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Política

Prisão na Argentina é pior que Papuda, diz fugitivo que zombou de Moraes

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BRASÍLIA, DF (UOL/FOLHAPRESS) – Condenados no Brasil por tentativa de golpe de Estado nos ataques aos Três Poderes e que hoje estão presos na Argentina relataram à reportagem que são vítimas de violações aos direitos humanos em detenções no país vizinho.

Eles se queixam de falta de cuidados médicos, comida insuficiente, sujeira, falta de higiene e ameaça de morte de outros detentos.

Procurados, o governo Javier Milei e o Judiciário argentino não se manifestaram.

Atualmente, cinco fugitivos do 8/1 se encontram presos na Argentina -todos com pedido de extradição e todos solicitantes de refúgio no país vizinho. O caso deles deve ser julgado neste mês. Eles chegaram a ser presos no Brasil, mas fugiram do país, como revelou o UOL. Na Argentina, foram presos de novo por ordem da Justiça.

SEM DIREITOS HUMANOS, DIZ MOTOQUEIRO

O motoqueiro Wellington Luiz Firmino, 35, é um deles. Condenado a 17 anos no Brasil, foi preso na Argentina em 18 de novembro, dias após zombar do pedido de extradição feito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Detido no Complexo Penitenciário de Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires, Firmino falou com a reportagem no final de março por meio de telefone fixo da carceragem. Ele disse que passou os primeiros 49 dias numa carceragem da província de Jujuy, no noroeste argentino, perto de onde foi detido tentando fugir para o Chile com um grupo de brasileiros que teve sucesso na empreitada.

“Meus 49 dias preso [na carceragem de Jujuy] foram mil vezes piores do que meus 11 meses na Papuda [penitenciária em Brasília]”, afirmou o motoqueiro.

“Um lugar que não tem o mínimo de direitos humanos”, reclamou Firmino. “Era uma cela solitária, que não tinha banheiro, tinha apenas um buraco no chão e uma canequinha pra tomar banho, um fiozinho d’água que você não tem noção do que era… Pernilongo para todo lado.”

Em 6 de janeiro, Firmino foi transferido da carceragem de Jujuy para o Complexo Penitenciário de Ezeiza. Lá, está preso com os outros brasileiros condenados por tentativa de golpe de Estado em uma espécie de “residência” com dois quartos, sala, cozinha, geladeira e TV aberta. Os outros detentos são Joelton Gusmão, Joel Borges e Rodrigo Ramalho.

Firmino relata ter machucado o braço em um acidente de moto, o que, segundo ele, resultou na colocação de pinos de metal. Ele diz que precisa fazer uma cirurgia, mas que a penitenciária não libera o atendimento. “Estou com o meu braço direito sem força, com dor constante.”

SEM BANHO DE SOL

O entregador de aplicativo Rodrigo Ramalho lesionou o menisco do joelho e rompeu os ligamentos na cadeia em Ezeiza ao sofrer um tombo, segundo relatou à reportagem.

Condenado no Brasil, ele fugiu com esposa e filhos para a Argentina. Em carta enviada da prisão à Asfav (associação de famílias de investigados do 8 de Janeiro) em 21 de março, Ramalho narrou que não consegue fazer nem um raio-x.

“Faz um mês [que houve a lesão] e sequer tiraram o raio-x. Estou aguardando ressonância, raio-x, fisioterapia e consulta com ortopedia”, escreveu ele. Antes de chegar a Ezeiza, Rodrigo diz ter ficado detido em uma delegacia em La Plata, na região de Buenos Aires, sem acesso a banho de sol e alimentação. Ele estava no mesmo local com Joelton Gusmão.

“Passei 53 dias trancado em uma cela sem sol, sem comida, sem cuidados médicos. Só com a ajuda da família […] Me sinto abandonado, esquecido em um país estrangeiro”, contou o entregador em carta escrita da prisão.

Já o caminhoneiro Joel Borges, 46, contou à reportagem que tomava banho a cada cinco dias em uma carceragem da província de San Luiz, numa “cela de 2 m x 1,40 m, uma casinha de cachorro”.

