Arquitetura
A incrível razão pela qual uma serpente emplumada desce da pirâmide de Chichén Itzá

Na primavera, pode-se observar um fenômeno astronômico único na pirâmide de Chichén Itzá, que remonta a mais de 500 anos atrás A cultura maia é conhecida mundialmente por suas impressionantes contribuições, entre elas a astronomia e os profundos conhecimentos nesse campo. Sem dúvida, os ensinamentos dessa cultura ancestral atravessaram os séculos – tanto que, ainda hoje, durante o equinócio da primavera, testemunhamos um dos fenômenos mais impressionantes em uma pirâmide: Kukulkán (Quetzalcóatl para os astecas) “desce” para se reunir com os espectadores.
Isso mesmo: na pirâmide de Chichén Itzá, também conhecida como Templo de Kukulkán, é possível observar a sombra de uma serpente que parece descer à medida que o dia avança. Ou seja, graças ao movimento do sol, as sombras criam um efeito de movimento ao se projetarem ao longo da escadaria – fenômeno que ocorre apenas nos equinócios da primavera e do outono.
Esse espetáculo é uma prova dos profundos conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia e arquitetura. Por isso, sua principal construção em Chichén Itzá – a pirâmide de Kukulkán, dedicada à serpente emplumada – foi posicionada de forma tão precisa que permite ao sol gerar esse fenômeno duas vezes por ano.
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Qual é a história de Chichén Itzá?
Chichén Itzá foi um dos centros urbanos mais importantes da civilização maia na península de Yucatán, no México. Foi fundada por volta do ano 525 d.C. pelos maias itzás, um grupo da civilização maia que migrou para o norte da península de Yucatán.
O nome Chichén Itzá significa “Boca do poço dos itzás”, em referência aos cenotes (poços naturais de água) próximos, como o famoso Cenote Sagrado, que era utilizado em rituais religiosos. Entre os séculos IX e XII, Chichén Itzá tornou-se uma das cidades mais poderosas da Mesoamérica.
Os detalhes arquitetônicos de Chichén Itzá inspiram admiração em seus visitantes
Chico Sanchez/Getty Images
Sua arquitetura mostra influências tanto maias quanto toltecas, o que sugere que houve contato – ou até mesmo conquista – por povos do centro do atual México. Foi nesse período que foram construídas suas edificações mais icônicas, como El Castillo (Templo de Kukulkán), uma pirâmide escalonada com 365 degraus (um para cada dia do ano), e o Jogo de Pelota, o maior campo desse tipo em toda a Mesoamérica.
Por volta do ano 1200, Chichén Itzá começou a entrar em declínio. A causa exata não é conhecida, mas acredita-se que tenha sido devido a conflitos internos, esgotamento dos recursos ou mudanças climáticas. Apesar de ter sido parcialmente abandonada, continuou sendo um importante local de peregrinação religiosa por vários séculos.
História da pirâmide de Chichén Itzá
A história da pirâmide dedicada a Kukulkán remonta ao período em que os guerreiros toltecas de Tula chegaram à região que hoje conhecemos como Yucatán. Ali viviam os maias, um povo culto, porém pouco preparado para a guerra, o que os tornou alvo fácil de conquista. Em pouco tempo, os maias adotaram o principal deus dos invasores como seu: Kukulkán, o equivalente a Quetzalcóatl na cultura asteca.
A adoração à nova divindade, somada ao profundo conhecimento astronômico dos maias, resultou na criação de um calendário solar composto por 18 meses de 20 dias e mais um mês com apenas 5 dias – totalizando 365 dias. Esse calendário era lido com precisão pelos sacerdotes, que determinavam os melhores dias para o plantio, a colheita e a chegada das chuvas. Foram esses sacerdotes que lideraram a construção da pirâmide de Chichén Itzá, posicionada de modo que, duas vezes por ano, o sol criasse um fenômeno único: Kukulkán “desce” por sua escadaria.
Qual é o significado da pirâmide de Chichén Itzá?
A zona arqueológica de Chichén Itzá é uma das mais admiradas do mundo
Marco Bottigelli/Getty Images
El Castillo, ou Templo de Kukulkán, é uma das estruturas mais icônicas da civilização maia e carrega significados astronômicos, religiosos e políticos. Como templo dedicado a Kukulkán, acredita-se que era usado para cerimônias religiosas e rituais relacionados à fertilidade, à chuva e à agricultura. Do ponto de vista astronômico, destaca-se por sua impressionante precisão: nos solstícios e equinócios de primavera e outono, a luz do sol cria um efeito de sombra que parece uma serpente descendo pela escadaria norte da pirâmide.
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A estrutura possui 91 degraus em cada lado e mais um no topo, totalizando 365 – uma representação exata dos dias do ano solar. Sua construção revela um domínio avançado da arquitetura, da matemática e da astronomia, simbolizando o poder e o conhecimento da elite governante maia.
O que significa “chichén” em maia?
A palavra “Chichén” na língua maia significa literalmente: “Chi” = boca e “Chʼen” = poço ou cenote. Assim, “Chichén” pode ser traduzido como “boca do poço” ou “boca do cenote”. Quando falamos em Chichén Itzá, o nome completo é interpretado como “A boca do poço dos Itzás”, como já mencionado.
Os itzás eram um grupo maia que habitava aquela região, por isso o nome faz referência a um cenote sagrado importante próximo ao sítio arqueológico – o Cenote Sagrado –, que foi essencial tanto para o abastecimento de água quanto para rituais religiosos.
Quem é o deus Kukulkán?
Kukulkán é uma das divindades mais importantes da mitologia mesoamericana, especialmente entre os maias. Ele é representado como uma serpente emplumada – símbolo que une o céu (representado pelas penas de ave) à terra (representada pela serpente), criando uma conexão entre o mundo terreno e o espiritual. Sua aparência é frequentemente adornada com penas de quetzal, e às vezes apresenta traços humanos.
