Arquitetura
A Casa do Poeta / Next Office–Alireza Taghaboni

Descrição enviada pela equipe de projeto. A Casa do Poeta, projetada pelo Next Office, consiste na restauração e reutilização adaptativa da antiga residência do poeta iraniano e dissidente Ahmad Shamlou, transformando-a em um centro cultural no centro de Teerã. Ao preservar a fachada original em tijolos e a estrutura existente, o projeto introduz uma intervenção espacial ao longo de uma parede do segundo pavimento, na qual é exibido um poema manuscrito de Shamlou. Esse elemento é ampliado como uma espinha dorsal conceitual e semi-estrutural, convertendo-se em um percurso tridimensional que abre a casa para a cidade. Por meio dessa estratégia, o antigo pátio privado transforma-se em um espaço público aberto, convidando os visitantes a entrar em contato com a vida, o pensamento e o legado do poeta.
O cliente — um devoto de Ahmad Shamlou — buscou preservar a antiga residência do poeta e transformá-la em um espaço público dedicado à celebração de seu legado literário e político. Shamlou, poeta profundamente engajado, foi repetidamente preso em razão de suas posições críticas e permaneceu uma figura controversa mesmo após sua morte, tendo sua lápide sido vandalizada diversas vezes por apoiadores do governo.
A casa, por si só, era um edifício de tijolos em estado de abandono, com cantos arredondados e vergas expressivas, características da arquitetura de Teerã na década de 1970. O programa proposto incluía áreas expositivas, biblioteca, livraria, café e restaurante, concebidos como um centro de encontro para escritores e leitores de Ahmad Shamlou, além de um percurso urbano informal dedicado à sua vida e obra.
A estrutura de tijolos responsável pela sustentação das cargas exigia reforço. Em vez de ocultar essa necessidade, ela foi transformada em um elemento arquitetônico-estrutural central. Uma nova parede de aço foi projetada ao longo da face interna, inscrita com um poema manuscrito de Ahmad Shamlou dedicado à sua esposa e musa, Aida Shamlou — parede que passou a ser conhecida no projeto como a “Parede de Aida”.
Essa intervenção atravessa o edifício e se eleva do pátio até a cobertura, sobrepondo-se à estrutura existente para dramatizar uma tensão permanente entre o antigo e o novo, ecoando o espírito rebelde de Ahmad Shamlou e sua relevância na história cultural do Irã.
O aço foi escolhido por sua capacidade de envelhecer e por sua resposta formal, permitindo cortes, irregularidades, oxidação e dobras. O projeto foi concebido de modo que a nova estrutura metálica possa, no futuro, ser removida, mantendo o edifício original intacto. Dessa forma, a intervenção desafia e transforma, sem apagar, a memória que busca homenagear.
Fonte: Archdaily