Tecnologia
Especialistas cobram monitoramento contra conteúdo nocivo a crianças nas redes
SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Aos 8 anos, Sarah Raíssa Pereira de Castro morreu no Distrito Federal após fazer o desafio do desodorante. O caso é registrado na esteira da morte de outras crianças que repetiram práticas disseminadas pela internet, como a do adolescente da Bahia que injetou líquido com restos de uma borboleta amassada, em fevereiro.
As tragédias levantam discussão sobre regulação das plataformas, o uso de redes sociais pelos mais novos e a responsabilidade da família em relação ao controle do conteúdo consumido por eles.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, uma das principais dificuldades é limitar a presença de menores de 13 anos nas redes sociais. Na maioria das plataformas, usuários precisam apenas autodeclarar suas idades, o que torna mais fácil o acesso a esse tipo de conteúdo nocivo.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que desenvolve uma ferramenta de verificação etária para limitar o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos que não condizem com a indicação da sua faixa etária.
Ainda sem modelo definido, a proposta prevê o uso de um token anônimo, gerado pelo governo e vinculado aos dados oficiais do cidadão. O código seria inserido em aplicativos de celular para comprovar a faixa etária do usuário, sem violar a privacidade.
Além da verificação etária, o governo elabora um projeto de lei para responsabilizar provedores de internet, e prevê a criação de um canal digital unificado para denúncias de violência online até o fim do ano.
Questionada sobre a atuação das redes sociais na remoção de conteúdo envolvendo crianças e adolescentes, a secretária de Direitos Digitais da pasta, Lilian Cintra de Melo, afirmou que há cooperação por parte de todas as plataformas nesses casos.
“Quando se trata de crianças e adolescentes, há um consenso. Algumas colaboram mais, outras menos, mas todas colaboram”, disse.
Na pasta, o Ciberlab realiza o monitoramento de inteligência de redes sociais e grupos de mensagens abertos para entender não só o tipo de conteúdo que está circulando, mas também as tendências.
Quando é detectada a prevalência de conteúdo extremista voltado à violência na rua ou a automutilação, explica a secretária, a polícia local pode ser acionada para que o assunto seja tratado tanto do ponto de vista de persecução penal quanto de prevenção.
Ainda em investigação, o caso de Sarah, morta do último domingo (13), ainda não foi esclarecido. Também não foi comprovada em qual rede social a criança assistiu ao desafio. O celular usado por ela foi encaminhado para a perícia, e o delegado à frente do caso, Walber José de Sousa Lima, afirma que tenta identificar quem criou esse conteúdo e quem o replicou.
Lima diz que, se encontrados, os responsáveis podem responder pelo crime de homicídio duplamente qualificado, com penas de até 30 anos de reclusão.
Para a juíza Vanessa Cavalieri, que há dez anos atua à frente da Vara da Infância e Juventude no Tribunal de Justiça do Rio, o caso de Sarah demonstra a necessidade de moderação ativa de conteúdo nas redes sociais, ou seja, funcionários contratados para monitorar e excluir conteúdos danosos.
“Ao contrário de conteúdos explicitamente violentos, esses desafios são postados como se fossem brincadeiras e coisas divertidas. É muito mais difícil um algoritmo automatizado detectar que se trata de um conteúdo perigoso”, diz ela que acredita que o momento demanda a retomada da discussão de aprovação do projeto de lei que regulariza as redes sociais, que já foi aprovado no Senado.
“[O projeto] vai tornar o ambiente digital um pouco menos perigoso e responsabilizar as redes. No momento que as big techs forem condenadas a pagar indenização, elas vão começar a investir em segurança”, afirma.
Ela cita que mortes causadas por desafios em plataformas são registradas há três anos. “Isso não é novidade, mas as big techs não tomam nenhuma providência para tirar isso do ar”, diz a juíza, que cita que também é preciso evitar que menores de 13 anos usem redes inadequadas para suas idades.
Cavalieri ainda orienta que pais e responsáveis precisam vigiar as atividades online. “Redes não são seguras para crianças estarem sozinhas e desacompanhadas”, afirma. “O trabalho é coletivo, é uma corresponsabilidade das famílias, dos governos e também das big techs.”
