Arquitetura

Complexo Esportivo em Petit-Quevilly / Olgga Architects

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© Julien Tragin

Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto está localizado no Quartier de la Piscine, em Petit-Quevilly, ao sul da área metropolitana de Rouen, França. Implantado em um antigo local industrial, o terreno situa-se no coração de um território fragmentado, dividido pela rodovia Sud III, que há décadas rompe a continuidade urbana entre o centro histórico e os bairros orientais. Até recentemente, o local era percebido como uma composição dispersa: áreas de estacionamento ao norte, uma casa de caldeiras urbana no centro e equipamentos públicos isolados ao sul, todos circundados por uma série de barreiras físicas — cercas e grades de proteção — que reforçavam a fragmentação do espaço.

© Stephane Aboudaram
© Julien Tragin

Um aterro, construído para proteger o local dos incômodos da rodovia, acabou por reforçar paradoxalmente essa ruptura visual e física. O projeto nasce de um desejo simples: reconectar. Reconectar os moradores à sua cidade, reconectar os bairros separados pela infraestrutura e reconectar as práticas esportivas e culturais à paisagem envolvente. Inserido no âmbito do Programa Nacional de Renovação Urbana (ANRU), o projeto representou uma oportunidade singular de reunificar o município em torno de um grande parque público agregador.

Planta – Térreo

Neste antigo local industrial de três hectares, antes fragmentado e enclausurado, o projeto configura agora um amplo espaço público onde arquitetura e paisagem se encontram. No coração da proposta, um mirante de 365 metros de extensão desenha uma linha clara através do território. Ora ao nível do solo, ora elevado, esse eixo linear funciona como uma interface que conecta todos os elementos do programa — o ginásio poliesportivo, os equipamentos sociais, o centro de lazer, o skatepark e o estádio municipal — ao mesmo tempo em que oferece novas perspectivas sobre a cidade. Para além do programa inicial, foram incorporados um skatepark inteiramente em concreto, uma meia quadra de basquete sobre a cobertura do ginásio e a integração lúdica de escorregadores nas encostas naturais do terreno.

© Julien Tragin

A passarela urbana afirma-se como a espinha dorsal do projeto: um gesto simples, porém potente, que conecta e revela. Ao seu redor, o parque se desenvolve como uma paisagem viva e em constante transformação. As encostas são cuidadosamente modeladas, a água da chuva é conduzida por meio de valas paisagísticas, e prados e bosques se sucedem em sequências naturais. O conjunto compõe um ambiente acolhedor, favorável ao uso cotidiano, ao lazer e à vida social — um espaço aberto e inclusivo, onde esporte, natureza e cidade se encontram.

Cortes

O sistema estrutural, inteiramente executado em concreto, afirma uma abordagem unitária que responde às exigências de controle de custos, durabilidade e coerência arquitetônica. Ancorados na encosta, o ginásio e as instalações sociais abrem-se generosamente para os espaços exteriores, estabelecendo um diálogo contínuo entre arquitetura e paisagem. Sob a rampa circular que organiza o coração do projeto, o centro de lazer destinado aos adolescentes encontra naturalmente seu lugar. Nesse ponto, a arquitetura define os limites do pátio interno e do skatepark a oeste, articulando usos e estimulando a interação em um espaço compartilhado. A partir desse núcleo central, e em continuidade direta com a rampa circular, a passarela metropolitana se estende, oferecendo uma conexão direta com a cidade.

© Stephane Aboudaram
© Stephane Aboudaram

A unidade do projeto é reforçada por uma linguagem arquitetônica sutil, durável e quase monolítica. Todas as fachadas recebem um tratamento uniforme: um revestimento metálico envolvido por uma pele secundária de grade metálica que abraça os volumes. Essa estratégia material confere ao conjunto uma homogeneidade quase abstrata, ao mesmo tempo em que modula a luz e protege as superfícies envidraçadas contra danos. A arquitetura atua como um conector urbano, religando partes fragmentadas do território e oferecendo ao bairro um novo espaço de respiro. Hoje, o projeto é percebido como uma paisagem para habitar, atravessar e compartilhar — uma intervenção situada na confluência entre arquitetura, urbanismo, engenharia civil e paisagismo, que devolve ao distrito um renovado sentido de abertura.

© Stephane Aboudaram




Fonte: Archdaily

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