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Construção

Juros altos prejudicam criação de empregos e dados do Caged reforçam queda da Selic, dizem especialistas

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Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nessa quinta-feira (27), mostraram a geração de 157 mil vagas em junho, abaixo da expectativa dos analistas.

No acumulado do primeiro semestre, o país registrou saldo positivo de pouco mais de 1 milhão de vagas, o resultado mais baixo desde 2020, quando o mercado foi afundado pela crise da Covid-19.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN, a manutenção dos juros no atual patamar de 13,75% desde agosto de 2022 tira força do mercado de trabalho e contribui para a redução da criação de vagas em comparação ao mesmo período de anos anteriores.

Conforme Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, os setores de comércio, indústria e a parte privada da construção sofreram mais com o cenário doméstico de juros elevados.

“Diante da perspectiva de desaceleração da economia ao longo de 2023, espera-se evolução mais moderada do mercado de trabalho, ficando evidenciada pelo saldo líquido de vagas acumulado em 12 meses. Nossa perspectiva para 2023 é de saldo líquido positivo de 1,4 milhão de vagas formais”, afirma.

Para Matheus Pizzani, economista da CM Capital, o desaquecimento do mercado de trabalho no serviço — segmento que mais gerou vagas em junho e no semestre — também é importante do ponto de vista da pressão sobre a inflação.

O setor possui a maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB), e a desaceleração deve reforçar a expectativa sobre o Banco Central (BC) para iniciar o corte de juros a partir do próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 1º e 2 de agosto, diz o especialista.

“A desaceleração registrada hoje fecha o conjunto de dados utilizados como base para sustentar a hipótese de queda na taxa de juros na próxima semana”.

Olhando para todos os setores, o economista Pizzani diz que o freio na geração de vagas e a queda dos salários ajudam a aliviar a inflação e reforçam os discursos para queda dos juros. “Este cenário é algo que pode ser importante, especialmente no caso dos salários de admissão, uma vez que sugere menor pressão inflacionária pela via do consumo das famílias”.

Desaceleração econômica

Apesar da desaceleração geral, Imaizumi aponta que todos os grandes setores registraram criação líquida de postos.

Os mais sensíveis ao crédito — a indústria e a construção civil — geraram saldos positivos de vagas em junho.

“A construção civil se beneficia da retomada de investimentos e obras públicas, como se pode observar na segunda subclasse que mais gerou vagas formais em junho (construção de rodovias e ferrovias)”.

Na visão de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, mesmo com a perda de fôlego, o resultado ainda é bastante positivo, considerando o desempenho mais fraco da atividade, principalmente no 2º trimestre.

“O saldo positivo mostra uma resiliência do mercado de trabalho formal, que continua apresentando crescimento mesmo diante da desaceleração da atividade. Em parte, essa mudança estrutural refletida no crescimento do emprego formal acima do informal, pode ser atribuída à reforma trabalhista, que melhorou a dinâmica no setor.”

Pizzani comenta que o resultado do Caged, apesar de ter sido inferior à expectativa do mercado, não deve necessariamente ser considerado surpreendente.

O esfriamento já era percebido por indicadores de atividade do período divulgados ao longo do mês, com destaque para o IBC-Br, que já apontavam para uma economia menos dinâmica do que nos meses anteriores.

“Tal hipótese foi confirmada com o resultado do levantamento, que marcou a quarta desaceleração consecutiva na geração líquida de vagas no mercado de trabalho, tendo sido marcada por quedas em boa parte dos principais setores da economia, especialmente no de serviços.”

O economista diz que, mesmo aqueles que apresentaram resultado positivo em termos de geração de vagas, como o comércio, acabaram sendo beneficiados por efeitos sazonais, cujos efeitos devem se dissipar ao longo dos próximos meses.

“Isso significa que, estruturalmente, o mercado de trabalho brasileiro possui perspectivas negativas, hipótese em linha com os fundamentos macroeconômicos da atual conjuntura, especialmente no caso da política monetária.”

Veja também: Indicado ao IBGE fala em “perseguição ao docente”



Fonte: CNN Brasil

Construção

Confiança da Construção cai 5,3 pontos em novembro, diz FGV

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O Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 5,3 pontos em novembro, a 95,6 pontos, informou nesta sexta-feira (25) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o índice recuou 0,9 ponto.

