Tecnologia
Apps bancários diversificam ferramentas de segurança; veja teste
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Desde que o Banco Central flexibilizou regras para aumentar a concorrência e criou um sistema de pagamentos instantâneos, já são mais de 900 instituições financeiras habilitadas a operar no Pix.
O novo cenário, marcado por competição e acesso facilitado à bancarização, também abriu caminho para estelionatários levarem seus crimes ao plano virtual. O chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chamou de “cangaço digital” o nível de fraude vivido no Brasil.
As instituições financeiras têm ferramentas para detectar golpes, e o BC cobra requisitos mínimos de segurança para permitir a atividade das empresas. As regras são mais estritas para bancos do que para instituições exclusivamente de pagamentos, que não podem conceder crédito nem operar investimentos.
Ainda assim, no cenário atual de criminalidade online, as maiores fintechs do Brasil também investem em segurança para proteger seus clientes e suas reputações.
Durante teste da Folha de S.Paulo, feito entre abril e a primeira semana de julho, as maiores diferenças estiveram na adesão ao programa Celular Seguro do Governo Federal, do qual algumas instituições de pagamento não participam, e nos canais de atendimento -parte das empresas não tem atendimento presencial ou telefônico.
A avaliação contemplou aplicativos de 15 instituições financeiras reunidas a partir da lista das 15 companhias com mais contas abertas do BC e de um levantamento dos 10 aplicativos financeiros mais baixados entre janeiro e março de 2025, fornecido pela plataforma de monitoramento Sensor Tower.
Foram excluídas instituições de pagamentos ligadas a ecommerces e aplicativos de birô de crédito.
Especialistas indicaram critérios para a análise de segurança, como a validação de identidade, protocolos de segurança da informação e ferramentas antigolpe.
No geral, as instituições de pagamento Banco Will e InfinitePay permitiram que a reportagem criasse uma conta e até começasse a movimentar valores sem apresentar documentos e foto os segurando. O PicPay, o Banco Inter e o C6Bank, apesar de serem bancos, também não apresentaram desafios. Esse é um sinal de menor checagem cadastral, o que pode ser compensado com filtros tecnológicos.
VEJA O RESULTADO E ENTENDA OS CRITÉRIOS
CUIDADOS NO CADASTRO
O que foi verificado: A Folha testou primeiro quais os requisitos cobrados para criar uma conta no banco –a verificação da identidade do cliente e a conferência do histórico são etapas cruciais de segurança, chamadas de onboarding. Para isso, foram abertas contas nas 15 instituições sob avaliação.
A reportagem conseguiu se cadastrar em cinco bancos sem apresentar comprovante de endereço e fotos de documentos de identificação.
Confirmar a identidade do correntista e se ele está vivo é um dos desafios das instituições financeiras para evitar fraudes, mas parte dos bancos consultados afirma que recorre a outros meios para fazer essa verificação. Há casos em que quadrilhas usam fotos e vídeos de pessoas para abrir contas fraudulentas.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Entre as fintechs e os bancos digitais, apenas o PagBank exige a apresentação de comprovante de endereço.
Entre os grandes bancos, o Santander não pede endereço na abertura da conta digital. “Embora o comprovante de endereço não seja solicitado, o banco utiliza dados de geolocalização, histórico do cliente, reconhecimento facial e informações de mercado para a tomada de decisão de forma segura”, afirma a instituição financeira espanhola.
InfinitePay, Will Bank, Banco Inter, PicPay e C6 Bank não pediram quaisquer documentos.
O superintendente de segurança e sócio do C6 Bank, José Luiz Santana, afirma que esses documentos hoje agregam poucas informações, considerando o nível de falsificação e falta de padrão entre os registros oferecidos nos 26 estados e no Distrito Federal.
De acordo com ele, a cobrança dessa documentação pode desmotivar os clientes sem garantir proteção adicional. Por isso, o BC teria deixado de cobrar esse documento para permitir abertura de conta.
