Engenharia
O prédio luxuoso caindo em Manhattan e o dilema dos arranha-céus
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“Subir para cima” é um pleonasmo clássico, mas parece adequado para descrever um fenômeno interessante na arquitetura: a busca por prédios absurdamente altos. Nos últimos meses, conteúdos sobre o 432 Park Avenue – arranha-céu luxuoso em Manhattan – viralizaram nas redes, rendendo matérias e até videorreportagens no New York Times. Na época em que foi construído, em 2015, era o prédio residencial mais alto do mundo, com 102 andares e um custo total de US$ 1,25 bilhão, com unidades batendo os US$70 milhões.
Mas o que aconteceu com esse prédio bilionário? Ele está se despedaçando.
Rachaduras, barulhos nos elevadores e nos sistemas de lixo e muitas infiltrações deixam alguns moradores aborrecidos com os inconvenientes que atravancam a rotina e outros com medo do prédio simplesmente desmoronar.
O 432 Park Avenue pode ser um exemplo de construção duvidosa, porém a questão que seu fracasso levanta vai além de má arquitetura e engenharia. O prédio põe em xeque a busca desenfreada pelas alturas e revela muito sobre as questões econômicas e sociais que culminam em edifícios, no mínimo, irracionais.
História dos arranha-céus

Para compreender o 432 Park Avenue, é preciso voltar algumas décadas no tempo e entender o que motivou a invenção dos arranha-céus para começo de conversa.
“O cerne da verticalização é imobiliário”, explica a professora de História da Arquitetura da Universidade Federal do Paraná, Juliana Suzuki. “Construir prédios em vez de casas térreas permite que um mesmo terreno possa ser ocupado por muito mais pessoas, otimizando o espaço urbano e, consequentemente, fazendo com que um mesmo lote possa ser vendido mais de uma vez”, afirma.
Não à toa, foi nos Estados Unidos do século XX, dentro de uma lógica capitalista fervorosa, que nasceram os primeiros arranha-céus. O Home Insurance Building (1885), em Chicago, é tido como o primeiro skyscraper do mundo. Idealizado pelo arquiteto e engenheiro William Le Baron Jenney, após um catastrófico incêndio que destruiu boa parte da cidade, o prédio tinha dez andares e foi possível graças a novidades da época, como estruturas em aço, elevadores e sistemas de pressurização de água.

Conforme foram ficando mais altos, os arranha-céus ganharam uma fórmula clássica. “Temos três elementos: base, corpo e coroamento. Esse modelo dá estabilidade à estrutura e as variações estéticas geralmente existem dentro desses três componentes”, explica a professora.
Pense no Empire State Building (1931), ou no Chrysler Building (1930) em Nova York. Esses prédios possuem uma base mais larga, o corpo com os andares e o coroamento com uma antena ou cúpula.
É claro que técnicas construtivas mais modernas permitem criar prédios mais altos, porém, de maneira geral, essa tríade se mantém. Por quê? Basicamente, porque a altura traz sempre as mesmas dificuldades.
Os desafios de construir no céu

