Arquitetura

Casa de Pescadores em Cadaqués / Bea Portabella + Jordi Pagès

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© David Zarzoso

História e caráter arquitetônico – Com mais de um século de existência, esta casa testemunhou a evolução da comunidade. Nos seus primeiros anos, foi a residência de um pescador local —possivelmente ligado à histórica Confraria de Pescadores de Cadaqués—, tendo posteriormente funcionado como hospedaria e, até mesmo, abrigado no pavimento superior um antigo quartel da Guarda Civil.

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A sua estrutura original, construída com paredes de alvenaria autoportante em pedra com 50 cm de espessura, conserva elementos tradicionais da arquitetura local, como os tetos com vigas de madeira nos andares superiores e a abóbada catalã no térreo. Apesar da sua solidez, a passagem do tempo deixou marcas, e a reabilitação exigiu um delicado equilíbrio entre preservação e renovação.

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O projeto contemplou tanto a consolidação estrutural quanto uma reconfiguração completa dos espaços interiores, transformando uma disposição fragmentada em uma habitação funcional e luminosa, em diálogo com o seu entorno natural e cultural.

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Uma nova distribuição pensada para a luz e o ar – A casa se organiza em quatro níveis. O térreo, com seu característico teto abobadado, é concebido como um espaço polivalente: pode funcionar como área de jogos para as crianças ou como depósito para material náutico. Um pequeno pátio —incorporado durante a reforma— permite ventilar e iluminar um cômodo escavado na rocha original, adicionando valor espacial e material.

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O primeiro pavimento abriga os espaços sociais: cozinha, sala de jantar e sala de estar. A renovação incluiu a abertura de novos vãos nas paredes autoportantes, estabelecendo conexões visuais entre os ambientes e permitindo que a luz natural circule livremente. Uma ampla abertura voltada para o pátio cria continuidade entre interior e exterior, favorecendo uma atmosfera aberta, fresca e vibrante.

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O segundo pavimento abriga os quartos e banheiros, espaços que privilegiam a intimidade, a tranquilidade e o conforto. O terceiro pavimento abre-se à luz mediterrânea com um terraço ensolarado e vista para o mar, coroando a casa com um espaço de descanso privilegiado.

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Materialidade: entre o vernáculo e o contemporâneo – Um dos principais objetivos do projeto foi a combinação de materiais tradicionais com uma estética contemporânea. Os azulejos cerâmicos originais foram restaurados, evocando a memória do lugar, enquanto as paredes revestidas com cal branca reforçam a atmosfera mediterrânea e favorecem a respirabilidade, uma qualidade fundamental em climas úmidos como o da região.

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Madeira de iroko —resistente, acolhedora e de forte presença— é utilizada na carpintaria e no mobiliário sob medida, oferecendo um contraponto material ao branco predominante. Esse contraste acrescenta caráter, aconchego e profundidade ao interior.

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Fonte: Archdaily

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