“Eu consigo ter essas informações hoje de uma maneira muito mais segura em birôs de informação [como o Serasa], inclusive comparar o rosto da pessoa ao dono daquele CPF informado”, diz Santana.
Will, Inter, PicPay e InfinitePay dizem que também usam tecnologia para garantir a proteção dos clientes.
PROVA DE VIDA NO RECONHECIMENTO FACIAL
O que foi verificado: Outro mecanismo de segurança possível de avaliar é o uso de modelos de reconhecimento facial com mais etapas de verificação.
Além da detecção da biometria, que checa pontos-chave do rosto da pessoa com os dados registrados no sistema, a tecnologia mais recente faz a chamada prova de vida, pedindo para a pessoa mover o rosto e usando filtros de inteligência artificial para checar cor, além de outros indícios de que se trata de uma pessoa real. Isso dificulta que estelionatários usem fotos e vídeos para driblar o mecanismo de autenticação.
Como os apps bancários costumam usar a câmera do celular para fazer a biometria, há limites técnicos dos sensores para detectar elementos como a circulação sanguínea do rosto da pessoa, como acontece no Face ID do iPhone, por exemplo.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Entre os aplicativos testados, InfinitePay, Mercado Pago, Banco Inter, Santander e Will não pediram em momento algum que a reportagem movimentasse o rosto em algum sentido específico.
O Santander diz que faz a prova de vida com algoritmos de inteligência artificial. “Mesmo sem a necessidade de movimentos adicionais, o sistema reconhece se há presença de uma pessoa real diante da câmera, reforçando a segurança do processo de autenticação nos nossos canais digitais.”
InfinitePay e Mercado Pago afirmam que usa a mesma tecnologia. O Will diz que usa biometria facial, mas não especifica a tecnologia que emprega.
Porém criminosos vendem aplicativos nas redes sociais que prometem violar os sistemas de reconhecimento facial mais simples, sob o nome de “burlador de selfie”. Vídeos mostram como a ferramenta consegue burlar a instrução de aproximar e afastar o celular do rosto.
Além disso, todas as instituições financeiras dizem que verificam a identidade do usuário com dados comportamentais, como a geolocalização do cliente, a rede wi-fi à qual ele está conectado e até o dispositivo usado no momento. Por isso, é quase impossível criar uma conta em banco pelo celular sem ceder acesso ao banco às informações do aparelho.
BIOMETRIA NO PAGAMENTO
O que foi verificado: Um padrão de segurança comum no mercado é o uso de biometria, seja facial, seja digital, para autorizar transações como Pix e transferências TED. A reportagem tentou fazer transferências com pequenas quantias em todas as instituições avaliadas.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: A ferramenta de segurança é usada por Itaú, InfinitePay, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, C6 Bank, PicPay, PagBank e Neon.
O Nubank usa verificação biométrica apenas para destravar o aplicativo e confirma as transações com uma senha numérica de quatro dígitos, sem confirmar a identidade de quem faz a transação mais uma vez com biometria.
Em nota, o Nubank diz que “conta com um robusto conjunto de defesas inteligentes, em constante evolução, para analisar padrões de transação, permitindo identificar riscos e acionar validações adicionais ou até mesmo bloquear atividades suspeitas, sempre em conformidade com as diretrizes do BC e da LGPD para o uso responsável de dados na proteção de seus clientes”.
O Banco Inter, por sua vez, diz que checa operações fora do padrão em tempo real e envia alertas de possíveis golpes ou fraudes aos clientes. “O Inter também possui em seu processo de segurança três camadas de autenticação, com o objetivo de aumentar a segurança em seu ecossistema” -funciona como a autenticação em dois fatores para acessar um email ou rede social.
DISPOSITIVO CADASTRADO
O que foi verificado: A exigência de que o dispositivo esteja cadastrado nos registros da instituição financeira para liberar transações bancárias é um mecanismo que impede que criminosos acessem o dinheiro de vítimas a partir de vazamentos de dados, usando seus próprios aparelhos.
