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Economia

Faturamento de docerias com morango do amor dispara: ‘Parece páscoa’

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GABRIELA CECCHIN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O morango do amor, nova tendência nas redes sociais, tem feito confeiteiras faturarem entre R$ 20 mil e R$ 70 mil em uma semana, elevando vendas em uma época de retração sazonal e atraindo até mesmo gigantes da confeitaria, que também buscam lucrar com essa febre.

“É uma loucura, parece Páscoa”, diz a confeiteira Neliane Carvalho dos Santos Santiago, 34, dona da Neli Doces, na zona oeste da capital paulista.

A receita, que tem a fruta envolvida por brigadeiro branco e calda de açúcar, é inspirada na maçã do amor, famosa nas festas juninas, e está fazendo pequenas empresárias expandirem seus negócios.

Neli passou a vender morangos do amor no início do mês, depois que um amigo contou da popularidade do doce na internet. Agora, a atividade envolve toda a família. Começaram produzindo 20 unidades por dia e hoje fabricam entre 130 e 150. Cada uma é vendida por R$ 13.

A confeiteira atende a pedidos somente por delivery e prepara a guloseima na cozinha de sua própria casa, no bairro Rio Pequeno. Ela montou a confeitaria há quatro anos, depois de sair do antigo trabalho como babá para passar mais tempo os filhos.

No final de junho, o marido José Iris Graciano Santiago, 42, também pediu demissão do emprego de motorista particular e agora se dedica exclusivamente à confeitaria.

“Eu precisava dele aqui, porque era tudo comigo. Cozinha, marketing, contabilidade, mercado, foto, tudo. Ele me ajudava nas entregas nos fins de semana, mas de dia, precisava trabalhar”, conta Neli.

Quando decidiram investir só na empresa, as vendas caíram. “O meio do ano não é tão bom. Chegou um dia em que estávamos com mais de 30 copos de doce sobrando, que não conseguíamos vender. Aí chegou o morango do amor, e foi essa loucura. Subiu as nossas vendas de tal maneira que temos clientes novos todos os dias”, diz.

“As massas dos brigadeiros descansam, mas a gente não”, brinca.

Regiane Caruto, 45, dona de uma confeitaria em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, desde 2018, nunca tinha trabalhado com o morango do amor, mas não resistiu ao apelo do público. “Os clientes ficaram enlouquecidos. Quem não conseguiu comprar nos primeiros lotes até brigou com a gente”, afirma.

Ela começou a produção no último sábado (19) e, em cinco dias, vendeu mais de mil unidades com preços que começaram a R$ 16,99, mas já chegam a R$ 20. O faturamento até agora foi de aproximadamente R$ 20 mil só com os morangos.

Regiane já prepara novos lançamentos inspirados na iguaria, como o bombom de uva do amor e o morango do amor com brigadeiro preto.

A confeiteira Taiana Santos, 26, proprietária da Doces da Tai –que acumula 2,5 milhões de seguidores no TikTok–, começou a vender o doce em junho, assim que soube da tendência nas redes sociais, e comemora os resultados.

Bruna Fernanda de Jesus Silva, 31, chef de cozinha na Brigaderia Chic, em Araucária (PR), diz ter desenvolvido o morango do amor em 2019, e afirma que o produto entrou no cardápio fixo da empresa ainda em 2020. “Podemos dizer que somos precursores deste doce nas confeitarias do Paraná”, afirma.

A chef conta que faturou R$ 70 mil só com a venda da sobremesa desde o último dia 19, um sábado. “Eu comecei vendendo doces há 14 anos. No começo, ia de porta em porta, e sempre percebi que os produtos à base de morango tinham uma aceitação diferenciada entre o público”, afirma Bruna.

Ela conta que costumava vender de 150 a 300 unidades do morango do amor por semana. Agora, a média é de 350 a 400 por dia. Na quinta (24), a confeitaria bateu seu recorde, com 870 morangos comercializados, tanto que precisou suspender as entregas do fim da tarde. O custo vai de R$ 18 a R$ 20.

