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Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca

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2023
Fabricantes: Cemex, Cemix, Interceramic

Descrição enviada pela equipe de projeto. O município de Tuxtla Gutiérrez, capital do estado de Chiapas, é uma cidade relativamente jovem, com pouco menos de 600 mil habitantes distribuídos em uma área urbana inferior a 90 km2. Seu clima é marcado por extremos: registra chuvas intensas no meio do ano e mantém uma temperatura média próxima de 30°C. A topografia apresenta contrastes naturais significativos — ao norte, a cidade faz fronteira com a Reserva do Cânion do Sumidero, enquanto ao sul é limitada pelos morros Mactumatzá e El Zapotal, ecossistemas ricos em biodiversidade que condicionam o crescimento urbano, predominantemente linear, no sentido leste–oeste. Esse corredor urbano pode ser percorrido de ponta a ponta em menos de 40 minutos pelos seus principais eixos viários.



Grande parte de Tuxtla ainda apresenta predominantemente usos habitacionais H1, H2 ou H3 (zones de baixa e média densidade, conforme o zoneamento municipal), e apenas poucos setores avançam para padrões de densidade variável ou de uso misto. Essa condição, somada ao alto custo da terra, tem incentivado um crescimento periférico acelerado, marcado pela expansão de loteamentos de habitação popular e de classe média. Esse processo avança sobre áreas naturais protegidas, fragmenta o território e intensifica a segregação socioespacial. Como consequência, a desigualdade, a poluição e a degradação ambiental afetam diretamente a saúde, a segurança e a economia de toda a população.


O fato de Tuxtla ser uma cidade de pequeno porte não a torna menos relevante; ao contrário, coloca-a em um ponto de inflexão que permite construir um modelo urbano mais equitativo e sustentável. Cidades de pequena e média escala, como Tuxtla Gutiérrez, constituem hoje um cenário estratégico para a implementação de modelos urbanos mais eficientes: nelas, as mudanças de uso do solo e os investimentos intraurbanos produzem impactos imediatos e mensuráveis, fortalecem a estrutura existente e reduzem a pressão sobre áreas periféricas e ambientes naturais. Investir em cidades que já são compactas possibilita aproveitar a infraestrutura instalada, revitalizar bairros consolidados e promover uma mobilidade mais ativa e sustentável.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos convocam precisamente a agir frente às mudanças climáticas, proteger o meio ambiente e participar ativamente do desenho do espaço urbano. Desde a arquitetura e o urbanismo, devemos assumir esse compromisso e promover cidades resilientes, densas e habitáveis.


Nesse contexto, surge a proposta de habitação intraurbana e de mudança de uso do solo — uma alternativa inspirada em experiências nacionais que buscam modelos habitacionais flexíveis, adaptáveis e orientados para a conectividade e a vida coletiva. Em três lotes de 252 m2 (totalizando 756 m2), onde anteriormente só eram permitidas três unidades habitacionais, foi conduzido o processo de alteração do uso do solo para permitir uma densidade variável. O terreno foi então subdividido em seis frações de 126 m2 (9×14 m e 7×18 m), resultando em um master plan que integra habitações unifamiliares e multifamiliares.

O conjunto Sabines 242 se ergue sobre uma base de tijolo vermelho e reúne 410 m2 de área habitável. O térreo, concebido como andar livre, concentra os acessos principais, enquanto os materiais — tijolo, aço e vidro — estabelecem um diálogo direto com a paisagem ao redor. Subtrações reticulares nas fachadas frontal e lateral moldam os espaços internos e permitem a entrada generosa de luz e ventilação, integrando exterior e interior. As varandas projetam-se em direção à paisagem, e a cobertura de aço se abre como um terraço panorâmico voltado para a cidade. Suas tonalidades e aberturas criam diferentes atmosferas, favorecendo a apropriação livre dos espaços pelos moradores. No lado oeste, uma pele dupla de serralheria retrátil em forma de leque protege os quartos, controla a incidência solar e assegura ventilação constante proveniente do norte.


