Taxa de conclusão
O que é Taxa de Conclusão?
A Taxa de Conclusão é uma métrica fundamental utilizada para avaliar a eficiência de processos, especialmente em serviços e plataformas digitais. Ela representa a proporção de usuários que completam uma ação desejada em relação ao total de usuários que iniciaram essa ação. Essa métrica é crucial para entender o comportamento do cliente e otimizar a experiência do usuário.
Importância da Taxa de Conclusão
A Taxa de Conclusão é vital para as empresas, pois fornece insights sobre a eficácia de suas estratégias de marketing e vendas. Uma alta taxa indica que os usuários estão satisfeitos e engajados, enquanto uma baixa taxa pode sinalizar problemas na jornada do cliente, como dificuldades de navegação ou falta de informações relevantes.
Como Calcular a Taxa de Conclusão
Para calcular a Taxa de Conclusão, utiliza-se a fórmula: (Número de Conclusões / Número Total de Inícios) x 100. Por exemplo, se 100 pessoas iniciaram um processo e 30 o concluíram, a Taxa de Conclusão será de 30%. Essa métrica pode ser aplicada a diversas ações, como compras, inscrições em newsletters ou preenchimento de formulários.
Fatores que Influenciam a Taxa de Conclusão
Diversos fatores podem impactar a Taxa de Conclusão, incluindo a usabilidade do site, a clareza das informações apresentadas e a qualidade do atendimento ao cliente. Além disso, a velocidade de carregamento das páginas e a compatibilidade com dispositivos móveis também desempenham um papel crucial na experiência do usuário e, consequentemente, na taxa de conclusão.
Taxa de Conclusão em E-commerce
No e-commerce, a Taxa de Conclusão é especialmente importante, pois está diretamente relacionada ao volume de vendas. Uma baixa taxa pode indicar que os clientes estão abandonando o carrinho de compras, o que pode ser resultado de custos de frete elevados, processos de checkout complicados ou falta de opções de pagamento. Identificar e corrigir esses problemas pode aumentar significativamente as vendas.
Taxa de Conclusão em Marketing Digital
No contexto do marketing digital, a Taxa de Conclusão é utilizada para medir a eficácia de campanhas publicitárias e landing pages. Uma alta taxa de conclusão em uma campanha indica que a mensagem está ressoando com o público-alvo, enquanto uma baixa taxa pode sugerir a necessidade de ajustes na segmentação ou no conteúdo da campanha.
Melhorando a Taxa de Conclusão
Para melhorar a Taxa de Conclusão, as empresas devem focar na otimização da experiência do usuário. Isso inclui simplificar processos, garantir que as informações sejam facilmente acessíveis e oferecer suporte ao cliente eficaz. Testes A/B também podem ser uma ferramenta valiosa para identificar quais elementos estão funcionando e quais precisam ser ajustados.
Monitoramento da Taxa de Conclusão
O monitoramento contínuo da Taxa de Conclusão é essencial para qualquer estratégia de negócios. Utilizando ferramentas de análise, as empresas podem acompanhar essa métrica ao longo do tempo e identificar tendências ou mudanças no comportamento do usuário. Isso permite ajustes proativos nas estratégias de marketing e vendas.
Taxa de Conclusão e Retenção de Clientes
A Taxa de Conclusão também está intimamente ligada à retenção de clientes. Quando os usuários têm uma experiência positiva e conseguem concluir suas ações com sucesso, é mais provável que retornem e se tornem clientes fiéis. Portanto, focar na melhoria dessa taxa não apenas aumenta as vendas, mas também contribui para a construção de relacionamentos duradouros com os clientes.
Exemplos de Taxa de Conclusão em Ação
Um exemplo prático da aplicação da Taxa de Conclusão pode ser visto em plataformas de educação online, onde a conclusão de cursos é monitorada. Se muitos alunos começam um curso, mas poucos o concluem, isso pode indicar que o conteúdo não é envolvente ou que os alunos enfrentam dificuldades. Ajustes podem ser feitos para melhorar a taxa de conclusão e, assim, a satisfação do aluno.
Arquitetura
Centro de Cuidados Paliativos Bagchi Karunashraya / Mindspace

