Arquitetura
Edifício Residencial Parede Townhouses / extrastudio

- Área:
677 m²
Ano:
2025
Descrição enviada pela equipe de projeto. Na língua portuguesa, o verbo habitar é transitivo. Por si só, tem um significado incompleto, e necessita de um substantivo para fazer sentido. Habitamos uma casa ou num lugar, e o acto de habitar está sempre dependente de um objecto para se concretizar.
Este projecto foi um ensaio sobre uma nova forma de habitar, tanto no acto como no próprio objecto, para um promotor com uma ideia de casa, antes até de ter um terreno para a construir. Procurava desenvolver habitação mais acessível, com tipologias flexíveis, que pudesse adequar-se a agregados familiares muito distintos, e à ocupação de quem trabalha em casa, ou quem vive com uma família alargada.
De forma simples, procurámos construir um edifício de apartamentos na horizontal, com a economia de escala da habitação colectiva e a relação interior-exterior de uma moradia.
Em Portugal, a tipologia de townhouse assumiu maior expressão na expansão burguesa da cidade do Porto, entre 1763 e 1804, pela implementação das obras e normas urbanas de João de Almada e Melo, e Francisco de Almada e Mendonça, que reproduziram este modelo de influência inglesa. Tomou-se o exemplo das cidades densas, e eficientes, mas que não se desenvolveram em altura, para desenhar um reinterpretação acessível e flexível da townhouse.
Como forma de adaptar o projecto a um orçamento contido, afastámos-mos do centro da cidade, e encontrámos um bairro periférico em que cada construção tem a sua época, a sua escala e a sua personalidade. O projecto consolida a imagem do quarteirão como forma de qualificar e enquadrar toda a vizinhança, acolhendo um sentido de comunidade.
Procuraram-se componentes industriais, e com pouca necessidade de manutenção, que pudessem ser reinventados. O tijolo branco foi a solução para a uniformização de soluções construtivas no revestimento das fachadas, na protecção e enquadramento de vãos, como dispositivo de ventilação, na construção de escadas e no revestimento de pavimentos.
Assim se construíram 7 casas, que usam os pátios como forma de criar intimidade e proporcionar conforto térmico na utilização do espaço exterior. Nos jardins recorre-se a vegetação autóctone ou adaptada ao clima, que proporciona sombra e protecção ao vento, inspirando uma vida quotidiana ao ar livre. As áreas sociais ocupam os pisos térreos, enquanto os quartos estão reservados ao piso elevado. O jardim comunica sempre com um espaço amplo e flexível, permitindo a sua abertura a múltiplas formas de coabitação, de trabalho ou de lazer.
No final, ao contrário de um edifício de apartamentos, em que identificamos as fracções com uma combinação quase aleatória de números e letras, conhecemos a morada destas casas pelos nomes dos seus habitantes: a casa da Sílvia fica ao lado da casa do João.
Fonte: Archdaily