Arquitetura
Casa da Espinheira / Partner4Build

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Descrição enviada pela equipe de projeto. A casa da Espinheira foi concebida a partir de um conceito que alia o pragmatismo da forma e do material que lhe dá resistência ou o protege dos elementos naturais, resultando numa obra de linguagem depurada. A sua gênese reside num gesto inicial de dobragem, um origami arquitetónico surgido da simplicidade de um guardanapo de papel, explorando a relação entre a forma e a função.

A composição volumétrica reflete uma pureza formal que se manifesta na honestidade dos materiais utilizados. O betão aparente conforma as superfícies das paredes e da laje de cobertura, emprestando à construção uma robustez atemporal e um caráter escultórico. O betão, com a sua textura crua, torna-se protagonista, realçando a materialidade e evidenciando a presença do tempo na sua superfície.

A madeira natural introduz um contraponto térmico e sensorial, aplicando-se no revestimento do pavimento, aquecendo visualmente o espaço e proporcionando um diálogo equilibrado entre o artificial e o orgânico. A pedra natural, utilizada em alguns pontos estratégicos, ancora a moradia ao terreno, reforçando a relação com a paisagem envolvente e remetendo à materialidade primária da arquitetura.

O terreno do jardim é modelado por um único muro em betão aparente que se prolonga da casa, onde encosta uma escada exterior, criando uma continuidade do corpo construído e permitindo o acesso à cave destinada ao estacionamento. Estes elementos não apenas estruturam o desnível do terreno, mas também reforçam a linguagem minimalista da construção, integrando-a na paisagem.


A organização programática da casa privilegia a fluidez espacial e a interação entre os ambientes. No piso térreo, dispõem-se os três quartos e as zonas sociais, enquanto a sala de estar e a cozinha em open space se abrem num duplo pé-direito, ampliando a perceção espacial e permitindo a existência de uma mezanino destinada a um escritório suspenso sobre o volume da cozinha. Esta solução não só potencializa a verticalidade do espaço, como também estabelece novas perspetivas e relações visuais internas.

A moradia desenvolve-se em torno do seu próprio terreno, voltando-se para o interior de forma a maximizar a incidência e a qualidade da luz natural. As aberturas são estrategicamente dispostas para captar luz direta e indireta, modulando a iluminação e criando atmosferas dinâmicas ao longo do dia, numa paleta de cores que “pintam” o cinzento do betão aparente. As laterais da casa, por sua vez, são opacas, resguardando-se dos terrenos vizinhos.

O elemento água, representado pela piscina, assume um papel fundamental na composição do espaço exterior. A piscina está inserida num cenário marcado por um muro de pedra natural preexistente, que dialoga com os demais materiais e reforça a identidade do local. Este elemento rústico estabelece uma relação de contraste e continuidade com o betão aparente e a madeira, compondo um equilíbrio entre o artificial e o natural, o antigo e o novo.

Ao reduzir a arquitetura à sua essência, este projeto destaca os materiais como elementos primordiais da experiência habitacional. A casa, em sua aparente simplicidade, transcende a mera função de abrigo, tornando-se uma expressão sensorial e plástica da matéria, da luz e do espaço.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Tudo azul: apartamento de 40 m² com decoração inspirada no livro Vinte Mil Léguas Submarinas

