Arquitetura
Casa Piracicaba / Urbem Arquitetura

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- Área:
532 m²
Ano:
2024
Fabricantes: ARTE LUZ, Designer Gustavo Dias, Indusparquet, Lucas Lopes do Prado, Viametal

Refúgio Contemporâneo: Arquitetura, Paisagem e Estilo de Vida em Harmonia. Assinada pelos arquitetos Camila Carvalho, Marcelo Guidotti e Viviane Cortozi, esta residência localizada no interior paulista foi pensada para celebrar o modo de viver de um jovem casal, com filhos pequenos, que encontra nas relações sociais e no contato com a natureza o fio condutor de sua rotina. Situada na última rua de um condomínio projetado pelo pai da cliente — e tendo como um dos arquitetos o irmão, Marcelo Guidotti —, a casa se implanta de forma fluida em um terreno com acentuado declive e vista privilegiada para a mata nativa.


A chegada: uma imersão gradual no verde. A experiência começa já na chegada, ao atravessar um jardim denso e cuidadosamente desenhado pelo paisagista Amaury Neto. O visitante é conduzido por entre a vegetação até a entrada principal, onde o volume contemporâneo da casa se revela. A volumetria, marcada pela leveza estrutural e pelo uso de materiais naturais — como concreto aparente, pedra e madeira —, cria uma moldura que antecipa o convite: adentrar um espaço onde arquitetura e paisagem se fundem.


Térreo: o coração social da casa. Ao cruzar a porta, o living de pé-direito duplo se abre, com uma conexão visual imediata entre todos os ambientes sociais. À direita, a cozinha — que pode ser completamente integrada ou isolada por painéis de madeira camuflados — atende tanto ao uso cotidiano quanto às ocasiões festivas. O espaço gourmet, posicionado estrategicamente junto ao living, proporciona fluidez às reuniões, que se estendem naturalmente para a varanda e para a área da piscina.
Do outro lado, o escritório se volta para a vegetação, funcionando como refúgio de trabalho ou leitura em meio ao verde. Ainda neste nível, a sauna, revestida em madeira carbonizada, surge como um dos destaques sensoriais da casa, oferecendo aos moradores e convidados uma experiência de bem-estar que se complementa com a área externa.

A piscina, com borda quase escondida pela vegetação, ganha atmosfera de lago natural. Os muros do terreno foram pintados em tom escuro, quase desaparecendo no cenário e reforçando a sensação de que o verde é protagonista absoluto. O fogo da lareira externa adiciona um elemento lúdico e acolhedor, criando o cenário ideal para encontros ao ar livre e observação das estrelas, prática valorizada pelos moradores.



O percurso vertical: entre convivência e contemplação. A distribuição em níveis intercalados foi uma solução encontrada para respeitar as diretrizes do condomínio e, ao mesmo tempo, explorar ao máximo a topografia do terreno. Assim, ao subir a escada leve e bem iluminada, chega-se ao pavimento superior, onde a Sala dos Prazeres — dedicada à música e momentos de lazer — ocupa posição de destaque. O espaço é acusticamente isolado, permitindo ensaios, audições e celebrações com liberdade, sem interferir na dinâmica da casa.

Dali, avança-se para a ala íntima, composta pelos quartos das crianças e, ao final do percurso, pela suíte do casal. O layout garante privacidade e ao mesmo tempo mantém a proximidade entre os ambientes. Na sala de banho da suíte principal, a claraboia e o jardim interno criam um clima de absoluto relaxamento, onde a luz filtrada e o espelho sem fundo aparente evocam a sensação de um retiro em meio à mata.

Integração total. Todo o projeto busca, de maneira sutil, reforçar a relação dos moradores com o entorno. A ventilação cruzada e a entrada abundante de luz natural foram cuidadosamente planejadas, com aberturas estrategicamente posicionadas que otimizam o conforto térmico e trazem a natureza para dentro de casa. A varanda principal, com banco curvo e jardineiras estruturais, dissolve os limites entre interior e exterior.