A Sodiê Doces, franquia com 400 lojas no Brasil e duas nos Estados Unidos, também entrou no mercado de morangos do amor. No primeiro dia de lançamento, segundo a empresa, foram vendidas 8.000 unidades.

A procura foi tamanha que a fruta pode faltar não só nesta receita, mas em outras. “Por se tratar de um item feito com morangos frescos, sua disponibilidade pode variar conforme a sazonalidade da fruta e a logística de cada unidade”, diz a empresa.

Alguns clientes que buscavam outros doces feitos com morango na franquia relatam que a fruta estava em falta –especialmente com a campanha de descontos Festival de Morango, que começou antes da viralização.

A Amor aos Pedaços, outra gigante da confeitaria, no ramo há mais de 40 anos, tem visto filas em suas lojas em busca da sobremesa.

DE ONDE SAIU A TENDÊNCIA?
Especialistas afirmam que é difícil dizer qual foi o primeiro vídeo com o morango do amor que viralizou. No Google Trends, as buscas pelo produto começaram a subir lentamente na última semana de junho, mas só escalaram em meados de julho. No TikTok, há vídeos populares datados de maio.

Algumas doceiras afirmam que a moda tem a ver com a festa junina e com o período de venda da fruta, comum no inverno.

“Eu já conhecia o morango do amor, ele aparece sempre no meio do ano, porque o pessoal faz a comparação com a maçã do amor. Ano passado já estavam vendendo, mas eu ainda não tinha me rendido”, diz Verônica Silva, 34, proprietária do Delícias da Veêh, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ).

Ela começou a produção na última semana e chegou a vender cem unidades em um único dia, por R$ 14,90 cada.

Nas redes, algumas pessoas relatam conhecer o doce desde crianças, outras apontam alguns nomes como criadoras. A empresária Tânia Cristina Passos, 39, conta que recebeu o título de pioneira após o ChatGPT indicar seu nome.

“Muita gente perguntou para a inteligência artificial quem criou o morango do amor, e viram que meu nome apareceu por lá. Desde então, eu comecei a receber muitas mensagens no Instagram e o movimento começou”, conta a dona da Brigsmores Brigaderia, que fica em Santos (SP).

Ela afirma que faz doces caramelizados desde 2021, mas que, no ano passado, teve a ideia de fazer o morango do amor.

“Vendia bem desde o início, mas era esporádico, nos fins de semana. Meu máximo foi de 50 unidades em um dia só. De uns dez dias para cá, a procura aumentou, chegou um momento que a gente não estava dando mais conta de atender tantos pedidos.”

Sua mãe, também doceira e que a ensinou a cozinhar, era a única que colaborava com a produção. Tânia já contratou mais duas pessoas para ajudar nas entregas e no financeiro, mas não foi o suficiente.

Na quarta-feira (23), pediu demissão de seu emprego na área de comércio exterior em uma multinacional alemã e agora é confeiteira em tempo integral.

“Eu não gosto de dizer que fui eu que inventei, porque a gente vive num universo muito grande, que é a confeitaria. Então eu não acho justo levar esse crédito e não estou me promovendo em cima disso; sei que tem lugar para todo mundo.”

MORANGOS EM FALTA
A febre do morango do amor já atingiu os preços da fruta, que vem registrando alta desde o ano passado. Letícia de Oliveira Rosa, 35, comerciante na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e fornecedora da Neli, diz que a caixa com quatro caixinhas de morango, que costuma custar R$ 20 nessa época do ano, já está R$ 50.

Em junho, o valor do morango aumentou 8,2%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). No acumulado do ano, a alta chega a 39,89%.

