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As dicas de segurança de um ex-agente do Serviço Secreto dos EUA

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(FOLHAPRESS) – O Serviço Secreto dos Estados Unidos, famoso por ser responsável pela segurança do presidente, também tem outra importante função, muitas vezes desconhecida.

A organização é responsável por investigar crimes financeiros, atribuição para a qual foi criada, em 1865, antes do FBI (Federal Bureau of Investigation, de 1908) e da CIA (Central Intelligence Agency, de 1947).

“A agência foi fundada no Departamento do Tesouro, coincidentemente no dia do assassinato de Abraham Lincoln, para proteger o país contra a falsificação. Foi somente em 1901, quando dois presidentes foram assassinados, que eles assumiram a responsabilidade de também protegê-los”, conta Matt O’Neil, ex-agente do Serviço Secreto dos EUA.

Em visita ao Brasil neste semestre, O’Neil, com 30 anos de experiência em combate a crimes financeiros cibernéticos, participou de um evento com a Polícia Federal a convite da BioCatch, empresa de identidade digital, e conversou com a reportagem sobre como evitar cair em golpes e sobre como países podem combatê-los.

Nos últimos meses, uma série de ataques hackers desviaram ao menos R$ 1,5 bilhão e levaram o Banco Central a alterar regras do sistema financeiro.
O Serviço Secreto tem mais de cem operações espalhadas pelo mundo, sendo um dos escritórios no Brasil, em Brasília.

“O que tentamos fazer é interagir com o máximo de parceiros no exterior possível para que possamos aprender novos golpes antes que isso realmente chegue aos EUA”, diz O’Neil.

Ele conta que há grupos criminosos que usam um trabalho quase escravo nesses crimes. Há relatos de pessoas levadas à Ásia com promessa de emprego e forçadas a trabalhar em call centers especializados em golpes financeiros.

“É alto o nível de corrupção na Índia e no Sudeste Asiático. As fábricas fraudulentas estão sendo protegidas no Camboja e recebendo bilhões de dólares, então os investigadores não serão recebidos de braços abertos quando disserem que querem encerrar essa enorme operação. É preciso uma pressão em nível federal, e ainda mais em nível diplomático, contra esses países.”

Outra dificuldade no combate a esses crimes são as diferenças nas legislações de cada país, o que pode impedir extradições, e a falta de recursos dos órgãos de segurança.

“Enquanto a polícia leva meses para quebrar o sigilo bancário e seguir o rastro do dinheiro roubado, ladrões limpam a conta e repassam a quantia por diversas contas laranja em minutos”, diz O’Neil.

Segundo ele, para combater e inibir esses crimes é vital identificar os laranjas, também chamados de contas de passagem, que podem ser criminosos ou vítimas que tiveram seus dados roubados.

Ele explica que outra dificuldade é o uso de misturadores, programas que mesclam fundos de criptomoedas entre si para deixá-los difíceis de rastrear.

“Pense em quão poucos policiais têm tempo para trabalhar nesse tipo de caso quando há tantos outros para resolver, seja terrorismo, drogas, quadrilhas. Crimes financeiros são sempre uma questão de nicho para as autoridades policiais. Se for um caso de US$ 50 mil ou US$ 100 mil pode nem ser analisado”, diz o ex-agente.

“O outro desafio é que, quando você se torna realmente bom em ser um investigador de crimes financeiros, começa a receber convites do setor privado que pagam quatro vezes mais. Então, há uma perda contínua dos melhores talentos.”

O ex-agente também critica a falta de comunicação entre bancos, que poderiam trocar informações de forma a identificar empresas de fachada e contas laranja. “Os bancos também não vão ser tão rápidos em implementar recursos porque é caro e há muitas outras prioridades. Os golpes não afetam seus resultados financeiros. Mas serão forçados a fazer isso devido a novas regulamentações ou simplesmente por danos à reputação.”

