Engenharia
Cabana de campo dos sonhos na Mantiqueira tem bay windows para contemplar a paisagem
Em um terreno elevado e privilegiado por uma bela vista panorâmica, o principal desejo dos clientes deste imóvel era construir uma cabana clássica, com estrutura de madeira, implantada no coração da Serra da Mantiqueira. A partir disso, o escritório Lucio Fleury Arquitetura desenvolveu um projeto diretamente conectado às condições climáticas locais.

A construção foi concebida com dois volumes, ligados entre si por um pergolado de madeira — que protege a área de circulação destinada à carga e descarga — e implantada em meio nível, adaptando-se perfeitamente ao terreno de declive acentuado.

As áreas social e íntima se concentram no volume principal, projetado com estrutura de madeira e fachada com grandes aberturas, promovendo constante relação com o entorno. Sobre pilares e paredes, uma única cobertura — sem rufos e com amplos beirais — fica posicionada de forma leve, funcionando como solução eficaz para o grande volume de chuvas da região.

O primeiro pavimento é composto pela cozinha, sala de jantar e sala de estar, esta última com pé-direito duplo devido à implantação em meio nível. Com materialidade neutra e rústica, os espaços internos se abrem para a vista, criando uma sensação de amplitude, unidade e conforto.

Ainda aproveitando o desnível, foi criado um mezanino sobre os ambientes, destinado à sala de televisão e home office.

Para proteger o térreo e a fachada superior da incidência solar direta e das chuvas, foram projetados uma pérgola e um beiral, que garantem o sombreamento necessário.

“Acompanhando o declive do terreno, a piscina se acomoda em uma cota meio nível abaixo da varanda da sala, convidando as pessoas a estarem ainda mais próximas do jardim. Tudo sempre se debruçando sobre a vista incrível para a protagonista do projeto: a Serra da Mantiqueira”, conta Lúcio.

Com o objetivo de garantir conforto térmico e qualidade construtiva, a casa foi concebida com estrutura mista: alvenaria de tijolo maciço revestido com tábuas de madeira na área dos quartos e madeira Itaúba no restante da construção, permeando a vista.

Por estar localizada em uma região muito fria, os quartos foram projetados com aberturas menores, nas quais foram criadas bay windows — janelas que se projetam para fora da fachada, formando agradáveis bancos voltados para as vistas laterais. Assim como os ambientes sociais, os quartos recebem uma decoração minimalista, em que a paisagem assume o papel de protagonista.

Em função dos arranjos de circulação do projeto, o banheiro da suíte principal foi contemplado por uma iluminação zenital, muito eficiente termicamente.

O segundo volume, destinado à área de serviços, abriga ainda uma sauna e uma cozinha externa. Construído em concreto e com laje plana, ele atua como elemento de contenção do terreno, impedindo que o solo deslize ou se desloque com a ação das chuvas.

Engenharia
Mais tempo ao ar livre: coberturas para aproveitar melhor sua casa
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Quando temos um quintal ou uma área externa generosa, quase sempre surge a mesma pergunta: como proteger o espaço do sol e da chuva sem abrir mão do conforto ou da estética? Seja para ampliar o uso das áreas de lazer, criar uma sombra agradável ou tornar o ambiente mais convidativo ao longo do dia, a cobertura passa a ser uma peça-chave do projeto.
Para o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, a decisão do modelo adequado para o projeto vai muito além da função básica de proteção. A tipologia influencia diretamente no bem-estar térmico, na entrada de luz e ventilação natural, no consumo energético e até na identidade da construção.
“Não existe uma cobertura melhor do que a outra, mas sim aquela que faz mais sentido para cada projeto, sempre considerando o uso do espaço, clima, arquitetura e o estilo de vida dos moradores”, explica o arquiteto.
Estrutura de madeira e telhas de barro

Uma das escolhas mais clássicas na arquitetura brasileira, especialmente em projetos residenciais, são as telhas de barro. Duráveis e ótimas para absorver calor, elas contribuem com o frescor dos ambientes internos, mesmo nas regiões de clima predominante quente.
Além da eficiência, carregam um valor afetivo e cultural que as tornaram atemporal nos projetos. “Hoje, temos versões mais precisas, com encaixes aprimorados e variações de acabamento, mas a essência segue a mesma”, ressalta Bruno.
Telhas translúcidas