Luiz Eduardo Antunes, pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), afirma que o aumento é comum no primeiro semestre, porque ainda não se colhem os frutos da safra. “O pico da safra de morango é em agosto e setembro no Sudeste, e outubro e novembro no Sul”, diz.

Segundo ele, Minas Gerais é o maior produtor do país, concentrando metade da produção brasileira. Em seguida, vêm as cidades paulistas de Atibaia, Piedade e Jarinu. “A plantação se inicia entre maio e junho, e a colheita é só 60 dias depois. Em julho, já temos a Festa do Morango em Atibaia, mas ainda não é o pico”, conta.

O preço do morango aumenta a cada ano, de acordo com o pesquisador, por fatores como a falta de adubo devido à Guerra da Ucrânia. “A falta de mão de obra tem elevado bastante o custo de produção também. Há cada vez menos pessoas que querem trabalhar abaixadas, plantando e colhendo morango.”

FEBRE PODE PASSAR RÁPIDO?
O professor da faculdade de negócios FIA Business School, Carlos Honorato acredita que as confeiteiras não devem apostar todas as suas fichas no morango.

“Se você tem uma doceria, nada melhor do que aproveitar a moda e criar uma oportunidade de negócio. Mas é uma febre, como a da paleta mexicana, do pistache. Uma hora acaba, as pessoas enjoam.”
Ele acredita que o preço do morango pode subir por um tempo antes que os fornecedores se acostumem com a demanda. “O risco é que, na hora que essa bolha do morango do amor furar, as pessoas vão ficar com morango na mão e o preço vai desabar.”

O segmento empreendedor de produtos de padaria e confeitaria tem crescido nos últimos anos, segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Em 2024, foram abertos 40.268 pequenos negócios do tipo, o que representou um crescimento de 17% no número de aberturas se comparado a 2023, com 34.426 aberturas.

CONFEITEIRAS JÁ PENSAM EM ALTERNATIVAS
Algumas proprietárias de docerias olham para o futuro e pensam em alternativas para o doce. Uva do amor, limão do amor e laranja do amor estão surgindo tão rápido quanto os morangos cobertos com brigadeiro preto ou de maracujá.

Bruna Silva, de Araucária, já vende o maracujá do amor. Regiane Caruto, de Santos, prepara novos lançamentos inspirados na febre do morango. E as redes sociais também buscam criar uma nova onda viral.

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Fonte: Notícias ao Minuto

Economia

Lula destaca números da economia e diz que ricos vão compensar isenção do IR

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vangloriou nesta sexta-feira, 12, os números econômicos durante um discurso em Brasília. Segundo o petista, o momento brasileiro é especial devido à diminuição da extrema pobreza e do desemprego, além do crescimento dos empregos formais. Lula também destacou a isenção de quem ganha até R$ 5 mil do imposto de renda, e afirmou que os mais ricos vão compensar a “libertação do povo pobre” da tributação.

“Avançamos na luta contra a justiça tributária. A partir de janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5 mil, não paga mais imposto de renda neste País, e quem ganha até R$ 7.300, vai pagar menos imposto do que paga hoje. A compensação sobre essa libertação do povo pobre pagar imposto de renda, virá da taxação que estamos fazendo na camada mais rica da população”, disse Lula.

O presidente disse ainda que é preciso apenas “eleger alguém que não presta” para destruir uma política pública. Segundo o petista, é preciso que o Estado vá até a população, e não o contrário.

Lula anunciou que, no ano que vem, o governo vai tentar realizar três mutirões por mês de veículos e equipamentos do programa Agora Tem Especialistas pelo Brasil. A iniciativa é uma das apostas do petista para alavancar a popularidade da gestão diante da chegada da campanha eleitoral.

O presidente participou na manhã desta sexta da 13ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em Brasília.

Após o evento, Lula partiu para São Paulo, onde participará, no fim da tarde, da inauguração do canal SBT News.