Pesquisadora do grupo Violência em Tempos Sombrios, do NEV (Núcleo de Estudos da Violência da USP), Luka Franca aponta um outro elemento para entender o comportamentos dos jovens: a pressão e até chantagem nas “panelas”.
No início do ano, ela estudou o caso de uma jovem que se automutilava em decorrência de um desafio online. Ao analisar o caso, foi descoberto que a jovem se cortava para enviar imagens para outro adolescente com medo que os dados da sua família fossem vazados nas redes.
“É preciso olhar sempre muito bem para quais plataformas usam e quais relações estão estabelecidas”, afirma a pesquisadora.
Diretora da Safernet, Juliana Cunha cita que um estudo recente realizado pela ONG com a organização Fiquem Sabendo mostra que menos da metade das redes estaduais de ensino médio no Brasil tem disciplina exclusiva sobre uso seguro e consciente de tecnologias.
Porém, ela pondera que as redes sociais têm poder significativo no problema, mas fazem parte de um ecossistema.
“Quando focamos apenas as redes, perdemos a figura maior. Para adolescentes com predisposição para sofrimentos como depressão, a internet pode ser um gatilho para a automutilação. Mas não são só as redes, são fatores ambientais, culturais, sociais e familiares”, diz.
SAIBA COMO MANTER CONSUMO SAUDÁVEL DE REDES COM OS FILHOS
Dados têm como base o Guia Sobre Uso de Dispositivos Digitais do governo federal
Controle o uso e o tempo de crianças com as telas
Usos problemáticos ou excessivos de dispositivos digitais por crianças e adolescentes estão associados a diversos atrasos no desenvolvimento cognitivo, emocional e da linguagem, bem como a problemas de saúde e sofrimento mental
Reduza o seu tempo de tela
O uso precoce e excessivo de dispositivos digitais por crianças e adolescentes é o uso excessivo por parte dos adultos, que são modelos e referências de comportamento
Escolha bem o tipo de dispositivo que seu filho vai usar
Decisões sobre o uso de dispositivos digitais nos ambientes familiares ou escolares devem sempre levar em conta os direitos à proteção integral, melhor interesse, a autonomia progressiva e a participação de crianças e adolescentes.
Dispositivos com moderação e aos poucos
O uso de dispositivos digitais deve se dar aos poucos, conforme aumenta a autonomia da criança ou adolescente. Por exemplo, até dois anos não é recomendado uso de telas
Direito a privacidade
Todos aqueles para os quais a legislação brasileira prevê responsabilidade compartilhada sobre crianças e adolescentes devem colaborar para a garantia do direito à privacidade (interpessoal, institucional e comercial) de tais sujeitos, na relação com o ambiente digital
Tecnologia
Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo. Mas quanto paga a engenheiros?
O trabalho da Nvidia no desenvolvimento de chips de Inteligência Artificial lhe garantiu o status de empresa mais valiosa do mundo, com um valor estimado em 4,56 trilhões de dólares.
Com a ascensão meteórica da companhia nos últimos anos, torna-se especialmente interessante entender como a Nvidia busca reter e atrair talentos por meio de compensações financeiras.
Como informa o site Business Insider, a Nvidia não divulga os salários de seus funcionários, o que faz com que seja possível ter apenas uma estimativa a partir de documentos enviados ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos para a solicitação de vistos H-1B — um tipo de visto que permite que empresas norte-americanas contratem profissionais estrangeiros altamente qualificados.
A partir desses documentos, é possível observar que o salário-base de um engenheiro de software na Nvidia varia entre US$ 92 mil e US$ 425,5 mil por ano. Já os cientistas de pesquisa recebem entre US$ 104 mil e US$ 431,25 mil (cerca de 87.574 a 363.254 euros) anuais. Um gerente de produto, por sua vez, pode ganhar entre US$ 131.029 e US$ 379.500 (aproximadamente 110.369 a 319.664 euros) por ano.
É importante destacar que esses valores não incluem bônus nem participação acionária, o que significa que a remuneração total pode alcançar patamares significativamente mais altos.
