Arquitetura
Casa Antriya / 23 Degrees Design Shift

![]()
![]()
![]()
![]()


Descrição enviada pela equipe de projeto. Em 2021, os senhores Sachin Agarwal e Nitin Agarwal nos procuraram com a ideia de construir uma casa de campo para fins de lazer em família. No processo de compreender suas necessidades, realizamos várias rodadas de conversas com os irmãos. Pedimos que elaborassem um briefing escrito detalhando suas demandas — documento que deveria incluir também a perspectiva das três gerações que compõem a família.

O Cliente – Trata-se de uma família conjunta formada pelos pais, os filhos com suas respectivas esposas e seus filhos. Os irmãos administram diversos negócios familiares, que vão do setor de aço ao de joias. Os pais, já aposentados, dedicam-se ao convívio familiar e ao aconselhamento diário dos filhos na vida pessoal e nos negócios. Os jovens estão na fase de descoberta do mundo, recém-saídos do ensino médio. Após compreender as necessidades espaciais das três gerações, pedimos que também compartilhassem suas referências e aspirações. Esse processo revelou histórias familiares, experiências de viagem, relatos de conquistas e perdas. Embora já possuam uma casa na cidade, esse mergulho no imaginário familiar nos permitiu compreender o que essa casa de fim de semana deveria representar — tanto física quanto emocionalmente.


O Terreno – O lote está localizado em Muchintal, uma pequena vila tranquila ao sul de Hyderabad. Embora esteja próximo a uma rodovia nacional, descobrimos que ele fica no caminho para a fábrica de aço da família, o que significa que seu uso seria mais frequente do que o de uma típica casa de campo. Assim, a família decidiu criar um espaço com responsabilidade compartilhada de manutenção entre as gerações mais velhas e as mais jovens. O terreno estreito e linear, com 5 acres, praticamente não tinha vegetação, exceto por uma grande figueira-de-Bengala (Ficus religiosa) na metade oeste. O acesso se dá pelo lado leste, o ponto mais estreito do lote, mas optamos por posicionar o volume principal na porção oeste, onde havia uma área considerável livre de rochas expostas e lajes naturais.


A estrada de acesso curva-se organicamente pelo centro do terreno, desviando das rochas expostas e formações de pedra, proporcionando uma chegada interessante até a marquise de embarque e desembarque. Para intensificar essa experiência, uma série de muros baixos foi construída ao longo do percurso, bloqueando a visão direta da casa e preservando o elemento surpresa até a chegada. Ao longo da via, foram distribuídas atividades funcionais, evitando que o percurso fosse apenas um espaço paisagístico sem uso. Um parreiral relembra a rotina de infância de Sachin e Nitin, que visitavam os vinhedos da família com os avós. Quadras esportivas e uma pista de lama para quadriciclo foram criadas para os jovens. Uma cozinha semiaberta atende grandes eventos. Um jardim de pedras articula os afloramentos rochosos existentes com palmeiras do deserto e bougainvilles, evocando paisagens mediterrâneas que marcaram as viagens da família. Áreas de estacionamento foram distribuídas ao longo do terreno, e a construção destinada aos funcionários foi discretamente integrada ao paisagismo, garantindo privacidade.


A Casa – A residência ocupa a metade oeste do terreno, justamente onde não havia rochas expostas, facilitando a construção. O ponto de chegada se dá próximo à grande figueira-de-Bengala, marcando o acesso com força simbólica. Em essência, a casa é organizada por três muros de pedra lineares, que orientam o percurso, estruturam a privacidade e criam uma atmosfera de acolhimento a partir de sua escala. O primeiro muro, localizado ao norte, acompanha uma passarela elevada que conduz da área de desembarque à varanda semiaberta. Além de marcar o eixo de circulação, esse muro também cria privacidade para a piscina localizada do outro lado.

A Piscina – A privacidade foi uma das prioridades do cliente, de modo que membros de todas as idades da família pudessem utilizá-la com conforto. Mesmo com caráter íntimo, o espaço mantém sua conexão com a natureza, graças aos jardins densos que atravessam os vazios entre muros e cobertura. O centro da cobertura permanece aberto ao céu, enquanto os muros laterais garantem privacidade visual.


A Casa Principal – A passarela elevada, suspensa 1,20 m acima do solo, conduz à residência. O segundo muro de pedra, que corta a casa longitudinalmente, separa as áreas comuns — estar, jantar, varandas e cozinha — da ala íntima de dormitórios. Todos os espaços contam com pé-direito interno de 4,60 m, porém uma laje intermediária a 3 metros percorre todo o perímetro, criando variações espaciais e acolhimento.

Os Beirais – Um beiral em balanço, variando entre 2,40 m e 3 metros de extensão, percorre toda a casa, dividindo as fachadas em dois planos: caixilhos de 2,75 m abaixo e uma faixa superior de 76 cm de venezianas altas (clerestory). Esses beirais protegem as superfícies envidraçadas ao longo do dia, reduzindo o ganho térmico e permitindo vistas contínuas. Sobre a laje dos beirais, a vegetação se desenvolve e é percebida a partir das aberturas superiores, projetando sombras dinâmicas e filtrando a luz natural.