A arquitetura costuma ser representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências ao redor. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram feitos para serem compreendidos de imediato, nem revelam sua lógica apenas pela forma. Sua inteligência espacial emerge aos poucos — pela repetição, pela ocupação e pela duração.
O bazar se insere com firmeza nessa categoria. Ele não pode ser entendido por um único desenho ou por uma elevação finalizada. Sua organização não é fixa, é ensaiada diariamente. O que o sustenta não é apenas a composição arquitetônica, mas o tempo compartilhado, a memória coletiva e padrões de uso construídos ao longo dos anos. A convivência no bazar não nasce de decisões formais de projeto; ela é produzida por encontros repetidos, proximidades negociadas e familiaridade social acumulada no tempo.
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Observar um bazar com atenção é reconhecer a arquitetura operando como um sistema temporal. Mercados não funcionam de maneira contínua e uniforme. Eles se montam, se intensificam, pausam, se transformam e se dissolvem — muitas vezes dentro de um único dia. Da atividade noturna do Mercado de Flores Dadar, em Mumbai, à precisão matinal do Mercado de Tsukiji, em Tóquio, esses ambientes são regidos menos por fechamentos espaciais e mais por coordenação no tempo.
Mercados públicos: arquitetura do encontro e da troca
A regulação acontece por repetição, não por imposição. A orientação se dá pela familiaridade, não pela sinalização. A memória assume o papel que, em geral, caberia às paredes e aos limites físicos. Ao longo do dia, ferramentas arquitetônicas convencionais começam a perder relevância. Plantas não conseguem registrar o movimento; diagramas de zoneamento falham em captar a sobreposição. Em seu lugar, é preciso outro tipo de leitura espacial — uma que reconheça o tempo como estrutura organizadora e o comportamento como um material arquitetônico central.

Entre a meia-noite e o início da manhã, muitos mercados se formam fora do olhar da cidade. No Mercado de Flores KR, em Bengaluru, essa lógica temporal está ligada ao papel da cidade como polo agrícola e comercial regional. As flores chegam durante a noite, vindas de distritos vizinhos e outros estados, sincronizadas com a demanda do atacado nas primeiras horas do dia e com a necessidade de evitar o calor e o trânsito diurnos. O mercado ocupa um tecido urbano denso, sobreposto por rotas de transporte, instituições religiosas e ruas comerciais históricas. Sua montagem segue o hábito, não a alocação formal.

Superfícies temporárias são estendidas. Feixes de flores definem bordas e caminhos. Poucos estandes existem no sentido arquitetônico tradicional, mas os limites espaciais são claramente compreendidos. Os vendedores retornam aos mesmos pontos todos os dias, guiados pelo reconhecimento social, não por marcações físicas. O território se mantém pela continuidade, não pela posse. A ordem espacial é construída coletivamente, sem infraestrutura visível ou controle centralizado. Aqui, o bazar revela uma inteligência arquitetônica raramente reconhecida: ambientes feitos pela repetição, e não pela permanência; legibilidade sustentada pela memória, e não pelo fechamento material.
Nas primeiras horas da manhã, a atividade se intensifica. Troca no atacado, compras no varejo, logística e demandas rituais se sobrepõem num intervalo de tempo extremamente comprimido. A proximidade do mercado com ruas comerciais e áreas de culto o insere num tecido urbano historicamente denso. Do ponto de vista do planejamento, essa concentração costuma ser lida como desordem. No nível do chão, porém, o espaço opera com precisão.

Os fluxos se ajustam em torno de carrinhos, motos e carregadores. Certos caminhos se alargam ou se estreitam conforme o volume, não conforme a dimensão física. Limiares mudam de função sem alteração arquitetônica. O que parece caótico de cima funciona como um sistema calibrado por hábito, familiaridade e ajuste mútuo. Aqui, a densidade não indica falha do planejamento — indica sucesso da organização temporal. A arquitetura atua menos como separação e mais como estrutura para negociação constante.
Com o avanço do dia, a intensidade diminui. A ênfase passa da transação ao descanso, à manutenção e à troca social. Em mercados como o de Mapusa, em Goa, essa desaceleração é estrutural. O ritmo do mercado se vincula mais aos ciclos agrícolas semanais e sazonais do que à demanda diária. O pico ocorre pela manhã; depois, o tempo se alonga.