O resultado de novembro foi a maior queda desde abril de 2020 e também representa o menor nível desde março deste ano, quando o índice chegou a 92,9 pontos.

“Depois de sete meses, sinalizando um otimismo moderado, a percepção em relação aos negócios e a demanda para os próximos três meses sofreu um revés expressivo, que atingiu os três segmentos setoriais”, afirma a coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo, em nota.

Castelo repara também que “mostra-se evidente que o choque de expectativas pode ser associado aos resultados das eleições.

As incertezas em relação à política econômica do próximo governo provocaram um receio de piora no ambiente futuro dos negócios. Por outro lado, o indicador relativo à atividade corrente continua sinalizando melhora. Ou seja, o setor está crescendo, mas o futuro é incerto”.

Nas aberturas, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 1,6 ponto, para 97,0 pontos, o menor nível desde agosto (96,4 pontos).

O resultado foi puxado pela piora do volume da carteira de contratos, que caiu 1,7 ponto, para 98,8 pontos, e do indicador que mede a situação atual dos negócios, que cedeu 1,4 ponto, a 95,2 pontos.

O Índice de Expectativas (IE-CST), por sua vez, caiu 8,8 pontos, para 94,4 pontos, a menor marca desde março, quando havia atingido 93,9 pontos. Entre os componentes do grupo, o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses cedeu 10,1 pontos, para 93,4 pontos, e o indicador de perspectivas sobre demanda recuou 7,4 pontos, a 95,4 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da construção subiu 2,1 pontos porcentuais, para 79,2%. Nas aberturas, o Nuci de Mão de Obra avançou 2,2 pontos, para 80,4%, e o Nuci de Máquinas e Equipamentos teve alta de 2,0 pontos porcentuais, para 73,9%.



Fonte: CNN Brasil

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Construção

Sinais econômicos mais fracos afetam resultados, avaliam economistas

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O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de outubro apontou para a criação líquida de 159,5 mil novos postos de trabalhos, uma desaceleração ante às 277,39 mil vagas registradas no mês anterior. O número, divulgado nesta terça-feira (29), ficou aquém das expectativas do mercado, que esperava 210 mil novos empregos.

Também nesta terça, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) divulgou o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que registrou uma deflação de 0,56% em novembro, após queda de 0,97% no mês anterior. Os índices de Confiança do Comércio e de Serviços também apresentaram queda neste mês, na comparação com outubro.

Além disso, segundo o Banco Central, as concessões dos bancos no crédito livre caíram 4,3% em outubro, para R$ 437,5 bilhões. Junto com a concessão de crédito, subiu também a inadimplência. A dívida do crédito total do sistema financeiro, que considera os atrasos superiores a 90 dias, registrou alta de 0,1 ponto percentual, ao atingir 3%.

Para economistas consultados pelo CNN Brasil Business, o cenário reflete uma desaceleração da economia no começo do quarto trimestre.

“Essa desaceleração mostra uma economia mais fraca e o efeito dos juros mais elevados no consumo”, afirma Bruno Imaizumi, da LCA Investimentos.

Segundo o especialista, as perspectivas para geração de empregos calculadas pela Fundação Getúlio Vargas também mostram um desaquecimento para novas vagas em novembro.

Outro ponto citado pelo economista da LCA é em relação aos estímulos governamentais que começam a se esgotar. O saque extraordinário do FGTS, a antecipação do 13º salário, a redução da bandeira tarifária de escassez hídrica e a desoneração fiscal que ocorreu nos combustíveis, energia elétrica, comunicação e transporte coletivo via PLP 18/2022, começam a chegar ao fim.

“A PEC dos Combustíveis, a ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, a ampliação do Vale-Gás, auxílio para caminhoneiros e taxistas, modificação no ressarcimento do etanol aos estados e compensação aos estados no transporte gratuito de idosos saem das mãos das pessoas beneficiadas”, diz Imaizumi

Outro dado que indica a desaceleração é o salário real médio de admissão, que recuou na passagem de setembro para outubro em 0,38%, para R$ 1.932,93. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o valor mostra avanço de 1,19%.