A Base Suspensa – Toda a casa parece flutuar sobre um espelho d’água que a circunda, com plantas aquáticas e peixes. Além do efeito sensorial, essa lâmina d’água atua como barreira natural contra cobras e outros animais rasteiros comuns em áreas naturais. Esse jogo de planos flutuantes — beirais, lajes e embasamento — reduz a escala percebida da construção e estabelece uma relação mais humana e acolhedora.

Os Eixos Centrais – A residência dissolve-se visualmente em dois eixos principais — leste-oeste e norte-sul — garantindo transparência e orientação espacial. Esses eixos convergem em quatro pontos marcados por salgueiros-chorões e áreas de estar pavimentadas em pedra, criando pequenas praças contemplativas.


A Paisagem – A massa de vegetação em torno da casa foi estrategicamente recuada 12 metros, mantendo gramados livres ao redor da construção. Esses vazios permitem ventilação cruzada constante e reduzem o ganho térmico do edifício. Também funcionam como áreas flexíveis para encontros familiares frequentes. Em vez de um paisagismo ornamental excessivo, optou-se por arbustos baixos junto ao espelho d’água, reforçando a leveza da arquitetura. Coqueiros foram estrategicamente posicionados para quebrar a escala do volume e dialogar com sua forma. Trepadeiras pendentes descem das bordas dos beirais, oferecendo sombra e criando uma relação temporal com o vento e a passagem do dia. A vegetação mais densa foi mantida distante, compondo quadros naturais a partir de qualquer abertura da casa.

Ao chegar à varanda, somos recebidos por uma escada escultórica maciça, que atua como pano de fundo para um lounge semiaberto. Graças ao sistema de portas de correr, a varanda integra-se totalmente à sala de estar, transformando-se em um grande pavilhão contínuo. Esse espaço é dinâmico e adaptável, acomodando a vida em família e encontros sociais com fluidez. O terceiro muro de pedra acompanha toda a face sul, abrigando as áreas de serviço discretamente.

Os Dormitórios – Dos cinco dormitórios, quatro ficam no térreo, reforçando a relação da casa com o solo. Apenas um quarto está localizado no pavimento superior, no canto sudeste, de onde se tem vista panorâmica do jardim frontal.

Paleta de Materiais – Acostumados a casas urbanas sofisticadas, o cliente desejava que esta residência fosse uma experiência sensorial mais autêntica e conectada à essência dos materiais. As paredes receberam reboco de cal em tom cinza claro, conferindo neutralidade e integração com o entorno. Os três grandes muros estruturadores foram construídos em arenito marrom de Khammam, enquanto o piso é de pedra ardósia de Markapuram. Ambas as pedras são provenientes da região de Telangana, fortalecendo o vínculo com o contexto local. As paredes de arenito possuem textura porosa, que permite o crescimento das trepadeiras, enquanto a ardósia, com sua superfície levemente irregular, convida ao caminhar descalço. Mobiliário em madeira teca de demolição e tampos com bordas naturais reforçam a linguagem orgânica. Tapetes e cortinas de juta dissolvem-se no ambiente. Perfis metálicos pretos, luminárias aparentes e ferragens criam contraste delicado com a base cinza, adicionando leve rigor contemporâneo.

No conjunto, esta casa foi concebida para reunir a família — talvez até mais do que a residência principal na cidade. Um espaço para receber amigos com orgulho. Um lugar que nasce de memórias e significados. Um lugar que acolhe as aspirações dos mais jovens e o sossego dos mais velhos. Um lugar de conexão honesta com a natureza, tanto na materialidade quanto na forma de habitar. Um espaço contemporâneo no uso, mas atemporal na essência. Um refúgio guiado pelos elementos fundamentais — luz, ar, terra e céu — que convida à introspecção. Um espaço transgeracional. Por isso, recebeu o nome ANTRIYA — um espaço para refletir e retornar a si.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Colibri / Estudio Libre MX

![]()
![]()
![]()
![]()

- Área:
376 m²
Ano:
2025

Descrição enviada pela equipe de projeto. Localizada ao sul da Cidade do México, esta casa foi projetada com o objetivo de acolher encontros e eventos, oferecendo um espaço de convivência e lazer familiar, tendo a piscina como eixo central do projeto.

Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
LEIA MAIS
🏡 Casa Vogue agora está no WhatsApp! Clique aqui e siga nosso canal
Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
LEIA MAIS
A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
Revistas Newsletter
Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
-
Arquitetura8 meses atrásCasa EJ / Leo Romano
-
Arquitetura8 meses atrásCasa Crua / Order Matter
-
Arquitetura8 meses atrásCasa AL / Taguá Arquitetura
-
Arquitetura9 meses atrásTerreiro do Trigo / Posto 9
-
Arquitetura8 meses atrásCasa São Pedro / FGMF
-
Arquitetura8 meses atrásCasa ON / Guillem Carrera
-
Arquitetura1 mês atrásCasa Tupin / BLOCO Arquitetos
-
Política9 meses atrásEUA desmente Eduardo Bolsonaro sobre sanções a Alexandre de Moraes


