Arquitetura
Apartamento Cenourão / Orlando Denardi

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- Área:
125 m²
Ano:
2024

Descrição enviada pela equipe de projeto. Foi no segundo semestre de 2021 que o arquiteto Orlando Denardi e seu marido, Arthur, encontraram uma oportunidade quase única: a aquisição de um apartamento cobertura em um edifício emblemático no bairro de Pinheiros em São Paulo, o “Cenourão”, como popularmente conhecido. Projetado pelo arquiteto Ary de Queiroz Barros e concluído no início da década de 1980, o prédio é reconhecido como um dos primeiros empreendimentos dedicados exclusivamente a apartamentos duplex da cidade. Para o casal, que residiu por quase uma década em um apartamento localizado na Zona Sul, e com projeto também assinado pelo próprio morador, a busca pelo novo imóvel foi guiada por algumas premissas essenciais. Eles procuravam um espaço amplamente iluminado e que permitisse a criação de um oásis particular, estreitamente conectado aos elementos naturais, como luz, brisa e vegetação.

A localização e a arquitetura privilegiada foram evidentes desde a primeira visita. O imóvel de 125 metros quadrados (65 metros no primeiro pavimento e 60 no piso superior), no entanto, revelou a necessidade de reconfiguração da planta, a priori bastante segmentada, com desenho irregular e falta de privacidade perante os edifícios vizinhos. Para o arquiteto, a condição surgia como uma oportunidade para explorar o potencial de remodelação do espaço. Devido a aprovações técnicas, a obra teve início somente em 2023 e conclusão no início de 2024, onde o casal vive hoje com o seu gato, Theo.

A partir da entrada, a antiga área de serviço e lavabo, tiveram as paredes de traço diagonal subtraídas para dar lugar à nova sala de estar. Esses ambientes foram realocados para o lado oposto, mais próximos à cozinha, que também foi aberta.

No exterior, a possibilidade de transformar o antigo deck de madeira em um espaço conectado ao interior guiou longos estudos e revisões até encontrar a solução ideal. Para isso, a piscina original de concreto, nivelada com o deck elevado por quatro degraus, foi removida, permitindo uma conexão fluida do novo terraço às salas. O pátio aberto é responsável pela permeabilidade física e visual entre as salas de estar, de jantar e a cozinha. Seus fechamentos originais em alvenaria a meia altura foram suprimidos, permitindo vão livres que receberam novos caixilhos de alumínio e vidro instalados sobre trilhos embutidos diretamente no piso. A solução é responsável pela maximização da luz que penetra o interior.

Para proteger os caixilhos em dias chuvosos, um novo beiral semicurvo foi especialmente desenhado pelo arquiteto, de tal modo que se aproximasse às características e linhas sinuosas que demarcam pontualmente a construção, não se impondo ao desenho do edifício, mas como um diálogo respeitoso. A estrutura é materializada em perfis metálicos cobertos por placas cimentícias.

A unidade visual é determinada por três materialidades que se estendem por toda a arquitetura. O piso é revestido por lascas irregulares de mármore com acabamento Anticato, enquanto as paredes recebem painéis de madeira em tom claro e tijolos de adobe. A aplicação contínua dos materiais, somada ao nivelamento do piso desde o interior até o exterior – uma solução técnica viabilizada através do sistema de ralo linear instalado diretamente sobre os trilhos embutidos – reforça a integração, trazendo ares de casa ao apartamento.