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- Área:
12000 m²
Ano:
2024
Fabricantes: Century, Delianate Facade system, Featherlite Furniture, Hattich, Havells, Hindware, Jaquar, Listo Paints, MYK, Merino, Somany Tile, welspun

Descrição enviada pela equipe de projeto. Bagchi Karunashraya, que significa “Morada da Compaixão”, é uma instalação de cuidados paliativos localizada em Bhubaneswar, Odisha, dedicada a oferecer cuidados gratuitos e de qualidade a pacientes com câncer em estágio terminal. O centro constitui uma resposta compassiva ao cuidado no fim da vida, profundamente enraizada na filosofia: “Onde não há cura, há cuidado.” Trata-se de um lugar onde arquitetura, natureza e dignidade humana convergem para criar um ambiente de acolhimento e cuidado.

Fonte: Archdaily
Engenharia
O que é a Arquitetura Moderna?
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O que é a Arquitetura Moderna?
Definir em um único texto o que é arquitetura moderna é tarefa ambiciosa na melhor das hipóteses, pretensiosa e impossível na pior. Esse rico e complexo movimento é repleto de nuances teóricas que tornam a explicação, sem o auxílio de alguns livros e aulas, bastante desafiadora.

Entretanto, na internet é fácil encontrar inúmeros textos que reduzem a arquitetura moderna à uma porção de bullet points e uma ou outra característica estética, esvaziando-a da sua beleza real, que vem de quebras de paradigmas e do início de uma outra forma de enxergar a construção. Aqui, buscaremos entender em linhas bastantes gerais os conceitos que orientam o modernismo na arquitetura, para dar início (somente um pontapé inicial) na compreensão desse movimento:

Quando surgiu?
A arquitetura demora um pouco para incorporar novos ideais. A razão é simples: construir leva mais tempo que pintar ou esculpir e a evolução dos materiais e técnicas construtivas não dependem somente de uma pessoa, são precisos fartos recursos financeiros e tecnologias em escala maior.
Por causa disso, o movimento modernista, que já vinha nas artes desde o final do século 19, chega à arquitetura somente após a Primeira Guerra Mundial. A arquitetura moderna ganhou bastante força na Europa após o final da Segunda Guerra Mundial. A destruição do conflito impôs a necessidade de se construir, idealmente, de forma rápida e eficiente.
Bauhaus

A arquitetura moderna também influencia e é influenciada pela Bauhaus, a nova escola de artes aplicadas à arquitetura e berço do design tal qual o conhecemos. Criada por Walter Adolf Gropius, a partir da junção da Academia de Belas Artes com a Escola de Artes Aplicadas de Weimar, Alemanha, em 1919, a Bauhaus pretendia retomar a relação entre arte, artesanato e artesão, em uma relação horizontal. Ou seja, era uma escola em que teoria e execução caminhavam juntas e não havia uma função hierarquicamente superior, somente trabalhos que se complementam.

Só que, apesar de questionar a lógica capitalista dos cargos de trabalho, a Bauhaus abraçava as novidades tecnológicas e materiais da época, bem como as possibilidades da produção em escala industrial, que permitia a criação de peças com valores acessíveis. Esse jeito de criar, bem como as inovações estéticas trazidas pela escola, alinham-se bastante com os princípios da arquitetura moderna.
Passaram pela escola vários grandes nomes das artes e da arquitetura como: Mies Van der Rohe, Wassily Kandinsky, Theo van Doesburg e Paul Klee.
O que a arquitetura moderna tem de diferente, em termos conceituais?