Lula enviou uma mensagem ao Congresso Nacional da Convenção Interamericana Contra as Formas de Descriminação e Tolerância. Com isso, o Legislativo precisa ratificar o texto para que o Brasil siga os preceitos adotados pelo continente.



Fonte: Notícias ao Minuto

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Economia

iFood vê uso de dados sigilosos por ex-funcionários que migraram para a 99 e vai à Justiça

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O iFood passou a acionar judicialmente ex-executivos da empresa que foram trabalhar na rival 99Food. A companhia suspeita que dados confidenciais estejam sendo usados em negociações com restaurantes, em meio à guerra do delivery aberta neste ano com a chegada de novos concorrentes ao mercado.

Donos de estabelecimentos com acordos de exclusividade com o iFood afirmaram à reportagem que, em reuniões marcadas pela 99, executivos da companhia chinesa fizeram propostas para que quebrassem seus contratos com o concorrente e migrassem para a sua recém-lançada plataforma.

Nas conversas, foram mostradas informações como faturamento, tíquete médio de clientes, multa pela quebra do pacto e vigência do acordo com o iFood, detalhes que seriam de acesso exclusivo da plataforma líder do segmento e dos sócios das redes.

“O iFood identificou o uso de informações sigilosas relacionadas a seus restaurantes parceiros de forma ilegal”, disse a empresa em nota.

A 99 respondeu que encara esse tipo de relato com seriedade e que não tolera nem endossa qualquer forma de conduta inadequada envolvendo o uso de dados externos obtidos por meios ilegais. Disse também estar confiante de que suas práticas cumprem todas as leis e regulamentações aplicáveis.

“A 99Food está desafiando o mercado de entrega de comida no Brasil e se tornou uma alternativa real para restaurantes, entregadores, consumidores e profissionais, o que pode incitar acusações e especulações infundadas por parte daqueles que se sentem ameaçados”, afirmou em comunicado.

Nos últimos meses, foi armada uma batalha entre empresas competidoras no mercado de delivery, com acusações de espionagem, furto de dados e pressão sobre funcionários de concorrentes para a obtenção de informações. Por trás dessa disputa estão a volta da 99 ao setor e a chegada de outra chinesa, a Keeta, que começou a operar na capital paulista neste mês.

A questão do fechamento de contratos exclusivos pelas empresas, que já foi alvo de investigação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), é uma das maiores quedas de braço no mercado de entregas.

No mês passado, a Folha de S.Paulo mostrou que restaurantes que tinham pactos de exclusividade com o iFood viram o faturamento derreter depois que solicitaram a quebra desses acordos. Eles atribuíram a redução ao que consideram ter sido uma retaliação por parte do aplicativo.

Há uma concorrência também por profissionais. Pessoas com conhecimento do assunto afirmam que há ações judiciais envolvendo ao menos cinco ex-funcionários do iFood que migraram para a 99.

Em meados deste ano, o iFood foi à Justiça contra um ex-executivo que, mesmo tendo assinado um acordo de não competição (“non-compete”), foi trabalhar na rival chinesa. Conforme informações do processo, as cláusulas previam que o profissional não exercesse algumas atividades, incluindo trabalhar em concorrentes, por seis meses. Em contrapartida, ele receberia o valor do último salário fixo também por um semestre.

Um juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, chegou a determinar que um funcionário da área de vendas se desligasse imediatamente da 99, sob risco de pagamento de multa de R$ 500 por dia. Ele deixou a empresa e houve acordo entre as partes, incluindo a retomada de pagamentos pela não competição. O processo não cita o uso irregular de dados nesse caso.

No fim de outubro, outro ex-funcionário do iFood foi alvo de busca e apreensão em Piracicaba, no interior de São Paulo. Ele teve seus celulares, computadores e pendrives apreendidos pela Polícia Civil.

O caso corre sob sigilo, mas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, a queixa apresentada pelo iFood aponta que ele teria transferido dados de clientes e outras informações internas para seus dispositivos pessoais. Parte dessas informações teria sido compartilhada, o que ele nega.