No hall de entrada, os painéis de madeira desdobram-se ao forro, e as portas surgem mimetizadas sobre a estrutura. O espaço é marcado por objetos categoricamente selecionados, como a arandela Presa, com acabamento em alumínio polido, de autoria do Estúdio Orth, e totem de madeira rústica que apoia vaso da ceramista Isadora Mourão. Ao cruzar a porta principal, os visitantes são imediatamente recebidos por uma abundante luz natural e surpreendidos pela atmosfera acolhedora do lar. À frente, eles vislumbram a cozinha, a nova varanda e a sala de estar, integrados de forma harmoniosa. À esquerda, a sala de estar parece multiplicar seu espaço quando os caixilhos deslizantes de vidro estão completamente abertos. No interior, o forro curvo enfatiza o pé-direito e distribui a iluminação indireta. O desenho deste elemento presta homenagem às curvas originais das paredes da escada e do exterior, e também ao novo beiral.

A paginação vertical dos tijolos dialoga harmoniosamente com os veios verticais da madeira dos painéis, reforçando a conexão entre os diferentes materiais. O tijolo traz textura e nuances de cor dentro de uma mesma paleta, tornando as paredes internas um elemento cênico que reforça a atmosfera acolhedora. A paleta de cores da sala de estar tira referência da tapeçaria com degradê que percorre do tom esverdeado aos terrosos, e a ordenação das peças acompanha as suas nuances. Sobre a base, o sofá C113 V2 (design de Marcus Ferreira para Carbono) recebe tecido verde de mesma tonalidade; acompanhado por dupla de poltronas Tobogã (pela Vírgula Ovo e existentes do acervo familiar) estofadas em couro caramelo; bancos Sonia (desenho original de Sergio Rodrigues em reedição pela Dpot); mesa de centro C404 em Jequitibá (design de Marcus Ferreira para Carbono); além de estante Wire Frame (pela Vírgula Ovo) ferro que exibe parte da coleção literária e objetos de valor afetivo aos moradores. Na parede, uma tela herdada de família, com autoria do artista gaúcho Antônio Soriano, complementa a composição.

Do lado oposto, destaque para poltrona namoradeira e mesa lateral Nós – série limitada dos designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira em parceria com o artista plástico Célio Braga, pela Vírgula Ovo – adquiridas em 2015. Na mesa lateral, um relicário de memórias ganha forma, desde o trio de objetos escultóricos em metal fundido com acabamento em alumínio e latão polido – Príncipe, Figa e Cálice –, pelo Estúdio Orth, até a escultura Elo Energia, do estúdio P.roduto para Dpot Objeto, instalada sobre a parede.

A organização do layout da área de estar é projetada para valorizar a conexão com a varanda. A disposição dos móveis é orientada de forma a maximizar a integração com a varanda. Quando as portas estão abertas, os espaços se fundem, favorecendo rodas de conversa em dias de recepção. O pátio banha o interior dos dois pavimentos com luz natural. Ainda no exterior, a antiga piscina foi substituída por uma banheira, visando a facilidade em manutenção, expansão de área, e de onde os moradores aproveitam os dias ensolarados. A pedra do piso desdobra-se aos muros limítrofes.

Devido às limitações técnicas que impossibilitaram a instalação de canteiros ajardinados, o paisagismo foi concebido utilizando grandes vasos cerâmicos. Destaca-se, especialmente, uma palmeira de aproximadamente 5 metros de altura, que se torna um ponto focal visível a partir dos principais ambientes e é a primeira a ser notada por quem entra no apartamento. A vegetação desempenha um papel fundamental ao proporcionar sombra em dias ensolarados e oferecer privacidade. Além disso, contribui com frescor ao ambiente e complementa a paleta de tons naturais.

A decoração inclui peças de design contemporâneo brasileiro, como a dupla de poltronas 22 (2019) – autoria do arquiteto laureado pelo prêmio Pritzker em 2006, Paulo Mendes da Rocha, em colaboração com os arquitetos Marta Moreira e Milton Braga, titulares do escritório MMBB, originalmente desenhadas para o edifício Sesc 24 de Maio –, e poltrona Caçua, por Sérgio J. Matos.