Vento e o próprio peso: em linhas muito gerais, esses são os grandes desafios na hora de erguer prédios altos. Segundo Ricardo Dias, engenheiro de estruturas e professor de Arquitetura da PUC-PR, as construções altas trazem uma série de desafios estruturais para evitar que os prédios “balancem”.
“As pressões e sucções de vento, forças horizontais que empurram e puxam as fachadas com a passagem do fluxo de ar, aumentam com a altura”, aponta. Essas forças tendem a gerar oscilações. Já o peso da construção, que aumenta conforme a quantidade de andares, faz com que arranha-céus precisem de pilares e fundações bastante resistentes e rígidas, para evitar a inclinação.
“Além disso, com o aumento das forças de compressão em função da altura, deve haver um controle rigoroso de recalques – que são afundamentos da fundação no solo em função das forças que apertam, e estes devem ser homogêneos para que o edifício não se torne uma “Torre de Pisa”, ou seja, fique permanentemente fora de prumo”, explica.
Não existe uma altura específica na qual esses desafios começam a ser problemas latentes, mas existe uma métrica que aponta, de acordo com Ricardo, “se um edifício merece uma atenção redobrada no projeto estrutural”.
O professor explica que o índice de esbeltez mínimo é uma relação entre a altura da torre e a menor largura da planta. “A partir de 10:1, o edifício poderia ser considerado de grande esbeltez e, com isso, sofreria muito mais os efeitos do arrasto lateral do vento por não contar com uma base larga o suficiente para impedir com facilidade os tombamentos”, afirma.
Fazendo uma analogia, é como pensar em duas torres de LEGO: uma delas é só o empilhamento de várias peças de um mesmo tamanho; a outra tem uma base com um número maior de peças e que diminui conforme a torre cresce. A torre mais “fina” com base menor é bem mais instável do que a torre com base larga. O 432 Park Avenue tem uma proporção de aproximadamente 15:1, o que significa que ele é 15 vezes mais alto do que largo.
E o que é possível fazer para mitigar o vento e as pressões da estrutura? “Considerando o vento como a fonte causadora da força lateral, quanto menos retenção de vento houver, melhor”, diz o professor.

Andares “vazios” e sem fechamento que permitem a passagem de vento, treliças (estruturas que se formam associando as barras estruturais para formar triângulos) podem ser aplicadas ao longo do prédio e a criação de pórticos a partir da ligação entre vigas e pilares são formas de lidar com o movimento lateral do vento.
Caso essas soluções não sejam suficientes, ou não tenham sido contempladas pelo projeto de arquitetura por alguma razão funcional ou estética, é possível ainda aplicar recursos de engenharia mecânica. Ricardo aponta sistemas de pêndulos (amortecedores de massa) como saída. Os pêndulos são grandes estruturas pesadas que ficam em áreas restritas no topo da construção. Pela inércia, eles podem se contrapor ao movimento do vento, estabilizando a construção.
432 Park Avenue

Voltamos ao 432 Park Avenue. Esse megaempreendimento imobiliário do CIM Group & Macklowe Properties foi projetado pelo arquiteto uruguaio Rafael Viñoly. O nome soa familiar? Ele é o mesmo arquiteto que criou o prédio com espelhos côncavos em Londres, o 20 Fenchurch Street, que refletia raios de sol durante algumas horas do dia, gerando “lasers” que danificaram carros em 2013, ainda durante a construção.

Viñoly diz que se inspirou em uma lata de lixo desenhada em 1905 pelo designer Josef Hoffmann, um importante nome da Secessão Vienense na Áustria, para o desenho do 432 Park Avenue.

Imediatamente, nota-se que a construção teria dificuldade enorme para se estabilizar, visto que seu desenho lembra um lápis: uma base estreita quadrada com apenas 28 m, um corpo com as mesmas medidas de largura da base e cerca de 423 m de altura e nenhum coroamento.
O projeto do 432 Park Avenue emprega técnicas para contornar o arrasto do vento. Ele tem cinco andares mecânicos sem fechamento e dois pêndulos (Tuned Mass Dampers) de 600 toneladas cada, no topo.
Seria necessário um pêndulo de 100 toneladas e 37 m, para estabilizar o arranha-céu, porém isso significaria abrir mão de sete andares comercializáveis com apartamentos muito caros. Para maximizar os lucros, a ideia foi dividir o pêndulo em dois, ocupando somente três andares.
Outro problema é o concreto branco utilizado na fachada, que está fissurando. “A estrutura de concreto armado empregada num edifício que não está tendo controle adequado de deslocamentos laterais está produzindo uma série de patologias expostas na fachada estrutural”, afirma o professor Ricardo.

