Tecnologia
Manifesto contra a ‘merdificação’ da internet mostra como as big techs pioraram a vida de usuários
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O autor canadense Cory Doctorow, 54, conquistou um feito para poucos: popularizou uma palavra que resume o espírito do nosso tempo. Doctorow difundiu o termo enshittification (“merdificação”, em tradução livre) a partir de 2022. A expressão ganhou uso corrente, foi eleita a palavra do ano pela American Dialect Society em 2023 e inspirou a temporada de 2025 da série Black Mirror.
Agora, Doctorow aprofunda o conceito de “merdificação” em seu livro “Enshittification: Why Everything Suddenly Got Worse and What to Do About It” (Merdificação: por que tudo piorou de repente e o que fazer a respeito), lançado nesta semana nos Estados Unidos.
“Não é só com você. A internet está ficando pior, rápido. Os serviços em que a gente confiava, que a gente amava? Todos estão virando um monte de merda”. É assim que Doctorow abre o livro, no qual ele trata a enshittification como uma doença, e examina suas causas, seus efeitos e possíveis tratamentos.
Mas, afinal, o que é a merdificação?
Trata-se da piora gradual nos serviços prestados pelas plataformas de internet na medida em que as empresas se tornam mais poderosas. Elas vão aumentando sua taxa de lucros ao arrochar clientes e parceiros comerciais, já que não enfrentam competição, nem estão sujeitas a regulação. E ainda assim, as pessoas continuam usando esses serviços piorados.
A busca do Google passou a privilegiar anúncios e links patrocinados em vez dos resultados mais relevantes. O Twitter se deteriorou após ser comprado por Elon Musk e rebatizado de X, substituindo fontes de notícias e formadores de opinião por contas de memes e trolls de ultradireita. A Amazon soterra o usuário com produtos de má qualidade e preço mais alto, com links patrocinados, antes dos resultados reais da busca.
A merdificação é um processo.
No começo, tudo é lindo. As big techs estavam cheias de dinheiro de seus investidores e faziam de tudo para conquistar os usuários, inclusive oferecer produtos grátis. A Amazon, por exemplo, vendia livros mais baratos que todo mundo, perdendo dinheiro para conquistar clientes.
Nessa primeira fase, as empresas ganham um número enorme de usuários que passam a depender das plataformas. Uma vez criado um público cativo, as empresas passam a explorar seus usuários para atrair anunciantes e limitam os serviços grátis. Por exemplo, o Facebook, no início, era realmente de graça. Depois que um número significativo de pessoas entrou na plataforma e muitos relutariam em sair porque, afinal, todos os seus amigos estavam lá, a empresa apertou os clientes. Começou a vender os dados dos usuários para anunciantes, muitas vezes, sem eles saberem.
Na terceira fase, são os parceiros comerciais que se tornam dependentes e passam a ser explorados. As plataformas inflacionam o preço dos anúncios ou estabelecem enormes taxas para vendedores terem seus resultados visíveis na busca da Amazon.
No final do processo de enshittification, quando a plataforma já capturou tanto os usuários quanto anunciantes ou vendedores, além de dizimar os concorrentes, ela piora os serviços para todos, para maximizar seus lucros.
As big techs podem se dar ao luxo de “enshittificar” e não perder usuários ou parceiros comerciais porque estão mais poderosas do que nunca, diz Doctorow. Ele explica que, enquanto houver monopólios e falta de regulação, as empresas vão continuar piorando seus serviços, sem sofrer consequências.
O livro narra a cena em que executivos do Google desenham uma estratégia para aumentar os lucros do mecanismo de busca da empresa, que domina 98% do mercado: eles resolvem piorar os resultados de pesquisa. Com isso, os usuários têm de fazer buscas adicionais, e o Google ganha mais dinheiro mostrando mais anúncios em cada página de resultados.
Um dos exemplos mais claros de enshittification é a Amazon. No início, a empresa oferecia livros com preços imbatíveis, subsidiava o frete e tinha uma política de trocas e devoluções ultra generosa. Isso atraiu milhões de usuários para a plataforma. Uma vez lá, os usuários faziam a assinatura Prime, que os fidelizava. Ficava muito menos vantajoso comprar em outro site, já que na Amazon o frete já estava pago.
