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Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca
Knowledge retention, ou retenção do conhecimento, refere-se à capacidade de uma organização ou indivíduo de manter e utilizar informações e habilidades adquiridas ao longo do tempo. Esse conceito é crucial em ambientes corporativos, onde a perda de conhecimento pode resultar em ineficiências e perda de competitividade. A retenção do conhecimento envolve não apenas a preservação de dados, mas também a transferência de saberes entre colaboradores, garantindo que a experiência e as lições aprendidas não se percam com a rotatividade de pessoal.
A retenção do conhecimento é vital para a continuidade dos negócios e a inovação. Quando as empresas conseguem manter o conhecimento acumulado, elas se tornam mais resilientes e adaptáveis às mudanças do mercado. Além disso, a retenção do conhecimento contribui para a formação de uma cultura organizacional sólida, onde os colaboradores se sentem valorizados e motivados a compartilhar suas experiências e aprendizados, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo.
Existem diversas estratégias que as organizações podem adotar para melhorar a retenção do conhecimento. Uma delas é a implementação de programas de mentoria, onde colaboradores mais experientes orientam os novatos, facilitando a transferência de conhecimento. Outra estratégia eficaz é a documentação de processos e procedimentos, que pode ser acessada facilmente por todos os membros da equipe. Além disso, o uso de tecnologias como sistemas de gestão do conhecimento pode ajudar a centralizar e organizar informações relevantes.
Apesar da sua importância, a retenção do conhecimento enfrenta diversos desafios. A alta rotatividade de funcionários, por exemplo, pode levar à perda significativa de expertise. Além disso, a falta de uma cultura que valorize o compartilhamento de conhecimento pode dificultar a retenção. Outro desafio é a resistência à mudança, onde colaboradores podem hesitar em adotar novas tecnologias ou processos que facilitem a retenção do conhecimento.
A tecnologia desempenha um papel fundamental na retenção do conhecimento. Ferramentas como plataformas de e-learning, wikis corporativas e softwares de gestão do conhecimento permitem que as informações sejam armazenadas e acessadas de maneira eficiente. Essas tecnologias não apenas facilitam a documentação do conhecimento, mas também promovem a colaboração entre equipes, permitindo que o conhecimento seja construído e compartilhado de forma dinâmica.
Medir a eficácia das iniciativas de retenção do conhecimento é essencial para garantir que os esforços estejam gerando resultados. Indicadores como a taxa de retenção de funcionários, a satisfação dos colaboradores e a eficiência dos processos podem fornecer insights valiosos. Além disso, pesquisas e feedbacks regulares podem ajudar a identificar áreas que necessitam de melhorias, permitindo que as organizações ajustem suas estratégias de retenção de conhecimento conforme necessário.
A retenção do conhecimento está intimamente ligada à inovação. Organizações que conseguem manter e utilizar seu conhecimento acumulado são mais propensas a desenvolver novas ideias e soluções. A troca de experiências entre colaboradores pode gerar insights valiosos que impulsionam a criatividade e a inovação. Portanto, investir em estratégias de retenção do conhecimento não é apenas uma questão de eficiência, mas também uma forma de fomentar a inovação dentro da empresa.
A cultura organizacional tem um impacto significativo na retenção do conhecimento. Empresas que promovem um ambiente colaborativo e que valorizam o aprendizado contínuo tendem a ter melhores resultados na retenção do conhecimento. Incentivar a comunicação aberta e a troca de ideias entre os colaboradores pode criar um clima de confiança, onde todos se sentem à vontade para compartilhar suas experiências e contribuições, fortalecendo assim a base de conhecimento da organização.
O futuro da retenção do conhecimento está cada vez mais ligado à evolução das tecnologias e às novas formas de trabalho. Com a crescente adoção do trabalho remoto e híbrido, as organizações precisam repensar suas estratégias de retenção. A utilização de ferramentas digitais e a promoção de uma cultura de aprendizado à distância serão fundamentais para garantir que o conhecimento continue sendo compartilhado e retido, independentemente da localização física dos colaboradores.

