Arquitetura
Casa Tres Patis / TwoBo arquitectura

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- Área:
300 m²
Ano:
2023

Descrição enviada pela equipe de projeto. Nas planícies do Empordà, a poucos quilômetros das ruínas greco-romanas de Empúries, Espanha, ergue-se a Casa Tres Patis, uma residência unifamiliar de 300 m2 que interpreta os arquétipos clássicos da vila mediterrânea em uma linguagem contemporânea. Projetada por Twobo, a casa parte de uma ideia central: criar um espaço habitável onde a arquitetura dialogue com a luz, o vento, a água e o corpo.

“Não queríamos uma casa no meio da paisagem, queríamos que toda a casa fosse a paisagem”, afirmam Maria Pancorbo, Alberto Twose e Pablo Twose, da Twobo.

Um casal formado por uma historiadora da arte e um diretor de fotografia que trabalhou na Califórnia confiou aos arquitetos o desenvolvimento do projeto. Para definir o enfoque do design, compartilharam com o estúdio várias referências-chave: por um lado, as Case Study Houses californianas, com sua visão experimental da habitação moderna; por outro, as ruínas gregas e romanas de Empúries, onde a arquitetura se apresenta como vestígio e vazio em relação ao lugar.

Twobo concebeu assim a Casa Tres Patis como um conjunto de pavilhões independentes dispostos em torno de três pátios, transformados em pilares da vida doméstica. Cada pátio é um espaço vivido, um lugar de reunião e contemplação, um elemento ativo da arquitetura. O primeiro, aberto e sombreado por uma árvore, evoca a vida social em uma grande praça, com uma mesa de pedra, uma churrasqueira, uma trepadeira e uma área para jogar petanca. O segundo reinterpreta o implúvio romano como um lugar de contemplação e respiro. O terceiro, íntimo e sereno, abriga uma horta aromática que remete aos jardins monásticos.

Os pavilhões, por sua vez, são concebidos como estruturas leves, quase móveis, e cada um responde a um aspecto específico da vida: uma estrutura principal com cozinha, sala, banheiro e dormitório; outra com os quartos para as crianças e lavanderia; e uma terceira que funciona como casa de hóspedes e ateliê. Todos foram construídos com materiais em harmonia com o clima e o entorno: brises cerâmicos, painéis de madeira, estruturas metálicas e grandes fechamentos envidraçados.

Materiais artesanais locais se integram em diferentes recantos da residência, trazendo uma nova camada de tradição. Nesse caso, destacam-se os brises e os azulejos azuis elaborados pela Cerâmica Ferrés, cujo ateliê se encontra a poucos quilômetros do local.

Tomando como referência Richard Neutra, figura chave do Movimento Moderno na Califórnia e arquiteto da Case Study House #20, os volumes apresentam estruturas metálicas repetitivas e grandes janelas protegidas por sombras naturais ou brises triangulares que atenuam o intenso sol de verão.


A casa busca esfumaçar os limites entre interior e exterior por meio de percursos contínuos, caminhos de concreto, grandes janelas e chuveiros que se abrem para os pátios. Um muro rústico abraça o terreno, protegendo a residência do vento e emoldurando fragmentos da paisagem rural para aqueles que habitam em seu interior.

Em termos de conforto, a Casa Tres Patis incorpora soluções de eficiência energética passivas e ativas: ventilação cruzada natural, orientação solar otimizada, paredes isolantes, sistemas de reciclagem de águas cinzas e painéis solares. Tudo isso reforça o compromisso do estúdio com uma arquitetura sustentável, sem abrir mão da expressividade e da beleza.

A Casa Tres Patis não pretende impor uma forma de viver, mas simplesmente sugerir uma, promovendo ritmos pausados, conexão com a natureza e uma vida centrada em torno do pátio. Twobo oferece uma releitura poética da tradição mediterrânea, onde o bem-estar surge da relação harmoniosa entre arquitetura, paisagem e corpo. Uma casa para habitar com todos os sentidos.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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