Arquitetura de encontros e contemplação. Mais do que uma casa contemporânea, o projeto traduz o estilo de vida de seus moradores: dinâmico, afetivo e conectado à natureza. Cada ambiente foi pensado para estimular a convivência — seja ao redor de uma mesa com amigos, ao som de instrumentos na Sala dos Prazeres ou sob o céu estrelado da lareira exterior —, ao mesmo tempo em que proporciona momentos de recolhimento e contemplação. Um refúgio que celebra a beleza do entorno e a arte de bem viver.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa Flutuante / Tigg + Coll Architects

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Descrição enviada pela equipe de projeto. O escritório TiggColl architects concluiu a Casa Flutuante, uma inovadora residência flutuante modular no Grand Union Canal, em Ruislip, no noroeste de Londres. Ampla, acessível e pensada para uso familiar, a casa combina design contemporâneo e tecnologia avançada, ampliando os limites da moradia sustentável sobre a água. A TiggColl foi convidada pelo cliente a projetar uma nova residência sob medida para substituir a antiga barcaça do canal, que já não atendia às necessidades de espaço e acessibilidade de uma família em crescimento, com demandas de saúde em transformação. A possibilidade de acesso em nível único no futuro foi central no programa, assim como a decisão de posicionar a casa acima da linha d’água — diferentemente das barcaças tradicionais, cujo piso interno fica abaixo do nível da água, gerando ambientes frios e úmidos. De forma crucial, a família desejava permanecer na cooperativa de 35 houseboats ancoradas em um atracadouro residencial privado em Hampton Hall Farm, um local bonito, porém restrito.


Criando uma casa familiar espaçosa e conectada à natureza. No interior, a Casa Flutuante oferece espaços contemporâneos cuidadosamente projetados para maximizar o aproveitamento da área e da luz natural. Grandes aberturas enquadram vistas amplas da água e da paisagem ao redor, criando uma atmosfera serena e acolhedora, que conecta imediatamente a família ao ambiente aquático sem comprometer privacidade e segurança. As fachadas externas são revestidas com ripas horizontais de madeira Accoya, um material sustentável e durável, escolhido por sua resistência à água e pela capacidade de envelhecer naturalmente em harmonia com a margem do canal, conferindo ao conjunto uma aparência dinâmica e integrada ao entorno.

A estrutura interna em madeira aparente garante continuidade espacial e combina uma estética contemporânea e essencial com uma sensação acolhedora, calma e natural. Os interiores utilizam materiais e acabamentos de alta qualidade e caráter discreto, como piso de carvalho engenheirado, cozinha preta de linhas elegantes com bancadas em Dekton e eletrodomésticos da marca Hacker. O programa ambicioso previa um espaço de estar familiar em planta aberta, uma suíte principal, dois dormitórios infantis e um banheiro compartilhado — tudo inserido em um lote de apenas 4 × 20 metros, dimensão definida pela largura do canal, pelas distâncias de navegação e pelo comprimento do atracadouro. Para ampliar o uso do espaço, a equipe adotou janelas em balanço, criando superfícies adicionais na cozinha e áreas de dormir nos quartos das crianças. Junto a painéis de ventilação integrados e elementos de sombreamento solar, esses volumes salientes definem de forma expressiva a fachada voltada para a margem.


Projetar sobre a água: pré-fabricação e sistema modular. O acesso ao Grand Union Canal nessa região é limitado por pontes baixas, tanto a montante quanto a jusante. Além disso, a ausência de um dique seco ou cais inviabilizou métodos tradicionais de manutenção, como a remoção da embarcação por guindaste. Em resposta, a TiggColl trabalhou em estreita colaboração com engenheiros navais e estruturais para desenvolver um sistema único composto por dez cascos de aço interligados, fixados por uma estrutura tipo pórtico. Cada módulo pode ser desacoplado individualmente, flutuado para fora do conjunto e içado até a margem do canal, tornando a manutenção simples e viável, sem a necessidade de grandes infraestruturas. Em parceria com a Bucklands Timber, a TiggColl desenvolveu uma estrutura aparente em toda a casa, seguindo a mesma lógica construtiva sistematizada. Após a montagem e o lançamento da base flutuante, a estrutura principal foi rapidamente instalada no local, reduzindo o tempo de obra sobre a água e minimizando impactos na comunidade de moradores do canal.

David Tigg, diretor fundador da TiggColl, afirma: “A Casa Flutuante é uma prova de como pensamento criativo, tecnologia e engenharia inovadora podem superar restrições naturais e atender às necessidades específicas de uma família. Esperamos que ela se torne um protótipo para criar ambientes de moradia agradáveis e sustentáveis em canais, rios ou lagos de difícil acesso.”

