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Biofilia e neuroarquitetura: como projetar…

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Além de trazerem beleza e frescor, as plantas também são símbolos de renovação, crescimento e vitalidade. E mais: há quem acredite que podem atrair sorte. Mas, saiba que nem só de plantas e flores vive a biofilia, já que seu conceito dispõe de uma ampla gama de elementos naturais que fazem a diferença na morada.

(Livia Krass/Divulgação)

“Quando aliamos a biofilia e neuroarquitetura, campos emergentes que estão revolucionando o design arquitetônico, criamos ambientes que conectam os benefícios da natureza à saúde física e emocional. Assim, podemos visualizar e vivenciar os projetos de maneira diferente, a partir de princípios neurocientíficos”, explica a arquiteta

Mariana Meneghisso, uma das sócias do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura.

Conceitos

O que é Biofilia

(Divulgação/Divulgação)

Para entender melhor, Mariana começa pelo conceito da biofilia, derivado do grego ‘amor a vida’, que sugere que os seres humanos possuem uma conexão inata com a natureza.

“Ou seja, cada um de nós tem uma conexão individual com o meio ambiente”, continua. Um dos principais conceitos do campo é a incorporação de elementos naturais nos ambientes construídos, isso pode incluir o uso de plantas, água, luz natural, materiais orgânicos, formas orgânicas que remetem a desenhos naturais e vistas para a natureza.

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(Divulgação/Pexels)

“Entre as premissas fundamentais da biofilia, não podemos deixar de evidenciar que a biofilia genuína está diretamente associada à responsabilidade do uso de materiais”, conta Mariana, que lembra ainda sobre a réplica das formas, relevos e elementos naturais no desenho e estética dos projetos.

“Ter impresso essas linhas e expressões da natureza, sem necessariamente ter uma planta em casa, é um viés rico e essencial na biofilia”, completa.

O que é Neuroarquitetura

(Divulgação/Divulgação)

Já a neuroarquitetura busca compreender como os espaços impactam nossas emoções e comportamentos. “Temos estudos comprovados em todos os lugares do mundo que revelam como os ambientes bem projetados podem estimular criatividade, concentração ou relaxamento”, ressalta Mariana Meneghisso.

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Projeto de STAL Arquitetura. (Fernando Crescenti/Divulgação)

“Desde elementos como pé-direito alto, escolha da paleta de cores e uso de texturas podem ajudar a criar um equilíbrio entre funcionalidade e conforto”, completa Alexandre Pasquotto.

“Juntos, esses conceitos oferecem uma abordagem holística ao design, criando ambientes que não apenas atendem às necessidades funcionais, mas também nutrem a conexão emocional e física das pessoas com o espaço que habitam”, diz a arquiteta Mariana Meneghisso, especialista em neuroarquitetura da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura.

Elementos para design de interiores biofílicos

Jardim vertical

Projeto de Flávia Campos. (JP Image/Divulgação)

Sem falar apenas de plantas na decoração, a inclusão de outros elementos naturais no projeto de interiores passou a abranger soluções criativas que transformam os ambientes em espaços de conexão com a natureza. Uma dessas soluções é o jardim vertical, que permite incorporar vegetação até mesmo em espaços reduzidos.

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Projeto de Paula Neder. (André Nazareth/Divulgação)

Instalados em paredes, eles se tornam o ponto focal do ambiente, além de ajudar a purificar o ar e melhorar a acústica. “Outra opção é o jardim de inverno, um espaço interno dedicado exclusivamente à vegetação, que pode incluir fontes de água e pedras naturais, criando um refúgio de tranquilidade dentro do lar”, complementa Alexandre.

Materiais orgânicos

Projeto de Solange Calio. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)

Materiais orgânicos também são fundamentais nesse tipo de design. Tecidos naturais, como linho, algodão, juta e bambu, oferecem um toque de leveza e conforto aos espaços. Eles podem estar em cortinas, estofados e tapetes, adicionando um charme artesanal e sustentável. Além disso, o uso de madeira de reflorestamento em móveis e acabamentos traz sofisticação ao projeto, enquanto reforça o compromisso com práticas ambientalmente responsáveis.

