Arquitetura
Casa La Chupalla / Juan Carlos Sabbagh Arquitectos

Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto foi concebido para abrigar uma família numerosa, demandando a criação de diversos dormitórios e amplas áreas comuns.
Como muitos ambientes poderiam ficar sem uso no futuro, optou-se por dividir o programa: o segundo nível abriga os quartos das crianças, enquanto o primeiro nível concentra os quartos dos pais e as áreas comuns principais. Assim, quando as crianças saírem de casa, os pais poderão continuar a utilizá-la plenamente, sem a sensação de nostalgia causada por espaços desabitados.
Seguindo o mesmo conceito, os ambientes do segundo nível foram projetados de forma flexível, permitindo sua adaptação conforme novas necessidades. Por exemplo, a sala de estar pode ser convertida em escritório, ou dormitórios podem ser unidos para criar quartos de hóspedes mais amplos.
O terreno, primeiro de um condomínio de quatro casas, apresentava uma inclinação de três metros da rua em direção ao interior e era atravessado por um canal de irrigação, o que deixava a área destinada à casa em uma posição bastante rebaixada.
A primeira decisão foi orientar a casa para o norte e deixá-la o mais recuada possível, afastada da rua, para buscar o melhor aproveitamento solar e amplitude visual.
Em seguida, decidiu-se elevar a casa um metro para que não ficasse enterrada. Posteriormente, foram criadas três plataformas para que se pudesse subir gradualmente em espaços funcionais com a topografia.
A primeira plataforma abriga a casa, situada na parte mais baixa do terreno. Um metro acima, forma-se a área do gramado, que se conecta à casa por meio de uma ampla escadaria que funciona como degrau, ampliando o terraço. Por fim, a plataforma da piscina, no nível superior em relação à rua, aproveita a diferença de altura para formar uma cascata que percorre todo o seu comprimento em direção à casa.
O espaço interior do primeiro andar foi concebido de forma totalmente aberta, com o mínimo possível de paredes, para garantir plena integração com o jardim.
A casa foi afastada de seu limite sul para gerar um pátio de acesso a partir dos estacionamentos e outro pátio ao longo da sala de jantar, da sala de estar e do quarto principal, reforçando a sensação de estar no meio do jardim, já que a casa possui transparência total no sentido norte-sul.
Neste último pátio, foi incorporada uma pequena piscina que, aliada ao vento sul predominante no verão — o qual acelera ao passar pela casa devido ao efeito Venturi — contribui para refrescar o interior quando as janelas deslizantes de ambas as fachadas são abertas.
O primeiro nível, com paredes de concreto aparente, dá suporte a um volume feito completamente de madeira no segundo andar.
Uma plataforma baseada em vigas de madeira laminada, dispostas a cada 40 cm, dá suporte ao segundo andar, formando uma textura interna que ambienta e confere calor ao espaço, mas ao mesmo tempo configura um beiral ao norte que gera sombra ao terraço principal no verão, permitindo a entrada de sol no inverno.
O volume do segundo nível é composto por painéis leves revestidos por uma pele ventilada de madeira termotratada, enquanto os vãos são protegidos por brises feitos do mesmo material, proporcionando sombra contra o intenso sol de verão.
A forma da casa assemelha-se a uma Chupalla, chapéu de palha típico utilizado pelo povo do campo chileno na zona central do país, daí vem seu nome.
Fonte: Archdaily