Cine Copan reabre em 2027 e retoma projeto original de Oscar Niemeyer

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Inaugurado em 1970, quatro anos depois do próprio Copan, o cinema nasceu como extensão natural do edifício. Não era apenas um serviço para moradores ou frequentadores do centro, mas parte do projeto urbano de Niemeyer, que entendia o térreo como lugar de encontro, circulação e permanência. Com 1.200 poltronas de veludo vermelho, projeção em 70 mm e escala monumental, o Cine Copan rapidamente se tornou referência entre os cinéfilos paulistanos e símbolo de uma época em que ir ao cinema era um ritual coletivo.

A crise das salas de rua nos anos 1980 interrompeu esse ciclo. Em 1986, o cinema fechou as portas. Anos depois, o espaço foi descaracterizado ao abrigar um templo religioso, apagando o letreiro e diluindo a leitura arquitetônica original. Ainda assim, as camadas do tempo permaneceram ali, visíveis nas ruínas e na memória afetiva de quem atravessou aquelas portas.

A reabertura, agora sob o nome Nu Cine Copan, surge como gesto de reconexão com essa história. Mais do que recuperar uma sala de exibição, o projeto propõe devolver ao Copan um de seus usos mais emblemáticos. A nova sala terá cerca de 440 lugares e infraestrutura contemporânea, mas o foco está menos na tecnologia e mais na ideia de cinema como espaço cultural expandido, capaz de acolher filmes, performances, encontros e experimentações.

Esse espírito já se manifesta na primeira ocupação do espaço, antes mesmo do início das obras. A peça Hamlet: Sonhos que Virão, dirigida por Rafael Gomes e estrelada por Gabriel Leone, estreia em fevereiro e foi pensada especialmente para dialogar com a arquitetura existente. As interpretações se integram às ruínas do antigo cinema, ativando o espaço como cenário vivo e reafirmando sua vocação cênica. É um uso provisório, mas simbólico, que coloca o público em contato direto com a materialidade do lugar e com sua potência narrativa.

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Fonte: Casa Vogue

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