Para fazer o teste, a Folha de S.Paulo tentou acessar os apps bancários em celulares diversos daquele em que a conta foi aberta.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Agibank, Nubank, Itaú, Santander, C6 Bank, PagBank e Neon fazem esse cadastro usando reconhecimento facial no próprio celular. Os dados do aparelho, então, ficam salvos no sistema do banco e só precisam ser renovados em caso de troca do smartphone.
O InfinitePay usa um sistema de QR Code similar ao do WhatsApp Web.
Caixa, Banco do Brasil e Bradesco ainda solicitam que o cliente vá a um caixa eletrônico e habilite o aparelho em tempo real, confirmando códigos alfanuméricos. Essa abordagem deixa uma brecha para criminosos convencerem a vítima a acessar essa senha e a repassar em contatos telefônicos ou por mensagem –dessa maneira, o estelionatário ganha acesso à conta bancária da pessoa.
CANAL DE ATENDIMENTO
O que foi testado: Os clientes precisam de canais funcionais quando são vítimas de golpe, para informar o ocorrido e solicitar o estorno, além de permitir que a companhia localize as contas envolvidas em atividades criminosas.
No caso do Pix, por exemplo, o mecanismo de devolução de quantias só pode ser acionado por um funcionário da instituição financeira. O Banco Central abriu uma normativa para permitir que o cliente peça o estorno diretamente à autoridade monetária, mas o período de implementação vai até outubro.
Os canais de atendimento disponíveis foram checados no site e nos apps das instituições sob teste.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Além de canais virtuais, os bancos tradicionais ainda contam com o gerente da conta, responsável por atender o cliente em casos sensíveis. Também disponibilizam, em menor volume, o atendimento presencial em agência.
No caso dos bancos que nasceram na internet, o atendimento se restringe ao telefone e às mensagens pela internet. Neon, PicPay e InfinitePay não recebem ligações telefônicas.
FERRAMENTAS ADICIONAIS DE SEGURANÇA
Entre os bancos avaliados, Nubank e C6 Bank possuem outras ferramentas para dificultar transações bancárias em situações incomuns.
O Nubank tem o modo rua, que permite fazer transações apenas quando se está conectado a redes wi-fi registradas.
O C6 configura sua trava para liberar transacoes de valores mais altos e a visualizacao de investimentos no aplicativo apenas quando o usuario esta em locais conhecidos, como a casa ou o trabalho.
Os bancos, em geral, ainda permitem limitar as quantias movimentadas usando o Pix em um dia ou em determinados horários. Basta acessar a área Pix no app bancário e acessar limites.
BANCO JÁ TEVE DADOS VAZADOS?
O que foi avaliado: Um dos critérios de confiabilidade adotados pela PCI, um conselho internacional de padrão de segurança em pagamentos, é saber se a instituição financeira já passou por vazamento de dados. Caso a resposta seja sim, a empresa deve demonstrar um nível a mais de proteção para merecer um selo de qualidade.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Entre as entidades avaliadas, Neon, em fevereiro de 2025, e Banco Inter, em 2018, já passaram por vazamentos de dados reportados ao Banco Central. Essas informações podem ser usadas por criminosos para aplicar futuros golpes, dando pista sobre o contexto da vítima. Nenhuma das empresas comentou o episódio.
Todas as instituições financeiras procuradas pela reportagem dizem cumprir a lei geral de proteção de dados e as normas de privacidade do Banco Central.
PARTICIPA DO CELULAR SEGURO?
O que foi verificado: O governo mobilizou bancos e instituições de pagamentos para desenvolver, em 2023, uma ferramenta cujo objetivo, chamada Celular Seguro, é impedir o uso de celulares roubados em transações financeiras.
Qual o resultado e o que dizem as instituições: Os principais bancos do Brasil e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) entraram no projeto desde o início. O Nubank veio poucos meses depois.
Lista do Ministério da Justiça e da Segurança Pública mostra que algumas das maiores instituições financeiras do Brasil ainda estão de fora do programa, que permite bloqueio dos apps bancários em caso de furto, roubo ou extravio. É o caso de Agibank, Mercado Pago, InfinitePay, PagBank e Will.