DETENTA DIZ TER SIDO ROUBADA NA CADEIA

Da cadeia, a analista de marketing Ana Paula de Souza, 36, contou à reportagem por telefone que sente dores diárias nas mamas. Segundo relatórios de três médicos, ela retirou nódulos benignos dos seios em 2022 e, desde o ano seguinte, foi diagnosticada com doença autoimune crônica chamada tireoidite de Hashimoto.

Ana Paula precisa tomar medicação constante e necessita de avaliação da dosagem hormonal de tempos em tempos, segundo os profissionais de saúde que cuidaram dela no Brasil.

Ela também contou à reportagem que não consegue atendimento médico para as dores diárias e que a penitenciária não permite que ela faça exames, mesmo que ela pague do seu bolso. A família providencia os hormônios que deve tomar regularmente.

“O diclofenaco [analgésico] ameniza as pontadas, mas não resolve”, disse. “E uma pessoa normal não tem que tomar remédio para dor todos os dias da vida, né? Fico preocupada porque eu já tive nódulos [nos seios], já fui operada.”

Condenada no Brasil, ela foi presa em 28 de novembro na Argentina. Ana Paula esteve numa primeira ala da Penitenciária Feminina de Ezeiza durante três meses. “Já aconteceu de roubarem coisas minhas: roupas, comida, créditos de telefone.”

Sem dar detalhes, Ana Paula disse que, nessa ala, foi ameaçada de morte por uma detenta que ela julga que estava sob efeito de drogas. A segunda intimidação partiu de outras duas presidiárias, uma delas processada por assassinato.

Dias depois das ameaças, Ana Paula diz que teve uma crise de pânico e desmaiou. Relatou que foi levada ao centro médico da penitenciária, onde ficou três dias. Ela foi retirada dali e levada a uma segunda ala.

A Justiça negou a soltura de Ana Paula, argumentando haver perigo de fuga. A defesa dela pretende recorrer e alega que a legislação local impede extradição em caso de perseguição política. “Essas pessoas não são delinquentes comuns: são perseguidos políticos”, defendeu o advogado Pedro Gradin. Já a Promotoria da Argentina entende que não há dúvidas de que os cinco fugiram do Brasil e que há provas robustas dos crimes cometidos.

Gradin, advogado de Ana Paula e Borges, afirmou que a situação carcerária na Argentina é de colapso. “Há pessoas que necessitam de assistência médica e passam meses sem ter consultas”, disse ele, citando informações da Procuradoria Penitenciária Nacional, órgão independente do Legislativo.

FALTA COMIDA, DIZEM PRESOS

Ana Paula, Ramalho e Firmino também denunciam falta de comida na cadeia. Eles dizem que pedem que amigos e familiares comprem comida e levem a eles. No dia da entrevista à reportagem, Firmino contou que recebeu apenas uma porção de macarrão com molho de tomate. O prato de Rodrigo Ramalho teria só ervilhas. Como tinha estoque de comida adicional, Firmino disse que apelou a um ovo de galinha.

“É um puré e um pedaço de frango, mas é muito pequeno”, exemplifica Ana Paula. Outro tipo de prato: “uma salada e uma carne”, diz ela. Segundo eles, os presidiários recebem apenas duas refeições, o almoço e o jantar. No café da manhã, costuma ser servido apenas um chá mate, de acordo com Firmino.

Firmino disse que ele, Ramalho, Borges e Gusmão não estudam nem trabalham porque são proibidos. Também não fazem atividades físicas por falta de interesse e problemas de saúde. O único livro da casa é uma Bíblia. O grupo só se anima para ver filmes na TV, que passam entre 1h e 2h30.

SERVIÇO PENITENCIÁRIO NÃO COMENTA

Todos os condenados nos ataques do 8 de Janeiro negam os crimes.

A Asfav afirma que não se tratou de tentativa de golpe de Estado, apenas vandalismo. Além disso, diz que nem todos cometeram crimes patrimoniais.

Procurado, o SPF (Serviço Penitenciário Federal) do Ministério da Segurança Nacional da Argentina não prestou esclarecimentos à reportagem. A assessoria afirmou que as perguntas deveriam ser direcionadas ao Judiciário. A reportagem reiterou as perguntas por meio da Lei de Acesso à Informação da Argentina. A Procuradoria Penitenciária Nacional também não comentou, assim como a 3ª Vara Federal Criminal, que ordenou as prisões dos brasileiros.