A reportagem apurou, com pessoa próxima à investigação, que são aguardadas as perícias nos aparelhos para novos passos da apuração.

“Os casos de buscas e apreensões envolveram ex-colaboradores que, à época, possuíam acesso autorizado a determinadas informações em razão de suas funções na empresa. Trata-se, portanto, de uso indevido de dados”, diz o iFood em nota.

“Essas situações resultaram do descumprimento de protocolos internos e são tratadas com rigor pela companhia, inclusive no âmbito legal”, completa.

Um terceiro ex-funcionário do iFood que foi contratado pela 99 também havia compartilhado arquivos internos com pessoas de fora da companhia, segundo pessoas a par do caso. Ele havia feito os downloads perto de sua saída da plataforma de delivery, o que motivou reclamação trabalhista e inquérito.

O advogado trabalhista Mauricio Corrêa da Veiga afirma que, ao trocar de emprego, um profissional pode levar o conhecimento geral adquirido no trabalho, como experiência, habilidades técnicas e visão de mercado.

Informações como segredos comerciais, dados de clientes, preços, contratos e dados financeiros sensíveis não devem ser compartilhadas. Se uma concorrente usa documentos obtidos irregularmente, ela pode ser civil e criminalmente responsabilizada por concorrência desleal.

O especialista afirma que a questão da não concorrência deve estar expressa no contrato de trabalho. Se isso não estiver previsto, o trabalhador pode ir para a concorrente, desde que mantenha o sigilo sobre informações sensíveis.



Fonte: Notícias ao Minuto

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Economia

Entenda o fim da escala 6X1 e o que deve mudar na rotina dos trabalhadores no país

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(FOLHAPRESS) – A escala 6×1, na qual o profissional trabalha por seis dias e tem um de descanso -de preferência aos domingos-, pode acabar no Brasil. PEC (proposta de emenda à Constituição) do senador Paulo Paim (PT-RS) propondo o fim da jornada foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado nesta quarta-feira (10).

Para passar a valer, no entanto, a medida precisa ser aprovada nos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados, em dois turnos de votação, com ao menos três quintos dos votos em cada uma das sessões nas casas.

A proposta de Paim é de uma mudança gradual na escala de trabalho brasileira, com menos uma hora de trabalho por ano, até reduzir a jornada hoje prevista em 44 horas semanais para 36 horas por semana, ou seja, não seria imediata e levaria alguns anos para chegar na jornada final.

Apresentada em 2015, a PEC muda o artigo 7º da Constituição, em específico o inciso 13, que trata da jornada dos trabalhadores. Os debates sobre o fim da medida ganharam força em 2024, com PEC da deputada Erika Hilton (PSOLS-SP) e o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), do vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo, também do PSOL.

A reivindicação de centrais sindicais e representantes de trabalhadores, no entanto, é antiga, e vem desde a Assembleia Constituinte de 1988, quando a jornada caiu de 48 horas para 44 horas semanais.

COMO FUNCIONA A ESCALA 6×1?

A escala de trabalho 6×1 é a jornada tradicional no Brasil. Nela, o profissional trabalha seis dias na semana e folga em um deles, de preferência aos domingos. Ela pode ser adaptada por meio de acordos ou convenções coletivas, medida que ganhou força com a reforma trabalhista de 2017, quando se definiu que acordos valem mais do que leis.

Há, no entanto, profissionais que podem trabalhar em jornadas diferentes, sendo convocados aos domingos (e também feriados), quando a atividade é considerada essencial. Esse é o caso de comerciários, de quem trabalha com serviços, profissionais da área da saúde, de limpeza pública, transporte e comunicação, por exemplo.

Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho do Insper e Sócio do Calcini Advogados, explica que na legislação ainda em vigor, o único dia que preferencialmente as pessoas deixam de trabalhar durante a semana é o domingo.