As falhas de estabilização do 432 Park Avenue geram as questões relatadas pelos proprietários das unidades.
“É sabido que, ficando muito fora de prumo, um edifício também apresentaria problemas nos elevadores, quebras de materiais frágeis conectados a ele, como o vidro, e possíveis rupturas de conexões em instalações hidráulicas, problemas que aparecem no 432 Park Avenue”, finaliza o professor.
Essas escolhas revelam muito sobre os problemas do 432 Park Avenue e dos empreendimentos imobiliários no geral. Nem sempre as técnicas e recursos construtivos ideais são aplicados por questões financeiras, seja para reduzir orçamentos, maximizar lucros ou as duas coisas.
O próprio Viñoly, arquiteto talentoso e de carreira internacional consolidada, admitiu em uma entrevista que havia “cometido algumas ‘cagadas’” no 432 Park Avenue, mas depois se desculpou pela declaração.
Vale a pena?

Os erros que culminam no cenário absurdo do 432 Park Avenue, o prédio de luxo torto em Manhattan, estão evidentes. Entretanto, nos fazem pensar: será que vale a pena gastar milhões e milhões para driblar a gravidade e o vento para construir tão alto? O que se ganha com isso em termos de qualidade de vida?
“Chega um ponto que o arranha-céu se torna irracional”, comenta a professora Juliana. Ela argumenta que os custos para erguer prédios cada vez mais altos vão ultrapassando qualquer justificativa de habitabilidade e trazendo desconfortos inevitáveis.
“No final das contas, existe um limite para essa ideia da verticalização, já que os efeitos da altura vão ser sentidos, mesmo com a melhor engenharia. Por mais que se crie mecanismos para mitigar esses aspectos negativos, eles não serão eliminados por completo. É algo intrínseco à própria decisão de construir numa altura irracional do ponto de vista técnico-construtivo”, afirma.
Então, em um superarranha-céu, há grandes chances de os elevadores não serem suficientes, de os sistemas de lixo e água serem barulhentos e falharem, e de as fachadas e janelas se danificarem ao longo do tempo.
A professora comenta que, de um ponto de vista da história da arquitetura, o arranha-céu pode ser uma forma de otimizar o planejamento urbano, facilitando os deslocamentos dos moradores de uma cidade, aproveitando melhor áreas mais habitáveis, mas esse não é o caso na maioria das vezes. “Não é sobre cidade, nem sobre habitabilidade”, diz.

Isso mais uma vez se demonstra no 432 Park Avenue. Pouquíssima gente de fato mora lá, porque o prédio não foi pensado para ser uma casa e sim um investimento. E como investimento, ele é lucrativo. As unidades ainda são vendidas, alugadas ou deixadas vazias para se valorizarem na especulação imobiliária.
Portanto, mesmo com os inúmeros processos de condôminos residentes, o 432 Park Avenue é considerado, por sua construtora, um sucesso.
“Essa não é uma discussão sobre arquitetura e engenharia. No fundo, estamos debatendo mercado financeiro. Em uma cidade saturada como Nova York, pouco importa se é mal construído ou se há riscos, porque não é sobre arquitetura, nem engenharia, nem sobre pessoas. Um arranha-céu como esse é uma commodity do mercado imobiliário nova-iorquino“, finaliza a professora.
Mas as construtoras só investem em arranha-céus como 432 Park Avenue porque há mercado para eles, seja de interessados pela moradia ou pelo ativo imobiliário. O que nos leva a perguntar, por fim, qual é o atrativo dos superprédios.
Da mesma forma que as estruturas colossais do passado, como as Pirâmides de Gizé e o Coliseu, os arranha-céus são símbolos de poder. Construções que se intitulam “as mais altas”, “as maiores”, despertam no ser humano a ideia de status, objetos que somente a elite pode possuir e que são orgulhosamente exibidos. Resta só saber se, em pleno século 21, em meio à crise climática, desafios sociais e cidades lotadas e precárias, ainda vale a pena gastar tempo, dinheiro e racionalidade tentando erguer Torres de Babel.
Engenharia
Pisos para áreas externas: arquiteta lista principais opções, vantagens e desvantagens
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Resistência às intempéries, conforto térmico, aderência e praticidade na hora da manutenção são fatores decisivos na hora da escolha o piso para a área externa e cada material apresenta comportamentos distintos diante dessas exigências.
Em vista disso, as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente do escritório Dantas & Passos Arquitetura, destacam as sete opções que, para elas, agregam mais estética e funcionalidade ao projeto.
“As áreas externas são espaços mais expostos da residência e, por isso, exigem materiais que resistam à umidade, sol e às variações de temperatura. Além disso, precisam oferecer segurança e conforto ao caminhar, especialmente quando falamos de bordas de piscina ou jardins”, comenta a dupla.
Porcelanatos antiderrapantes