A arquitetura modernista tem como ponto de partida a ideia de que a função precede precede a estética, ou seja, deve-se focar na otimização máxima da construção e no seu uso para criar um projeto arquitetônico, nada mais. Sem adornos e sem “penduricalhos”, a arquitetura modernista é feita para ser reproduzida em escala industrial e utilizada por todos, portanto com um viés social declarado e um pragmatismo matemático. O racional supera a tradição.

“A cultura arquitetônica anterior ao Movimento Moderno caracterizava-se pela reinterpretação de estilos do passado, como o Neoclassicismo, o Neogótico e o Ecletismo, ou seja, atrelada a valores de um mundo que não existia mais. O Modernismo surge com o discurso de que era necessária uma nova estética em consonância com os tempos atuais, com as novas tecnologias e a industrialização da sociedade”, explica a professora de História da Arquitetura da Universidade Federal do Paraná, Juliana Suzuki.
Os 5 pontos da arquitetura moderna
Le Corbusier é o grande nome pioneiro do movimento e um de seus principais teóricos. Ele postula de forma objetiva os 5 pontos da arquitetura modernista:
- Pilares (Pilotis): Colunas que sustentam o edifício, liberando o terreno para uso livre e proporcionando fluidez espacial. É uma forma de se contrapor ao jeito tradicional de ocupação dos terrenos.
- Planta Livre: A estrutura de pilotis permite que as paredes internas não sejam estruturais, oferecendo liberdade para o arranjo dos espaços.
- Fachada Livre: A estrutura independente da fachada permite maior flexibilidade no design, sem limitações estruturais para janelas e aberturas.
- Janelas em Fita: Extensas aberturas horizontais que proporcionam iluminação natural abundante e uma vista panorâmica do exterior. É outro contraponto à arquitetura tradicional, cujas técnicas construtivas não possibilitavam grandes aberturas.
- Terraço Jardim: Uso do teto como um espaço habitável e verde, proporcionando áreas de lazer e lazer no topo da edificação. Antes eram espaços inutilizados, mas técnicas construtivas modernas permitem a ocupação das coberturas.
A professora explica que esses pontos, chamados de Cinco Pontos da Nova Arquitetura, sintetizam a arquitetura moderna no plano formal.
“Com o advento das novas tecnologias, poderíamos, por exemplo, subverter as formas de construir do passado. Um exemplo são os pilotis: essas estruturas permitem que os edifícios possam ser elevados do solo – não mais necessitando estarem firmemente embasados no chão. Isso possibilita novas formas de ocupação dos terrenos, liberando-o para o caminhar e para a apreciação da paisagem” afirma.
Quais são os materiais da arquitetura moderna e por quê?

Concreto armado, aço e vidro são os principais materiais dessa nova arquitetura. O concreto dava liberdade plástica aos arquitetos, possibilitando estruturas mais finas e ambiciosas. O aço se combinava ao concreto em vergalhões e estava disponível em abundância graças à produção industrial. Por fim, o vidro, também com custo reduzido graças à industrialização, oferecia claridade, leveza e transparência, muito desejáveis na Europa, mas inviáveis na alvenaria tradicional.
Principais nomes da arquitetura moderna internacional

Da primeira fase da arquitetura moderna, podemos destacar Le Corbusier, com sua icônica Ville Savoye (1928-1929) em Poissy, arredores de Paris e também a Unité d’ Habitation de 1952 que, apesar de ser mais recente, é o exemplar mais notório de habitação coletiva vertical moderna.
Outro arquiteto fundamental é Walter Gropius, fundador da Bauhaus, que criou as bases para o ensino da arquitetura moderna.
Mies van der Rohe é, desta tríade de arquitetos europeus modernos, aquele que possui uma obra mais rigorosa, tanto do ponto de vista técnico como estético. Dentre suas muitas realizações, podemos destacar o Pavilhão Barcelona (1929), a casa Farnsworth (1945-1951) e o edifício Seagram (1958).

