Arquitetura
Águas que curam: o poder das fontes naturais de Caxambu, em Minas Gerais

No coração da Serra da Mantiqueira, entre neblinas suaves e colinas esmeraldas, repousa Caxambu, um tesouro mineiro que há séculos preserva o que a natureza tem de mais raro: a maior concentração de águas minerais carbogasosas do mundo. Com um parque de mais de 200 mil m² e 12 fontes de propriedades terapêuticas comprovadas, a cidade tornou-se símbolo do bem-estar, da tradição e do turismo de cura no Brasil. O que ali brota não é apenas água, mas memória líquida que conecta o corpo ao sagrado.
É no Parque das Águas Dr. Lisandro Carneiro Guimarães que pulsa o coração mineral de Caxambu. Tombado como patrimônio pelo IEPHA-MG, o complexo abriga fontes singulares, pavilhões do século XIX, esculturas ornamentais e um gêiser natural — o único do Brasil — que jorra com majestade três vezes ao dia. Cada fonte ali tem um nome, uma composição específica e uma vocação curativa, criando um mapa terapêutico que atrai viajantes, médicos, fiéis e curiosos.
Não é exagero dizer que Caxambu vive da fé em suas águas. A Fonte Princesa Isabel, por exemplo, ganhou notoriedade após um episódio que entrelaça ciência e monarquia: em 1868, a herdeira do trono, adoentada por um quadro severo de anemia, teria se curado após um tratamento com aquela água ferruginosa. O fato foi registrado em diários imperiais e resultou na doação de uma igreja à cidade — a belíssima Igreja de Santa Isabel da Hungria — construída como gesto de gratidão da Família Real.
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Berço da maior fonte de água carbogasosa do mundo, a cidade mineira de Caxambu revela uma experiência que mistura saúde, tradição e contemplação
Getty Images
Essa história atravessa os séculos como um marco da reputação da cidade. Com o tempo, médicos e pesquisadores passaram a visitar Caxambu para estudar os efeitos das águas em tratamentos de fígado, rins, estômago, pele e até distúrbios emocionais. A Fonte Dom Pedro, rica em gás natural e fluoretada, é usada até hoje por quem busca alívio digestivo. Já a Fonte Beleza é a queridinha das estetas, por seus efeitos calmantes e rejuvenescedores sobre a pele.
Entre os destaques, o Gêiser Floriano de Lemos rouba a cena. Alimentado apenas por pressão natural do gás carbônico, ele irrompe em jatos de até oito metros, cercado por palmeiras-imperiais e bancos de ferro ornamentado. O espetáculo, que parece cenográfico, é uma verdadeira obra geológica em movimento — e, não raro, emociona os visitantes. Muitos descrevem a experiência como um batismo, uma conexão ancestral com a terra.
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Igreja de Santa Isabel da Hungria, construída como gesto de gratidão da Família Real
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Mas o que diferencia Caxambu de outras estâncias hidrominerais não é só a composição rara de suas águas. É a forma como a população se relaciona com esse patrimônio. Em 2024, a tradição de coletar água nas fontes foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade. É comum ver moradores, desde cedo, com garrafões de vidro em carrinhos, refazendo diariamente os mesmos rituais de seus avós.
Chafariz na praça principal de Caxambu, Minas Gerais
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O belo lago de Caxambu, Minas Gerais
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Essa ritualística da água transforma o ato do consumo em experiência sensorial. Cada fonte tem temperatura, gosto e aroma próprios. Algumas são levemente sulfurosas, outras têm sabor metálico; há aquelas com toque ácido e até as que lembram espumantes naturais, sem jamais terem passado por engarrafadoras. É como se cada gole revelasse uma camada diferente da geologia subterrânea e da história humana.
Além da tradição oral e da devoção cotidiana, a ciência também respalda os poderes dessas fontes. Estudos realizados por universidades mineiras e pela Secretaria de Saúde do Estado confirmam propriedades diuréticas, alcalinizantes, desintoxicantes e anti-inflamatórias em muitas das águas. Em um mundo que redescobre os rituais do autocuidado, Caxambu ressurge como uma estação de reconexão corpo-terra-alma.
Um pequeno rio no parque aquático hidromineral público de Caxambu, Minas Gerais
Getty Images
O parque oferece ainda banhos de imersão, duchas escocesas, saunas e terapias complementares com profissionais especializados. Tudo emoldurado por jardins de inspiração francesa e caminhos sinuosos, convidando ao silêncio e à introspecção. Em vez de parques temáticos ou shoppings, Caxambu aposta em uma ideia rara: o luxo do tempo desacelerado, do bem-estar mineral, do descanso que cura.
Vista aérea do parque aquático público de Caxambu, Minas Gerais
Getty Images
A cidade também guarda joias arquitetônicas do século XIX, como o Cassino do Parque, construído em 1911, e o Hotel Glória, ícone do turismo de elite da era pré-Brasília. Ainda que discretamente, Caxambu tem voltado ao mapa do turismo sofisticado, com pousadas charmosas, experiências gastronômicas autorais e um novo olhar sobre o turismo de experiência e saúde.
Mais do que um destino, Caxambu é um portal para um Brasil que ainda guarda silêncios, que valoriza a herança da terra, que entende o luxo como algo que borbulha de dentro para fora. Um lugar onde a água cura, sim — mas também emociona, transforma, acolhe. E isso, talvez, seja seu maior milagre.
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Fonte: Casa Vogue
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Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18

A imperatriz austríaca Maria Theresa (1717-1780), uma das monarcas mais amadas e com o reinado mais longo da Europa, foi homenageada com um navio de cruzeiro de luxo. Com decoração inspirada no século 18, a embarcação foi nomeada como “Melhor Novo Navio Fluvial” pelos editores do Cruise Critic em sua temporada inaugural. Os preços para viagens de uma semana variam de 2.080 a 13.849 euros (R$ 13 mil a R$ 86 mil, em valores convertidos na cotação atual), variando de acordo com o tipo de acomodação.
O SS Maria Theresa, com trajeto pelos rios Danúbio e Meno, tem a configuração de suas acomodações alterada a cada ano. A capacidade é de 150 hóspedes e 55 tripulantes. Para 2026, a embarcação conta com uma Grand Suite, 10 suítes e 64 cabines, todas com camas Savoir da Inglaterra feitas sob encomenda, lençóis de cetim de algodão personalizados e edredons europeus. Além disso, os viajantes contam com um menu de opções de travesseiros e banheiros revestidos de mármore.
Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18
Uniworld/Divulgação
A Grand Suite tem 38 m², conta com quarto, sala de estar espaçosa separada, banheiro com chuveiro de efeito chuva e banheira, além de área privativa para vaso sanitário e bidê. Entre as comodidades, há o serviço de mordomo, café da manhã no quarto, frigobar completo, além engraxate e serviço de lavanderia gratuito.
Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18
Uniworld/Divulgação
As suítes convencionais tem 28,3m², vista para o rio e varanda privativa com janelas do chão ao teto. Banheiro em mármore, aquecedor de toalhas, serviço de mordomo na suíte, café da manhã no quarto, engraxate e serviço de lavanderia gratuito estão entre as comodidades. Já as cabines clássicas têm 15 m² e janelas localizadas na linha d’água.
Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18
Uniworld/Divulgação
Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18
Uniworld/Divulgação
Por dentro de navio de cruzeiro com decoração inspirada no século 18
Uniworld/Divulgação
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Uniworld/Divulgação
Fonte: Casa Vogue
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