do que a luta contra a mudança climática.
Neste contexto, torna-se cada vez mais necessário repensar a arquitetura como um exercício consciente, capaz de impulsionar uma mudança de mentalidade, de hábitos e de padrões de ação que nos permitam curar os territórios e parar a proliferação de práticas nocivas, isoladas e indiferentes.
A Casa Franco surge da busca por habitar através de experiências que se configuram em sequências espaciais. Seu design fragmenta o programa a partir de pátios e varandas, reinterpretando a tradição das fazendas coloniais do Vale do Cauca a partir de uma linguagem contemporânea. A disposição de grandes muros lineares organiza os espaços interiores e exteriores, tornando-se elementos essenciais que definem a habitação.
Reconhecemos no arquétipo colonial sua capacidade de estabelecer uma simbiose coerente com o entorno. Mesmo após séculos, esta arquitetura mantém sua relevância pelas qualidades sustentáveis de seus espaços habitáveis, qualidades que hoje são replicáveis na arquitetura contemporânea.
O projeto retoma princípios fundamentais: volumes isolados entre árvores que fornecem sombra; a relação com a paisagem distante, próxima e íntima a partir dos jardins; a lição do intermediário, “o fora dentro”, como atitude espacial própria do trópico. A transição entre varandas, pátios e recintos exteriores, o manejo da massa térmica como abrigo, e a terra como recurso construtivo através da técnica, se combinam com uma linguagem atual que estabelece uma relação simbiótica com a vegetação e o território.
Os muros – Manter no local os excedentes de terra provenientes das escavações foi o primeiro gesto consciente de sustentabilidade. Restos da fundação, do lago, dos canais, dos tanques e da piscina foram reaproveitados na vedação perimetral. Assim surgiu o muro de “terra preta”, em taipa de pilão sobre base de pedra de rio, erguido com tapiais tradicionais de 1,00 x 2,00 m. Com 2,40 m de altura e 0,50 m de espessura, essa vedação se estende por mais de 400 metros lineares, reduzindo custos e fortalecendo a mão de obra local.
As paredes de “terra clara” para a compartimentação interna cumprem funções de vedação e acabamento. Foram elaboradas com material de uma pedreira local, a 15 km, cuja composição e cor foram ajustadas na obra mediante processos de estabilização.
A cobertura e marcenaria – As telhas, recuperadas de casas demolidas ou reformadas, foram instaladas sobre um tablado impermeabilizado e uma camada de barro em uma cobertura a 45°. Essa inclinação gerou conforto térmico e permitiu a criação de sótãos. O triângulo de tração que sustenta o espaço foi resolvido com vigas rústicas de madeira, material também usado em tábuas e fôrmas, que após limpeza se tornaram o acabamento interno. Para marcenarias foram reutilizadas portas de antigas construções, adaptando-as à nova habitação.
Em 2023, a Casa Franco foi reconhecida na Bienal Colombiana de Arquitetura e Urbanismo com o Prêmio Nacional de Arquitetura na categoria de habitação unifamiliar.
Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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