“Digo preferencialmente porque não é toda categoria que goza desse repouso semanal remunerado aos domingos, embora este dia seja tradicionalmente aquele dedicado ao descanso”, diz. O sábado ainda é considerado dia útil, embora não seja trabalhado também por boa parte das pessoas.

“Como a nossa jornada pela Constituição Federal tem 44 horas na semana, quando nós fazemos essa diluição de oito horas por dia, de segunda a sexta-feira, nós ficamos com um saldo remanescente de quatro horas no sábado”, explica Calcini.

FOI APROVADO O FIM DA ESCALA 6×1?

Sim e não. O fim da escala 6×1 foi aprovado apenas na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado Federal. Esse é, no entanto, o primeiro passo para a aprovação da medida. A mudança, no entanto, exige votos de ao menos três quintos de senadores e deputados, em duas votações no plenário da Câmara e do Senado.

Não há data para que essas votações ocorram, mas o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que essa escala chegará ao final e pediu para que a sociedade se prepare para isso. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou como prioridade aprovar o fim da jornada.

Essa é uma das pautas que mostram maior apoio e aprovação da sociedade ao governo Lula. O atual presidente foi um dos articuladores da redução da jornada de trabalho na Assembleia Constituinte de 1988, e ao lado de deputados como Vicentinho (PT-SP) e do senador Paulo Paim (PT-RS) defende o fim da medida.

O governo tem feito campanhas nas redes sociais e, após a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, elegeu como prioridade a mobilização social em torno do fim da escala 6×1.

O FIM DA ESCALA 6×1 É BOM OU RUIM?

As mudanças dividem empregados e empregadores. As centrais sindicais sempre defenderam a redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário, pauta que ficou esquecida após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a prisão do presidente Lula, mas que voltou com força nas manifestações do 1º de Maio deste ano.

Experiências ao redor do mundo e também no Brasil mostram que empresas com escala 4×3, com três dias de folgas para os trabalhadores, tiveram aumento de produtividade. Mas há muitos desafios a depender da áreas.

Trabalhos intelectuais que podem ser feitos a distância ou que não requerem produção 24 horas ou atendimento ao público podem ser mais adaptáveis. O projeto-piloto no Brasil mostrou desafios para escritórios jurídicos. O motivo é que, com a pauta de julgamentos incertas e sem prazo para terminar uma sessão, por exemplo, advogados não conseguem manter o mínimo de horas previstas na jornada menor.

Empresários se dividem, mas a maioria é contra, porque vê prejuízo econômico. Para eles, seria preciso diminuir o salário. Sem redução de salário, haveria demissões, porque entendem que com menos dias de trabalho a produção será menor.

Setores de serviços como restaurantes, por exemplo, seriam bem afetados, já que o grande movimento ocorre justamente aos finais de semana. No entanto, muitos profissionais desta área estão migrando para o trabalho em aplicativos, o que faz com que o setor viva desafios e já conviva há algum tempo com sazonalidades de consumo.

O professor Calcini destaca os aspectos negativos e positivos. Segundo ele, haverá um aumento de custo para as empresas. “Nós teremos que ter mais pessoas para poder substituir outras que vão deixar de trabalhar no sistema 6×1 que passará a ser de 5×2 e isso naturalmente vai encarecer o custo da produção e esse custo também será repassado para nós consumidores”, diz.

Por outro lado, afirmaque as pessoas vão ter um período maior de descanso e isso tende a aumentar a produtividade além de haver menos afastamentos previdenciários, e com salário sendo mantido, tendem a consumir mais.

A justificativa da PEC diz que a redução na carga horária semanal para trabalhadores pode melhorar a qualidade de vida e aumentar o tempo disponível para atividades pessoais e familiares. Para os empregadores, a redução vai exigir ajustes na organização do trabalho e possivelmente a contratação de mais funcionários para manter a produtividade, o que deve fomentar o mercado de trabalho, ajudando a reduzir o desemprego.