Projeto executado pela arquiteta Gabriela Venier e pelo engenheiro civil Germano Fenner/Fachada e interior assinados pelo arquiteto Eliseu Ferreira. (Fábio Jr. Severo/Divulgação)
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Para completar, o uso de materiais rústicos, como palha e vime, em móveis ou peças decorativas, reforça a conexão com a natureza, proporcionando uma estética acolhedora e rústica.

Conceito aberto

Projeto de PITTA Arquitetura. (João Paulo Soares de Oliveira/Divulgação)

Os conceitos abertos são outra forma de integrar a natureza aos interiores. Ao eliminar barreiras físicas entre os cômodos, esses espaços permitem uma melhor entrada de luz natural e maior ventilação cruzada. A presença de janelas amplas ou claraboias potencializa a iluminação natural, conectando o interior ao ritmo do dia e reduzindo a necessidade de iluminação artificial.

Pedras e água

Projeto de Júlio Sousa Paisagismo. (@ejfilms_edneyjones/Divulgação)

Além disso, o uso de pedras naturais, como mármore, granito ou quartzito, em bancadas, pisos ou paredes, adiciona texturas orgânicas e durabilidade, equilibrando funcionalidade e beleza.

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A presença da água em elementos como fontes decorativas ou espelhos d’água não só enriquece o ambiente esteticamente, mas também promove relaxamento e auxilia na regulação da umidade.

Tecnologia

A tecnologia também tem um papel na neuroarquitetura e na biofilia. Sistemas de controle de iluminação, som e temperatura podem ser ajustados para criar ambientes que respondem às conveniências dos moradores.

Plantas para cada ambiente

Projeto de Labra Arquiteto. (Ana Helena Lima/Divulgação)

Agora, para quem pretende adotar as plantinhas nos ambientes, confira algumas sugestões do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura:

  • Hall: Uma Espada-de-São-Jorge, além de afastar maldade, pode representar coragem e pode ser acolhedor para receber as pessoas no local de entrada e saída da residência.
  • Estar ou living: Espécies como fícus lyrata, costela-de-adão e zamioculcas criam um ponto de destaque e requerem pouca manutenção. Samambaias e marantas também são ótimas opções para trazer movimento e textura ao ambiente.
  • Quarto: Lavanda e jasmim são flores conhecidas por seus efeitos calmantes e podem melhorar a qualidade do sono, purificar o ar e manter um ambiente relaxante.
  • Cozinha: Hortelã, alecrim, manjericão e cebolinha são funcionais e perfumam o espaço. “Você pode cultivar uma pequena horta em vasos, calhas úmidas ou jardineiras para ter sempre um tempero à mão”, completa Mariana.
  • Home office: Suculentas, cactos, fitônias e peperômias são de fácil manutenção e ideais para reduzir o estresse. A inclusão de bonsais também traz um toque sofisticado ao ambiente de trabalho.
  • Varanda: Para áreas externas, opte por espécies como a primavera, jasmim trepador e lavanda, que adicionam fragrância e cor. Em varandas cobertas, antúrios, pacovás e filodendros podem ser usados para criar um pequeno jardim tropical.
Projeto de Go Up Arquitetura. (Robson Figueiredo/Divulgação)

Mas a arquiteta Mariana Meneghisso alerta, cada planta exige cuidados, como rega, ventilação, iluminação e poda, conforme cada espécie.

“A frequência de rega depende do clima e do tipo de planta, algumas precisam de solo sempre úmido, enquanto outras demandam menos água. Além disso, é preciso posicionar as plantas em locais com a quantidade adequada de luz solar ou sombra. A poda regular ajuda a manter o formato e a estimular o crescimento saudável”, destaca a arquiteta.





Fonte: Casa Abril

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