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2018
Fabricantes: CIFIAL, CIN, Duravit, GRAPHISOFT, Oli, Sanitana, Velux,

Descrição enviada pela equipe de projeto. Situado num terreno praticamente plano e de forma retangular, o lote é orientado no sentido Nordeste/Sudoeste que culmina num pinhal. A Casa no Meco foi pensada a partir da regeneração de uma casa preexistente, com a ideia de dar-lhe um novo caracter, reconstruindo-a com outra qualidade. A principal característica da casa é a relação com o exterior, sendo reconstruída num único piso e dotada de uma fachada transparente que cria um panorama sobre o pinhal a Sudoeste a partir de um amplo envidraçado.

“Minha intervenção atual, a convite dos moradores, tem a função de atualizar e adequar a grande casa à vida da família”, diz o arquiteto Carlos Boeschenstein, que criou o espaço artístico e a sala de ginástica, além de retrabalhar toda a iluminação para valorizar as madeiras da estrutura típica de Zanine e, ao mesmo tempo, destacar as peças da “artista residente” – neste caso, literalmente. Raquel estudou sua arte na Heatherleys School of Fine Arts, no Morley College e na University of the Arts of London, e já expôs suas obras, desde 2019, na Casa Brasil, no Centro Cultural dos Correios e no Consulado da Argentina, além de galerias diversas, sempre no Rio de Janeiro.

A arquitetura costuma ser representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências ao redor. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram feitos para serem compreendidos de imediato, nem revelam sua lógica apenas pela forma. Sua inteligência espacial emerge aos poucos — pela repetição, pela ocupação e pela duração.
O bazar se insere com firmeza nessa categoria. Ele não pode ser entendido por um único desenho ou por uma elevação finalizada. Sua organização não é fixa, é ensaiada diariamente. O que o sustenta não é apenas a composição arquitetônica, mas o tempo compartilhado, a memória coletiva e padrões de uso construídos ao longo dos anos. A convivência no bazar não nasce de decisões formais de projeto; ela é produzida por encontros repetidos, proximidades negociadas e familiaridade social acumulada no tempo.
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Observar um bazar com atenção é reconhecer a arquitetura operando como um sistema temporal. Mercados não funcionam de maneira contínua e uniforme. Eles se montam, se intensificam, pausam, se transformam e se dissolvem — muitas vezes dentro de um único dia. Da atividade noturna do Mercado de Flores Dadar, em Mumbai, à precisão matinal do Mercado de Tsukiji, em Tóquio, esses ambientes são regidos menos por fechamentos espaciais e mais por coordenação no tempo.
Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca
A regulação acontece por repetição, não por imposição. A orientação se dá pela familiaridade, não pela sinalização. A memória assume o papel que, em geral, caberia às paredes e aos limites físicos. Ao longo do dia, ferramentas arquitetônicas convencionais começam a perder relevância. Plantas não conseguem registrar o movimento; diagramas de zoneamento falham em captar a sobreposição. Em seu lugar, é preciso outro tipo de leitura espacial — uma que reconheça o tempo como estrutura organizadora e o comportamento como um material arquitetônico central.

Entre a meia-noite e o início da manhã, muitos mercados se formam fora do olhar da cidade. No Mercado de Flores KR, em Bengaluru, essa lógica temporal está ligada ao papel da cidade como polo agrícola e comercial regional. As flores chegam durante a noite, vindas de distritos vizinhos e outros estados, sincronizadas com a demanda do atacado nas primeiras horas do dia e com a necessidade de evitar o calor e o trânsito diurnos. O mercado ocupa um tecido urbano denso, sobreposto por rotas de transporte, instituições religiosas e ruas comerciais históricas. Sua montagem segue o hábito, não a alocação formal.

