Arquitetura
Câmara na Montanha / Erdegard Arkitekter

Descrição enviada pela equipe de projeto. Nas profundezas de Kallebäcks Terrasser, um edifício escultórico conduz o visitante para baixo, em direção a um mundo oculto no interior da rocha. A entrada se ergue como um objeto monolítico — parte arquitetura, parte artefato, parte ficção científica —, configurando uma construção cuja origem e época são deliberadamente ambíguas.
Sua forma se inclina suavemente em direção ao solo, sugerindo um percurso descendente para o subsolo. Ao mesmo tempo, o volume parece se desprender da terra, marcando com precisão o limiar de acesso à caverna rochosa e tornando visível a transição entre superfície e interior.
O edifício é revestido por painéis metálicos desenvolvidos sob medida, produzidos com precisão milimétrica por meio da combinação entre fabricação digital e trabalho artesanal especializado. Cada painel passou por um processo de hidro-dipping: imerso em um banho de água a 37 °C, recebe uma película padronizada que adere à superfície, criando um brilho singular. A variação de luz e textura confere ao material uma aparência instável, quase como se fosse um fragmento deslocado no tempo.
No interior, o visitante encontra um espaço de concreto bruto e tátil. O ambiente foi moldado com concreto ambientalmente responsável, utilizando diferentes formas e pigmentos que produzem sutis variações de tom e superfície. As instalações técnicas foram concentradas sob o piso ou integradas a um banco técnico contínuo ao longo da parede de rocha, permitindo que a face natural da pedra permaneça o mais exposta possível.
O edifício de entrada atua como um verdadeiro portal para o interior da montanha. A caverna — que antes mantinha uma temperatura constante de oito graus ao longo de todo o ano — transforma-se agora em um volume de futuro indefinido. Nesse espaço, insere-se uma arquitetura atemporal, quase extraterrestre: um objeto que poderia ter sido descoberto, e não construído.
A atmosfera se torna ainda mais enigmática diante da porta de vidro levemente opaca, através da qual apenas contornos difusos podem ser percebidos. Uma luz azul e roxa, discreta e misteriosa, escapa do interior. O que aguarda no fim do túnel permanece em aberto — uma decisão reservada ao futuro ocupante.
Fonte: Archdaily