O norte-americano Frank Lloyd Wright é outro arquiteto de menção obrigatória, com suas residências em Chicago e obras muito conhecidas, como o Museu Guggenheim (1959), em Nova Iorque.
Arquitetura moderna no Brasil

No Brasil, o modernismo floresceu de uma forma excepcional. Sem a pressão da necessidade de reconstrução que a Europa enfrentava no pós-guerra, os arquitetos modernistas tiveram mais “liberdade” para considerar outros fatores em suas obras.
O cotidiano do Brasil, bem como seus elementos tradicionais clássicos, não foram totalmente descartados mas sim reinterpretados e incorporados na nova arquitetura que surgia. Alguns deles são muito mencionados em nossas matérias: o cobogó, elemento vazado cerâmico e o brise soleil. Ambos são elementos para controlar a entrada de luz e garantir conforto térmico e ventilação.

As curvas também são um ponto “fora da curva” da arquitetura modernista. Isso porque quando o modernismo chega ao Brasil, muitos dos paradigmas teóricos e estéticos já estavam disseminados e consolidados na Europa. Ou seja, não era mais necessário defender o uso de materiais como aço e concreto, sua eficiência já era conhecida; e a aparência dos prédios modernos já não gerava tanta estranheza (lembrando que toda obra de arquitetura precisa agradar pelo menos o seu patrocinador, portanto a arquitetura sempre têm que possuir algum apelo comercial).

Graças à tudo isso, quando o modernismo chega aqui, ele pode explorar outras possibilidades. Em um país tropical quente, os elementos de controle de insolação ganharam força. Arquitetos puderam testar os limites do concreto armado, criando composições com curvas e texturas únicas e que muito bem traduziam a realidade e cultura brasileira.

Lucio Costa, um pioneiro do movimento no Brasil, por exemplo, utilizava telhas de cerâmica e treliças de madeira em seus projetos, ambos elementos coloniais, mas que faziam sentido para os ocupantes/usuários de seus projetos.

Já Oscar Niemeyer, aluno de Lucio Costa, diante das necessidades e peculiaridades de cada terreno e projeto – portanto priorizando a função – criava soluções que eram também belas, ou seja, não desconsiderando a estética.

Principais nomes e obras da arquitetura moderna no Brasil
Reconhecido no mundo todo, o modernismo brasileiro tem nomes como Lucio Costa e Oscar Niemeyer, já citados, mas também inclui grandes mestres como: Vilanova Artigas, Affonso Eduardo Reidy, João Filgueiras Lima, Lina Bo Bardi, Burle Marx e Paulo Mendes da Rocha.

Das muitas obras do período, as quais mereceriam suas próprias matérias, destacam-se:
- Edifício do Ministério da Educação e Saúde/Palácio Capanema (Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Ernani Vasconcellos, com consultoria de Le Corbusier)
- Conjunto da Pampulha, o Parque do Ibirapuera e o Edifício Copan (Oscar Niemeyer)
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Pedregulho (Affonso Eduardo Reidy)
- Projetos urbanísticos e arquitetônicos de Brasília (Lúcio Costa e Oscar Niemeyer)
- Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP) (Lina Bo Bardi)
- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Vilanova Artigas)
- Museu Brasileiro de Escultura (MUBE) (Paulo Mendes da Rocha)
- Aterro do Flamengo (paisagismo de Burle Marx).
Engenharia
Entrevista: a imaginação, a arquitetura e o Centro Pompidou de Solano Benítez
“Arquitetura é dois tijolos colocados lado a lado com cuidado”, diz Solano Benítez logo no começo de sua palestra na Universidade Federal do Paraná, numa sala lotada de alunos dos primeiros até os últimos anos. E “cuidado” me parece ser uma palavra adequada para descrever sua arquitetura.
Nascido no Paraguai, em 1963, Solano Benitez formou-se arquiteto na Universidade Nacional de Assunção em 1986, fundou, no ano seguinte, o Gabinete de Arquitectura e coleciona prêmios na carreira. Foi finalista do Mies van der Rohe, em 1999, e da União Europeia para a Arquitetura Contemporânea. Recebeu o BSI Architectural Award e venceu o Leão de Ouro na Bienal de Veneza em 2016 com a exposição Breaking The Siege. Hoje, segue à frente de seu escritório, o Jopoi Arquitetura.
Seu novo projeto, o Centre Pompidou Paraná, em Foz do Iguaçu, a primeira unidade do museu nas Américas, está previsto para ser inaugurado em 2027.
Na palestra, e depois em nossa conversa, fica claro que Solano Benitez entende a arquitetura como parte de um todo maior, feito de pessoas e natureza relacionando-se de um jeito íntimo e intenso. Um jeito de construir sociedades mais justas. E a força que coloca tudo em ação? A imaginação.
Para o arquiteto, o maior atributo humano é a capacidade de olhar para a realidade e vislumbrar algo diferente, que ainda pode ser construído. “Não conseguimos imaginar um mundo em que 30% da população não fique na pobreza?”, questiona.
Quando o escuto, penso que é uma postura bastante modernista, não no sentido da busca pelo estilo internacional, impositivo, racional e desprovido de emoção, mas sim uma arquitetura sensível, que pode atender cada comunidade por meio da empatia.