“A criação líquida de outubro já mostra uma certa perda de ímpeto na abertura do quarto trimestre, frente aos meses anteriores”, diz Eduardo Vilarim, economista do Original. O especialista ressalta, no entanto, que resultado ainda se situa acima da média computada para o mês desde 2007 [121 mil vagas], o que “contribui para nossa projeção de 2 milhões de vagas formais criadas em 2022”, diz.

Setores

O resultado positivo do mês foi disseminado pelos grupos de atividades econômicas monitorados pelo governo no mês, mas a desaceleração é mais concentrada na “indústria geral”, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, que exibiu quedas “bem além do sugerido pela sazonalidade ajustada para esse ano”.

O especialista diz, porém, que o cenário “não muda drasticamente o bom resultado do mercado de trabalho formal desse ano, que deverá fechar com a criação de mais de 2,2 milhões de postos líquidos”.

Bruno Imaizumi, da LCA Investimentos, destaca a baixa acentuado no setor de agropecuária, indústria e construção. Esse último, segundo ele, vinha gerando vagas desde o começo da nova medição do Caged, iniciada em janeiro de 2020 – tirando os meses de pandemia e os meses de dezembro, pois costumam ter desligamentos mais fortes.

“Outubro de 2022 foi o pior mês desde o início do Novo Caged. Para se ter uma noção, o mês registrou uma criação de 3,7 mil vagas na construção. Se comparamos todos os meses deste ano, desde janeiro, era uma média de 32 mil novos postos de trabalho por mês no setor”, ressalta.

Comércio também registrou desaquecimento em relação ao mês anterior, mas permanece em patamar elevado, beneficiado pela reabertura econômica.

“O setor de serviços também teve forte desacelerada, principalmente em informação, comunicação, alojamento, alimentação, transporte e armazenagem. Por outro lado, os setores que demandam de uma mão de obra mais especializada, como no caso de tecnologia, tiveram resultados positivos e seguraram os números do índice”, explica.

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Fonte: CNN Brasil

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Construção

PIB da construção deve crescer 2,4% em 2023, de acordo com Sinduscon-SP e FGV

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O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deve crescer 2,4% em 2023, de acordo com projeção do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada nesta terça-feira, 6.

O cenário, se confirmado, representará um desaquecimento expressivo das atividades perante 2022, quando o PIB fechará em alta de 7%, e de 2021, quando bateu em 10%.

A coordenadora de estudos da construção da FGV, Ana Maria Castelo, atribuiu esse esfriamento à perspectiva de poucas obras e reformas domésticas, uma vez que as famílias estão bastante endividadas e sem grandes evoluções reais de renda.

“Um peso grade na perspectiva da desaceleração vem do ‘efeito família’, responsáveis por autoconstrução e reforma. Esse componente é que está puxando para baixo o PIB”, destacou Castelo, durante entrevista coletiva à imprensa.

Outro problema, segundo ela, é a própria expectativa de redução do ritmo de atividade da economia brasileira como um todo, combinada com as dificuldades de controles das contas públicas.

“Vemos uma situação fiscal complicada para os Estados pela perda de ICMS. Alguns estão tentando reagir aumentando a tributação, o que é ruim para os setores produtivos. Temos aí um desafio.”

Apesar da desaceleração, Castelo avaliou que o setor tende a seguir saudável no ano que vem.

“O dado não é negativo. Obviamente se reduz o ritmo, mas ainda estamos falando em crescimento. E ainda é forte”, ponderou, lembrando que o PIB da construção vai aumentar mais que o PIB do Brasil como um todo. “As projeções para o PIB do país estão abaixo de 1% para o ano que vem.”

Pelo lado positivo, o PIB da construção tende a ser impulsionado pelo avanço do ciclo de obras residenciais e comerciais, após tantos lançamentos e vendas realizados nos últimos dois a três anos.

Há também esperança de um desempenho mais forte da infraestrutura, à medida em que os investimentos assumidos pelas empresas vencedores de concessões vão sendo convertidas em obras, de fato.

A dúvida no campo de infraestrutura, porém, está na capacidade do setor público.

“Há perspectiva de continuidade de investimentos aqui. Mas sabemos, claro, da importância da participação do setor público ajudando a sustentar esses investimentos, porque os investimentos privados não dão conta sozinhos”, frisou Castelo. “Estão em suspensos as sinalizações que nos deem mais segurança.”



Fonte: CNN Brasil

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