Entre as opções mais versáteis do mercado, os porcelanatos antiderrapantes são destaque por combinarem estética refinada e alta resistência. “São ideais para áreas molhadas, como em torno de piscinas, porque reduzem consideravelmente o risco de escorregões e quedas”, explica Paula.
Com baixa absorção de água e praticamente impermeáveis, eles resistem bem às manchas e às condições climáticas. Além disso, são fáceis de limpar, demandando apenas água e sabão neutro.
Para áreas de tráfego intenso, as arquitetas lembram que é importante observar a classificação PEI, sendo o PEI 5 o mais indicado. A ampla gama de cores, texturas e estampas permite ainda criar visuais que remetem à madeira, ao mármore ou ao cimento, adaptando-se a diferentes estilos de projeto.
Cimentícios e de concreto

Resistentes, duráveis e visualmente neutros, os pisos cimentícios e de concreto são ótimas escolhas para quem busca um estilo urbano. “Eles se destacam pela versatilidade, podendo ser moldados em diferentes tamanhos e texturas, e podem até ser pigmentados ou pintados, o que amplia suas possibilidades estéticas”, aponta Danielle.
Outra vantagem são as de versões atérmicas, quando o piso não absorve tanto calor, sendo agradável para caminhar descalço. Além disso, sua superfície antiderrapante garante segurança mesmo em áreas molhadas.
Flat de 65 m² mistura piso vinílico e cerâmico
Decks de madeira

Os decks continuam sendo um clássico quando a intenção é trazer sofisticação e calor visual para o espaço. Para garantir longevidade, é fundamental optar por madeiras tratadas e resistentes à umidade, como ipê ou cumaru, e manter manutenções periódicas.
“A madeira tem esse poder de criar uma sensação acolhedora e orgânica, integrando-se bem com a paisagem externa e com o cuidado certo, o deck se mantém bonito por muitos anos e valoriza o projeto”, afirma Paula.
Cerâmicas rústicas

Para quem busca uma alternativa mais acessível, as cerâmicas rústicas se destacam pelo visual acolhedor e preço popular. Produzidas a partir do barro cozido, elas têm aparência artesanal e resistem bem às variações climáticas. “São práticas de limpar, exigem apenas atenção na paginação e o uso de juntas de dilatação para evitar trincas”, explicam as arquitetas.
Disponíveis em diversas cores e acabamentos, podem ser aplicadas em quintais, varandas e caminhos, mantendo a estética natural e simples, típica de casas de campo.
Pisos drenantes

Cada vez mais presentes em projetos contemporâneos, os pisos drenantes se destacam pela permeabilidade. “Eles permitem que a água da chuva infiltre no solo, contribuindo para evitar alagamentos e ajudando na drenagem urbana”, comenta Paula.
Compostos por pedras e cimento, são resistentes, antiderrapantes e atérmicos, sendo ideais para áreas com pets, jardins e bordas de piscina. Além de ecológicos, demandam baixa manutenção e estão disponíveis em diferentes cores e texturas, possibilitando composições criativas nos projetos paisagísticos.
Fulget

O fulget é uma escolha que une resistência, beleza e segurança. Produzido com cimento e pedras naturais, tem superfície granulada antiderrapante, ideal para rampas, calçadas e áreas molhadas. “É um piso durável, com ótimo desempenho em áreas externas e ainda possui propriedades atérmicas, o que o torna excelente para áreas de piscina”, destaca Danielle.
Sua aparência com pedras à mostra confere um visual rústico, e a variedade de cores e granulometrias permite personalização estética. A limpeza é simples, feita com água e sabão neutro, e o material ainda pode ser aplicado também em paredes e fachadas, trazendo unidade ao projeto.
Pedras naturais

