Arquitetura
Casa olhando para um Cedro / Cedrus Studio

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Este projeto de renovação está localizado na Província de Alborz, Irã, em um terreno de 1150 metros quadrados ao lado de um rio e de uma árvore de cedro com décadas de idade. A estrutura original—uma casa inacabada com mais de 50 anos—apresentava um sistema de paredes autoportantes e cobria uma área de aproximadamente 590 metros quadrados. O projeto agora serve como uma residência recreativa para uma família com duas filhas e seus cônjuges.


A natureza foi o principal motor do projeto. A casa está situada entre a sólida presença das montanhas ao norte e o rio fluente ao sul, sob um vasto céu aberto. O conceito central era acolher a natureza dentro da casa, permitindo que a luz do sol, a água, o vento e a vegetação fluíssem suavemente pelo espaço em um movimento lento e circular. O cedro atua como o âncora simbólica dessa experiência, tanto como um marco natural quanto como uma presença constante ao longo do projeto.


Estritas regulamentações de zoneamento proibiram qualquer nova construção ou extensão vertical. No entanto, o volume existente apresentou grandes desafios: pés-direitos muito baixos, níveis de piso desconectados e limitações estruturais. Para resolver essas questões, o projeto introduziu dois vazios estratégicos—um sob a cumeeira e outro na sala de estar—para criar verticalidade espacial, abrir vistas para o céu e fortalecer a relação entre os diferentes andares.


Enquanto o telhado de duas águas foi preservado em sua silhueta, os volumes interiores foram redefinidos por meio de uma série de arcos intersectados, inspirados na geometria abobadada enraizada na herança arquitetônica do Irã. A estrutura original foi reforçada e unificada com uma estrutura de aço. No segundo subsolo, a fundação foi rebaixada em 90 centímetros, aumentando o pé-direito utilizável. Cargas pontuais foram redistribuídas com novos sistemas de suporte, e pilares existentes foram estendidos, liberando a planta e aprimorando a fluidez espacial.


A seleção de materiais teve como objetivo criar atmosferas quentes e confortáveis. Tijolo feito à mão—profundamente enraizado na memória coletiva da arquitetura do Irã—foi escolhido como o material principal, ligando o interior e o exterior e oferecendo uma sensação tátil de familiaridade. Linhas interiores curvas ecoam os contornos suaves da paisagem e se integram à geometria espacial arqueada do volume.

O cedro se revela em uma sequência de momentos visuais: primeiro como uma sombra suave nas escadas, depois como uma silhueta atrás de um arco, e finalmente como uma presença completa no pátio. Essa progressão fomenta uma conexão emocional mais profunda entre os habitantes e seu entorno natural. O design da fachada se inspira na textura das pinhas espalhadas pelo vento, traduzida em alvenaria texturizada e persianas metálicas perfuradas na elevação sul. Embora a casa esteja em um contexto com pouca herança arquitetônica iraniana visível, o uso de arcos sutilmente recupera essa linhagem, formando um diálogo contemporâneo entre memória, lugar e natureza.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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