Arquitetura
Livraria Xixi Goldmye / Atelier Wen’Arch

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- Área:
880 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto está localizado no ponto inicial norte de Fudi, no Xixi Wetland. O edifício original era um prédio de escritórios construído há vinte anos — com planta simétrica em forma de U e uma combinação de espaços funcionais organizados em um volume complexo. A construção se eleva sobre o brejo, com um pátio interno fechado e pouco convidativo, cercado por três alas. A proposta exigia uma renovação da fachada e um novo projeto de interiores, com o objetivo de transformá-lo em uma livraria.


O primeiro andar foi concebido como um espaço conectado horizontalmente, abraçando o pátio d’água. O volume principal, no lado oeste, abriga a área de exposição e venda de livros; a ala norte funciona como café e espaço de leitura; e a ala sul recebe o salão de leitura, que se conecta ao terraço paisagístico do segundo pavimento por meio de uma escada externa. Com todas as paredes de vedação removidas, o que resta é um conjunto de estruturas de concreto desordenadas e destituídas de sentido. A inserção de uma série de novas “estruturas” impõe uma nova ordem ao esqueleto caótico original, convertendo-o em campos espaciais profundamente conectados à natureza.



Desintegração da estrutura original — Para lidar com as complexas vigas e lajes do telhado, foi implementado um sistema de forro que abriga as instalações prediais, reorganizando os elementos superiores. A estrutura original foi desmembrada em uma floresta de pilares verticais que sustentam volumes sobrepostos. A simplificação volumétrica do lado oeste, aliada à colunata recuada na fachada, transforma a antiga composição simétrica em eixo central em um volume flutuante na horizontal, reforçando o caráter público da edificação. Sobre a rampa curva do acesso principal, uma passarela de concreto em ângulos alternados redefine a antiga plataforma veicular, convertendo-a em um espaço de entrada com escalas e direções variadas.



Reconstrução das vigas de madeira — Em resposta ao grid estrutural de 6×6 metros, foi implantado um sistema de vigas duplas de madeira. Cada viga dupla envolve sequencialmente as colunas de concreto, estabelecendo uma ordem espacial horizontal perpendicular ao pátio d’água e conectando interior e exterior ao longo do U.



As vigas coladas de pinho laminado são ancoradas às colunas por placas metálicas ocultas, com balanços externos em diferentes pontos. Os intervalos entre as vigas duplas funcionam como passagens integradas para retorno do ar-condicionado e iluminação alinhada aos pilares. Nos campos horizontais definidos por essas vigas, dois elementos verticais interferem na continuidade espacial: a torre de livros que se projeta em direção ao céu e o pavilhão à beira d’água, que se volta ao brejo — ambos promovendo uma integração tridimensional entre paisagem natural e espaço de leitura.


A Torre Elevada de Livros — Inserida no volume mais alto do canto sudoeste, a “Torre de Livros” se organiza em dois anéis de mezaninos sobrepostos, criando uma composição seccionada semelhante a um teatro. Os níveis escalonados oferecem espaços para sentar e ler em diferentes alturas, enquanto a janela voltada para o leste emoldura uma vista distante do verde do brejo.



O mezanino da torre rompe o tratamento convencional das lajes. Um conjunto de vigas metálicas em malha cruzada é suspenso entre as colunas de concreto, formando a estrutura. As superfícies superiores das vigas tipo I se alinham ao piso de madeira, permitindo que se leiam visualmente como elementos horizontais que compartilham a mesma linguagem das vigas de madeira. No final do espaço longitudinal, as vigas descem em camadas escalonadas, canalizando a luz natural. Dentro da torre, as silhuetas das pessoas se entrelaçam às vigas, tornando-se parte da paisagem flutuante.


O Pavilhão Rebaixado à Beira d’Água — O volume envidraçado irregular original voltado para o pátio foi substituído por uma cobertura de inclinação única. A linha diagonal da planta foi explorada para criar naturalmente essa cobertura inclinada, que se rebaixa em corte. Parte da laje de piso foi removida, criando uma área rebaixada próxima à água. Cobertura baixa e piso afundado se combinam para formar um “pavilhão à beira d’água” que se integra ao brejo. Os degraus em forma de arquibancada oferecem um campo de leitura voltado para a água, onde é possível sentar-se em três lados. No ponto de inflexão do plano em U, o pavilhão é “cedido” ao pátio d’água, criando uma torção horizontal na espacialidade interior e introduzindo uma força vertical que conduz o olhar até a superfície da água, intensificando a presença do brejo no espaço interno.


A cobertura do pavilhão é revestida com painéis de titânio-zinco em tom cinza, enquanto o forro é pintado com tinta metálica prateada. Essa escolha reforça o impacto visual do plano inclinado que parece pressionar a água e destaca a interação sutil entre o material prateado e os reflexos naturais, funcionando como pano de fundo para os brilhos ondulantes da água. A cada manhã, a ampla cobertura do pavilhão reflete as ondulações do brejo, fazendo com que a natureza “invada” o interior de forma sutil e poética.



Beirais Secundários Suspensos — O Yingzao Fashi documenta um componente arquitetônico típico da dinastia Song, usado em áreas ribeirinhas — o zhangri ta (tela de proteção solar). O projeto reinterpreta esse protótipo tradicional de forma contemporânea. As vigas de madeira atravessam o limite do edifício e se projetam em balanço. Em ambos os lados, os beirais secundários são suspensos por tirantes que puxam para cima, enquanto uma haste inclinada central oferece sustentação adicional. Assim, compõe-se uma interface arquitetônica única voltada para a água, com materiais semelhantes aos do pavilhão.


Como elementos intermediários situados na borda da água, esses beirais cumprem duas funções. A primeira é regular a luz natural: bloqueiam o sol direto enquanto refletem a luz difusa com sua superfície prateada, criando um ambiente mais confortável para leitura. A segunda é ajustar a escala espacial interior: ao rebaixar o campo visual, impedem distrações vindas de turistas no Fudi e dos edifícios vizinhos, direcionando o olhar para a superfície da água e reforçando a percepção do edifício como volume suspenso. Os beirais suspensos, junto com mesas e bancos elevados entre colunas, fachadas de vidro em composição tridimensional e janelas dobráveis totalmente abertas, criam múltiplos campos de transição entre arquitetura e natureza.


Vigas-Estantes Entrelaçadas — As estantes foram concebidas como elementos estruturais específicos que se apoiam entre as colunas — “vigas-estantes” transparentes que permitem ver tanto os livros quanto a paisagem ao redor. Em colaboração com o engenheiro estrutural Zhang Zhun, foi desenvolvida essa instalação estrutural em forma de viga-estante. Vigas horizontais de madeira são combinadas com placas verticais de aço inox para formar uma estrutura composta. Madeira laminada colada e placas OSB compõem uma seção transversal em forma de I, capaz de vencer vãos de até 6 metros. As placas de aço ligam as vigas, garantindo rigidez ao sistema. Suspensas por tirantes laterais e fixadas às colunas, essas vigas se comportam estruturalmente como verdadeiras vigas de carga.


Seis conjuntos de vigas-estantes são distribuídos entre as colunas, criando um efeito visual rico e entrelaçado com o sistema de vigas de madeira. Flutuam no espaço branco, delimitando campos com bordas difusas voltadas para a natureza. Como brejo urbano secundário de Hangzhou, o Xixi Wetland é frequentado por moradores locais para caminhadas e passeios de bicicleta. Neste contexto, criamos uma livraria aberta e transparente, inserida no ambiente natural da cidade — um espaço público onde se lê livros e paisagens ao mesmo tempo.
Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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