Com isso, a Amazon dizimou as lojas menores, que não conseguiam competir. Quando a concorrência tinha sido esmagada, a plataforma começou a apertar os vendedores. Exigia enormes descontos para que pudessem vender na plataforma e impunha a regra do “status de nação mais favorecida” -eles não podiam vender mais barato em nenhum outro varejista online. A empresa também passou a cobrar enormes taxas para que os produtos tivessem algum destaque nos resultados de busca no site.
Para o usuário, a experiência também foi piorando. Quando o consumidor procurava um produto, os primeiros resultados, patrocinados, eram frequentemente de pior qualidade e mais caros. O motivo, segundo o autor, é que a Amazon ganha mais de US$ 50 bilhões todos os anos cobrando dos comerciantes pelo posicionamento nas buscas.
Doctorow é uma das vozes mais relevantes em defesa da internet livre. Ao longo de 40 anos de carreira, que inclui anos de colaboração com a Electronic Frontier Foundation, ele escreveu 15 livros de ficção, seis de não ficção, além de influentes ensaios. De posse dessa bagagem, ele não se restringe a diagnosticar as causas da decadência digital generalizada -ele transforma seu livro em um manifesto para salvar a internet.
Interoperabilidade é chave para que se possa encontrar plataformas alternativas e jeitos melhores de se usar os produtos e serviços das big techs quando elas começam a reduzir a qualidade.
Não é possível que as empresas sejam tão grandes, segundo Doctorow, que prega uma legislação antitruste robusta e adaptada ao mundo digital. Para ele, está claro que a autorregulação fracassou. É preciso implementar regulamentação que seja factível.
No mesmo dia em que o livro de Doctorow foi publicado e anunciado na Amazon, a plataforma já estava vendendo versões caça-níqueis da obra, imitações feitas com IA. Uma delas, com título parecido com o original e trechos típicos de IA, era vendida por um dólar a menos que o livro digital de Doctorow. A Amazon afirma ter um sistema rígido contra cópias e produtos de má qualidade.
“Enshittification: Why Everything Suddenly Got Worse and What to Do About It”
Cory Doctorow
Editora Farrar, Straus and Giroux
Preço versão Kindle, em inglês: R$ 87,27
Tecnologia
Windows: Confira 5 dicas para tornar o seu computador mais rápido
Ninguém gosta de trabalhar em um computador com Windows lento, mas, infelizmente, a passagem do tempo faz com que o uso contínuo resulte em um desempenho cada vez pior. No entanto, isso não precisa ser necessariamente assim.
A boa notícia é que existem algumas medidas que você pode adotar para cuidar do seu computador e deixá-lo um pouco mais rápido. Para isso, vale assumir uma postura proativa e seguir determinadas práticas que ajudam a acelerar o funcionamento da sua máquina de trabalho.
O site TechTudo reuniu cinco dicas simples que podem ser colocadas em prática imediatamente para melhorar o desempenho do computador. Algumas delas, inclusive, podem ter efeito imediato logo ao iniciar o dispositivo.
Como melhorar o desempenho do computador:
- Desative os programas que iniciam junto com o Windows;
- Ative o modo “Melhor desempenho”;
- Reduza a quantidade de efeitos visuais do sistema;
- Libere espaço de armazenamento e exclua arquivos temporários;
- Verifique quais programas estão sendo executados em segundo plano.
Fontes: Notícias ao Minuto
Tecnologia
O que é a Lua de Neve, fenômeno que iluminará o céu neste domingo
Neste domingo, 1º, a noite ficará ainda mais bela e iluminada com a chamada Lua de Neve, cujo ápice ocorre às 19h09. Para os interessados, o fenômeno será visível em todo o território nacional, dependendo, evidentemente, da boa vontade das condições meteorológicas.
Embora o nome seja bastante sugestivo, a Lua de Neve não entregará nenhum efeito visual digno de uma produção da Disney. Trata-se da Lua Cheia de fevereiro, revestida de um simbolismo que atravessa séculos.
O apelido tem origem nos povos indígenas da América do Norte, que tinham o hábito de batizar as luas conforme o clima local. Como fevereiro é o auge do inverno no Hemisfério Norte, o nome é autoexplicativo.
Registros históricos mostram que o satélite também já foi chamado de Lua da Fome, uma referência menos poética e bem mais realista à escassez de alimentos no fim do rigoroso inverno. Por razões óbvias de relações públicas, o termo \”Neve\” acabou prevalecendo no imaginário popular.
A Lua de Neve é uma superlua?
Não. Apesar do nome chamativo, a Lua de Neve não é, necessariamente, uma superlua. O termo superlua é usado quando a Lua Cheia coincide com o perigeu, ponto de sua órbita em que ela está mais próxima da Terra. Nesses casos, o satélite parece ligeiramente maior e mais brilhante no céu.