O lavabo tem as paredes revestidas em tijolos e o piso em pedra. Sobre as superfícies estão o espelho Rino Rosto, pendurador Argola e arandela Sino, ambos do Estúdio Orth. A bancada suspensa é em mármore Travertino Silver. Na cozinha, o resgate pelas características originais do edifício foi um dos desafios enfrentados. A laje e a escada de concreto passaram por um processo de recuperação de aproximadamente dois meses para remoção da pintura aplicada pelo antigo morador e retorno às características da construção.

A marcenaria com acabamento preto funciona como como elemento “silencioso”, tirando a atenção dos eletrodomésticos. O pórtico da bancada e o nicho prateados traz leveza ao conjunto, enquanto a janela linear existente emoldura o verde da paisagem urbana. A bancada e a ilha são em Quartzito Emerald Green, uma pedra brasileira com tom esverdeado suave e veios acinzentados. No painel que separa a cozinha da lavanderia, há uma abertura na parte inferior que permite a passagem do mascote da família.

No lado oposto, a generosa janela que recebe luz direta durante a manhã e tarde, é equipada com uma persiana metálica que filtra a luz e oculta a vista da torre vizinha. A mesa de jantar redonda, com acabamento em couro caramelo – autoria de Marcus Ferreira para Carbono Design – é rodeada por conjunto de cadeiras Chroma, desenho de Felipe Protti para Prototype. Abaixo da escada, destaque para luminária neon adquirida há alguns anos no atelier do artista Kleber Matheus.


No piso superior estão a sala da família e a suíte. A sala privativa, imaginada como uma sala de TV e escritório, dois sofás-chaises Vice-Versa (Vírgula Ovo) foram trazidos da antiga residência, de maneira que a dimensão e apenas um braço, se encaixa confortavelmente no espaço. A mesa lateral recebe objetos garimpados em viagens. Acima da escada, escultura suspensa do acervo familiar, e tela do artista Marcos Varanda estampando a parede.

A suíte é instalada sobre a antiga área de “caixão perdido” da torre, com pé direito inferior ao ambiente que a antecede. Assim, o posicionamento das vigas originais exigiu soluções criativas e intervenções discretas. O vigamento próximo dos caixilhos foi mimetizado com um forro de gesso, que incorpora um sistema de iluminação indireta em prol do conforto lumínico.

Para evocar as memórias construídas na antiga residência, um item foi escolhido: a cor Azul Klein. Esse elemento cromático remete à marcenaria da primeira morada, e agora incorporado no pórtico que envolve o dormitório. Em referência à tonalidade e sob a necessidade de um modelo de cama mais baixo e que não comprometesse o pé direito inferior do ambiente, o arquiteto buscou no acervo de desejos antigos, a desejada cama Tiras, composta por planos lineares estofados em tons de cinza e azul – peça desenhada por Luciana Martins e Gerson de Oliveira para sua marca Vírgula Ovo, e premiada no Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira em 2010.

Ainda na composição, tela do fotógrafo Marcelo Elídio – adquirida em 2016 em uma feira de arte em São Paulo –, luminária de piso Bump (Nada se Leva, comercializada pela La Lampe), mesa Carretel com base de concreto (Vírgula Ovo) e cadeira Mammamia (Opinion Ciatti, pela Firma Casa) em apoio para rápidas atividades profissionais. Na parede da entrada, módulos do pufes Campo, da Vírgula Ovo, e espelhos por Giacomo Tomazzi.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
DW! São Paulo 2026: Kura inaugura primeiro espaço fixo com abertura do Ateliê Kaue Fuoco