Em nota, o Mercado Pago disse que assinou o compromisso de fazer parte do Programa Celular Seguro, do Governo Federal. “Neste momento, estamos em processo de integração.”
Embora não esteja no Celular Seguro, a InfinitePay afirma que seus clientes podem baixar o aplicativo em um novo dispositivo, fazer a biometria facial e bloquear o acesso ao dispositivo alvo do roubo ou do furto. “Além disso, possuímos canais ágeis de suporte e orientações para situações de emergência.”
O PagBank disse que segue padrões rígidos de segurança. “Como prevenção, dispomos de um fluxo de autenticação e transacional para identificar e barrar transações suspeitas, de forma a bloquear fraudes”.
O Agibank afirma que a adesão ao programa está em análise final pela equipe técnica, e a integração será implementada em breve.
Will Bank diz que avalia constantemente novos programas. “A decisão de aderir é tomada após estudos com o objetivo de garantir que os novos projetos se alinhem e complementem a estratégia de proteção abrangente que o banco já oferece.”
Tecnologia
Apesar de lucros recorde, líder da Apple admite preocupação com 2026
Apesar do tom positivo da mais recente apresentação de resultados da Apple, o CEO Tim Cook admitiu, durante o evento, que o ano de 2026 pode ser desafiador devido ao aumento no preço da memória RAM.
Vale lembrar que esses componentes estão cada vez mais disputados por empresas de tecnologia que investem no desenvolvimento de infraestrutura para o treinamento de modelos de Inteligência Artificial.
Embora o aumento da demanda por esses componentes não tenha afetado as margens de lucro da Apple no último trimestre, Cook afirmou que o tema pode se tornar uma preocupação maior nos próximos meses.
“Continuamos observando um aumento significativo nos preços de mercado da memória”, afirmou o CEO da Apple, segundo o site Business Insider. “Como sempre, vamos analisar diversas opções para lidar com isso. Há algumas alavancas que podemos acionar. Não sabemos se serão bem-sucedidas, mas temos várias alternativas à disposição.”
Lucros recordes impulsionados pelo iPhone
A Apple divulgou na quinta-feira um lucro trimestral de 42 bilhões de dólares, o que representa um crescimento anual de 16%. O iPhone, principal produto da empresa, alcançou um recorde histórico de vendas.
Os dados financeiros, divulgados após o fechamento de Wall Street, mostram uma receita recorde de 143,756 bilhões de dólares, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelas vendas do iPhone, que cresceram 23%, chegando a 85,269 bilhões de dólares.
“O iPhone teve seu melhor trimestre graças a uma demanda sem precedentes, com recordes em todas as regiões geográficas, e o segmento de Serviços também alcançou uma receita recorde”, afirmou Tim Cook em comunicado.
Durante a videoconferência sobre os resultados, Cook atribuiu a “extraordinária” demanda ao iPhone 17 e às versões Pro e Pro Max, destacando que a linha apresenta o melhor desempenho, o sistema de câmeras mais avançado e maior leveza já vistos.
A receita com produtos da Apple — incluindo iPhone, Mac e iPad — totalizou 113,743 bilhões de dólares, enquanto a área de Serviços, que engloba App Store, iCloud e Apple Music, alcançou 30 bilhões de dólares.
Cook também destacou que há mais de 2,5 bilhões de dispositivos da Apple ativos em todo o mundo.
Geograficamente, todas as regiões registraram crescimento nas vendas. Na China e em mercados próximos, como Taiwan e Hong Kong, o aumento foi de 38%. Nas Américas, que concentram a maior parte das vendas, a alta foi de 11%.
Ao final do exercício fiscal de 2025, encerrado em outubro — já que o ano fiscal da empresa não coincide com o ano civil —, a Apple registrou crescimento anual de 19% no lucro, que atingiu 112 bilhões de dólares, sustentado por um aumento de 6% na receita, que chegou ao patamar inédito de 416 bilhões de dólares.
Atualmente, a Apple possui a terceira maior capitalização de mercado do mundo, avaliada em 3,8 trilhões de dólares.