Rachel Coll, também diretora fundadora da TiggColl, complementa: “Nossa ambição foi criar uma casa familiar acessível que maximizasse o espaço limitado disponível, garantindo ao mesmo tempo que a houseboat tocasse o entorno com leveza — aproximando ao máximo a natureza, os reflexos e a luz solar. É uma casa pensada para abraçar a paisagem e apoiar a vida familiar contemporânea, sobre a água.”

Narinda Desrosiers, proprietária da Casa Flutuante, conclui: “Desejávamos uma casa bonita e funcional para uma família de quatro pessoas, que também pudesse acomodar minhas futuras necessidades de saúde. Iniciar essa nova construção foi um grande salto de fé, mas nunca desistimos de acreditar que nossa visão era possível. Graças ao comprometimento constante da TiggColl e da equipe de engenheiros envolvidos, conquistamos uma casa que superou nossos sonhos: tranquila, cercada pela natureza e com vistas deslumbrantes sobre a água.”

Arquitetura
Casa Ramenzoni / KA2R Arquiteura

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- Área:
1400 m²
Ano:
2024

Descrição enviada pela equipe de projeto. A Casa Ramenzoni foi concebida como uma residência de veraneio onde a arquitetura atua como mediadora entre o habitar e a paisagem. O projeto parte do princípio de que a casa não deveria se impor ao entorno, mas sim revelar e potencializar suas qualidades naturais por meio de percursos, enquadramentos e espaços de contemplação.


A principal inspiração do projeto foi a relação direta com a paisagem, entendida como elemento central da experiência arquitetônica. Desde o início, buscou-se criar uma sequência espacial capaz de conduzir o morador de forma gradual, permitindo que o contato com o entorno acontecesse de maneira sensorial e contínua. O hall de entrada assume papel fundamental nesse conceito, funcionando como um espaço de transição que enquadra a paisagem como um verdadeiro quadro vivo, estabelecendo o tom da experiência desde a chegada.



Entre os principais desafios enfrentados esteve a implantação da residência em um terreno com topografia marcada, exigindo uma solução que equilibrasse grandes áreas construídas com uma presença arquitetônica discreta. A estratégia adotada foi a fragmentação do programa em volumes horizontais, acompanhando o relevo e reduzindo o impacto visual da edificação. Outro obstáculo foi garantir conforto térmico e visual em uma casa amplamente aberta para o exterior, sem comprometer a proteção solar e a privacidade.


A construção utiliza técnicas tradicionais associadas a uma execução precisa e detalhada. A estrutura combina concreto armado com grandes balanços, permitindo a criação de beirais generosos que protegem os espaços internos. A pedra natural aparece nos muros de contenção e elementos verticais, reforçando a relação com o terreno e contribuindo para a sensação de permanência. A madeira é amplamente utilizada em forros, brises e fechamentos, conferindo aconchego e unidade visual aos ambientes.



A configuração espacial privilegia a fluidez e a integração entre os espaços. As áreas sociais se organizam de forma contínua, conectadas aos jardins, pátios e áreas externas por meio de amplos planos envidraçados. O paisagismo é parte integrante do projeto arquitetônico, atravessando os espaços internos e criando zonas de transição que dissolvem os limites entre interior e exterior. Dessa forma, a casa se constrói menos como um objeto isolado e mais como uma experiência de habitar em permanente diálogo com a paisagem.

Fonte: Archdaily
Arquitetura
Casa (re)cortes – tecto, paredes e pilar / Corpo Atelier

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Descrição enviada pela equipe de projeto. As qualidades gerais de uma casa vernacular de esquina foram mantidas.


Por fora, as duas fachadas mantêm os seus atributos originais. Excepção feita para as duas janelas quadradas que agora recortam a cornija e seria exatamente a mesma casa.


No interior, tampouco houveram mudanças significativas. Duas paredes foram demolidas, alguns elementos mudaram de sítio e foi introduzido um pilar. Estruturalmente, o pilar é inútil. Existe apenas para fins dramáticos. A interseção entre o pilar e a estrutura da cobertura parece desencadear um acontecimento inesperado: uma sucessão de recortes orgânicos atravessa o espaço de uma forma aparentemente aleatória, rasgando a brancura excessiva da sala e revelando, de forma evidente, a estrutura de madeira até então oculta.


A estética geral da sala parece acidental. Como se os (re)cortes tivessem ocorrido de forma natural. Como se fosse uma ruína. Como se o reboco tivesse finalmente cedido e colapsado para o chão,gradualmente, ao longo do tempo. Não foi isso que aconteceu.

Fonte: Archdaily
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