Fonte: Notícias ao Minuto

Política

Mario Frias direcionou verba pública a produtora de filme sobre Jair Bolsonaro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.

As informações foram divulgadas primeiro pelo portal The Intercept Brasil e confirmadas pela reportagem.

Uma das pessoas envolvidas na produção é o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. A reportagem teve acesso ao roteiro do filme, que contém a informação de que ele é baseado “em uma história real escrita por Mario Frias intitulada ‘Capitão do Povo'”.

Frias foi responsável pela aprovação de duas verbas de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”.

Procurados, Mario Frias e o Instituto Conhecer Brasil não se manifestaram até a publicação deste texto.

Os repasses de emenda parlamentar foram de R$ 2 milhões ao todo. No ano passado, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital. Via Ministério dos Esportes, o ICB foi contratado por R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais.

No passado, a instituição foi autorizada a captar recursos para executar projetos ligados ao mundo evangélico, como “A Turma do Smilinguido no Teatro” e um festival itinerante da Marcha para Jesus, mas não conseguiu levantar fundos em ambos os casos.

Mas o contrato de valores mais expressivos foi com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital paulista. A instituição foi contratada pela prefeitura para instalação de 5.000 pontos de wi-fi no valor de R$ 108 milhões.


Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi realizada “por meio de chamamento público transparente e sem contestações”.

Segundo a prefeitura, “a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026”.

O valor total da parceria é de R$ 108 milhões, mas os repasses realizados até o momento são de, aproximadamente, R$86 milhões, que correspondem aos serviços já executados.

O filme “Azarão”, ou “Dark Horse” no título original, narra os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista.

O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conversador em 2023.

PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL

Operação que atinge aliados de Bolsonaro investiga recursos públicos de cotas parlamentares; Jordy chama ação policial de ‘covarde’; Sóstenes é líder do PL na Câmara dos Deputados

Folhapress | 08:20 – 19/12/2025



Fonte: Notícias ao Minuto

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PF apreende R$ 430 mil em dinheiro vivo na casa de líder do PL Sóstenes Cavalcante

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A Polícia Federal (PF) apreendeu um total de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) em uma operação realizada nesta sexta-feira, 19, para apurar desvios na cota parlamentar.

A investigação suspeita que o deputado, que é líder do PL na Câmara, fez repasses para uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos da Casa. Ele ainda não se manifestou sobre o caso.

No endereço onde o parlamentar vive em Brasília, em um flat, os investigadores encontraram no armário uma sacola preta cheia de notas de R$ 100, que foram contabilizadas e apreendidas sob suspeita de serem provenientes do desvio de recursos públicos.

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão, mas não foi encontrado dinheiro vivo em seu endereço. Jordy afirmou em uma rede social que fez pagamentos à empresa suspeita de desvios com o objetivo de aluguel de carros desde o início do seu mandato e classificou a ação de “pesca probatória”.

PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL

Operação que atinge aliados de Bolsonaro investiga recursos públicos de cotas parlamentares; Jordy chama ação policial de ‘covarde’; Sóstenes é líder do PL na Câmara dos Deputados

Folhapress | 08:20 – 19/12/2025



Fonte: Notícias ao Minuto

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PF faz buscas contra Sóstenes e Jordy, deputados do PL

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (19) mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo pessoas com conhecimento da ação, a operação da PF não ocorre nos gabinetes parlamentares de Sóstenes e Jordy. Os sete mandados, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

O objetivo da operação é aprofundar investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.

“De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, disse a PF.

Jordy publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a ação de “covarde”. Segundo ele, a justificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carrros.

“Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que eu acredito que também esteja sendo alvo de busca e apreensão, aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele. A alegação deles é tosca, eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos desta empresa”, disse.

Câmara cassa mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem

A medida foi oficializada durante a tarde em edição do Diário Oficial da Casa

Folhapress | 05:30 – 19/12/2025



Fonte: Notícias ao Minuto

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