Política
Exército inclui disciplina de ética em curso de formação e reduz independência de ‘kids pretos’
CÉZAR FEITOZA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Comando do Exército promove uma reforma no Comando de Operações Especiais após ver parte da tropa, os chamados “kids pretos”, envolvida nas investigações sobre a trama golpista de 2022 e os ataques às sedes dos Poderes de 8 de janeiro.
O general Tomás Paiva, chefe do Exército, assinou uma portaria que transferiu o Batalhão de Operações Psicológicas para o Comando Militar do Planalto. A mudança esvazia a estrutura do Comando de Operações Especiais e reduz a independência dos kids pretos, que ficavam isolados em uma estrutura própria no Exército.
Generais que compõem a cúpula do Exército argumentam que a mudança não tem relação direta com o envolvimento de kids pretos na tentativa de golpe de Estado denunciada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Segundo essa versão, o objetivo seria integrar o trabalho das Operações Psicológicas a todo o Exército em vez de deixá-lo isolado no Comando de Operações Especiais.
Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo mostram, porém, que a mudança não ficou restrita à estrutura organizacional do Exército. Entre outros pontos, a Força obrigou que o curso de formação para as operações especiais passe a ter as disciplinas de ética profissional e liderança militar.
A preocupação com os valores éticos dos kids pretos surgiu após a investigação da Polícia Federal apontar que militares tentaram usar de operações psicológicas contra os generais que recusaram as iniciativas golpistas sugeridas pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).
A reforma dos kids pretos foi idealizada por um grupo de 21 militares que se reuniu oito vezes de janeiro a março deste ano. A Folha teve acesso às atas das reuniões realizadas no Quartel-General do Exército.
A sétima reunião teve como foco apresentar os aspectos relacionados à educação nos cursos de formação. Foram duas as principais sugestões acatadas.
A primeira era a “atualização da documentação de ensino, com inserção das Disciplinas Ética Profissional e Liderança Militar nos Cursos de Ações de Comandos (CAC) e nos Cursos de Forças Especiais (CFEsp)”.
A segunda sugestão, em complemento, era pela “avaliação psicológica a ser aplicada nos concludentes dos CAC e CFEsp, durante o período de desmobilização”.
O grupo responsável pela reformulação das Forças Especiais do Exército também sugeriu atualizar o processo de seleção para os cursos de formação dos kids pretos. Agora, a entrada no batalhão de elite deve ser mais difícil e só poderá concorrer às vagas quem tiver concluído um tempo mínimo de serviço na Força.
A ideia é reduzir o número de militares das Operações Especiais e impedir acesso dos oficiais mais novos.
Há uma insatisfação de kids pretos com a forma como o Comando do Exército vem conduzindo a reformulação. Sete oficiais das Forças Especiais disseram à Folha que os militares dessa área vêm sendo preteridos nas principais posições da Força.
Um exemplo seria a lista de promoções de generais definida pelo Alto Comando do Exército para o fim de julho. Somente um kid preto será promovido nas 11 vagas abertas para general de Exército (quatro estrelas) e de Divisão (três estrelas).
A cúpula do Exército, formada por 17 generais da mais alta patente, também deixou de ter kids pretos. A influência desse grupo de militares foi esvaziada durante a gestão do general Tomás Paiva como uma precaução diante do avanço das investigações da Polícia Federal.
Os militares com formação no curso de Operações Especiais são chamados de kids pretos porque usam uma boina preta -principal símbolo que diferencia este grupo dos demais no Exército.
Eles compõem uma unidade de elite responsável por cumprir missões de alto risco, com táticas não convencionais para infiltração no território inimigo e promoção de guerra irregular.
A formação dos kids pretos é a mais intensa no Exército. Eles passam dias sem se alimentar e são submetidos a testes físicos extremos. O lema do grupo é “qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer hora e de qualquer maneira”.
Pela dificuldade de entrar no Comando de Operações Especiais e pelo desempenho físico exigido, os kids pretos têm o costume de se vangloriar e se julgar superiores aos militares das demais áreas do Exército.
“Tenho a fibra de um imortal. Sou um combatente de elite, quem quiser que se habilite, sou comandos, herói da nação”, diz um dos cânticos ensinados durante o curso de formação dos kids pretos.
Historicamente, os kids pretos têm rivalidade com os precursores -militares paraquedistas especializados no reconhecimento das áreas de conflito. Eles têm esse nome por serem os primeiros a chegar no local, preparando o terreno para a chegada de outras tropas. É a formação do comandante Tomás Paiva.
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Política
Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.
Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.
Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.
Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.
No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.
Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.
Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.
O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.
O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.
Fonte: Notícias ao Minuto
Política
PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.
A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.
No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.
Política
PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.
Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.
“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.
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