Arquitetura

Casa [em volta] da Árvore / otro estudio

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© Ramiro Sosa

Descrição enviada pela equipe de projeto. O programa foi descrito de forma inusitada por Pablo, como uma rica enumeração de atmosferas e sensações a serem habitadas, enquanto o terreno ainda seria escolhido a partir de uma lista de possibilidades. Assim se inicia o pedido desta residência. Pablo imaginava exteriores diversos, capazes de expressar a temporalidade das estações e compor paisagens domésticas distintas, visíveis a partir dos diferentes ambientes da casa. Habitar, para ele, deveria ser uma experiência espacial e sensorial, marcada pela descoberta.

© Ramiro Sosa

No local ainda existia uma casa levemente deteriorada, mas o que de fato capturou nossa atenção foi um conjunto de árvores adultas que revelava a memória de um pátio outrora intensamente vivido. Esses elementos transmitiam uma espacialidade intrínseca: não apenas as árvores em si, mas tudo o que delas emanava. A percepção foi imediata — aquele era o lugar. O requerimento passou então a ser, para nós, a tarefa de capturar essas atmosferas já existentes e torná-las evidentes.

© Ramiro Sosa
© Ramiro Sosa

Em particular, uma árvore, situada de forma central e levemente deslocada no terreno, projetava uma sombra bem definida, porém permeável. Em torno da copa ampla e sombreada, especialmente perfumada no início da primavera, estruturou-se a residência. A casa se desdobra, se fragmenta e se articula ao redor da árvore, organizando um setor destinado às áreas sociais, outro às áreas de serviço, distribuído em dois pavimentos — que permite o deambular e a observação a partir de diferentes níveis — e, por fim, um setor que reúne os dormitórios privados.

Planta – Térreo
Axonométrica
Planta – Primeiro Pavimento

A implantação respeita e valoriza as árvores existentes, propondo relações de contiguidade e continuidade com o exterior por meio de uma paisagem próxima, contida pelos diferentes pátios — interstícios que constroem paisagens domésticas. A condição de passagem do terreno entre duas ruas de hierarquias urbanas distintas se reflete na configuração desses pátios e em sua relação com a residência. Um deles se abre para um parque linear público e constitui a entrada principal, configurando um percurso de aproximação gradual à interioridade. O outro se volta para uma rua de bairro, estabelecendo um contato direto com a área social da casa. Entre as copas das árvores existentes, um espelho d’água triangular encontra sua posição, reforçando o diálogo entre arquitetura, vegetação e paisagem.

© Ramiro Sosa
© Ramiro Sosa

As relações construídas nesta obra em torno do conceito casa-árvore refletem sobre a coabitação entre o humano e o natural, ou, em outras palavras, sobre como habitar a paisagem. A singularidade das árvores preexistentes é valorizada não apenas por sua idade ou qualidade plástica, mas por sua capacidade de testemunhar uma ordem biológica e orgânica que remete à natureza. Introduz-se, assim, a dimensão temporal e cíclica em contraste com o caráter permanente da arquitetura. As árvores passam a integrar a construção de uma paisagem próxima, estabelecendo uma continuidade espacial generosa que faz o exterior participar da cena cotidiana e da experiência de habitar. Trata-se de uma paisagem domesticada que, por meio dos vínculos propostos e daqueles que emergem com o uso, nos reconecta à natureza.

© Ramiro Sosa





Fonte: Archdaily

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