Arquitetura
Barbican Centre: a história do edifício brutalista mais controverso de Londres | Edifícios
As críticas, no entanto, não se limitaram ao aspecto estético. O processo de construção do Barbican foi lendário tanto por sua ambição quanto por suas dificuldades. As obras – iniciadas em 1962 – logo se tornaram palco de uma feroz batalha sindical. As condições no canteiro eram duríssimas: o tamanho colossal do projeto fez com que várias construtoras trabalhassem simultaneamente, e a segurança deixava muito a desejar. Houve acidentes fatais e inúmeros feridos, o que levou a greves massivas de operários exigindo melhorias. Aqueles protestos ficaram conhecidos como a “Batalha do Barbican”, uma das maiores mobilizações trabalhistas do setor no Reino Unido. Em 1965, quando uma empresa tentou obrigar os trabalhadores a renunciar ao direito de greve, mais de 2.000 trabalhadores de toda Londres pararam em solidariedade, paralisando o andamento do projeto. Os atrasos se acumularam e os custos dispararam. A Cidade de Londres, desesperada, chegou a processar os arquitetos Chamberlin, Powell & Bon durante a execução, culpando-os por mudanças tardias e sobrecustos. A disputa foi resolvida fora dos tribunais, mas refletiu a tensão e o caos nos bastidores. Quando finalmente o Barbican Centre abriu em 1982, seu orçamento final girava em torno de 159 milhões de libras (mais de R$ 1,1 milhão, na cotação atual) mais de dez vezes o previsto inicialmente. A imprensa da época o descreveu como “um presente do pós-guerra tão caro quanto controverso” para a nação. Ou seja, mesmo antes de os primeiros espectadores aplaudirem uma sinfonia em sua sala de concertos, o Barbican já era polêmico por sua conta e pelo longo caminho acidentado até sua inauguração.