Segundo ele, alguns padrões rastreáveis por bancos seriam logins a cada 30 segundos, se o titular está online em dois dispositivos ao mesmo tempo, falta de rastreamento da atividade do usuário no dispositivo, uso do celular com uma mão distinta (ex.: canhoto usando na mão direita), a diferença na pressão com a qual segura e tecla no telefone, o idioma do dispositivo e há quanto tempo ele está em uso.

De acordo com levantamento da BioCatch feito em março junto a 81 executivos brasileiros, todos em posições C-Level em bancos e instituições financeiras, a maioria (40%) destinam entre US$ 25 milhões (R$ 135,5 milhões) e US$ 49,9 milhões (R$ 270,5 milhões) anualmente para tecnologias de detecção de fraudes. Além disso, 89% defendem a necessidade de uma maior intervenção regulatória para o combate à lavagem de dinheiro, e 28% afirmam que ampliar a supervisão de instituições não financeiras é essencial.

O’Neil cita como exemplos positivos Austrália e Reino Unido, que adotaram medidas para coibir fraudes.

“No Reino Unido, só para mencionar uma das regras, há uma lei que obriga os bancos a pagar todos os golpes. Já a Austrália lançou o maior compartilhamento de dados anonimizados entre bancos do mundo, em tempo real.”

Ele reconhece que é mais difícil implementar mudanças em mercados maiores, como Brasil e Estados Unidos.

“Mas, se as perdas forem distribuídas entre todos nós, ninguém se importa. Precisamos de mais pessoas com voz para se manifestar e dizer que isso não é aceitável. Se as instituições financeiras estiverem perdendo dinheiro, pode apostar que eles vão mudar isso amanhã.”

Outra dificuldade é a educação sobre golpes. “As pessoas sempre minimizam a quantidade de engenharia social necessária para chegar a alguém. São semanas e meses”, diz ele.

Ele lembra um caso que investigou no Serviço Secreto, com prejuízos na casa de US$ 650 milhões (R$ 3,5 bilhões), com aproximadamente 400 vítimas.

“Entrevistamos cada uma delas e todas se consideravam conhecedoras de golpes. Algumas eram médicas, advogadas, professoras, pessoas com formação acadêmica, e foram enganadas. Portanto, [somente] a educação não funciona”, diz o ex-agente.

Ele diz ser necessário a criação de mais atrito no sistema como um todo, de modo a inibir golpes, mas sem criar desafios competitivos. Outra mudança proposta pelo especialista é a responsabilização das empresas de telecomunicação e de rede social.

Na opinião de O’Neil, as primeiras poderiam rastrear e barrar telefones de golpistas que fazem centenas de ligações ao dia, com dois segundos de duração cada uma. Já as redes sociais deveriam inibir perfis falsos.

“Eles ganham mais dinheiro se há mais pessoas na plataforma. Então, não vão descontinuar centenas de milhares de contas. A mesma coisa acontece com aplicativos de namoro. É um grande negócio multibilionário, e é por isso que não promulgaram leis para protegê-los de forma mais significativa, porque essas mesmas organizações estão fazendo doações significativas aos políticos que criariam essas leis.”

O fato de a lei ser mais branda na punição desses crimes também é visto como um problema pelo especialista.

“A maior sentença que já recebi foi de 16 anos para um roubo de US$ 300 milhões, mas se o cara estivesse traficando cocaína, ele teria cumprido 50 anos. Então eles pensam ‘tenho 30 anos, se não apreenderam todo o dinheiro, quando tiver 45 estarei livre e rico”, diz O’Neil

A IA (inteligência artificial) é mais um desafio no combate aos golpes financeiros, pois é utilizada na engenharia dos crimes cibernéticos.

“Costumávamos tentar manter todos os nossos criminosos cibernéticos em prisões diferentes porque não queremos que façam uma faculdade da prisão, aprendendo uns com os outros e fazendo networking. Hoje, a barreira de entrada para ser um criminoso cibernético é zero. Há cinco anos, você teria que ter algum conhecimento de codificação. Agora, é só preciso combinar IA e kits de phishing comprados online. É uma espécie de ponto de inflexão.”