Leia Também: Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam
Fontes: Notícias ao Minuto
Tecnologia
Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam
Durante séculos, desde que o Sol foi declarado o centro do sistema solar no século XVI, a sociedade manteve a crença de que qualquer objeto orbitando a estrela brilhante seria considerado um planeta. De Mercúrio a Plutão, todo corpo celeste considerado grande o suficiente foi incluído nessa categoria.
Mas, com o tempo, essa categorização tornou-se confusa, especialmente à medida que ficou claro que nem todos os “planetas” são iguais. A astronomia mudou significativamente desde então, e até mesmo Plutão viu seu status de planeta rebaixado a um mero planeta anão. Mas o que exatamente é isso? E o que é necessário para que um planeta seja incluído nessa categoria? Clique nesta galeria para descobrir.
Tecnologia
Pela 1ª vez, missão à Lua terá uma mulher, um negro e um não americano
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Cerca de um dia após sua decolagem, prevista no momento para 6 de fevereiro, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen se tornarão os primeiros seres humanos a deixar a órbita da Terra desde a missão Apollo 17, em dezembro de 1972.
Na prática, é como se eles fossem os primeiros para mais da metade dos terráqueos (cerca de 4,3 bilhões dos 8,2 bilhões de humanos hoje no planeta não estavam vivos naquele ano). Isso dá uma dimensão do aspecto histórico da missão Artemis 2, a primeira do novo programa tripulado da Nasa a levar astronautas até as imediações da Lua.
A escolha do quarteto foi anunciada pela agência espacial americana em 3 de abril de 2023, quase três anos atrás, após reiterados atrasos no cronograma do programa que empurraram a missão para 2024, depois 2025, e finalmente 2026 -agora realmente pronta para voar.
É a primeira vez na história que mais de três pessoas fazem essa jornada ao mesmo tempo. As missões Apollo, realizadas entre 1968 e 1972, só comportavam um trio de astronautas. E o processo de escolha da tripulação envolve uma nova realidade: a da preocupação com a diversidade e com parcerias internacionais.
Parece até estranho falar isso num momento em que a gestão Donald Trump parece abominar ambas as ideias. Mas não era o caso no primeiro mandato dele, em que o governo, ao instituir o programa Artemis, enfatizava a todo momento que enviaria à Lua a primeira mulher e a primeira pessoa não branca.
Se a escalação da tripulação fosse hoje, e não durante a gestão Joe Biden, provavelmente não seria essa a formação do quarteto, já que agora a gestão Trump 2 repudia qualquer afirmação de diversidade (apagando inclusive páginas do site da Nasa que destacavam isso).
Com isso, Christina Koch está prestes a virar a primeira mulher a dar uma volta ao redor da Lua e Victor Glover será o primeiro negro. A terceira novidade é Jeremy Hansen, canadense, que será o primeiro não americano a fazer essa viagem. A Agência Espacial Canadense faz parte do programa Artemis colaborando com elementos para a estação orbital lunar Gateway, que reuniria parceiros tradicionais da Estação Espacial Internacional (ISS) e que o governo Trump também está tentando cancelar.
Com efeito, a participação mais efetiva no programa vinda de fora dos EUA é da Agência Espacial Europeia (ESA), que desenvolveu o módulo de serviço da cápsula Orion, veículo que levará os astronautas às imediações lunares. Com o embarque de um canadense nesse primeiro voo à Lua, os europeus esperam ter um assento para a primeira missão de pouso na superfície lunar, por ora marcada para 2028 (mas com enorme chance de atrasar).
Conheça a seguir os quatro astronautas que farão a primeira jornada circunlunar do século 21.
REID WISEMAN | COMANDANTE
Nascido em 11 de novembro de 1975, em Baltimore, Maryland, Gregory Reid Wiseman tem formação como engenheiro da computação pelo Instituto Politécnico Rensselaer e mestrado em engenharia de sistemas pela Universidade Johns Hopkins, concluído em 2006. Após se formar no Rensselaer, Wiseman se juntou à Marinha americana, onde se tornou aviador em 1999 e participou de diversas operações militares na carreira.