Solano é uma pessoa solar. Sorrio quando me lembro da sua entoação: “Isso é MARAVILHOSO”, em um português.
Passou a palestra inteira respondendo os alunos. “Vamos conversar!” disse. “As fotos das obras vocês olham na Internet depois”. Fez piadas, brincou com a possibilidade de ser TikToker, comparou Chaves e Diógenes, cantarolou músicas de Chico Buarque. Suas respostas às minhas perguntas divagam para outras histórias, memórias, referências. Sempre bem-humoradas e poéticas.
A arquitetura de Solano Benítez é humana, em vários sentidos. E otimista. Um otimismo que é contagiante em suas ideias e generoso na sua expressão.
Esse é um arquiteto que acredita no diálogo, na compreensão e na capacidade das pessoas de se entenderem enquanto semelhantes.
“As sociedades são boas na medida em que os indivíduos que as compõem sejam bons. Se você não é uma boa pessoa, mude! Porque precisamos de você para fazer uma sociedade melhor. Para eu ser melhor, preciso que você seja melhor. É uma coisa incrível! Eu estou tratando sempre de ser uma melhor versão daquilo que fui. Com muitos erros. Muitas vezes não consigo. Muitas vezes dá errado. Mas sempre tenho a oportunidade de refazer aqui. E isso é o mesmo com a arquitetura, com as paredes, com os projetos”, afirma.
Solano conversa como quem tece fios. Entrevistá-lo é mergulhar em seu jeito único de ver não só a arquitetura, mas toda a vida. Um verdadeiro privilégio.
Veja a entrevista abaixo:
Sobre o arquiteto
Como os cenários, paisagens e contexto social do Paraguai influenciaram sua carreira?
A ideia de país vem de paisagem. Essa paisagem é a mais importante para nós. Ela é o contexto humano que nos envolve. Nós somos “paisanos”, gente influenciada pela paisagem. Pela ideia de sermos moradores dessa paisagem, conseguimos habitar.
Quando nasci, fui morar no Peru durante os primeiros 5 anos da minha vida, depois voltei ao Paraguai. Imagine! Eu me lembro, com pavor, de ver a chuva pela primeira vez, porque em Lima, onde morava, nunca chovia e nunca tínhamos o sol direito. Você sempre ficava numa bruma, em uma cidade sem sombras. Era como aquele conto de Peter Pan quando a sombra dele escapa! Lima era uma cidade sem sombra porque a sombra podia estar em qualquer lugar. A importância da sombra apareceu-me no Paraguai.
Ah, as águas caindo do céu! Isso era um acontecimento, para mim, impressionante: como as ruas viravam rios em poucos minutos e como todo mundo achava natural colocar uma tábua para andar sobre ela, caminhando e se equilibrando sem muita preocupação.
Então, nesse país de água que é o Paraguai, comecei uma nova vida, virei um outro ser.
Todas essas histórias começam a moldar uma maneira de viver e pensar. Eu sou do tempo em que, nas fazendas, tínhamos trabalho para o dia cotidiano e também tínhamos trabalho para os dias de chuva.
Assunção nunca foi uma metrópole. A industrialização nunca foi um foco, e sim a vida no campo. Era um outro viver, um outro existir, que dependia de outras coisas. E nele se compreendia melhor o passo do tempo, a importância das estações.
Você via as árvores produzindo frutos. Você podia pegar todos os frutos, só que isso não era razoável.
Sabíamos que muitos daqueles frutos tinham que ficar para os pássaros. Compreendi, ali, que havia um ciclo que era maior do que aquele simplesmente do consumo, do preço das coisas, etc.