Para a economia, a mudança prevê impactos diversos, como possível aumento dos custos operacionais para as empresas e possíveis efeitos positivos no consumo e na produtividade dos trabalhadores.

QUAL A DIFERENÇA DA ESCALA 5X2 E 6×1?

A escala 5×2 é uma das mais tradicionais em escritórios, por exemplo. Neste modelo, os trabalhadores cumprem jornada de segunda a sexta-feira, e têm folga no sábado e no domingo. Mas como a jornada no Brasil é de 44 horas semanais, essas horas que seriam feitas aos sábados devem ser cumpridas durante a semana, sem que se pague hora extra.

Na escala 6×1, o empregado trabalha, em geral de segunda a sábado, mas com uma carga horária menor no sábado. Pela regra, ele cumpriria as 40 horas durante a semana e, no sábado, trabalharia por quatro horas. Há adaptações, já que acordos e convenções coletivas podem prever jornadas diferentes.

QUEM TRABALHA 6×1 TEM FOLGA NO DOMINGO?

A lei não obrigada que a folga seja aos domingos, mas diz que ela deve ser preferencialmente aos domingos. Quando há trabalho aos domingos, o profissional tem direito de tirar folga compensatória durante a semana ou receber o valor em dobro, em dinheiro.

As compensações mudam conforme acordos e convenções coletivas. Há a possibilidade de banco de horas, que deve ser tirado em até seis meses. O prazo também pode mudar caso a negociação entre empregados e empregadores tenha definido algo diferente.

Para os profissionais de áreas como o comércio, por exemplo, lei específica prevê um domingo de descanso semanal remunerado por mês. Há empresas que têm oferecido dois domingos mensais para tentar atrair mão de obra profissional no varejo, que sofre com fuga de trabalhadores e baixos salários.

“Importante dizer que domingo é o famoso dia do descanso semanal remunerado, mas é preferencialmente e não necessariamente, porque a lei não faz essa observação. Há, no entanto, exceções, por exemplo, ao trabalho da mulher em que, pela lei, esse domingo ele deve ser realmente destinado ao descanso semanal remunerado, pelo menos de forma quinzenal”, afirma.

O QUE DIZ A NOVA LEI SOBRE A ESCALA 6×1?

A nova lei afirma que a jornada de trabalho no Brasil deverá diminuir de 44 horas semanais para 36 horas semanais, mas de forma gradual. Deve ser reduzida uma hora por ano, a partir do mês de janeiro do ano subsequente ao que for aprovado a PEC.

O senador Paulo Paim, autor da PEC, diz que essa é uma proposta antiga. Ele lembra da redução feita na Constituição de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas semanais, e afirma que apresentou, em 1994, projeto na Câmara para diminuir para 40 horas semanais.

Segundo ele, há outros projetos tanto de sua autoria com outros colegas quanto de outros deputados e senadores na Câmara e no Senado. A PEC atual havia sido arquivada no Senado, mas foi desarquivada em 2023 a seu pedido.

“Quando for aprovada, como altera a Constituição, deverá valer para toda as empresas do país”, lembra.

QUEM TRABALHA 6×1 TEM DIREITO A 100% NO FERIADO?

Sim. Segundo Bruno Minoru Okajima, sócio especializado em direito do trabalho do Autuori Burmann Sociedade de Advogados, o trabalhador tem direito desde que haja efetivo trabalho no feriado sem compensação.

“O regime 6×1 não afasta nenhum dos direitos previstos na CLT. A regra, consolidada pela jurisprudência do TST (Tribunal Superior do Trabalho ), é que o trabalho em feriado deve ser remunerado em dobro, salvo quando há folga compensatória”, diz o advogado.

