Arquitetura

Casa Ona / Juliana Mondinalli – Franco Palacios Beltran

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© Luis Barandiaran

“Sonham as casas que são barcos quando
à noite há vento, escuridão e chuva.”
Silvina Ocampo, Nocturno

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Entorno

A Casa Ona nasce de desejos profundamente cotidianos: ouvir a chuva no telhado, tomar chimarrão na varanda, ver a lua pela janela, observar a calçada a partir da cozinha, contemplar o pátio enquanto se toma banho. Também surge de decisões práticas: intervir o mínimo possível no solo, construir de forma rápida e recorrer a materiais não convencionais.

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Projetar a própria casa é sempre um desafio. Este projeto foi ganhando forma a partir de vivências, memórias e viagens, até se consolidar como um refúgio onde a chuva e a água não apenas são percebidas, mas celebradas. A residência está situada em Villa Garibaldi, na planície de inundação do Arroyo El Pescado — o único curso d’água não contaminado da região. Essa área, além de essencial para o escoamento e para a qualidade do ar, constitui a última fronteira da grande megalópole que se estende até Rosario.

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O projeto retoma um elemento arquitetônico essencial da paisagem regional, presente tanto em ranchos e tendas indígenas quanto nas antigas casas chorizo: a varanda. É ela que nos protege das chuvas intensas e do sol escaldante do noroeste durante o verão. Estendendo-se em forma de “C”, a varanda resguarda os lados mais expostos ao clima. No trecho voltado para o nordeste, ela se abre para o jardim silvestre e cria um espaço de transição entre o interior e o exterior.

Axonométrica

A casa reinterpreta a tipologia rural com um telhado de duas águas assimétrico: um dos lados se prolonga para formar a varanda, enquanto o outro se eleva para acomodar um mezanino. Exteriormente austera, revela no interior um ambiente luminoso, acolhedor e flexível. Em seus 64 m2 cobertos, a organização distribui a cozinha e o banheiro ao sudeste. Uma cortina de teatro permite abrir ou fechar o espaço conforme as necessidades da cena.

© Luis Barandiaran
© Luis Barandiaran

A estrutura foi executada em eucalipto-vermelho, com revestimentos internos em painéis fenólicos do mesmo material. Para minimizar o impacto ambiental, a casa é apoiada sobre pilotis de concreto armado, elevados 50 cm acima do nível do solo, preservando o ecossistema.

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Corte em Detalhe

Foi preservada grande parte da vegetação preexistente. Com o trabalho do Flux Estudio, definiu-se a estrutura arbórea por meio de percursos e setores que potencializam a paisagem e a experiência de habitar.

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Planta – Térreo

A construção foi realizada em apenas três meses com mão de obra local, o que permitiu otimizar tempo e recursos, e fortalecer o vínculo com a comunidade. A casa leva o nome de Ona, nossa companheira felina, que se apropriou tanto dos vazios quanto das alturas.

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A telha metálica, com sua memória de humildade e de origem imigrante, ganha um novo significado. Sob chuva intensa, a casa se transforma em balsa e evoca as habitações ribeirinhas do delta de Berisso e Ensenada. Habitar em relação direta com a água, a paisagem e o cotidiano é, para nós, uma forma contemporânea de fazer arquitetura.

© Luis Barandiaran





Fonte: Archdaily

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