E esse foi o contexto em que eu comecei a ter consciência da minha vida. É, foi a pergunta um. Foi muito longa a resposta já, desculpa!
O tijolo cerâmico é o elemento-chave na arquitetura do escritório. O que esse elemento representa para o arquiteto? E a imagem do mestre obreiro com o tijolo na mão significa o que para o arquiteto?
Bem, antes de pensar no tijolo comum, eu sempre invento uma história sobre quando se descobriu o tijolo.
Imagino a noite depois de uma chuva, muito fria, longe das cavernas para se abrigar. Os homens já conheciam e faziam o fogo. Eles colocam os pezinhos perto do fogo e dormem para outro lado. Depois de amanhecer, tentam apagar o fogo, mas não conseguem, porque a terra já não se move, a terra já era cota, a terra já se cozeu. É a terracota, a cerâmica que nós chamamos.
Eles tinham descoberto que a pedra poderia ser fabricada com fogo. Então, se você tinha um determinado tipo de solo com esse fogo produzia-se uma coisa, com outro fogo produzia tal outra, etc.
E se eles podiam fabricar pedras, eles podiam fazer as cavernas. Passa a existir essa possibilidade incrível de poder fazer um refúgio, poder cuidar das pessoas!
Então, já que vamos fazer uma pedra, por que não fabricamos uma pedra que já tenha o tamanho, o peso ideal e a forma para ser colocada, empilhada e mais fácil de trabalhar?
É tão interessante, talvez a nossa primeira cobertura seja o cabelo. Para proteger sua cabeça, você acumula muitos fios. Geometricamente, você tem um tecido. A ideia do tecido é a mesma ideia do telhado. Telhado, telha, tecido, todas são palavras que vêm da mesma ideia.
Por isso, quando você coloca os tijolos, vai colocando fio atrás de fio, “hilo” atrás “hilos”, por “hiladas”, como se você estivesse fazendo um tecido. Essas palavras estão dentro do vocabulário da construção.
E o maestro, na verdade, o maestro canteiro está utilizando sua inteligência, o seu corpo para produzir aquele resguardo. Portanto, é uma pessoa que está fazendo uma tarefa incrível porque é uma tarefa dupla.
Há gente que está simplesmente no escritório, seu corpo não está sendo exigido. Mas no caso dele, seu corpo e sua inteligência ao mesmo tempo estão elaborando, estão sintetizando uma nova realidade. E essa nova realidade é um cuidado para a vida das pessoas.
Você comenta que foi do pós-moderno ao moderno, após ganhar livros de Le Corbusier ainda na graduação, quais valores da arquitetura moderna você carrega consigo?
A coisa que é incrível é que eu era muito jovem quando ingressei na faculdade. Tinha 17 anos. Hoje, com 62, há professores que estavam nessa época e que continuam sendo professores.
E eles falavam assim: “Ah, você tem que ler Le Corbusier, tem que ler Wright, tem que ler Mies, tem que ler Alvar Aalto, tem que saber de tudo isso”. E eu pensava assim. “Eu nunca vou ler essa merda. Para ser como vocês?” Eu não queria saber nada deles. Eu queria ser o oposto daquilo.
Então, claro, na época, a pós-modernidade era como uma contestação, porque a imagem que eu tinha de Corbusier, de Wright, de todos eles, era a daqueles professores. Eram aquelas porcarias que os professores faziam deles. Ah! Era puro discurso!
Até que finalmente eu cheguei não a quem falava de Le Corbusier, mas sim a Le Corbusier falando de Le Corbusier; a Mies falando como é uma construção. Aí compreendi que aqueles professores não compreendiam nada!
Eu podia compreender perfeitamente a luta deles e as coisas que eles estavam fazendo. Mesmo os livros, as biografias sobre Wright, sobre Mies, foram para mim imprescindíveis.