Menos comuns, as telhas translúcidas são semelhantes às telhas de barro, porém priorizam mais a iluminação natural e a redução do consumo energético. O profissional explica que são muito adotadas em áreas de serviço, corredores, garagens e áreas externas cobertas.
Mas seu desafio está na dosagem. O uso pontual e estratégico das telhas translúcidas é o que garante o resultado sem comprometer a eficiência térmica, especialmente quando combinadas com outros materiais.
“Ela precisa ser pensada como um recurso arquitetônico, não apenas funcional. Quando empregada com critério, transforma a percepção da área externa e melhora a experiência cotidiana”, destaca o profissional.
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Coberturas de vidro

As coberturas de vidro representam uma escolha altamente valorizada nos projetos contemporâneos, pois permite máxima entrada de luz natural e cria uma conexão direta entre interior e exterior especialmente em jardins, pátios internos, áreas gourmet e varandas.
Com o avanço da tecnologia, o vidro passou a oferecer ainda mais segurança com opções laminadas, temperadas e de controle solar. “Esteticamente, o material confere leveza à estrutura e valoriza a arquitetura, resultando em ambientes luminosos, e visualmente amplos. A atenção maior fica por conta da especificação correta e da integração com sistemas de ventilação e sombreamento”, comenta Bruno.
Coberturas artesanais

As coberturas artesanais, feitas de fibras naturais como palha, bambu ou tramas de fibras sintéticas com aparência natural resgatam técnicas tradicionais e imprimem um forte caráter sensorial aos espaços. Além do apelo estético, oferecem bom desempenho na filtragem da luz, concebendo sombras suaves e um ar mais natural.
Uso híbrido

Outra tendência atual é o uso híbrido de coberturas, combinando diferentes materiais em um mesmo projeto, como as coberturas de barro com as de vidro da imagem acima. Essa estratégia permite extrair o melhor desempenho de cada sistema ao equilibrar luz, ventilação, conforto térmico e estética.
“É comum, por exemplo, associar telhas de barro com trechos translúcidos, ou estruturas metálicas com painéis de vidro. O resultado são espaços mais dinâmicos, adaptáveis às diferentes funções e horários de uso”, explica.
Coberturas móveis

Por fim, as coberturas móveis vêm se destacando como uma das soluções mais desejadas, especialmente em áreas externas como rooftops e espaços gourmet, devido ao potencial flexível de poder abrir ou fechar o ambiente conforme o clima, a incidência solar ou o tipo de uso.
Esses sistemas podem ser compostos por estruturas metálicas com painéis retráteis de vidro, policarbonato ou tecidos técnicos, na maioria das vezes automatizados. Assim, o espaço se transforma ao longo do dia, oferecendo proteção em dias chuvosos e abertura total em momentos de clima agradável.
“Recomendo sempre orçar esse tipo de solução com um profissional especializado. Além da qualidade do acabamento, isso evita dores de cabeça futuras, como infiltrações ou até danos a equipamentos e mobiliário”, finaliza Bruno Moraes.
Engenharia
Conheça a última obra de Paulo Mendes da Rocha, o Cais das Artes em Vitória
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O escritório Metro Arquitetos assina o projeto arquitetônico do Cais das Artes, em Vitória (ES), última obra de Paulo Mendes da Rocha a entrar em funcionamento. Concebido inicialmente pelo arquiteto em 2007, o projeto abriu para o público no final de janeiro. Em março, o equipamento entra em funcionamento, com abertura do museu, primeira etapa do conjunto a ser entregue.

Implantado na Enseada do Suá, em uma extensa esplanada aterrada em frente ao canal que conforma a ilha de Vitória, o projeto do Cais das Artes articula museu e teatro concebidos para receber eventos artísticos de grande porte. A proposta arquitetônica estabelece uma relação direta com o entorno paisagístico, histórico e urbano da cidade, marcada pela presença do porto e pela conformação natural da baía.

O partido do projeto organiza-se a partir de uma ampla praça pública aberta ao uso cotidiano, configurada como um passeio junto ao mar. Os edifícios são elevados do solo, solução que permite visuais livres e desimpedidos desde a praça para a paisagem circundante, incluindo o movimento das docas, vista para a Vila Velha e o Convento da Penha, localizado do outro lado do canal.

O edifício do museu é estruturado por duas grandes vigas paralelas em concreto armado protendido, elevadas a três metros do solo, com apenas três apoios cada e afastadas entre si por 20 metros. Entre elas, organizam-se salões expositivos distribuídos em três níveis principais, com iluminação natural indireta garantida por caixilhos inclinados. Parte do programa concentra-se em uma torre anexa, conectada ao corpo principal por passarelas.

