Arquitetura
Casa CC – Quinta dos Carvalhos / Inception Architects Studio

- Área:
1200 m²
Ano:
2024
Fabricantes: Arfai, Banema, Doorgate, Flos, Porcelanosa Grupo, Reyaners, Sanindusa, Shelter Fireplaces, Top Ciment, Valchromat, Velux, Vibia, Zinco Preto
Descrição enviada pela equipe de projeto. A CC House, também conhecida como Quinta dos Carvalhos, é um projeto que se destaca pela harmonia profunda entre a arquitetura e a natureza. Situada num terreno de aproximadamente dois hectares, na região de Leiria, a obra nasce de um respeito inabalável pelo meio envolvente, onde o edificado não se impõe sobre a paisagem, mas antes se molda a ela. O resultado é uma integração orgânica e sensível, que transforma a casa num refúgio onde o natural e o construído coexistem em perfeita sintonia.
A implantação dos quatro edifícios que compõem a CC House—Garage, Barn, Bell House e Black Bird House—foi cuidadosamente planeada para preservar a topografia original do terreno. Os volumes foram estrategicamente posicionados sobre os plateaus naturalmente formados, desenvolvendo-se num único piso para minimizar o impacto visual. A escolha dos materiais—betão, madeira e zinco—reflete a busca por uma linguagem arquitetónica depurada, onde a simplicidade enfatiza a beleza intrínseca do local.
Cada detalhe do projeto reforça a ligação entre a arquitetura e a natureza.
A cronologia da construção, que se estendeu por oito anos, é um testemunho do cuidado e da dedicação que marcaram este processo. A preservação da vegetação existente foi uma prioridade absoluta, com as construções moldando-se às árvores centenárias e evitando qualquer intervenção agressiva no território. A orientação dos edifícios e a disposição das aberturas foram criteriosamente pensadas para maximizar a entrada de luz natural e favorecer a ventilação cruzada, criando espaços confortáveis e perfeitamente adaptados ao clima local.
O cliente, natural da região e profundo conhecedor da paisagem, vive e trabalha atualmente em Lisboa, onde gere um escritório de advocacia. Viu neste projeto a oportunidade de reconectar-se com as suas raízes e redescobrir a serenidade do campo, longe da agitação dos grandes centros urbanos. Mais do que uma casa, a CC House representa um regresso às origens e um compromisso com a essência do lugar.
A envolvente natural desempenhou um papel central em todas as decisões projetuais. Um dos desafios foi a gestão da cobertura arbórea densa, composta essencialmente por sobreiro e carvalho, cujas folhas se acumulam no solo durante os meses mais frios. Para responder a esta questão, foi essencial garantir que as coberturas dos edifícios incorporassem um sistema eficiente de auto-limpeza e escoamento de águas pluviais.
A solução adotada recaiu sobre coberturas inclinadas revestidas a zinco, cuja inclinação, aliada à ação do vento e da água da chuva, permite a remoção natural das folhas. Estas são projetadas para o solo, onde podem ser facilmente recolhidas pela equipa de manutenção. Esta abordagem técnica garante não apenas a funcionalidade e a longevidade das coberturas, mas também a integração harmoniosa do edificado na paisagem.
Apesar da atmosfera de serenidade e neutralidade cromática da propriedade, algumas peças de design assumem um papel de destaque, trazendo consigo um discurso artístico e expressivo. Muitas delas foram adquiridas pelo cliente ao longo da sua vida, enquanto outras foram escolhidas especificamente para este projeto. Entre elas, destaca-se a maçã da Bull & Stein (Artist Edition de Bruno Jorge Monteiro e Silva – Porto e Apple Sculpture de Lisa Pappon – São Paulo, Brasil), situada junto à Pool House. Com as suas cores vibrantes, esta peça rompe intencionalmente com a paleta natural do lugar, assumindo-se como um ponto de contraste e expressão artística no conjunto arquitetónico.
Na CC House, a arquitetura não pretende dominar a paisagem, mas sim dialogar com ela de forma subtil e respeitosa. O projeto reflete uma abordagem onde o construído se adapta ao natural, garantindo que a casa não apenas habita o território, mas verdadeiramente o entende e celebra.
Fonte: Archdaily