Ele servia como tenente-comandante no porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower quando foi escolhido para integrar a turma 20 de astronautas da Nasa, em 2009, em uma disputa que envolveu cerca de 3.500 participantes. Wiseman tinha o forte desejo de se tornar astronautas desde que vira pessoalmente um lançamento do ônibus espacial, em 2001.
Como é comum, levou um tempo até que ele tivesse a oportunidade de ir ao espaço. Aconteceu em maio de 2014, quando foi selecionado para participar das expedições 40 e 41 da ISS, onde passou pouco menos de seis meses trabalhando no complexo orbital, depois de ir até lá em uma cápsula Soyuz.
Em 2020, Wiseman foi selecionado para chefiar o Escritório dos Astronautas, no Centro Espacial Johnson, em Houston, cargo que ocupou até 2022, quando então retornou à escala de voos. A volta foi premiada com a escolha, em 2023, de ser o comandante da histórica Artemis 2 -seu segundo voo espacial.
Hoje com 50 anos, e já aposentado da Marinha, Wiseman é viúvo. Sua esposa, Carroll Wiseman, morreu em 2020, e ele tem duas filhas.
VICTOR GLOVER | PILOTO
Nascido em 30 de abril de 1976, em Pomona, Califórnia, Victor Jerome Glover Jr. se destacou cedo por seu desempenho atlético, tendo jogado futebol americano no ensino médio, o que lhe valeu o prêmio de Atleta do Ano de 1994. Mas desde cedo, encorajado pelo pai, Glover nutria interesse por ciência e engenharia, o que o fez estudar engenharia na Cal Poly (Universidade Estadual Politécnica da Califórnia), formando-se em 1999. Seus interesses esportivos continuaram, envolvendo futebol americano e luta livre.
O avô de Glover havia servido à Força Aérea dos EUA durante a Guerra da Coreia, nos anos 1950, o que certamente também despertou o interesse do neto por aviação. Entre 2007 e 2010, ele obteve mestrados por três instituições diferentes, em engenharia de teste de voo pela Universidade do Ar (da Força Aérea), na Base Edwards, na Califórnia, em engenharia de sistemas na Escola Naval de Pós-Graduação, em Monterrey, Califórnia (mesma instituição e mesmo curso que está no currículo de Marcos Pontes, único astronauta brasileiro e hoje senador), e em arte e ciência militar operacional na Universidade do Ar em Montgomery, Alabama.
Comissionado como alferes na Marinha americana em 1999, ele se formou aviador em 2001 e acumulou ao longo de sua carreira militar mais de 3.000 horas de voo em mais de 40 aeronaves, participando de 24 missões de combate. O nome de guerra de Glover na Marinha é “Ike”, dado por um de seus oficiais comandantes, sigla de “eu sei tudo” (“I know everything”).
Na Nasa, Glover entrou em 2013, como parte da turma 21 de astronautas, concluindo seu treinamento em 2015. Dali a três anos, em 2018, ele seria escolhido como um dos astronautas que fariam parte do programa comercial tripulado, em que membros da Nasa viajariam ao espaço em espaçonaves desenvolvidas pela iniciativa privada. Ele fez parte da segunda tripulação a voar na cápsula Crew Dragon, da SpaceX, em novembro de 2020, em sua primeira missão operacional à ISS. Ele fez parte das expedições 64/65, ficando pouco menos de seis meses no espaço antes de retornar à Terra na mesma cápsula que o levou, a Crew Dragon Resilience, em maio de 2021.
Glover, agora com 49 anos, espera para realizar seu segundo voo ao espaço, contornar a Lua e se tornar o primeiro afro-americano a realizar a façanha. Na Terra, estarão à espera de seu retorno a mulher, Dionna Odom Glover, e quatro filhas.
