Tecnologia
Montagens digitais de nudez com IA expõem mulheres a nova forma de violência
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Violeta (nome fictício) tinha 16 anos quando se apaixonou por Arthur, um colega de ensino médio em São Paulo. Ela gostava do jeito quieto dele, das conversas ao fim da aula e dos sorrisos trocados no corredor. “Aquelas paixões bobinhas que vão crescendo dentro da gente, sabe? Eu jurava que a gente ia ficar juntos para sempre. Mas nunca é bem assim”, diz hoje, aos 21.
O relacionamento durou cinco anos. O que parecia ser um conto de fadas chegou ao fim em dezembro de 2024, quando Arthur pediu para conversar. Violeta imaginou mil possibilidades: uma crise, uma traição. Mas nada a preparou para o que ouviu. Ele contou que tinha visto fotos íntimas dela circulando em um grupo no Telegram.
Em um primeiro momento, ela achou que era piada. Mas quando ele mostrou as imagens, a estudante de medicina começou a chorar. “Eu nunca tirei uma foto dessas na minha vida. Pedi para ele me mostrar e, depois de muito espanto, vi que era uma montagem feita por inteligência artificial”, conta Violeta, em entrevista à Folha. Ela e outras mulheres entrevistadas pela reportagem pediram para não terem seus nomes verdadeiros divulgados para preservarem sua privacidade.
Mesmo sabendo que não era ela, o realismo das imagens era assustador. “Qualquer pessoa que olhasse rápido poderia achar que era de verdade.”
Esse tipo de conteúdo, conhecido como deepnude, é gerado por ferramentas de inteligência artificial que modificam digitalmente fotos reais, criando imagens falsas de nudez com aparência bastante convincente. O Brasil não possui uma legislação penal específica sobre o tema.
“A criação e disseminação de imagens falsas de nudez por meio de inteligência artificial ainda não está tipificada de forma clara no Código Penal”, explica Mônica Villani, advogada especializada em direito digital.
Ela destaca que embora algumas normas possam ser aplicadas por analogia, foram criadas para contextos distintos. “Isso enfraquece a proteção das vítimas. O avanço da IA exige uma atualização urgente da legislação, especialmente nos crimes contra a dignidade sexual.”
No caso de Violeta, Arthur fazia parte de um dos muitos grupos no Telegram com o objetivo de expor imagens íntimas de mulheres. Na conversa, ele minimizou o ocorrido, dizendo que era “uma brincadeira boba” entre amigos. “Ele disse que mal entrava no grupo, mas como posso confiar em alguém que faz parte de um espaço criado para expor mulheres dessa maneira? Eu decidi terminar”, diz ela.
A reportagem teve acesso a um desses grupos. Com mais de 55 mil membros, pessoas de todas as regiões do país compartilham fotos de suas parceiras ou conhecidas para que outros homens comentem, avaliem ou, ainda, gerem imagens falsas com IA.
Em média, mais de 20 fotos novas são postadas por dia, muitas acompanhadas de pedidos. Algumas mostram o rosto, outras apenas partes do corpo, sem identificação.
Além das imagens, são comuns os comentários ofensivos, avaliações pejorativas e pedidos de conteúdo pornográfico gerado com inteligência artificial. Segundo um relatório da ONG SaferNet, divulgado no segundo semestre de 2024, mais de um milhão de usuários brasileiros participam de grupos no Telegram onde ocorre a troca, venda ou geração de imagens íntimas sem consentimento.
Procurado, a plataforma afirmou que o número de 1 milhão ” é certamente um número absurdo, já que o Telegram está totalmente comprometido em impedir conteúdo ilegal”.
A empresa disse também que tem atuado para auxiliar investigações e que monitora o conteúdo que é publicado. A plataforma afirmou ainda que de janeiro a maio deste ano derrubou 394 mil grupos que compartilhavam material ilegal.
“Desde 2018, todo conteúdo de mídia enviado à plataforma pública do Telegram é verificado em comparação com um banco de dados abrangente de CSAM [sigla em inglês material de abuso sexual infantil] previamente removido pelos moderadores do Telegram”, diz a nota.
A advogada Izabella Borges, fundadora do Instituto Survivor, afirma que a criação e disseminação de deepnudes constitui uma forma contemporânea de violência sexual contra mulheres.
Ela aponta que, quando essa prática ocorre no contexto de relacionamentos –como forma de ameaça, chantagem ou retaliação– pode haver a aplicação da Lei Maria da Penha. “É comum que essas montagens sejam usadas como forma de controle. Por isso, a vítima deve ser acolhida como sujeito de direito, com acesso a medidas protetivas e retirada imediata do conteúdo das plataformas.”
As fotos de Violeta do grupo foram apagadas, a pedido do ex-namorado, mas as marcas ficaram. A jovem foi diagnosticada com ansiedade e deletou todas as redes sociais. “Eu me senti violada, com vergonha, mesmo sabendo que não era eu.”