E eu achei que, mais do que um estilo, esses arquitetos mostravam o tempo todo a reflexão sobre o que nós deveríamos fazer em cada um dos nossos lugares.
É como uma religião com normas muito fortes que você tem que cumprir para poder pertencer àquela religião. Mas aí, você fala com Deus e Deus ordena que você faça tudo aquilo que você quer fazer.
Nossa! Aquilo foi uma maravilha! Porque então, agora sim, recebi o imperativo de fazer tudo aquilo que eu queria fazer e, como eles, tinha os mesmos problemas de falta de dinheiro ou desenvolvimento da tecnologia, etc. Isso foi para mim impressionante!
O que é a imaginação para o arquiteto? Como a imaginação é diferente da fantasia?
Bem, eu acho que a imaginação é a força mais importante que nós temos. A imaginação é um trabalho incrível que permite a você olhar a realidade, mas não se prender a ela. A fantasia se esgota em si mesma, não precisa nenhum respaldo, não precisa nada, é instantânea. Eu acho que a imaginação promove o conhecimento, o trabalho, a invenção.
Nós somos seres imaginários, a ideia de humanidade é uma extraordinária força de mudança da realidade. Nós somos vida, uma vida isolada, que mora num contexto. Compreender que somos muitos, requer trabalho e, se esse trabalho não é feito, isso nos brutaliza, nos torna mais fechados naquilo que nós fazemos.
A força que nos expande para nos integrar com os outros é uma força amorosa. E o contrário do amor não é o ódio, o contrário do amor é o medo. O medo faz com que eu fique fechado.
A verdade é que toda a imaginação é uma força extraordinária. O fato de produzir uma imagem, de observar a realidade e a partir daí pensar em uma outra condição já é uma coisa que é uma maravilha!
Pode compartilhar um livro de arquitetura que todo arquiteto deve ler?
Tem um livro muito bom, que se chama Arquitectónica (sobre la idea y el sentido de la arquitectura), de José Ricardo Morales. Esse livro tem duas partes. São bem diferentes, mas eu recomendo iniciar a leitura do livro pela parte 2 e depois ler a parte 1.
Um livro de literatura?
Ah, aí vou ser um pouco paraguaio! Um livro que eu gosto muito é Yo el Supremo, Augusto Roa Bastos.
Se tenho um pouco de tempo, eu gosto muito de ler Borges. Em geral, a obra completa de Borges para mim é incrível.
Sobre o Centro Pompidou Paraná
Como o arquiteto vê as intersecções entre a arquitetura paraguaia, brasileira e argentina?
Esse lugar não existe! Você perguntaria a um quati: você é paraguaio, você é argentino ou você é brasileiro? Compartilhamos uma só paisagem e essa paisagem é um grande país, ao qual pertencemos todos.
As tristezas daquela região são as mesmas para todos nós. No Paraguai habitam 21 nações. Uma delas é a paraguaia e as outras são 20 nações indígenas. Então, nós somos essa mistura.
Naquela área específica, moram pessoas que são de algumas nações paraguaias e moram também pessoas do lado do Brasil, etc. Compartilhamos o mesmo céu, o mesmo clima, as mesmas águas.
Eu acho que não há nenhuma diferença entre as nossas virtudes e tragédias. São todas parecidas. E isso é muito forte, porque na medida em que nós podemos ser exemplos, a potência é muita, porque vai para muitos, vai para o início dos três países.
E aquilo vai significar uma coisa boa para todos, não é? Um motivo de orgulho, um motivo de “Ah, nossa, podemos fazer essas coisas, podemos nós imaginar um mundo diferente desse que já temos”. Eu acho e espero que seja melhor.
