Arquitetura
Casa em Saidera / Akio Isshiki Architects

Descrição enviada pela equipe de projeto. O terreno tem a forma de um mastro de bandeira e está inserido em um contexto heterogêneo, entre casas japonesas tradicionais e residências contemporâneas construídas por incorporadoras. Ao projetar uma casa para uma família de cinco pessoas adequada a esse lugar, a imagem que orientou o projeto foi a da casa japonesa tradicional. A estrutura de madeira é deixada aparente por meio do sistema shinkabe (método tradicional japonês no qual pilares e vigas ficam visíveis), resultando em uma arquitetura depurada, livre de excessos. Em um momento em que os custos de construção continuam a aumentar, revisitar a sabedoria incorporada às casas tradicionais japonesas pareceu uma abordagem racional.
Para ficar em harmonia com o entorno, o edifício adota uma forma simples, de dois pavimentos com telhado em duas águas, e recebe acabamento em cedro carbonizado. Mantendo os pés-direitos baixos, a estrutura foi deixada exposta, e uma única camada de tábuas de cedro funciona simultaneamente como piso do segundo pavimento e forro do primeiro. Dessa forma, alcança-se uma sensação de abertura espacial ao mesmo tempo em que se reduzem materiais e etapas construtivas.
Pensando no casal, que aprecia cozinhar, a cozinha e a sala de jantar foram posicionadas no centro da casa, com as demais funções domésticas organizadas de maneira compacta ao redor. Voltada para o leste, onde o terreno apresenta um desnível, uma grande abertura e uma varanda engawa foram introduzidas, permitindo que a percepção se estenda naturalmente para o exterior. A casa foi concebida como um lugar onde uma família de cinco pessoas possa viver confortavelmente, sem sensação de confinamento.
As diversas exigências do projeto — como os pedidos dos clientes, o desempenho e os custos — foram cuidadosamente equilibradas por meio de uma interpretação contemporânea das sensibilidades da moradia japonesa. No ambiente de estilo japonês, um armário suspenso e um pequeno tokonoma (nicho tradicional para a exposição de flores sazonais e objetos artísticos) se articulam com o sofá, borrando os limites entre os espaços de estar. Um painel de madeira dobrável, usado para fechar uma abertura ao nível do piso, pode ser armazenado ao encaixar sua alça em um recorte feito no topo do móvel da TV, passando a funcionar como se fosse parte de um único elemento fixo.
Esse dispositivo foi inspirado na arquitetura tradicional japonesa, na qual as funções aparecem apenas quando necessárias e, no restante do tempo, se integram ao espaço ou ao mobiliário, valorizando a mobilidade e o uso múltiplo. Além disso, pilares e vigas atuam como molduras para as portas de correr, eliminando parte dos batentes convencionais. Essa operação reforça a autonomia do esqueleto estrutural e evidencia de forma clara a lógica do sistema shinkabe.
Hoje, poucas pessoas optam por uma casa de estilo japonês. Tatamis e tokonoma vêm desaparecendo gradualmente e, à medida que as casas se tornam cada vez mais fechadas, perdem-se as oportunidades de vivenciar a mudança das estações. No entanto, a atmosfera silenciosa dos tatamis limpos, a tensão delicada criada pelas linhas sutis das bordas do tatami ou das treliças shoji, a luz suave filtrada pelo papel washi com o movimento sutil das sombras das folhas, e o conforto do engawa, que dissolve a fronteira entre interior e exterior — esses elementos da casa japonesa, acredito, possuem uma beleza capaz de atravessar culturas.
Espero que esses valores não se percam, mas sejam levados adiante para o futuro. Por isso, em vez de criar algo ornamental ou nostálgico, o objetivo foi conceber uma moradia modesta, simples, funcional e bela: uma casa japonesa neutra para pessoas comuns, capaz de se afirmar como um novo referencial para o habitar contemporâneo.