Depois de seis anos ativando edifícios históricos de São Paulo por meio de ocupações artísticas, o Kura inaugura seu primeiro espaço permanente durante a DW! Semana de Design de São Paulo 2026. Batizado de Ateliê Kaue Fuoco, o novo endereço marca uma mudança de escala no percurso do coletivo, cuja trajetória foi construída a partir da relação direta com a arquitetura e a memória urbana.
Desde a origem na Ocupação 9 de Julho, passando pelo edifício da antiga Telesp e pelo Noviciado do Ipiranga, o Kura desenvolveu um modo particular de ocupar espaços: cada lugar é tratado como parte do processo criativo, influenciando as obras, os materiais e as conexões que surgem ao longo do tempo.
Instalado em frente ao histórico prédio da antiga Telesp, projetado pelo arquiteto Franz Heep, o novo ateliê ocupa dois andares e um mezanino. O espaço passa a funcionar como base para criação, pesquisa e encontros, além de concentrar parte do repertório material acumulado nas ocupações realizadas pelo coletivo.
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DW! São Paulo 2026: Kura inaugura primeiro espaço fixo com abertura do Ateliê Kaue Fuoco
A própria configuração do ateliê revela esse processo. Mobiliários foram desenvolvidos a partir de garimpos urbanos, enquanto materiais reaproveitados da antiga companhia telefônica aparecem ressignificados em diferentes elementos do ambiente. O resultado é um espaço que funciona simultaneamente como ateliê, arquivo e laboratório de experimentação.
Kaue Fuoco, idealizador da plataforma Kura
Filippo Bamberghi | Estilo: Adriana Frattini
Durante a DW! 2026, o endereço recebe também uma série de intervenções e ativações artísticas. Entre os convidados estão Cebola, que apresenta uma projeção no subsolo em diálogo com equipamentos da antiga Telesp; Diego Alcenso Lemos (DAL), que realiza a customização de uma motocicleta ao vivo; Rodolpho Rivolta, com uma obra interativa baseada em espelhos; e Fernanda Romão, que apresenta uma instalação inédita.
A programação inclui ainda o projeto musical Deep Black Sea, criado por Santi Roig e Fernanda Romão, ampliando o caráter híbrido do espaço. A abertura do Ateliê Kaue Fuoco consolida, assim, um novo capítulo para o Kura, que passa a traduzir em endereço fixo a mesma lógica de experimentação e ativação cultural que marcou suas ocupações pela cidade.
Mobiliários foram desenvolvidos a partir de garimpos urbanos, enquanto materiais reaproveitados da antiga companhia telefônica aparecem ressignificados em diferentes elementos do ambiente
Filippo Bamberghi | Estilo: Adriana Frattini
Captação de vídeo: Rafael Belém
Edição de vídeo: Caíque Soares
Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
A casa de praia da arquiteta e designer Patricia Faragone, no Guarujá
Uma casa de vidro na mata, em que a simplicidade permite fácil leitura do projeto. É assim que a arquiteta, designer e artista Patricia Faragone resume o espírito de sua residência no Guarujá, litoral paulista. “Desde o início, queria uma casa de praia meio invisível na paisagem e com poucos elementos, algo que, para mim, é relaxante, não oferece poluição visual e funciona como um respiro.” Seu desejo era obter um espaço de liberdade, contato com a natureza, muita contemplação e inspiração para os trabalhos que são hoje seu grande foco profissional: tingimento manual de tecidos e, sobretudo, design de objetos de vidro soprado colecionáveis. “Não fosse pelo terreno em aclive acentuado, eu traria os fornos do meu ateliê para produzir minhas peças de vidro aqui”, diz ela, que integra o guia Homo Faber, plataforma digital global que mapeia e promove designers, artistas e artesãos de todo o mundo.
Arquitetura
Os segredos do design de interiores para melhorar a vida a dois
“De certa forma, a casa se torna um terceiro integrante do casamento. Ela pode tensionar ou sustentar. Pode invadir ou proteger. Um bom design de interiores não busca perfeição estética, mas coerência emocional: espaços em que exista intimidade sem isolamento, encontro sem invasão, ordem sem rigidez”, diz Paula. “Projetar para um bom casamento é, na verdade, projetar para que duas identidades possam crescer sob o mesmo teto sem deixar de se escolher todos os dias.”
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