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- Área:
866 m²
Ano:
2023

Descrição enviada pela equipe de projeto. Sobre as ruínas do Mas Geli, uma antiga casa rural tradicional do Ampurdán, da qual se conservavam apenas duas fachadas com contrafortes e alguns espaços com abóbadas de pedra, ergue-se esta nova casa, que reinterpreta os valores da arquitetura vernacular sem abrir mão da contemporaneidade da proposta. O projeto busca coerência com o contexto, promovendo a integração da nova construção à excepcional paisagem do Baixo Ampurdán, um contínuo de espaços agrícolas marcado pela presença distante — mas constante — de casas rurais ancestrais, perfeitamente inseridas na paisagem.

A morfologia da casa rural original determina tanto a tipologia estrutural — paredes e lajes maciças — quanto a organização espacial — uma sequência de salas estruturais — da nova casa, que adota uma retícula ortogonal de espaços sucessivos, configurados por paredes de carga muito espessas de concreto ciclópico e por abóbadas estruturais, sejam elas preexistentes de pedra ou novas, executadas em concreto.

A nova cobertura de telha, sustentada por uma estrutura de madeira aparente no interior, recupera a altura original da edificação e as duas vertentes contínuas, de norte a sul, que definem um volume simples de duas águas. No exterior, consolidam-se e reabilitam-se as duas fachadas de pedra que permaneceram quase íntegras, voltadas ao norte e ao leste, respeitando seus valores — material, composição, entre outros — e são acrescentadas novas aberturas. Destaca-se a janela da galeria no primeiro pavimento, com vistas para as Ilhas Medas. Ao sul e a oeste, onde a preexistência é menor, o volume é completado com novas paredes de concreto ciclópico, que incorporam as pedras da ruína da casa rural original.

No interior, a cozinha é o espaço mais emblemático e característico da casa. Trata-se de uma grande sala de 100 m2, situada no extremo sudoeste, com pé-direito duplo, vistas para o oeste, em direção ao vinhedo, e aberta ao sul para o jardim e a balsa. Um espaço polivalente, capaz de acolher múltiplos eventos em torno da gastronomia — como grandes almoços familiares e com amigos, degustações privadas dos vinhos da propriedade, entre outros — ou simplesmente de receber a atividade cotidiana da vida familiar.


Conectado à cozinha, um grande beiral em forma de “L” integra-se à casa. O beiral explicita a relação da vida na casa rural com o terreno imediato — o pisar — e com o território mais amplo — a contemplação da paisagem. Voltado para o oeste, estabelece a conexão entre a casa e as vinhas, tendo Pals como pano de fundo. Ao sul, controla a incidência solar e estende a cozinha, e suas atividades, em direção ao jardim ensolarado e à balsa.


Duas sequências espaciais, que se cruzam na cozinha, sintetizam os valores do projeto. A primeira, no sentido sul–norte, percorre a balsa, o jardim ensolarado, o beiral, a cozinha, duas salas e a nova abertura entre contrafortes, alcançando, por fim, o Montgrí, ao fundo, entre árvores, vinhas e áreas alagadas. A segunda sequência, no sentido leste–oeste, inicia-se com as Ilhas Medas — e o Mediterrâneo — e se desenvolve em direção à fachada principal da casa rural original, passando pela antiga porta de entrada, pelo hall, pela cozinha e pelo beiral, voltado para o excepcional pôr do sol.


As paredes de concreto, vertidas em camadas de 25 cm e executadas com agregado leve de argila expandida, que confere capacidade isolante, não apenas aportam atributos estruturais e estéticos à casa, como também proporcionam desempenho térmico por meio da inércia. Uma inércia que, associada à minimização das aberturas e à predominância da massa em relação aos poucos vãos, configura uma estratégia climática quase autossuficiente, herdeira da tradição das casas rurais ancestrais.


Esse comportamento passivo é complementado por um sistema de piso radiante por geotermia e, no verão, por uma contribuição adicional de ar, resfriado em seu percurso pela câmara ventilada sob o piso elevado, que é então direcionado aos ambientes mais quentes sob a cobertura do pavimento superior.

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Fonte: Archdaily