Outro crime mencionado por O’Neil é a extorsão de adolescentes pelo crime organizado de países da África Ocidental. Os golpistas se passam por garotas e os fazem enviar fotos comprometedoras, os extorquindo posteriormente, afirma.

“É algo sobre o qual as pessoas, por algum motivo, não querem falar, mas trabalhamos em vários casos. É algo para se estar atento. Isso chega ao ponto de os jovens se matarem”, afirma o americano.

Ele aponta que a tecnologia também pode ajudar no combate a este tipo de delito, identificando o padrão da operação, com o mesmo tipo de valor monetário ou a mesma atividade transacional.

“Precisamos ter mais colaboração como sociedade. Porque é um problema da sociedade. Não é mais um problema bancário”, diz o ex-agente.
Abaixo, seguem dicas de segurança de O’Neil.

DICAS DE PROTEÇÃO

1) Nunca envie dinheiro para alguém que você nunca tenha tocado fisicamente.

2) Seja cuidadoso com o que você publica online sobre si mesmo.
Muitos golpistas usam “trends” de redes sociais para garimpar respostas de perguntas de autenticação baseadas em conhecimento. São brincadeiras do tipo “qual o nome do seu cachorro” e “qual o seu primeiro carro” que expõem informações pessoais relevantes.

3) Cuidado com os seus dados que os aplicativos estão coletando.
Esteja atento com as autorizações solicitadas pelo app, como os serviços de localização e acesso à câmera. Há organizações que vendem essas informações ilegalmente.

4) Se você não está pagando, o preço é você.
Suspeite de promessas de dinheiro fácil. Outro alerta é o senso de urgência de quem aplica o golpe, como se fosse algo que só poderia ser feito naquele momento.

5) Evite atender ligações de números desconhecidos
Muitas vezes golpistas ligam para verificar se a linha está ativa. Assim, eles podem mantê-lo na lista de possíveis alvos.

Celular roubado: como proteger seus dados antes e depois do crime

Com cada vez mais informações pessoais e financeiras armazenadas no celular, roubos podem gerar golpes graves. Medidas preventivas, como autenticação em dois fatores e backups, somadas a ações rápidas após o crime, ajudam a reduzir riscos e prejuízos

Notícias ao Minuto | 06:29 – 29/09/2025



Fontes: Notícias ao Minuto

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Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo. Mas quanto paga a engenheiros?

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O trabalho da Nvidia no desenvolvimento de chips de Inteligência Artificial lhe garantiu o status de empresa mais valiosa do mundo, com um valor estimado em 4,56 trilhões de dólares.

Com a ascensão meteórica da companhia nos últimos anos, torna-se especialmente interessante entender como a Nvidia busca reter e atrair talentos por meio de compensações financeiras.

Como informa o site Business Insider, a Nvidia não divulga os salários de seus funcionários, o que faz com que seja possível ter apenas uma estimativa a partir de documentos enviados ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos para a solicitação de vistos H-1B — um tipo de visto que permite que empresas norte-americanas contratem profissionais estrangeiros altamente qualificados.

A partir desses documentos, é possível observar que o salário-base de um engenheiro de software na Nvidia varia entre US$ 92 mil e US$ 425,5 mil por ano. Já os cientistas de pesquisa recebem entre US$ 104 mil e US$ 431,25 mil (cerca de 87.574 a 363.254 euros) anuais. Um gerente de produto, por sua vez, pode ganhar entre US$ 131.029 e US$ 379.500 (aproximadamente 110.369 a 319.664 euros) por ano.

É importante destacar que esses valores não incluem bônus nem participação acionária, o que significa que a remuneração total pode alcançar patamares significativamente mais altos.

A “guerra por talentos” entre as gigantes da tecnologia nos Estados Unidos se intensificou nos últimos anos, com a área de Inteligência Artificial se tornando um verdadeiro campo de batalha, no qual empresas como Meta, OpenAI, Google, Microsoft, Amazon e Apple, entre outras, disputam os principais especialistas do setor.