Entre as opções mais nobres, as pedras naturais, como São Tomé, granito e pedra portuguesa, são sinônimo de resistência e exclusividade. “Cada peça é única e carrega uma beleza natural difícil de reproduzir em outros materiais”, comenta Paula.
A pedra São Tomé é uma das preferidas para áreas molhadas por ser atérmica e antiderrapante, enquanto o granito com acabamento escovado ou levigado oferece alta resistência e longa vida útil. Já a pedra portuguesa permite criar desenhos e mosaicos personalizados, valorizando calçadas e áreas de lazer.
Além de duráveis e resistentes ao fogo e ao desgaste, esses pisos demandam baixa manutenção, especialmente quando escolhidas versões menos porosas. “As pedras são sempre um investimento seguro para quem busca elegância e permanência no tempo”, finaliza Danielle.
Engenharia
Casa na Vila Mariana com brises galvanizados é sustentada por pórticos transversais
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Situada na Vila Mariana, em São Paulo, esta residência de 440 m² foi projetada do zero pelos arquitetos Eugenio Conte, José Guilherme Carceles e Gabriel Cesar e Santos, do escritório Península Arquitetura, em colaboração com a Sanpo Arquitetura, comandada por Thomas Yano — morador da casa e ex-integrante da equipe da Península. O arquiteto vive ali com os pais, para quem foi idealizado um lar urbano, funcional e repleto de luz natural.

A família decidiu trocar um terreno no interior do estado, cercado por verde, por um lote na capital com 10 metros de largura e 44 de profundidade, marcado por um desnível de três metros entre frente e fundos.

A diferença de cotas foi aproveitada de forma inteligente: o nível mais baixo abriga a garagem e os acessos, enquanto os demais pavimentos concentram os ambientes sociais e íntimos, distribuídos de modo fluido e conectado.

A construção é sustentada por nove pórticos transversais de concreto armado repetidos ao longo do terreno, com pilares embutidos nas alvenarias laterais e vigas aparentes que estruturam a cobertura. Essa solução garantiu liberdade de layout e um percurso visual contínuo pelos espaços.

As fachadas metálicas com brises galvanizados e aletas de PVC cumprem papel essencial no controle solar e conferem caráter marcante à edificação. A lógica estrutural dos pórticos norteou toda a organização interna, respeitando o desnível natural e estabelecendo um gradiente de privacidade entre os pavimentos.

A casa se desenvolve em três níveis — subsolo, térreo e superior —, abrigando garagem para dois veículos, oficina com depósito e lavabo, hall de entrada, estar, jantar e cozinha integrados, sala de banho, área de serviços, sala de TV reversível em quarto, duas suítes, ateliê de costura e elevador, além de pátios internos, churrasqueira e varanda.

A escadaria principal, envolta por um talude ajardinado, conecta a garagem ao hall de entrada, enquanto uma passarela metálica liga o elevador ao mesmo ponto. O paisagismo ao longo do percurso acrescenta frescor e acolhimento logo na chegada.

No pavimento social, a churrasqueira externa, voltada para os pátios, faz parte do conjunto integrado de estar e jantar, favorecendo a convivência. O piso em placas soltas e os tijolinhos vazados, que garantem ventilação e privacidade em relação às casas vizinhas, reforçam o caráter despojado do espaço. O paisagismo, ainda em desenvolvimento, promete acentuar a atmosfera descontraída e convidativa.

Todo o mobiliário foi adquirido especialmente para o novo endereço, com curadoria dos escritórios em parceria com o Atelier Fernando Jaeger. No ambiente social, destacam-se o sofá curvo Bardô, a poltrona Chico, a mesa de jantar Enseada, as cadeiras Nau e o tapete circular ocre; já na área externa, a mesa Vergalhão e as cadeiras Kinzo completam a composição.

A paleta neutra, dominada pelo branco em alvenarias, caixilhos e telhas, amplia a difusão da luz natural e realça a sensação de leveza. Pontos de cor aparecem em móveis e obras de arte, trazendo calor e personalidade sem comprometer a harmonia visual.