O impacto da violência digital na saúde mental das mulheres é duradouro, diz a psicóloga Aline Rezende Grafiette. Segundo ela, esses ataques online podem levar ao adoecimento emocional crônico, tornando as vítimas “menos expositivas” e silenciadas digitalmente.
Assim como Violeta, Juliana (nome fictício), 35, criadora de conteúdo sobre saúde de Porto Alegre, também foi vítima de uma montagem feita com inteligência artificial. Em abril de 2025, ela começou a receber mensagens insistentes de um seguidor.
“Ele respondia a todos os meus stories, tentava puxar assunto o tempo todo. Sempre deixei claro que tenho namorado. Como não correspondi, ele criou uma montagem com meu rosto no corpo de uma mulher nua”, conta.
Depois, ele passou a ameaçá-la: ou ela se mudava para morar com ele, ou ele espalharia a imagem para amigos e familiares. Também exigiu R$ 15 mil para não divulgar o conteúdo.
“Fiquei apavorada. Mesmo sabendo que era falso, tinha medo que ele enviasse para minha família, que é conservadora. E que as pessoas acreditassem.”
Juliana buscou apoio em grupos online, que a orientaram a procurar ajuda jurídica. “Não tive coragem de registrar boletim de ocorrência. Sou conhecida na cidade e fiquei com medo de que o escândalo chegasse aos meus pais.”
O stalker ainda mandou algumas mensagens, mas depois que a influenciadora não cedeu as chantagens, ele sumiu.
Para mulheres que descobrem que foram alvo desse tipo de montagem, a advogada Mônica Villani recomenda agir rápido.
“O primeiro passo é preservar provas, como capturas de tela e registros autenticados, que serão fundamentais para qualquer medida judicial ou administrativa. Depois, é importante registrar boletim de ocorrência e buscar orientação jurídica especializada. Também é possível solicitar a remoção do conteúdo junto às plataformas, com base na legislação vigente.”
Mônica explica que a prática de criar e divulgar imagens falsas com o intuito de expor, humilhar ou extorquir configura crimes previstos no Código Penal, como difamação, ameaça e extorsão. “Quem comete esses atos pode ser condenado a penas que variam de dois a oito anos de prisão, além de multas, dependendo da gravidade e das circunstâncias do caso.”
Tecnologia
NASA alerta para satélite em queda descontrolada em direção à Terra
Um satélite da NASA, com cerca de 600 quilos, está caindo de forma descontrolada em direção à Terra. Chamado de Van Allen Probe A, o equipamento pode ter partes que sobrevivam à reentrada na atmosfera, segundo informou a própria agência espacial norte-americana.
Em comunicado, a NASA explicou que a maior parte da estrutura deve se desintegrar ao atravessar a atmosfera do planeta, mas alguns componentes podem resistir ao impacto do calor e da velocidade durante a reentrada.
“A NASA espera que a maior parte do satélite seja destruída enquanto atravessa a atmosfera, mas é possível que alguns componentes sobrevivam à reentrada”, informou a agência.
Apesar disso, o risco para pessoas na superfície é considerado muito baixo. De acordo com a NASA, a probabilidade de alguém ser atingido por destroços é de aproximadamente uma em 4.200.
A agência afirmou ainda que continua monitorando a trajetória do satélite em conjunto com a Space Force, que acompanha objetos espaciais em órbita.
O Van Allen Probe A foi lançado em 2012 com a missão de estudar os cinturões de radiação que cercam a Terra, conhecidos como cinturões de Van Allen. A missão científica foi encerrada em 2019.
Inicialmente, a NASA estimava que a reentrada do satélite aconteceria apenas em 2034. No entanto, a atividade solar mais intensa do que o esperado acabou acelerando a perda de altitude do equipamento, antecipando sua queda para agora.
O Van Allen Probe A foi lançado junto com o satélite gêmeo Van Allen Probe B. A expectativa da NASA é que esse segundo equipamento também reentre na atmosfera nos próximos anos, possivelmente por volta de 2030.
Fontes: Notícias ao Minuto
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Meteorito cai na Alemanha é confundido com míssil na web; assista
Um meteorito atravessou o céu da Alemanha e atingiu o telhado de uma casa na cidade de Coblença, no estado da Renânia-Palatinado, abrindo um buraco do tamanho aproximado de uma bola de futebol.
O incidente ocorreu no domingo, 8 de março, por volta das 14h no horário de Brasília.
“Por volta das 19h desta noite, um corpo celeste incandescente atingiu o telhado de um prédio residencial no bairro de Güls, em Coblença”, informou a polícia local, em comunicado citado pelo jornal alemão Der Spiegel.
Durante a queda, o meteorito se fragmentou em pedaços menores. Um desses fragmentos acabou atingindo o telhado da residência e atravessou parte da estrutura, atingindo um dos quartos da casa.
Fragmento do meteorito que passou pela Alemanha© @NicosPanoptikum/X
Veja o vídeo na galeria.