Leia Também: Pela 1ª vez, missão à Lua terá uma mulher, um negro e um não americano



Fontes: Notícias ao Minuto

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Apesar de lucros recorde, líder da Apple admite preocupação com 2026

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Apesar do tom positivo da mais recente apresentação de resultados da Apple, o CEO Tim Cook admitiu, durante o evento, que o ano de 2026 pode ser desafiador devido ao aumento no preço da memória RAM.

Vale lembrar que esses componentes estão cada vez mais disputados por empresas de tecnologia que investem no desenvolvimento de infraestrutura para o treinamento de modelos de Inteligência Artificial.

Embora o aumento da demanda por esses componentes não tenha afetado as margens de lucro da Apple no último trimestre, Cook afirmou que o tema pode se tornar uma preocupação maior nos próximos meses.

“Continuamos observando um aumento significativo nos preços de mercado da memória”, afirmou o CEO da Apple, segundo o site Business Insider. “Como sempre, vamos analisar diversas opções para lidar com isso. Há algumas alavancas que podemos acionar. Não sabemos se serão bem-sucedidas, mas temos várias alternativas à disposição.”

Lucros recordes impulsionados pelo iPhone

A Apple divulgou na quinta-feira um lucro trimestral de 42 bilhões de dólares, o que representa um crescimento anual de 16%. O iPhone, principal produto da empresa, alcançou um recorde histórico de vendas.

Os dados financeiros, divulgados após o fechamento de Wall Street, mostram uma receita recorde de 143,756 bilhões de dólares, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelas vendas do iPhone, que cresceram 23%, chegando a 85,269 bilhões de dólares.

“O iPhone teve seu melhor trimestre graças a uma demanda sem precedentes, com recordes em todas as regiões geográficas, e o segmento de Serviços também alcançou uma receita recorde”, afirmou Tim Cook em comunicado.

Durante a videoconferência sobre os resultados, Cook atribuiu a “extraordinária” demanda ao iPhone 17 e às versões Pro e Pro Max, destacando que a linha apresenta o melhor desempenho, o sistema de câmeras mais avançado e maior leveza já vistos.

A receita com produtos da Apple — incluindo iPhone, Mac e iPad — totalizou 113,743 bilhões de dólares, enquanto a área de Serviços, que engloba App Store, iCloud e Apple Music, alcançou 30 bilhões de dólares.

Cook também destacou que há mais de 2,5 bilhões de dispositivos da Apple ativos em todo o mundo.

Geograficamente, todas as regiões registraram crescimento nas vendas. Na China e em mercados próximos, como Taiwan e Hong Kong, o aumento foi de 38%. Nas Américas, que concentram a maior parte das vendas, a alta foi de 11%.

Ao final do exercício fiscal de 2025, encerrado em outubro — já que o ano fiscal da empresa não coincide com o ano civil —, a Apple registrou crescimento anual de 19% no lucro, que atingiu 112 bilhões de dólares, sustentado por um aumento de 6% na receita, que chegou ao patamar inédito de 416 bilhões de dólares.

Atualmente, a Apple possui a terceira maior capitalização de mercado do mundo, avaliada em 3,8 trilhões de dólares.

Leia Também: Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam



Fontes: Notícias ao Minuto

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Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam

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Durante séculos, desde que o Sol foi declarado o centro do sistema solar no século XVI, a sociedade manteve a crença de que qualquer objeto orbitando a estrela brilhante seria considerado um planeta. De Mercúrio a Plutão, todo corpo celeste considerado grande o suficiente foi incluído nessa categoria.

Mas, com o tempo, essa categorização tornou-se confusa, especialmente à medida que ficou claro que nem todos os “planetas” são iguais. A astronomia mudou significativamente desde então, e até mesmo Plutão viu seu status de planeta rebaixado a um mero planeta anão. Mas o que exatamente é isso? E o que é necessário para que um planeta seja incluído nessa categoria? Clique nesta galeria para descobrir.



Fontes: Notícias ao Minuto

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