Superfícies temporárias são estendidas. Feixes de flores definem bordas e caminhos. Poucos estandes existem no sentido arquitetônico tradicional, mas os limites espaciais são claramente compreendidos. Os vendedores retornam aos mesmos pontos todos os dias, guiados pelo reconhecimento social, não por marcações físicas. O território se mantém pela continuidade, não pela posse. A ordem espacial é construída coletivamente, sem infraestrutura visível ou controle centralizado. Aqui, o bazar revela uma inteligência arquitetônica raramente reconhecida: ambientes feitos pela repetição, e não pela permanência; legibilidade sustentada pela memória, e não pelo fechamento material.
Nas primeiras horas da manhã, a atividade se intensifica. Troca no atacado, compras no varejo, logística e demandas rituais se sobrepõem num intervalo de tempo extremamente comprimido. A proximidade do mercado com ruas comerciais e áreas de culto o insere num tecido urbano historicamente denso. Do ponto de vista do planejamento, essa concentração costuma ser lida como desordem. No nível do chão, porém, o espaço opera com precisão.

Os fluxos se ajustam em torno de carrinhos, motos e carregadores. Certos caminhos se alargam ou se estreitam conforme o volume, não conforme a dimensão física. Limiares mudam de função sem alteração arquitetônica. O que parece caótico de cima funciona como um sistema calibrado por hábito, familiaridade e ajuste mútuo. Aqui, a densidade não indica falha do planejamento — indica sucesso da organização temporal. A arquitetura atua menos como separação e mais como estrutura para negociação constante.
Com o avanço do dia, a intensidade diminui. A ênfase passa da transação ao descanso, à manutenção e à troca social. Em mercados como o de Mapusa, em Goa, essa desaceleração é estrutural. O ritmo do mercado se vincula mais aos ciclos agrícolas semanais e sazonais do que à demanda diária. O pico ocorre pela manhã; depois, o tempo se alonga.

Nessas horas, o mercado se expande e se contrai no tempo, não no espaço. A forma construída oferece sombra, bordas e superfícies duráveis, mas recua em protagonismo. A organização se dá por expectativa mútua. Conversas se estendem. Assentos improvisados surgem onde nada foi projetado. O mercado continua ocupando o espaço sem produzir troca material. Essa pausa não é ineficiência — é inteligência espacial. Ela permite que o sistema se recupere e se sustente ao longo das semanas e estações.
À medida que o comércio se encerra, muitos mercados se transformam profundamente. No Campo de’ Fiori, em Roma, a retirada das barracas revela uma praça cívica. O mesmo chão que sustentava caixas e circulação pela manhã passa a acolher encontros e lazer à noite.

Essa mudança acontece sem qualquer intervenção arquitetônica ou reprogramação formal. O uso se transforma, mas a memória do espaço permanece. Mesmo sem as barracas e objetos, os vestígios do mercado continuam legíveis, e as pessoas ainda reconhecem onde a atividade acontecia, orientando-se pela familiaridade — não por placas ou dispositivos de design. O espaço não precisa anunciar sua nova função; ele simplesmente a incorpora. O êxito desses ambientes não está na “flexibilidade” como recurso projetado, mas na ausência de restrições. A arquitetura se mantém aberta o suficiente para acolher diferentes condições sociais ao longo do tempo, sem impor hierarquias nem fixar permanências. Ao evitar definir o uso com excesso de precisão, o mercado garante continuidade entre o comércio e a vida pública, mostrando como a arquitetura permanece relevante quando permite que os programas evoluam, em vez de exigir estabilidade.
À noite, o bazar quase desaparece. Estruturas temporárias somem. Os objetos vão embora. Em mercados como o Ballarò, em Palermo, quase nada resta fisicamente — mas a ordem espacial continua viva na memória coletiva. O mercado não depende de preservação formal. Ele sobrevive por ensaio diário.

Com o tempo, a questão muda: não é mais como projetar mercados, mas como os mercados moldam o comportamento espacial. O bazar ensina negociação, timing e convivência. Ele produz coletividade não pela forma, mas pelo uso contínuo. Não se trata de romantizar a informalidade, mas de ampliar o modo como a arquitetura observa o espaço vivido. Quando espaço e tempo são inseparáveis, a representação também precisa ser. O bazar não pede outra arquitetura. Ele pede outras formas de enxergar a arquitetura como ela é vivida.
Este artigo é parte dos Temas do ArchDaily: Construindo lugares de encontro. Mensalmente, exploramos um tema em profundidade através de artigos, entrevistas, notícias e projetos de arquitetura. Convidamos você a conhecer mais sobre os temas do ArchDaily. E, como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossas leitoras e leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.
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