A “guerra por talentos” entre as gigantes da tecnologia nos Estados Unidos se intensificou nos últimos anos, com a área de Inteligência Artificial se tornando um verdadeiro campo de batalha, no qual empresas como Meta, OpenAI, Google, Microsoft, Amazon e Apple, entre outras, disputam os principais especialistas do setor.
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Tecnologia
Apesar de lucros recorde, líder da Apple admite preocupação com 2026
Apesar do tom positivo da mais recente apresentação de resultados da Apple, o CEO Tim Cook admitiu, durante o evento, que o ano de 2026 pode ser desafiador devido ao aumento no preço da memória RAM.
Vale lembrar que esses componentes estão cada vez mais disputados por empresas de tecnologia que investem no desenvolvimento de infraestrutura para o treinamento de modelos de Inteligência Artificial.
Embora o aumento da demanda por esses componentes não tenha afetado as margens de lucro da Apple no último trimestre, Cook afirmou que o tema pode se tornar uma preocupação maior nos próximos meses.
“Continuamos observando um aumento significativo nos preços de mercado da memória”, afirmou o CEO da Apple, segundo o site Business Insider. “Como sempre, vamos analisar diversas opções para lidar com isso. Há algumas alavancas que podemos acionar. Não sabemos se serão bem-sucedidas, mas temos várias alternativas à disposição.”
Lucros recordes impulsionados pelo iPhone
A Apple divulgou na quinta-feira um lucro trimestral de 42 bilhões de dólares, o que representa um crescimento anual de 16%. O iPhone, principal produto da empresa, alcançou um recorde histórico de vendas.
Os dados financeiros, divulgados após o fechamento de Wall Street, mostram uma receita recorde de 143,756 bilhões de dólares, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelas vendas do iPhone, que cresceram 23%, chegando a 85,269 bilhões de dólares.
“O iPhone teve seu melhor trimestre graças a uma demanda sem precedentes, com recordes em todas as regiões geográficas, e o segmento de Serviços também alcançou uma receita recorde”, afirmou Tim Cook em comunicado.
Durante a videoconferência sobre os resultados, Cook atribuiu a “extraordinária” demanda ao iPhone 17 e às versões Pro e Pro Max, destacando que a linha apresenta o melhor desempenho, o sistema de câmeras mais avançado e maior leveza já vistos.
A receita com produtos da Apple — incluindo iPhone, Mac e iPad — totalizou 113,743 bilhões de dólares, enquanto a área de Serviços, que engloba App Store, iCloud e Apple Music, alcançou 30 bilhões de dólares.
Cook também destacou que há mais de 2,5 bilhões de dispositivos da Apple ativos em todo o mundo.
Geograficamente, todas as regiões registraram crescimento nas vendas. Na China e em mercados próximos, como Taiwan e Hong Kong, o aumento foi de 38%. Nas Américas, que concentram a maior parte das vendas, a alta foi de 11%.
Ao final do exercício fiscal de 2025, encerrado em outubro — já que o ano fiscal da empresa não coincide com o ano civil —, a Apple registrou crescimento anual de 19% no lucro, que atingiu 112 bilhões de dólares, sustentado por um aumento de 6% na receita, que chegou ao patamar inédito de 416 bilhões de dólares.
Atualmente, a Apple possui a terceira maior capitalização de mercado do mundo, avaliada em 3,8 trilhões de dólares.
Leia Também: Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam
Fontes: Notícias ao Minuto
Tecnologia
Por que Plutão não é mais planeta? Como as classificações na astronomia funcionam
Durante séculos, desde que o Sol foi declarado o centro do sistema solar no século XVI, a sociedade manteve a crença de que qualquer objeto orbitando a estrela brilhante seria considerado um planeta. De Mercúrio a Plutão, todo corpo celeste considerado grande o suficiente foi incluído nessa categoria.
Mas, com o tempo, essa categorização tornou-se confusa, especialmente à medida que ficou claro que nem todos os “planetas” são iguais. A astronomia mudou significativamente desde então, e até mesmo Plutão viu seu status de planeta rebaixado a um mero planeta anão. Mas o que exatamente é isso? E o que é necessário para que um planeta seja incluído nessa categoria? Clique nesta galeria para descobrir.
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