Arquitetura
Escritório e Fábrica Urban Gauze / DOT

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- Área:
1300 m²
Ano:
2024

Descrição enviada pela equipe de projeto. Surat, cidade indiana de forte tradição comercial, consolidou-se como um dos mais importantes centros têxteis desde a era Mughal. Atualmente, é amplamente reconhecida por sua expressiva produção de sarees de seda, tecidos de algodão, bordados mecanizados e, sobretudo, pela predominância dos têxteis de poliéster. Paralelamente, a cidade abriga uma densa rede de indústrias químicas e unidades de tingimento, reforçando sua relevância no cenário industrial contemporâneo.


Como cidade industrial com crescente demanda global e um mercado consumidor em expansão, Surat atrai trabalhadores migrantes de pequenas vilas para suas fábricas têxteis. Entretanto, esses trabalhadores frequentemente enfrentam condições de vida precárias e ambientes de trabalho insalubres. O terreno em questão situa-se na área do GIDC de Pandesara — uma zona industrial de 218 hectares que concentra numerosas indústrias têxteis, de tingimento, químicas e petroquímicas. Essa densidade fabril contribui para que a região figure entre as mais poluídas de Surat, liberando quantidades significativas de material particulado (MP) no ar.

O projeto está localizado em um típico beco industrial onde os edifícios compartilham paredes, têm fachadas estreitas e se estendem profundamente em seus terrenos. Devido a essa profundidade, a maioria dos edifícios sofre com pouca luz natural, ventilação inadequada e circulação não planejada, comprometendo a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. Projetadas puramente para a produção, essas estruturas carecem de caráter arquitetônico e falham em proporcionar um senso de pertencimento.


A intervenção foca na modernização de uma dessas casas têxteis de quatro andares, abordando tanto os requisitos práticos de seus usuários quanto seu bem-estar. O objetivo era aprimorar a estrutura existente, introduzir um ambiente interno criativo e esteticamente envolvente, e reduzir o consumo de energia através de estratégias de design passivo.


Após estudar o volume existente e realizar testes estruturais, o projeto otimizou a estrutura atual. As lajes existentes foram reaproveitadas para sustentar o maquinário pesado, enquanto os altos tetos permitiram a criação de um mezanino nas áreas de fabricação para acomodar escritórios e depósito. Uma extensão adicional no andar superior agora abriga escritórios executivos, um estúdio de design e um espaço de exposição—criando uma estrutura têxtil completa onde design e produção coexistem sob um mesmo teto.

A luz natural e a ventilação foram elementos centrais no projeto. A escada e os halls recebem iluminação direta do exterior, enquanto uma janela alta conduz luz solar à área de verificação do primeiro andar, aproveitando a altura mais baixa da propriedade vizinha. Um poço de luz posterior, equipado com grandes janelas e vasos de plantas, introduz vegetação em meio à paisagem industrial árida. No andar superior, três pátios paisagísticos permitem que os níveis inferiores recebam luz “emprestada” por meio de claraboias estrategicamente posicionadas, reduzindo em 15% a necessidade de resfriamento mecânico e em 35% a demanda por iluminação artificial durante o dia.


Concebido como um projeto de remodelação, o design preserva o caráter estrutural do edifício ao mesmo tempo em que aprimora sua funcionalidade, a qualidade do ar e o acesso à luz natural, resultando em desempenho operacional otimizado aliado a uma estética apurada. Em escala micro, o projeto funciona como protótipo para unidades têxteis semelhantes, demonstrando que espaços industriais podem ser simultaneamente eficientes e centrados no ser humano. A arquitetura prioriza abertura e fluidez, incentivando interações em equipe e estimulando o engajamento criativo. A luz natural, em constante movimento, projeta padrões dinâmicos pelos interiores, criando uma atmosfera de calma e amplitude. Pátios paisagísticos complementam a experiência, filtrando o ar e elevando a qualidade ambiental interna, beneficiando diretamente o bem-estar dos trabalhadores.

Novas adições estruturais foram construídas com concreto aparente usando módulos de tamanho padrão para minimizar o desperdício de material, ao mesmo tempo em que conferem um caráter monolítico. Essa abordagem também reduziu os custos de acabamento, já que as paredes existentes foram mantidas em reboco simples para complementar as superfícies de concreto e o piso de Kota. As grandes janelas voltadas para a frente são cobertas com chapas de alumínio corrugado perfurado, permitindo a carga e descarga de máquinas, enquanto funcionam como um hall estético e iluminado naturalmente em cada andar. A nova escada de concreto adicionada apresenta uma fenda, desconectando-a visualmente do caótico ambiente urbano enquanto oferece vislumbres emoldurados de uma grande árvore e do céu.

Com um custo de projeto baixo, a estratégia de remodelação equilibrou frugalidade com a experiência do usuário. A interação entre pátios costurados e fachadas perfuradas cria uma camada respirável dentro do denso e poluído tecido urbano de Pandesara, ao mesmo tempo em que suaviza e filtra luz e ar em um ambiente hostil.
Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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