Arquitetura
Reabilitação Poveira – Edifício FS11 / Urbanpolis – Construções e Empreendimentos, Lda

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Descrição enviada pela equipe de projeto. O Edifício FS11 representa uma reinterpretação contemporânea da herança construtiva e património poveiro da habitação existente, num gesto de continuidade entre o tempo, a memória e a vivência atual. Localizado na malha densa do centro histórico da Póvoa de Varzim, este edifício dos anos 30 – ampliado pela primeira vez em 1947 – é agora reabilitado e ampliado com o objetivo de acolher os quatro núcleos de uma mesma família, com profundas ligações à arquitetura, engenharia e construção.

Mais do que um projeto de habitação multifamiliar, esta obra teve de responder a um desafio delicado: criar quatro habitações isoladas entre si – com entradas independentes, privacidade e autonomia – interligadas que simultaneamente permitissem um sentido de pertença coletiva e de preservação dos laços familiares num contexto de vida moderna, muitas vezes fragmentado.


Esta tensão entre o individual e o coletivo é o fio condutor do projeto, resolvida através de uma composição volumétrica clara: o edifício original acolhe dois apartamentos com entrada comum; as novas moradias — com três pisos cada — têm entradas independentes; e o rés do chão articula-se como espaço exterior partilhado, com um salão de uso coletivo, funcionando como ponto de encontro da comunidade familiar.


A fachada principal preserva a métrica original dos vãos, uma regra construtiva executada na casa com mais de 70 anos que permite o equilíbrio entre luz natural e privacidade, dando-lhe uma nova voz e adaptando-se à vivência urbana. A caixa de escadas — marcada por um plano envidraçado — funciona como costura entre o antigo e o novo, articulando materialidades distintas e revelando a transição temporal da intervenção. Na fachada lateral, voltada para a Travessa Elias Garcia, a regra é quebrada, uma exceção que celebra a singularidade: o corte diagonal provoca uma rutura intencional no ritmo dos vãos, iluminando melhor os interiores e conferindo identidade própria à volumetria.

A fachada posterior, voltada para o interior do quarteirão, abre-se com generosidade. Aqui, grandes vãos e varandas ampliam os espaços sociais para o exterior, assegurando luz, ventilação cruzada e uma vivência mais solar. Nos apartamentos inseridos na estrutura reabilitada, os espaços íntimos (quartos e suíte) permanecem na parte histórica, enquanto as zonas sociais se expandem para o volume novo, otimizando a orientação solar. A cozinha, em continuidade visual com a sala, estabelece um coração comum na vivência quotidiana.

Na cobertura, a “penthouse” recupera o espírito do sótão habitado — previamente existente — agora reinterpretado com conforto térmico e luz natural, graças a claraboias estrategicamente posicionadas. As divisórias móveis permitem a permeabilidade dos espaços, alternando entre uma vivência em open space ou uma configuração compartimentada, adaptável ao quotidiano.

As moradias, com três pisos, assumem uma inversão funcional que favorece o conforto térmico e solar: os espaços privados localizam-se no piso intermédio, enquanto a zona social ocupa o último piso, onde a luz é mais abundante e a relação com o exterior mais intensa.

O Edifício FS11 é, acima de tudo, uma celebração da arquitetura como mediadora entre gerações, tempos e modos de vida. Um gesto de reabilitação que respeita o passado sem medo de o reinterpretar. Um projeto onde a sigla poveira da família simboliza aquilo que o edifício expressa em cada detalhe: uma casa com raízes no território, mas voltada para o futuro.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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