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No intervalo do Super Bowl, Bad Bunny levou ao Levi’s Stadium uma encenação que fugiu do espetáculo genérico e apostou em referências diretas à sua formação cultural. A apresentação, realizada no Levi’s Stadium, na Califórnia, neste domingo (8), transformou o Halftime Show em um exercício de memória e construção simbólica, no qual arquitetura, paisagem e objetos cotidianos foram tratados como linguagem e, sobretudo, essência.
Criado por Harriet Cuddeford em colaboração com o Yellow Studio, o projeto cenográfico partiu de uma tipologia doméstica reconhecível. A casita rosa, construída em escala real por profissionais de Porto Rico, remete às casas tradicionais de Humacao e já havia aparecido na residência do artista em San Juan, em 2025. No centro de um estádio pensado para a grandiosidade, a escolha por uma arquitetura íntima reorganizou a relação entre palco e público, aproximando o show de uma experiência quase comunitária.
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O entorno reforçou essa lógica. Palmeiras e canaviais ocuparam o campo para reconstruir a paisagem de Vega Baja, cidade onde Bad Bunny cresceu. As limitações técnicas impostas pela preservação do gramado exigiram soluções pouco convencionais, incorporando pessoas ao cenário como parte da vegetação. O resultado foi uma paisagem híbrida, entre construção cênica e presença humana, que ampliou o sentido de pertencimento sugerido pela arquitetura.
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Em meio à coreografia de fumaça, fogo e grandes bandeiras de Porto Rico, um gesto discreto concentrou parte do significado do espetáculo. As cadeiras Monobloc usadas na participação de Ricky Martin deslocaram o foco do design autoral para o objeto comum, presente em festas, praças e casas de todo o continente latino. A escolha evidencia uma atenção ao design popular e às camadas culturais que costumam permanecer fora do campo da consagração estética.
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Ao articular esses elementos, Bad Bunny propôs um show que se sustenta menos pelo excesso e mais pela pertencimento. O Halftime Show tornou-se um espaço de afirmação cultural, onde referências arquitetônicas e objetos ordinários operam como extensão da narrativa musical e biográfica do artista.
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Fonte: Casa Vogue