Ele adiciona que em atividades autorizadas a convocar os empregados para o trabalho em feriados, a negociação coletiva costuma regular as condições para o trabalho nesses dias e, em regra, prevalece sobre a lei quando dispuser de forma diversa.

O QUE É A ESCALA 4×3?

Okajima diz que a escala 4×3 é um modelo de organização de jornada em que o empregado trabalha quatro dias consecutivos e descansa três. Ela não está prevista diretamente na CLT, mas é admitida pelos tribunais especialmente quando há negociação coletiva e respeito aos limites constitucionais de duração do trabalho.

“Em setores que operam de modo contínuo, ela aparece como alternativa para equilibrar a exigência operacional com períodos mais longos de descanso”, afirma o especialista.

É MELHOR TRABALHAR 12×36 OU 6×1?

Bruno Okajima diz que as escalas 12×36 e 6×1 são modelos diferentes, voltados a realidades distintas.

Ele afirma que a jornada 12×36 foi incorporada expressamente à CLT após a Reforma Trabalhista e hoje tem regramento claro, inclusive quanto aos feriados já incorporados à remuneração mensal. Ela atende setores que precisam de continuidade e permite períodos mais longos de descanso.

O 6×1, por outro lado, é o modelo clássico da CLT, com distribuição de até 44 horas semanais e descanso preferencial aos domingos. “Do ponto de vista jurídico e de saúde ocupacional, não existe um formato universalmente “melhor”. O mais adequado é aquele compatível com a atividade, com a negociação coletiva e com a preservação da saúde do trabalhador”, diz o advogado.

O FIM DA ESCALA 6×1 VAI QUEBRAR A ECONOMIA?

De acordo com o especialista, o 6×1 é um modelo de escala de trabalho tradicional e amplamente utilizado na atualidade no varejo e em setores de serviços. “Uma mudança legislativa que inviabilizasse esse formato teria impacto operacional e de custos, mas não se traduz automaticamente em ruptura econômica”, diz Okajima.

Para o especialista, o tema exige análise técnica e diálogo coletivo, pois alterações desse tipo, quando discutidas com responsabilidade, podem ser absorvidas pelas empresas com planejamento e negociação adequada.

QUAL O SALÁRIO DE QUEM TRABALHA 6×1?

O salário decorre da função, da contratação e do piso definido na convenção coletiva. Na jornada 6×1, a carga horária semanal pode chegar a 44 horas, com reflexos proporcionais. Assim, de acordo com o advogado, a escala não cria um salário próprio, o que muda é a forma de distribuir as horas e, em alguns casos, a forma de cálculo dos adicionais.

QUAL É O TEXTO DA PEC PELO FIM DA ESCALA 6×1?

A PEC 148/2015 aprovada pela CCJ do Senado, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), propõe o fim da escala de trabalho 6×1, de seis dias semanais com apenas um dia de descanso. O texto da proposta reduz de forma progressiva a jornada de trabalho de 44 horas semanais até chegar a 36 horas, com dois dias de descanso.

A proposta estabelece uma implementação gradual em quatro etapas anuais. No ano seguinte à promulgação, a carga horária seria reduzida de 44 para 40 horas semanais. Nos três anos subsequentes, haveria uma diminuição de uma hora anualmente até alcançar as 36 horas semanais. A jornada diária permanece em oito horas, mantendo-se a possibilidade de compensação horária quando estabelecida por acordo coletivo. É garantido que essa redução na carga horária não resultará em perda salarial para os trabalhadores.

Brasileiros pretendem gastar 13% mais neste Natal e parcelar compras no cartão, diz pesquisa

A data deve movimentar R$ 53 bilhões em todo o país, alta de 7% em relação a 2024. Neste ano, 62% dos consumidores pretendem comprar presentes e devem gastar, em média, R$ 503. No ano passado, o gasto médio ficou em R$ 446.

Folhapress | 12:45 – 11/12/2025



Fonte: Notícias ao Minuto

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