Nos materiais e acabamentos, o fulget foi usado na garagem e nas áreas externas, o porcelanato reveste os espaços sociais e molhados, e a madeira aparece nos dormitórios e no deck do spa. O piso aquecido no térreo e o teto em telhas metálicas termoacústicas asseguram conforto térmico. A marcenaria planejada reforça a integração entre função e estética.

De linguagem contemporânea e discreta, a casa se revela aos poucos, com ambientes que se sucedem de forma natural e coerente. O uso de elementos industriais reinterpretados confere personalidade sem rigidez, enquanto a modulação das vigas permite entrada generosa de luz natural, transformando a iluminação em protagonista.

O grande desafio — conciliar um programa extenso em um terreno estreito e inclinado — foi superado com soluções estruturais precisas e uma espacialidade fluida, que traduz o equilíbrio entre racionalidade construtiva e conforto cotidiano.
Engenharia
Impressionante! Sobrado de vila industrial foi construído em terreno estreito de 4m x 18m
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Um casal de triatletas tinha o sonho de morar em uma vila. Ao encontrarem esta casa próxima ao Parque Ibirapuera, em São Paulo, chamaram o escritório RUA 141, comandado pela arquiteta Mona Singal, para o desafio do desenvolvimento do projeto no terreno estreito de 4m x 18m.

A casa geminada existente era muito fragmentada e com pouco aproveitamento dos espaços, pé-direito baixo, escura e com aberturas pequenas. “Tinha uma escada robusta em concreto que era uma ruptura na área social e ocupava grande parte dela”, menciona Mona.

Depois de algumas visitas à casa, os clientes optaram pelo caminho da demolição da construção existente e da execução de uma nova casa. Começava então uma corrida contra o tempo, já que a primeira bebê do casal estava a caminho.

O pedido era uma casa aconchegante e com o estilo industrial, conectada à natureza, onde pudessem reunir os amigos e futuramente os filhos pudessem desfrutar.

“Um dos principais pedidos do casal, foi considerar as cinco bicicletas deles no partido do projeto, para que elas estivessem integradas aos ambientes e ficassem em destaque na casa”, explica a arquiteta.

Uma nova estrutura metálica foi erguida, junto às lajes treliçadas. As paredes estruturais laterais de tijolinhos, que fazem a divisa com as casas vizinhas, foram as únicas mantidas.

A área construída final da casa é de 135 m² e o período de duração da obra foi de um ano e meio. O imóvel é composto por dois volumes conectados por passarelas metálicas e três pavimentos. No centro, fica o jardim com a bela árvore Araçá, cuja função é colaborar com o conforto térmico.

Quintais e jardins lindos para aproveitar e curtir com a família
A integração entre os ambientes no térreo foi fundamental para trazer amplitude para a casa, possibilitando a ventilação cruzada e a entrada de luz natural, já que o terreno é muito estreito.

Por fim, a escada metálica com chapa dobrada e guarda-corpo em chapa perfurada conecta os pavimentos. O piso de madeira Tauari, na paginação espinha de peixe, e os caixilhos em madeira freijó aquecem a composição.

No pavimento superior a circulação linear conecta a suíte master ao quarto e ao banheiro. “Neste eixo criamos a claraboia para trazer a luz natural e um pedaço do céu para dentro da casa”, explica a profissional.
A suíte master fica voltada para a fachada principal, com uma generosa janela de correr.

Subindo a escada fica o rooftop, com acesso feito por uma cobertura metálica com vidro, motorizada e deslizante, possibilitando a entrada da iluminação natural nesta área da escada.

“Desenvolvemos nesse pavimento a área gourmet para receber os amigos e uma área de estar com pufes bem aconchegantes, rodeada pelo paisagismo”, comenta.

Criamos um pequeno oásis cujo perímetro é composto por floreiras. O paisagismo ganha destaque e torna-se o elemento fundamental para criar privacidade em relação às outras casas, além de aproximar os moradores da natureza.
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