Projetar um apartamento de 40 m² de frente para o mar implica, necessariamente, assumir uma posição. Nesse caso, o Zyva Studio decidiu fazê-lo sem rodeios e mergulhou de cabeça. Literalmente. Em Marselha, a poucos metros do porto e da Catedral de La Major, o projeto foi concebido como uma cápsula subaquática ancorada à cidade — um lar azul onde a arquitetura é um exercício de imersão, e não de contemplação.
Da janela, é o horizonte que define o tom do projeto. O azul se desdobra como uma paisagem contínua, diluindo as fronteiras entre interior e exterior, realidade e ficção. Aqui, não estamos apenas em Marselha: estamos também dentro de Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico escrito por Júlio Verne. Essa é a referência literária que guia a imaginação de Anthony Authié, fundador do estúdio responsável pelo projeto, que descreve o espaço como “uma reinterpretação livre de uma paisagem subaquática”.
Nesse interior, o azul é o protagonista absoluto. Mas não um azul decorativo, e sim um azul envolvente, quase físico. Ele aparece no chão, que assume a cor do horizonte do mar, nas paredes e, com especial intensidade, no banheiro, inteiramente revestido de mármore da mesma tonalidade. Authié o descreve como um espaço “cavernoso e monástico”, um lugar de contemplação onde o silêncio parece se amplificar. A sensação não é apenas visual: é perceptiva e sensorial.
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Uma divisória com janelas redondas separa a área social do quarto; no piso, uma versão em tons creme das tradicionais listras náuticas
Yohann Fontaine/Divulgação
Anthony Authié, do Zyva Studio, reinterpreta a paisagem aquática neste apartamento de 40 m² no centro de Marselha
Yohann Fontaine/Divulgação
As vigias reforçam essa ideia. Funcionam como limiares simbólicos entre os cômodos e, ao mesmo tempo, como alusões à ficção científica oceânica. Olhar através delas é observar outro mundo por dentro, como se o apartamento se movesse entre duas realidades sobrepostas.
A identidade do Zyva Studio se revela nos detalhes: puxadores que lembram ouriços-do-mar, tomadas impressas em 3D em formato de água-viva, algas imaginárias emergindo das paredes. Até mesmo os móveis, com suas formas arredondadas, parecem vivos, integrados a esse ecossistema imaginado. No quarto, um pequeno espelho posicionado no centro de uma armadilha para ursos faz alusão ao mito de Narciso: para se ver, é preciso se aproximar, correndo o risco de ser capturado.
A sala de jantar, em tons de areia, é um espaço contínuo definido por formas curvas e mobiliário feito sob medida
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma pia de aço e um espelho que lembra ouriços-do-mar adornam o cômodo
Yohann Fontaine/Divulgação
Detalhe do dormitório também decorado com marcenaria azul e itens de cama bege
Yohann Fontaine/Divulgação
Uma única divisória central atravessa o apartamento, separando claramente a área diurna — cozinha e sala de estar — da área noturna, onde ficam o quarto e o banheiro. Essa parede é pintada de azul profundo, enquanto o restante recebe um bege mineral que remete às rochas da cidade. O piso, com padrão náutico em tons de creme, evoca a fachada da Catedral de La Major e, ao mesmo tempo, revisita um dos grandes clássicos do design de interiores — um exercício recorrente na obra de Anthony Authié, sempre interessado em desafiar o familiar para levá-lo a outro patamar.
A cozinha em tons de bege mineral se abre para a sala de estar
Yohann Fontaine/Divulgação
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A parede divisória possui armários com acabamento em puxadores desenhados pelo Zyva Studio
Yohann Fontaine/Divulgação
Para diluir a fronteira entre os dois mundos — e brincar com essa separação sem torná-la rígida —, as janelas redondas rompem a divisória num gesto simbólico, permitindo a passagem de um mundo para o outro. “É a curiosidade de uma criança que espreita por um buraco de rato para descobrir a paisagem do outro lado”, explica o designer.
O projeto convida a olhar e a ser olhado, a observar a vida na sala de estar a partir do quarto e vice-versa, estabelecendo um diálogo visual constante entre os espaços. Assim, o apartamento se torna um dispositivo de fuga: “Este lugar permite escapar do cotidiano e viajar para um mundo diferente. Pelo menos, é esse o meu objetivo.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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Fonte: Casa Vogue
Arquitetura
Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Arquitetura
Nova Prefeitura de Scharrachbergheim / AL PEPE architects

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- Área:
300 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Artemide, Briqueterie Lanter, FARO Barcelona, Fils, Hoppe, Modelec, Auson

Descrição enviada pela equipe de projeto. A nova prefeitura de Scharrachbergheim, uma pequena vila da Alsácia, busca horizontalidade e transparência para se integrar ao magnífico entorno arborizado. A malha estrutural externa em madeira afirma o caráter público do edifício e garante uma estética atemporal. O tom escuro e aveludado do piche de pinho que protege a madeira, junto às proporções refinadas dos pilares, dialogam tanto com o enxaimel tradicional da vila quanto com as árvores do sítio. O revestimento em malha expandida de aço corten confere à fachada uma aparência quase têxtil e remete às tonalidades da pedra local (arenito dos Vosges), muito presente no núcleo histórico. O conjunto é contemporâneo e, ao mesmo tempo, enraizado; rigoroso, mas delicado — como se sempre tivesse feito parte do lugar.

Fonte: Archdaily
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