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O teatro, com capacidade para 1.300 espectadores, é organizado a partir de duas galerias laterais que concentram circulações, áreas técnicas e camarins, enquanto o espaço central abriga plateia, balcões, palco e coxias. Assim como o museu, o edifício é elevado do solo, tocando o chão apenas nas áreas técnicas sob o palco e no restaurante, que se abre para um passeio coberto junto ao mar, com pilares implantados diretamente na água.

Para Gustavo Cedroni, o projeto vai muito além do programa e das edificações em si. “Ele reflete a visão de mundo de Paulo Mendes da Rocha, que sempre defendeu que áreas com frente para o mar fossem espaços públicos e não privados. O Cais das Artes materializa esse ideal e carrega uma forte dimensão afetiva, já que Vitória foi a cidade onde ele nasceu e viveu a sua infância. Para nós, que ouvimos tantas histórias sobre a relação do homem com o mar, sobre o sabor das frutas locais e a sombra das árvores, é uma enorme emoção ver esse projeto e essas memórias finalmente realizados”, diz Cedroni.

Martin Corullon destaca o impacto urbano e simbólico do conjunto. “É um projeto extraordinário porque se trata de uma arquitetura que transforma a paisagem e atua na escala da cidade. É um privilégio ter participado de algo com esse alcance, que além da paisagem, certamente impactará positivamente a cultura da região. Depois de tantos anos de incerteza, é muito gratificante ver um projeto público dessa importância ser concluído com respeito à sua concepção original.”

Segundo o arquiteto, o Cais das Artes também marca um ciclo profissional: “Do ponto de vista pessoal, o projeto conclui simbolicamente uma parceria de quase trinta anos com Paulo Mendes da Rocha e sintetiza uma visão de arquitetura e de mundo que foi formadora para mim.”

O projeto do Cais das Artes teve início em 2007, com autoria de Paulo Mendes da Rocha e coautoria de Gustavo Cedroni e Martin Corullon, do Metro Arquitetos. A arquiteta Anna Ferrari integrou a equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto. As obras começaram em 2011, mas foram posteriormente adiadas. Retomado em 2025, o projeto entra agora na fase de abertura ao público, com a entrega gradual do complexo cultural ao longo de 2026.
O Cais das Artes é um equipamento cultural da Secretaria da Cultura do Espírito Santo e tem sua gestão realizada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
Fonte: Casa Abril
Engenharia
Casa de veraneio rústica em Alagoas tem fachada revestida integralmente em palha
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Assinada pelo arquiteto Roby Macedo, esta casa de veraneio na Praia do Patacho, em Alagoas, ocupa um terreno de 432 m² e totaliza 314 m² de área construída, distribuídos entre térreo e pavimento superior. O projeto nasceu do desejo de um casal com três filhos, habituado a passar férias na região, de criar um refúgio que também pudesse acolher amigos e parentes.

Quando Roby assumiu o trabalho, a estrutura existente — em concreto armado e alvenaria — já estava pronta, o que impôs limitações, mas também motivou uma nova abordagem. “Os clientes achavam que a obra não tinha conexão com a natureza ao redor, muito menos com a praia, e os sobrados já erguidos tinham cara de condomínio fechado”, conta o arquiteto.

Como a proposta era acomodar diversas famílias simultaneamente, foram criados quatro chalés geminados, conectados por uma passarela suspensa sobre a piscina.

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“Patacho é um tipo de barco à vela, com dois mastros, que me fez lembrar o período do descobrimento e as habitações dos povos originários do Brasil. Me inspirei, então, nas ocas indígenas para traçar o partido do meu projeto, abusando de elementos naturais — como pau canela, pedra quartzo e palha — para ocultar a arquitetura que já existia”, explica Roby.

Um dos pontos altos do projeto é a fachada cega revestida integralmente em palha, que reforça a estética rústica e se integra à paisagem. O acesso à casa acontece por um túnel formado por galhos de pau canela, conduzindo o visitante até os chalés e marcando uma transição sensorial.

“Ao passar por esse túnel, o visitante começa a desacelerar e se desconectar do mundo moderno, antes de entrar em casa”, afirma o arquiteto.

Os interiores adotam um estilo rústico-contemporâneo, com paleta em tons de bege e areia e mobiliário em materiais naturais, como bambu e madeira rústica, em sintonia com o conceito arquitetônico.

No térreo, ficam a sala com cozinha integrada — onde um grande sofá em alvenaria percorre toda a parede principal e atende simultaneamente a mesa de jantar e a área de TV —, lavabo, e a área da churrasqueira com grelha para frutos do mar, posicionada junto à piscina que se liga ao chalé vizinho por meio da passarela.

No pavimento superior, completam o programa quatro suítes, garantindo conforto e privacidade aos hóspedes.

Fonte: Casa Abril
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