Nessas horas, o mercado se expande e se contrai no tempo, não no espaço. A forma construída oferece sombra, bordas e superfícies duráveis, mas recua em protagonismo. A organização se dá por expectativa mútua. Conversas se estendem. Assentos improvisados surgem onde nada foi projetado. O mercado continua ocupando o espaço sem produzir troca material. Essa pausa não é ineficiência — é inteligência espacial. Ela permite que o sistema se recupere e se sustente ao longo das semanas e estações.
À medida que o comércio se encerra, muitos mercados se transformam profundamente. No Campo de’ Fiori, em Roma, a retirada das barracas revela uma praça cívica. O mesmo chão que sustentava caixas e circulação pela manhã passa a acolher encontros e lazer à noite.

Essa mudança acontece sem qualquer intervenção arquitetônica ou reprogramação formal. O uso se transforma, mas a memória do espaço permanece. Mesmo sem as barracas e objetos, os vestígios do mercado continuam legíveis, e as pessoas ainda reconhecem onde a atividade acontecia, orientando-se pela familiaridade — não por placas ou dispositivos de design. O espaço não precisa anunciar sua nova função; ele simplesmente a incorpora. O êxito desses ambientes não está na “flexibilidade” como recurso projetado, mas na ausência de restrições. A arquitetura se mantém aberta o suficiente para acolher diferentes condições sociais ao longo do tempo, sem impor hierarquias nem fixar permanências. Ao evitar definir o uso com excesso de precisão, o mercado garante continuidade entre o comércio e a vida pública, mostrando como a arquitetura permanece relevante quando permite que os programas evoluam, em vez de exigir estabilidade.
À noite, o bazar quase desaparece. Estruturas temporárias somem. Os objetos vão embora. Em mercados como o Ballarò, em Palermo, quase nada resta fisicamente — mas a ordem espacial continua viva na memória coletiva. O mercado não depende de preservação formal. Ele sobrevive por ensaio diário.

Com o tempo, a questão muda: não é mais como projetar mercados, mas como os mercados moldam o comportamento espacial. O bazar ensina negociação, timing e convivência. Ele produz coletividade não pela forma, mas pelo uso contínuo. Não se trata de romantizar a informalidade, mas de ampliar o modo como a arquitetura observa o espaço vivido. Quando espaço e tempo são inseparáveis, a representação também precisa ser. O bazar não pede outra arquitetura. Ele pede outras formas de enxergar a arquitetura como ela é vivida.
Este artigo é parte dos Temas do ArchDaily: Construindo lugares de encontro. Mensalmente, exploramos um tema em profundidade através de artigos, entrevistas, notícias e projetos de arquitetura. Convidamos você a conhecer mais sobre os temas do ArchDaily. E, como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossas leitoras e leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.
Timothée Chalamet cresceu no Manhattan Plaza, um edifício de 46 andares localizado no bairro de Hell’s Kitchen, em Manhattan. Concluído em 1977, o complexo oferece moradias subsidiadas para famílias de renda média, dentro do programa habitacional Mitchell-Lama da cidade de Nova York. O prédio abriga muitos artistas, o que lhe rendeu o apelido de “o quarto da Broadway” (Broadway’s Bedroom). Entre outros moradores famosos estão Colman Domingo, Alicia Keys, Angela Lansbury, Mickey Rourke e Larry David (que inspirou o personagem Cosmo Kramer na série Seinfeld). Em certa época, Samuel L. Jackson chegou a trabalhar ali como segurança.

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Descrição enviada pela equipe de projeto. Este edifício é a nova sede do nosso escritório de arquitetura e da nossa oficina de carpintaria. Por que nós, um escritório de arquitetura, decidimos criar uma oficina de marcenaria? Em Okinawa, tornou-se comum que muitos edifícios comerciais utilizem estruturas de concreto armado combinadas com caixilhos de alumínio. No entanto, em grande parte de nossos projetos, optamos por projetar e instalar caixilhos de madeira nas aberturas — elementos com os quais as pessoas entram em contato direto no cotidiano e que influenciam significativamente a qualidade do espaço.

Casa EJ / Leo Romano
Casa Crua / Order Matter
Casa AL / Taguá Arquitetura
Terreiro do Trigo / Posto 9
Casa São Pedro / FGMF
Casa ON / Guillem Carrera
Casa Tupin / BLOCO Arquitetos
EUA desmente Eduardo Bolsonaro sobre sanções a Alexandre de Moraes