CHRISTINA KOCH | ESPECIALISTA DE MISSÃO
Ela acaba de comemorar seu 47º aniversário. Christina Hammock Koch, nascida em 29 de janeiro de 1979 em Grand Rapids, Michigan, e criada em Jacksonville, Carolina do Norte, sonhava desde criança em ser astronauta. Ela se formou em física e engenharia elétrica pela Universidade Estadual da Carolina do Norte em Raleigh, onde também concluiu um mestrado em engenharia elétrica em 2002.
Interessada na intersecção entre engenharia e espaço, ela entrou no programa Academia Nasa, do Centro Goddard de Voo Espacial, onde colaborou no desenvolvimento de instrumentação científica que acabou embarcada em diversas missões robóticas da agência espacial americana em astronomia e cosmologia.
Koch também desenvolveu seu lado explorador entre 2004 e 2007, quando fez parte do Programa Antártico dos EUA e passou mais de três anos viajando pelas regiões árticas e antárticas, incluindo uma temporada na Estação Amundsen-Scott, no polo Sul, encarando temperaturas de até -79,4°C.
Entre 2007 e 2009, ela voltou a trabalhar no desenvolvimento de instrumentos científicos, desta vez no APL (Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins), onde contribuiu com equipamentos voltados para a detecção de radiação que foram embarcados nas missões Juno, a Júpiter, e Van Allen Probes, que estudaram a magnetosfera terrestre.
Em 2010, ela voltou a se dedicar a expedições polares e em 2012 trabalhou na Noaa (agência americana ligada a oceanos e atmosfera), até ser escolhida, em 2013, como parte da turma 21 de astronautas da Nasa -colega de Glover. Depois de embarcar vários instrumentos que iriam ao espaço, estava na hora de ela ir por si mesma e realizar o sonho de infância.
Em março de 2019, ela voou até a ISS numa cápsula russa Soyuz e participou das expedições 59/60/61. Seu retorno foi adiado em razão do gerenciamento das escalas do programa de tripulação comercial e ela só voltou ao espaço em 6 de fevereiro, após nada menos que 328 dias em órbita. Com isso, ela bateu o recorde de maior estadia contínua para uma mulher no espaço, superando Peggy Whitson, que havia permanecido por 289 dias.
O ótimo desempenho a credenciou para fazer parte da missão Artemis 2, onde ela baterá um novo recorde -será a primeira mulher a contornar a Lua. Torcendo, de longe, estará o marido, Robert Koch, que mora com ela no Texas.
JEREMY HANSEN | ESPECIALISTA DE MISSÃO
Outro que acaba de fazer aniversário. Nascido em 27 de janeiro de 1976, em London, Ontário (Canadá), Jery Roger Hansen é o único tripulante da Artemis 2 que não teve experiência pregressa no espaço.
Criado numa fazenda, Hansen cresceu olhando para as estrelas. Hansen entrou para a Força Aérea Real Canadense em 1994 e frequentou o Colégio Real Militar em Kingston, Ontário, onde se formou bacharel em ciência espacial em 1999. Na mesma instituição, em 2000, ele obteve um mestrado em física, com um foco de pesquisa em rastreamento de satélites. Além de ser astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense), ele segue com vínculo à Aeronáutica de seu país, com a patente de coronel.
A exemplo de outros astronautas canadenses, Hansen foi formado pela Nasa, ao fazer parte da turma 20, de 2009, como colega de Wiseman. E, além de astronauta, ele também é um cavenauta e um aquanauta. Em 2013, fez parte do treinamento CAVES, da Agência Espacial Europeia, ao lado de outros astronautas de várias nacionalidades. Em 2014, ele fez parte da tripulação do laboratório Aquarius, durante a missão de exploração submarina NEEMO 19, que durou sete dias.
Em 2023, ele finalmente foi escalado para sua primeira missão espacial, e valeu a pena esperar: na Artemis 2, Hansen se tornará, aos 50 anos, o primeiro canadense e o primeiro não americano a viajar às imediações da Lua. Em casa, ele terá a torcida de Catherine Hansen, sua esposa e reconhecida especialista em saúde da mulher, e três filhos.
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Fontes: Notícias ao Minuto
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