Arquitetura
Ampliação da Residência Whitberry / Pend Architects

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- Área:
408 m²
Ano:
2024
Fabricantes: Archispek, Uni-win

Descrição enviada pela equipe de projeto. A Pend concluiu a sensível reforma e ampliação de Whitberry, uma casa de fazenda georgiana classificada como Grau B em East Lothian, na Escócia. Trabalhando lado a lado com os clientes — que também atuaram como gerentes do projeto —, o escritório de arquitetura sediado em Leith unificou a fragmentada fachada posterior e fez intervenções discretas no térreo para apoiar a vida familiar contemporânea. Em contraste com a charmosa fachada frontal cor-de-rosa, o fundo de Whitberry revela uma curiosa colagem de acréscimos históricos e um tanto aleatórios, marcados por arenito avermelhado e alvenaria, cada qual registrando as técnicas construtivas de sua época. Essa natureza arbitrária das ampliações ao longo dos anos havia resultado em um interior compartimentado e pouco funcional, obrigando a família a atravessar vários cômodos para chegar ao jardim.


Como parte da proposta arquitetônica, a Pend projetou uma extensão cheia de personalidade, consolidando a fachada posterior e criando uma ligação visual e física entre interior e exterior. De linguagem claramente contemporânea, uma parede de pedra frisada interrompe a narrativa histórica, dando lugar a painéis de vidro do piso ao teto com portas de correr em madeira de cerejeira e um discreto canto com junção vidro a vidro.

A nova extensão traz equilíbrio visual à fachada posterior, unificada por uma faixa horizontal de concreto claro que amarra os acréscimos históricos. Abaixo, um muro pré-moldado em tom rosado, projetado pelos arquitetos, dá continuidade à história das intervenções em alvenaria, refletindo os materiais e técnicas de sua época. A coloração avermelhada do novo revestimento faz referência de forma lúdica ao arenito e ao tijolo típicos de East Lothian, enquanto seu formato frisado ecoa o padrão ondulado do telhado vizinho.

Atrás da faixa de concreto, o envidraçamento contemporâneo recua para encontrar a parede original de pedra da casa — um gesto estratégico para preservar a entrada de luz pela janela da escada. Essa junção de vidro se alinha à alvenaria, que continua para dentro da cozinha, mantendo o diálogo silencioso entre a nova extensão e a construção antiga. No exterior, o recuo criou um pequeno pátio coberto por um pergolado de madeira.

Antes localizada no centro da planta, a cozinha original ficava isolada do jardim e contava apenas com uma pequena janela voltada para o norte. O espaço, escuro e estreito, era motivo de frustração para a família, que desejava um ambiente amplo, iluminado e com acesso direto ao exterior. Na análise inicial, a Pend identificou zonas privadas, sociais e de serviço, e trabalhou junto aos clientes para criar um plano coeso. Sem perder a distinção funcional, os arquitetos deram mais ênfase às áreas sociais, especialmente sala de jantar e cozinha, ampliando-as e reorganizando-as para estimular a convivência e melhorar a fluidez entre os espaços.


Agora localizada na nova extensão posterior, a cozinha tornou-se o coração da casa: aberta, social e enquadrada por vistas duplas para o jardim e o pátio. O conforto é reforçado pelo aquecimento de piso em todo o térreo, alimentado por uma bomba de calor a ar, um sistema eficiente também para aquecimento de água. Como a fachada posterior é voltada para o norte, a Pend buscou maximizar a entrada de luz natural: um amplo domo envidraçado leva iluminação profunda à cozinha, enquanto uma grande abertura interna permite que ela se espalhe até a sala de jantar, criando continuidade visual e espacial. Uma porta camuflada na marcenaria conduz aos espaços de serviço — lavanderia e hall de botas — que funcionam como transição prática entre a casa principal e o anexo, hoje alugado como Airbnb.

A Pend abordou o projeto de forma holística, dedicando tempo para entender a rotina da família. Embora não seja mais uma fazenda em atividade, a casa, com três crianças pequenas e vários cães, recebe movimento constante tanto pela frente quanto pelos fundos. Observar como os moradores realmente utilizavam o espaço ajudou a definir aberturas externas e áreas de armazenamento, evitando que botas enlameadas e equipamentos esportivos atravessassem as áreas de convivência. Como em toda propriedade histórica, a intervenção foi conduzida com sensibilidade e cuidado, apresentando um sólido argumento para aprovação do planejamento. O resultado é uma extensão ao mesmo tempo contemporânea e enraizada no contexto, algo original e novo, mas intimamente conectado ao que já existia.

Ben MacFarlane, associado da Pend Architects, comenta: “Whitberry nos deu a oportunidade de nos tornarmos a mais recente parte da história de um edifício especial. Começamos analisando o que dava à propriedade existente tanto caráter e charme, para aprendermos como preservar e potencializar isso com nossas próprias intervenções. Acreditávamos fortemente que nossos projetos, assim como as ampliações anteriores, deveriam ser contemporâneos e refletir as tecnologias construtivas de seu tempo. Com clientes confiantes e colaborativos, ampliamos os limites do que poderia ser feito e criamos uma solução lúdica e contextual para a fachada posterior, que convive harmoniosamente com suas predecessoras e sustenta um estilo de vida familiar moderno.”

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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