O chefe do corpo de bombeiros da cidade, Benjamin Marx, informou que havia pessoas dentro da residência no momento do impacto, mas ninguém estava no quarto atingido.
Após o ocorrido, imagens do meteorito cruzando o céu começaram a circular nas redes sociais. Alguns usuários chegaram a levantar a hipótese de que o objeto poderia ser, na verdade, um míssil.
“Vocês têm certeza de que não é um míssil iraniano?”, questionou uma usuária na rede social X em comentários de um dos vídeos. Outro usuário perguntou ao Grok, ferramenta de inteligência artificial da plataforma, se o objeto poderia ser um míssil ou apenas um meteorito.
As autoridades alemãs rapidamente descartaram qualquer possibilidade de ameaça ou incidente relacionado à segurança do país.
Segundo os investigadores, não há “absolutamente nenhuma evidência de um incidente relacionado à segurança”, e tudo indica que o objeto era, de fato, um meteorito.
Fontes: Notícias ao Minuto
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Especialista diz que 95% dos projetos de IA não geram valor a empresas
Apesar de ser tratada com grande entusiasmo e muita expectativa, a inteligência artificial (IA) ainda não é uma forma importante de alavancar a produção e os resultados de empresas que a utilizam. A constatação é de Norbert Jung, CEO (diretor-executivo) da Bosch Connected Industry – braço de tecnologia da Bosch, multinacional alemã de engenharia e tecnologia.
“Temos esse grande hype [empolgação], essa grande esperança de que a IA possa ajudar a resolver muitas das nossas questões, mas ainda assim todo mundo está meio que na fase piloto. Noventa e cinco por cento dos projetos de IA não entregam valor econômico hoje”, apontou.
Para o diretor da Bosch, a questão passa por excesso de informação, o que classificou como cenário desafiador: “Temos cada vez mais dados, mas isso não parece produzir muito mais valor a partir desses dados”.
Brasil homenageado
A declaração foi durante um painel sobre IA durante um evento que antecipou novidades da Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril em Hannover, cidade de cerca de 550 mil habitantes no Norte da Alemanha.
O Brasil será o país homenageado na edição deste ano, que além de robôs e IA, apresentará tecnologias de digitalização, automação, descarbonização e energia limpa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler (chefe de governo) da Alemanha, Friedrich Merz, confirmaram presença na Hannover Messe.
Caminhos
Ao apontar caminhos para fazer com que a IA agregue mais valor às empresas industriais, Norbert Jung aponta para a integração com o conhecimento humano.
“A resposta está em trazer IA, máquinas e humanos juntos em uma forma de cointeligência na manufatura”, diz. “Nós industrializamos a IA generativa”, completa.
A constatação do especialista segue a conclusão do estudo O Estado da IA nos Negócios em 2025 publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês para Massachusetts Institute of Technology), uma das universidades mais prestigiadas do mundo.
“Apesar de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões em investimentos empresariais em IA generativa, o relatório revela um resultado surpreendente: 95% das organizações estão obtendo retorno zero”.
Robótica e IA
O chefe do departamento de pesquisa da empresa de robótica Agile Robots, Sven Parusel, considera que a IA começa a “ganhar vida” por meio de robôs.
“Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura [industriais], especialmente quando falamos de IA física, trazendo robôs e máquinas físicas junto com as capacidades de IA”, aponta.
Ele conta que desde 2018 a empresa alemã desenvolve braços e mãos robóticas, sistemas móveis e robô humanoide.
“Para nós é muito importante que todos esses componentes se juntem, trazendo IA para todos eles e também para a própria fábrica”.
Sven Parusel revelou que a Agile desenvolveu um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA.
“Usa a IA para controle e visão computacional para detectar objetos. Já vemos os benefícios: produção mais rápida, mais flexível e mais fácil de configurar”, descreve.
Potencial brasileiro
Por ser o país homenageado, o Brasil terá direito a ocupar pavilhões que somam 2,7 mil metros quadrados na Hannover Messe. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) ─ vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ─ organiza a participação do país.
Serão 140 expositores brasileiros e uma delegação formada por 300 empresas.
Em conversa com a Agência Brasil, a representante regional da ApexBrasil, Márcia Nejaim, considera que o país tem potencial para ser protagonista na área de IA.
“A gente tem total condições, assim como a gente já, inclusive, estabeleceu tendência em uso de outras tecnologias em um passado muito lá atrás de linguagens de computação e tal”.
Ao citar instituições brasileiras que podem servir como expoentes de IA na Hannover Messe, a representante da ApexBrasil lembrou de nomes como o do instituto de pesquisa Eldorado e das empresas Fu2re e Stefanini.
“O Brasil hoje tem gente trabalhando com tecnologia que não fica atrás, muita gente de fora vem contratar gente no Brasil”, reforçou Márcia Nejaim.
*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe
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Fontes: Notícias ao Minuto
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