Em Trancoso, matéria bruta e transparência marcam casa sensorial

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Habilidades e repertório adquiridos em anos de trabalho dedicado revelaram-se decisivos na (re)eleição do escritório de arquitetura responsável por conceber o refúgio sonhado, bem como no criterioso garimpo de materiais, acabamentos, móveis e objetos – muitos deles carregados de valor histórico ou afetivo – escolhidos um a um para a obra. Também se mostraram fundamentais no acompanhamento de um processo longo e minucioso. “Ela é uma cliente antiga. Eu já havia projetado dois escritórios e a residência da família quando fui chamada para essa nova empreitada”, resume Gabriela Gontijo, sócia de Mariana Hummel e, mais recentemente, de Jade Ávila, no Studio Gontijo, sediado em Brasília.

O terreno, situado no alto de uma falésia na Praia de Itapororoca, com vista frontal para o mar e mata preservada nos fundos, acomodava com precisão os planos da família – três filhos e a mãe, artífice incansável da empreitada. As diretrizes foram traduzidas com acerto já no primeiro esboço do escritório: uma residência térrea, rústica e horizontal, de desenho retilíneo, com beirais generosos e amplos vãos abertos à paisagem verde e azul. A construção se organiza em blocos interligados por percursos ao ar livre, pontuada por jardins internos e – ousadia central do projeto – quase inteiramente envolta por vidro, com forro de biriba na face inferior da cobertura.

Ao todo, são mais de mil m² dessa solução translúcida, improvável e tecnicamente desafiadora do ponto de vista do conforto térmico e da estanquidade. A aposta calculada da arquiteta partiu do conhecimento profundo da personalidade arrojada da empresária brasiliense – e não apenas atendeu à demanda como a superou. “Confio no que a Gabi propõe e ainda vou além, com meu jeito extravagante. Depois, ela lapida minhas ideias e as integra harmonicamente ao projeto”, conta a dona da casa. Para isso, lançou mão de diversas soft skills: flexibilidade, liderança, empatia, comunicação clara e autoconhecimento foram essenciais – do telhado que cria jogos de luz e sombra aos pormenores do décor.

Iniciada antes da pandemia de covid-19, a obra atravessou interrupções e chegou a contar com duas construtoras diferentes até sua conclusão. “Foi um período de maturação, em que diversos detalhes foram incorporados gradualmente, sem alterar o plano original”, explica Gabriela, referindo-se ao uso de pisos e portas de demolição, grades antigas, lustres de fibra natural e dormentes reaproveitados, que conferem densidade material e narrativa ao projeto.

“Garimpei peças de artistas e artesãos locais, conheci fornecedores da região e reuni o melhor de tudo isso”, celebra a proprietária, hoje plenamente satisfeita com a morada concebida sob medida para seu novo momento de vida. “A casa sou eu. Ela expressa minha identidade. É prática e, ainda assim, consigo ver a Lua através do telhado. Aqui, desfruto da vida como sempre quis – à baiana”, conclui.



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Fonte: Casa Vogue

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