O nome Kukulkán significa literalmente “serpente emplumada” no idioma maia. Ele é considerado deus do vento, da chuva e criador da vida. Também está associado à sabedoria, à fertilidade e à civilização. Seu equivalente na cultura mexica (asteca) é Quetzalcóatl.
Qual é a diferença entre Quetzalcóatl e Kukulkán?
A serpente aos pés dos degraus da grande pirâmide de Kukulcán é simplesmente maravilhosa
Stefan Cristian Cioata/Getty Images
Durante muito tempo essas duas divindades foram comparadas, já que a semelhança entre elas é impressionante. No entanto, segundo arqueólogos, Quetzalcóatl se assemelha mais a um dinossauro, enquanto Kukulkán lembra um dragão. Ainda assim, ambas representam os mesmos valores e virtudes para as culturas maia e asteca, como a abundância, boas colheitas e, sobretudo, o bem-estar dos povos que as cultuavam.
Qual é o significado da serpente na pirâmide de Chichén Itzá?
Para os maias, a pirâmide de Chichén Itzá era, por si só, um calendário. Por isso, a descida de Kukulkán simboliza o início de um novo ciclo. Ou seja, marca o começo do florescimento e crescimento das colheitas, enquanto o fenômeno que ocorre no equinócio de outono encerra esse ciclo, preparando a sociedade para esperar, mais uma vez, a chegada da primavera.
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A arquitetura de Chichén Itzá
Chichén Itzá se destaca por suas construções arquitetônicas do período pós-clássico. A arquitetura maia clássica dessa região reflete os profundos conhecimentos astrológicos dessa civilização, especialmente na pirâmide principal: o Templo de Kukulkán.
A pirâmide possui medidas impressionantes: aproximadamente 30 metros de altura, incluindo o templo no topo. Cada lado da base mede cerca de 55,3 metros. Não há dúvidas de que essa pirâmide é uma das construções da Antiguidade que continua a maravilhar o mundo por sua beleza e pela precisão de sua arquitetura.
Como ver a serpente emplumada de Chichén Itzá?
Primeiro, é preciso chegar a Yucatán, na zona arqueológica de Chichén Itzá, durante os dias do equinócio (pode ser também dois ou três dias antes). Às 16h, no horário local de Yucatán, o sol começa a descer e faz com que a sombra de Kukulkán deslize pelas nove plataformas que compõem a pirâmide.
Inicialmente, aparecem triângulos muito geométricos, mas, com o passar das horas, a serpente emplumada começa a se formar, de modo que as linhas dos triângulos se transformam nas curvas de Kukulkán e culminam sobre a cabeça de pedra esculpida na base da pirâmide. A descida da serpente emplumada na pirâmide de Kukulkán acontece em todos os equinócios, ou seja, quando o dia tem a mesma duração que a noite.
Com que frequência se repete o fenômeno de Kukulkán em Chichén Itzá?
Esse fenômeno ocorre duas vezes ao ano, nos dias 21 de março e 21 de setembro, por isso, todos os anos, milhares de pessoas se reúnem ao redor da pirâmide nessas datas para presenciar o espetáculo. Geralmente, o efeito começa a ser visível por volta das 15h45, embora seja bastante lento. Por isso, é necessário esperar até as 16h30 ou até mesmo 16h45 para ver o corpo de Kukulkán perfeitamente formado pelos triângulos que delineiam sua descida sinuosa pela escadaria. Embora o efeito ocorra sobre a fachada das cabeças de serpente, é recomendável posicionar-se em um certo ângulo para ver ao mesmo tempo a fachada lateral, que projeta a sombra da serpente emplumada.
Isto é o que você não sabia sobre a pirâmide de Chichén Itzá
Chichén Itzá é um local sagrado que você deve visitar pelo menos uma vez na vida
Theodore Van Pelt – EyeEm/Getty Images
A pirâmide de Kukulkán é única, pois foi construída de forma que, a cada equinócio, o jogo de luz e sombra dos raios solares permite simular o corpo de uma serpente descendo do templo. Para criar esse efeito, os maias colocaram plataformas em sua fachada, de modo que suas sombras fossem projetadas sobre os laterais da escadaria, dando forma ao corpo desse animal.
Esse fenômeno simbolizava a descida do deus Kukulkán à terra – também conhecido como Quetzalcóatl ou serpente emplumada – e coincidia com a chegada das chuvas na região. Além disso, era comum que os governantes reunissem o povo no pátio nos dias de equinócio para assistir à descida de Kukulkán, a serpente emplumada que falaria por meio deles.
O que há dentro da pirâmide de Chichén Itzá?
Entre 2015 e 2016, cientistas da UNAM confirmaram que a Pirâmide de Kukulkán é composta por três estruturas em seu interior. No primeiro nível, existem duas pirâmides menores dentro da atual. São estruturas construídas em épocas distintas, uma possivelmente do ano 500 d.C. e outra entre os anos 800 e 1000 d.C. Isso indica que os maias reconstruíam seus templos sobre estruturas anteriores, provavelmente por motivos religiosos ou políticos.
No coração da pirâmide, há uma câmara sagrada que contém um trono em forma de jaguar vermelho com incrustações de jade, representando poder e realeza. Também foram encontrados vestígios de oferendas rituais, como objetos de jade, conchas e ossos. Pesquisas geofísicas revelaram que a pirâmide foi construída sobre um cenote (um corpo de água subterrâneo), o que possui forte simbolismo para os maias, já que os cenotes eram considerados portais para o submundo.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest México
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Fonte: Casa Vogue
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Fonte: Casa Vogue
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Fonte: Archdaily
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