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- Área:
166 m²
Ano:
2025
Fabricantes: Dedalo, Lima Modern, Meglio, Mini Cooper, Nowo Gallery, Trazzo Iluminación

Descrição enviada pela equipe de projeto. Há casas que abrigam. E há casas que revelam novos modos de viver. Casa Tarapacá é uma dessas casas — capaz de fazer qualquer um repensar a forma como habita. Desde o primeiro momento, quem entra percebe que tudo acontece como uma experiência sensorial contínua: luz, movimento, vizinhança, natureza e um ar de tranquilidade que envolve cada detalhe. É um lugar que desperta algo profundo, quase íntimo. Foi exatamente isso que capturou a arquiteta Brunella Sardenberg, do Studio BR, quando visitou o imóvel pela primeira vez: a certeza de que ali existia uma oportunidade de transformar o ordinário autoconstruído em uma casa viva.

A ideia nasceu como um gesto ousado: transformar um edifício de três pisos, construído sobre um terreno compacto de 66m2, em uma casa-taller para uma família jovem — um espaço para crescer, criar e sonhar juntos. Desde o início, a arquiteta não se intimidou em resolver espacialmente o programa arquitetônico em um imóvel com uma fachada de menos de 4m de largura, que cumprisse uma premissa básica: que a casa se sinta ampla e iluminada.


O coração do projeto é a escada. Transparente, leve, com linhas que parecem flutuar, ela atravessa os quatro níveis da casa como um eixo de movimento e encontro. Cada degrau deixa entrever o que acontece acima e abaixo: pessoas circulando e partilhando o cotidiano. A transparência cria vínculos invisíveis — a família se vê, se ouve, se acompanha. É arquitetura que incentiva convivência e presença.


A luz é a segunda grande protagonista. Ela entra pela manhã pelos fundos, se desloca ao longo do dia, reflete na rua e invade a casa pelas tardes. Pelos dutos zenitais, cai diretamente no centro, percorre as paredes e cria sombras que se movem como se o espaço tivesse um pulso próprio. Essa iluminação natural não é apenas técnica: ela define a atmosfera emocional da casa, marca o ritmo das horas e faz com que os moradores vivam em diálogo constante com o dia, através da conexão com o sol.


Os pavimentos, embora separados, funcionam como um ambiente contínuo. Do térreo ao quarto piso, tudo está conectado visual e emocionalmente. No nível inferior, o escritório com pátio ao fundo traz o verde como primeiro respiro. Nos pisos seguintes, sala, cozinha e dormitórios se abrem para o terraço e para as árvores da rua. No último nível, a casa se expande por completo: surge o bairro inteiro — vivo e próximo — e, ao fundo, quase como um presente inesperado, aparece o mar.

O interiorismo e o mobiliário também foram projetados pelo Studio BR, completando a proposta e materializando a visão do estúdio para esta família. O interiorismo foi concebido a partir de uma estética atemporal, onde a modernidade aparece de forma discreta e precisa. Os espaços adotam uma paleta neutra e cálida, realçada por acentos de cor. O interiorismo não busca chamar atenção para si, mas oferecer um pano de fundo elegante e silencioso para a vida cotidiana.

Para a arquiteta e a equipe do Studio BR, projetar esta casa foi mais do que reorganizar um espaço: foi lapidar um diamante bruto. Transformar um terreno estreito em um lar amplo, cheio de luz, fluidez e sentido.

No fim, esta casa não é apenas um projeto arquitetônico. É uma declaração sobre o valor de habitar bem, mesmo em poucos metros. Um convite para imaginar uma vida onde cada detalhe — da luz ao silêncio, do degrau ao horizonte — tem intenção e significado.

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Fonte: Archdaily