Qual foi o ponto de partida?
Nessa época em que todo mundo quer falar da importância da definição pessoal, sobre aquilo que alguém é ou não é, a coisa mais interessante nessa região é que se você quer ser vegetal, esse lugar é para você!
Porque tudo está ali para que você seja vegetal, sabe?
Há água, há terra, há uma riqueza incrível, há uma quantidade de material orgânico, um substrato que é impressionante: o vermelho da terra e a riqueza em ferro, as chuvas, o sol, os pássaros, a quantidade ainda de animais.
Eu acho uma maravilha! As águas só festejam essa vida. As águas só estão aí repetindo o mandato da gravidade. Havia um buraco e aí elas caem, todo mundo pega foto e tal, mas viver ali é uma maravilha!
Quais foram as maiores dificuldades deste programa e desta obra?
Eu não penso que tive dificuldades, tive muitos desafios. Tivemos que superar a ideia chauvinista de que a humanidade tem que se dividir em brasileiros, argentinos, paraguaios, etc. e que outros que não nasceram aí ou aqui tivessem direito a fazer isto, aquilo.
Foi um desafio muito importante encontrar as similaridades e explicá-las.
Veja agora, por exemplo, a definição da presença dos odores dentro da obra. Há uma grande composteira que está colocada para o noroeste, para que o vento não traga o cheiro da matéria vegetal que está sendo transformada e que está novamente enriquecendo o solo em um processo que produza um aroma muito particular, etc.
Esses são todos desafios para apresentar. Como tem que cheirar o museu? Como tem que ser? Porque, é lógico, todos nós temos realidades diferentes.
Quando Le Corbusier tentava sanitizar a arquitetura europeia, ele abria as construções para que entrasse o sol. Eu posso compreender o porquê disso naquele momento. Mas também posso compreender que luz é igual a calor e nós estamos em um warming up moment no mundo inteiro, portanto a construção das penumbras, a construção daquela luz mais suave, é uma necessidade.
Então, como você explica para alguém que busca a luz que a sombra agora é mais importante? Então, conciliar tudo isso, encontrar, construir as semelhanças foi o desafio. Falar “é a mesma coisa” só que ao revés!
Quais são as relações que o arquiteto buscou traçar entre a arte e a arquitetura ao criar um museu como o Centro Pompidou?
Nós ficamos vinculados àquela ideia de que a arquitetura é uma arte magna. A única ideia que eu gosto dentro das definições de arte é a de que é um fazer excepcional.
Acho que sim, tem que ser um fazer excepcional e temos que honrar a potência artesanal, industrial, material de toda a nossa região para poder, entre todos, fazer o máximo que seja possível de ser feito no menor tempo possível.
E esse desafio foi o que nos levou a fazer essa proposta que agora estamos realizando. Se tivéssemos mais tempo, talvez encontrássemos maneiras mais abreviadas ainda. Sempre me perguntam “qual é sua melhor obra?” e sem sombra de dúvidas eu penso que estou fazendo sempre a mesma coisa, só que em lugares diferentes, em tempos diferentes, mas sempre a mesma.
E que nessas análises, necessariamente, a próxima obra vai ser melhor. Tenho que poder manter essa esperança. Então estou muito triste, porque a próxima obra que eu vou fazer vai ser melhor! No fundo é um bom desejo, sabe?
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