Arquitetura
Casas Rose Terraces / Luigi Rosselli Architects

As novas casas construídas para aluguel de Luigi Rosselli frequentemente utilizam terra compactada — um material sustentável, porém de construção lenta, acessível apenas a quem dispõe de tempo, recursos financeiros substanciais ou ambos. Agora, o arquiteto de Sydney está explorando outro material altamente sustentável em uma fileira de quatro sobrados em Bondi Junction, cujas paredes se erguem “como um kit de Lego”. Concebidas como uma versão de baixo custo do típico terraço, as residências empregam madeira laminada cruzada (CLT) pré-fabricada, composta por camadas de madeira coladas entre si, o que permite reduzir o tempo de construção de aproximadamente um ano e meio (no método convencional) para apenas seis meses.
Para Rosselli, o projeto construído para aluguel chamado “CLT com TLC” é um experimento cuidadosamente documentado para testar o que pode ser feito com rapidez e economia a fim de mitigar a crise habitacional, aumentar a densidade urbana e reduzir o carbono associado aos projetos de construção. Ele acrescenta que as casas também lhe proporcionarão uma renda para a aposentadoria — afinal, o projeto, que oferece acomodações de aluguel estáveis e extremamente necessárias, foi concebido e inteiramente financiado pelo próprio arquiteto. O orçamento federal de 2025 destinou 54 milhões de dólares para acelerar a adoção de métodos construtivos modernos, soluções habitacionais mais rápidas e eficientes que também reduzem a emissão de carbono.
Quando Rosselli publicou no Instagram um vídeo em time-lapse mostrando as casas de 80 metros quadrados sendo erguidas no local de uma antiga edificação térrea, mais de 900 pessoas reagiram. “Maravilhoso ver um arquiteto geralmente associado ao mais alto nível da arquitetura residencial assumir um projeto como este”, comentou um dos usuários.
“Usar CLT permitiu que uma mesma planta fosse rapidamente replicada”, explicou Rosselli, tornando o sistema ideal para a construção acelerada de habitações de baixa a média densidade. Embora a madeira engenheirada fosse mais cara do que a estrutura convencional em madeira, seu uso reduzia significativamente o tempo de obra e gerava economia em outras etapas do processo. “A indústria da construção é lenta, e está ficando ainda mais lenta”, afirmou. “Trabalhei por 40 anos na Austrália e costumávamos construir uma casa em nove a doze meses, no máximo. Depois passou para um ano e meio. Agora já são dois anos.” Segundo Rosselli, a culpa não é dos trabalhadores, mas de regulamentações cada vez mais complexas, exigências de qualificação e práticas de gestão de riscos e responsabilidades que frequentemente obrigam uma etapa a ser concluída antes que a próxima possa começar.
Respondendo a comentários no Instagram, Rosselli explicou: “A grande diferença está no tempo e na precisão. São seis meses para todo o projeto, incluindo algumas profissões tradicionais, como azulejistas e instaladores de janelas. Isso representa uma redução de mais de 50 a 70 por cento em relação à duração padrão de um canteiro de obras. Consequentemente, há uma diminuição substancial dos custos indiretos — como encarregado, seguro, andaimes e outros encargos elevados. Além disso, a precisão do sistema permite encomendar cada item antecipadamente, sem o risco de que não se encaixe.”
Foi a primeira experiência do escritório com o uso de CLT, e Rosselli afirma: “Devo dizer que não será a última. É um material realmente maravilhoso. A precisão com que os painéis de madeira laminada cruzada são fabricados é impressionante.” A equipe vem monitorando tanto os custos quanto o impacto ambiental do projeto. O fabricante, XLAM, estima que o uso de 173 metros cúbicos de CLT — produzido com pinus de plantações australianas — resulte no armazenamento de 80,63 toneladas de CO2-eq, o equivalente a retirar sessenta carros das ruas durante um ano. A arquiteta e especialista em sustentabilidade Caroline Pidcock ressaltou que é “absolutamente crucial” que profissionais como Rosselli liderem o caminho com construções belas e sustentáveis: “Há uma grande responsabilidade, porque os arquitetos olham para elas, a imprensa olha para elas, e os clientes também.”
Rosselli passou a carreira tentando educar seus clientes — muitos deles pertencentes ao topo da elite econômica australiana — sobre os benefícios de utilizar materiais reciclados. “O impacto que posso ter com eles é, às vezes, dez ou doze vezes maior do que em um pequeno projeto”, afirmou. “Se eu conseguir convencer um milionário, um bilionário, a reutilizar um edifício existente… isso gera um impacto muito mais significativo. Temos sido quase missionários ao tentar convencer clientes a adotar a terra compactada, que possui um componente de CO2 extremamente baixo.”
O professor da Universidade Monash, Karl-Heinz Weiss, que introduziu a CLT no mercado do Reino Unido no início dos anos 2000 e participou de mais de 150 projetos, explicou que, ao contrário do concreto — que gera carbono — a CLT é produzida a partir da madeira que a armazena, sendo o único material de construção sustentável e renovável capaz de operar em grande escala. Os maiores painéis utilizados tinham aproximadamente 3,3 metros por 16 metros. “Isso proporciona velocidade de montagem, porque você não precisa lidar com inúmeras peças pequenas”, afirmou.
A Austrália conta com duas fábricas que produzem CLT, além de outras dedicadas à fabricação de vigas e componentes colados. Weiss destacou que o material costuma ser mais adequado para projetos a partir de quatro pavimentos. Em empreendimentos de grande escala que utilizam CLT — como a sede de 180 metros da Atlassian — ainda é necessária a combinação com concreto e aço para garantir estabilidade estrutural.
Trechos de um artigo do Sydney Morning Herald, publicado originalmente em 31 de março de 2025 e escrito por Julie Power.
Fonte: Archdaily