Arquitetura
Marcello Dantas: “Arte que não provoca desconforto é decoração” | Arte
Dantas assinou algumas das mostras mais concorridas do país nos últimos anos – Ai Weiwei, Anish Kapoor, Portinari –, e esteve envolvido na criação de diversos museus, como a Japan House e o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, o Museu da Natureza, no Piauí, e os museus do Caribe e do Carnaval, na Colômbia. Está desenvolvendo, ainda, três novos museus, que girarão em torno de ciência, música e dinheiro, e um trem que cruzará o Brasil contando histórias de imigração.
Apesar da extensão do portfólio, ou talvez justamente por causa dela, o que mais impressiona é sua fidelidade ao risco, mesmo diante de fórmulas tentadoras. “Detesto rótulos como videoarte, ciberarte, arte imersiva. Só existe uma arte, que acontece na mente de quem a vê. Todo o resto – a parafernália, os suportes, os formatos – são apenas formas de atribuir valor econômico.” Fora das amarras classificatórias, nesse estado de despossessão – ou de presença radical –, a arte promovida por Dantas pode ser tudo, menos meramente ilustrativa. A seguir, ele reflete sobre as muitas vocações do seu trabalho enquanto revisita sua trajetória recente com exclusividade para a Casa Vogue.
Obras que expandem a definição de arte. Pessoas que trabalham na fronteira entre biologia e química, que se engajam numa busca profunda por rituais, que entendem que o impacto da arte está no seu próprio processo de produção, e que sistemas existem para serem desafiados, e linguagens, para serem inventadas.
O invisível não é imperceptível. Nem toda arte é visual. Ela pode entrar em nosso corpo por muitas portas: pele, ouvidos, narinas – e também revelações. A verdadeira obra se revela no momento em que alguém a narra a outra pessoa. Este é o ponto-chave: a obra, em essência, é a história que dela se conta. O pulsar invisível da arte é sua matéria mais preciosa – o zeitgeist, esse espírito do tempo ao qual todo artista pertence.
Portinari é um emblema do Brasil moderno – e carrega as contradições de sê-lo. Sempre quis ser do povo. Adorava as linguagens de grande alcance, as obras de grandes dimensões. Realizou gestos políticos importantes, mas também retratou as elites. Em sua produção absurdamente prolífica, explorou estilos, linguagens e temas com enorme liberdade. Criamos um mergulho na diversidade de um artista que olhou para o povo, a natureza, a fé, a guerra e a paz. Quisemos revelar essa vastidão – não um recorte, mas uma colagem.
Conviver com Niède Guidon, uma das grandes mulheres da história deste país. Aprendi a compreender a narrativa das pinturas rupestres, os cuidados nos enterramentos, a delicadíssima flauta de osso ali deixada. Tudo isso revela um povo sensível, que temia e amava, que se conectava à sua essência e deixou marcas de uma existência épica em um tempo do qual temos pouca noção. No fim, o que sobra de um povo são sua arte e seus ritos.
Ascension é icônica. A força da ausência de matéria se manifesta como vento, fumaça e movimento num sentido vertical, espiritual, carregado de poder transformador. Empregamos meninos que viviam nas ruas, que cheiravam cola, para trabalhar no projeto. Criamos um momento catártico, em que a energia da vida parecia se descolar dos corpos e se transformar em dança. Anish foi brilhante nesse projeto que marcou profundamente quem o presenciou.
Estamos todos um pouco frustrados com os rumos que nossa espécie tem tomado. Avançamos muito tecnologicamente, mas não sentimos verdadeira satisfação com nada disso. Trilhamos um longo caminho, mas não chegamos a lugar algum. Não há sentimento genuíno de que o futuro será melhor. Piccinini anteviu esse estado híbrido em que o humano e o não humano tentam convergir, e talvez essa seja nossa última utopia. Foi impressionante ver uma artista australiana, inédita no Brasil, reunir mais de 1 milhão de visitantes. Essas imagens despertaram algo. Algum sentimento difícil de nomear veio à tona.
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

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- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
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