Neste domingo, a Lua estará cheia, mas a uma distância média, sem o aumento perceptível de tamanho ou brilho que caracterizam uma superlua. Ainda assim, as condições de observação continuam excelentes, especialmente em locais com pouca poluição luminosa.
Do ponto de vista astronômico, a Lua de Neve é uma Lua Cheia comum, visível durante toda a noite, nascendo ao pôr do sol e se pondo ao amanhecer. Seu brilho intenso pode ofuscar estrelas mais fracas, mas favorece observações a olho nu e fotografias de paisagens noturnas.
E sob o olhar da astrologia?
Na astrologia, a Lua Cheia é tradicionalmente associada a culminações, revelações e encerramentos de ciclos. A Lua de Neve, em especial, costuma ser interpretada como um momento de resiliência, introspecção e preparação para mudanças.
Astrólogos também a associam a processos internos. Desse modo, focam em revisão de metas, limpeza emocional e fortalecimento de estruturas pessoais; em sintonia com a ideia de atravessar o \”inverno\” para chegar à renovação.
A Lua cheia deste domingo ocorre em Leão, um signo que não aceita o papel de coadjuvante. Além disso, o ápice ocorre com Ascendente também em Leão, com o foco sobre a imagem que projetamos.
Em um mundo saturado pelos ruídos das redes sociais, o céu sugere que o verdadeiro prestígio não está nos algoritmos. É o momento de revisar sua \”marca pessoal\” sob uma ótica de autenticidade, não de engajamento.
Vale a pena observar a Lua de Neve?
Mesmo sem ser uma superlua, o fenômeno é um convite honesto para pausar o scrolling infinito e olhar para cima. Em um mundo de distrações digitais, reconectar-se com os ritmos naturais é um luxo analógico.
Basta um céu limpo e alguns minutos de descompressão. O espetáculo é garantido, gratuito e, felizmente, livre de anúncios.
Quais são as próximas luas cheias de 2026
A maioria dos anos têm 12 luas cheias, mas 2026 terá 13. Confira abaixo as datas, de acordo com o Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP). Os nomes seguem os padrões dos nativos americanos, segundo o The Old Farmers Almanac.
1º de fevereiro – Lua de Neve
3 de março – Lua da Minhoca
1º de abril – Lua Rosa
1º de maio – Lua das Flores
31 de maio – Lua Azul
29 de junho – Lua de Morango
29 de julho – Lua dos Cervos
28 de agosto – Lua de Esturjão
26 de setembro – Lua do Milho (Lua da Colheita)
26 de outubro – Lua do Caçador
24 de novembro – Lua do Castor
23 de dezembro – Lua Fria
Tecnologia
Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo. Mas quanto paga a engenheiros?
O trabalho da Nvidia no desenvolvimento de chips de Inteligência Artificial lhe garantiu o status de empresa mais valiosa do mundo, com um valor estimado em 4,56 trilhões de dólares.
Com a ascensão meteórica da companhia nos últimos anos, torna-se especialmente interessante entender como a Nvidia busca reter e atrair talentos por meio de compensações financeiras.
Como informa o site Business Insider, a Nvidia não divulga os salários de seus funcionários, o que faz com que seja possível ter apenas uma estimativa a partir de documentos enviados ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos para a solicitação de vistos H-1B — um tipo de visto que permite que empresas norte-americanas contratem profissionais estrangeiros altamente qualificados.
A partir desses documentos, é possível observar que o salário-base de um engenheiro de software na Nvidia varia entre US$ 92 mil e US$ 425,5 mil por ano. Já os cientistas de pesquisa recebem entre US$ 104 mil e US$ 431,25 mil (cerca de 87.574 a 363.254 euros) anuais. Um gerente de produto, por sua vez, pode ganhar entre US$ 131.029 e US$ 379.500 (aproximadamente 110.369 a 319.664 euros) por ano.
É importante destacar que esses valores não incluem bônus nem participação acionária, o que significa que a remuneração total pode alcançar patamares significativamente mais altos.
A “guerra por talentos” entre as gigantes da tecnologia nos Estados Unidos se intensificou nos últimos anos, com a área de Inteligência Artificial se tornando um verdadeiro campo de batalha, no qual empresas como Meta, OpenAI, Google, Microsoft, Amazon e Apple, entre outras, disputam os principais especialistas do setor.
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