Arquitetura
Capela do Rio – La Barca / Marina Poli + Philippe Paumelle + Clément Molinier

Descrição enviada pela equipe de projeto. Na trilha, um naufrágio pesado se ergue diante do portão rochoso. Alguém se esgueira por uma fenda estreita, deslizando de lado. Ao chegar ao naufrágio e erguer a cabeça, vê-se o casco virado. Do fundo do barco, o céu desaba.
A Capela do Rio evoca esse casco invertido, com cada componente dialogando de forma sutil com o universo marítimo. Alongada, a construção acompanha a extensão do caminho, guiando o percurso passo a passo. Sua forma esguia sugere a intenção de atravessar uma fenda — como se tivesse sido deslocada do próprio rio que acompanha.
Como um naufrágio, a cobertura se abre para o céu, permitindo que a luz revele uma sequência rítmica de tábuas no piso, todas apoiadas em uma quilha central que conduz o olhar em direção à proa. Ali, uma pedra parece ancorar a estrutura afilada a partir do interior. As paredes são pontuadas por cunhos que prendem firmemente o tabuado. O piso range sob os pés.
Seis pórticos formam um corredor longitudinal, delimitado por duas paredes de pranchas. Em cada extremidade, dois meios-cascos curvos se unem. As nervuras curvas são recortadas das próprias tábuas e montadas em uma estrutura tipo sanduíche. La Barca é lastreada por quatro pedras retiradas do próprio local. O espaço convida à pausa e à observação atenta dos detalhes de uma arquitetura curiosa, com aparência de embarcação.
Alguns veem um barco virado, uma pequena capela, um paredão de escalada ou uma criatura perdida. E você, o que vê?
Fonte: Archdaily